Ano vital para sucessões muni­cipais

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Todos sabem que 2015 não é ano eleitoral. Nem por isso sua importância será diminuída. Isso porque as articulações que haverá no ‘ano novo’ serão de fundamental importância para as eleições dos municípios no ano que vem. Esse valor que 2015 tem em relação a 2016 é, inclusive, maior do que os anos pré-eleitorais passados. Isso porque o cenário na capital e nas principais cidades do Estado está muito nebuloso – mais do que 2007 e 2011 em Goiânia, por exemplo. Diálogo, acordos e costuras já neste ano serão essenciais para quem quiser ter sucesso em outubro de 2016.

Em Goiânia, situação e oposição à administração do prefeito Paulo Garcia (PT) têm problemas. No bloco PMDB-PT, a grande celeuma é exatamente a união entre os dois partidos, que passou a ser reavaliada por peemedebistas após as derrotas do prefeito na Câmara de Goiânia – na eleição da Mesa Diretora da Casa e no projeto de reajuste da Planta de Valores, que daria novos números ao IPTU.
O principal problema não foi nem mesmo as derrotas em si, mas o motivo delas. Algumas lideranças já começam achar que o prefeito Paulo Garcia tem uma missão (quase) impossível pela frente e que dificilmente recuperará a sua imagem nos próximas 18 meses para ser um bom cabo eleitoral em sua sucessão. Desta forma, defendem que o partido se afaste do PT e, consequentemente, dos desgastes administrativos de Garcia.
Do lado do PT, o posicionamento de suas lideranças também não ajuda. Muitos, como o deputado federal Rubens Otoni (PT), já falam que o partido têm nomes para a corrida municipal em Goiânia, como os do ex-reitor da UFG Edward Madureira e da deputada estadual eleita Adriana Accorsi. Colocar o PT como um partido que pode lançar um nome em Goiânia é visto pelo PMDB como uma declaração de rompimento, já que a agremiação tem para si que o PT está em dívida com o partido – o PMDB apoiou Paulo Garcia em 2012 e não viu a reciprocidade em 2014, quando os trabalhadores lançaram o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT) para o governo contra o ex-governador Iris Rezende (PMDB).
Internamente, porém, o PMDB também tem os seus problemas. Além das disputas entre os grupos irista e friboizista (ligado ao empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi), o partido só tem um nome viável para concorrer ao Paço Municipal – exatamente o do ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende. Ninguém duvida da força de Iris em Goiânia, mas a repetição do nome – somado aos desgastes de Paulo Garcia, a quem Iris apoiou de corpo e alma em 2012 – ainda coloca uma interrogação sobre a possibilidade de sucesso de seu projeto.
Mesmo se Iris for o nome ungido pelo partido, o líder peemedebista ainda terá outro problema. Dois de seus maiores aliados hoje – PT e DEM – são arqui-inimigos da política nacional. Ou seja, maior aproximação com um será visto como um sinal de rompimento pelo o outro. Colocar os dois em uma mesma chapa é algo que, se não for impossível, demandará muita articulação e habilidade da chamada “engenharia política” por parte de Iris.

Oposição
A oposição a Paulo Garcia tem uma missão tão difícil – se não mais – do que a própria situação. O primeiro grande desafio da base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB) será a união em torno de um nome. Vale lembrar que a falta de união é algo que se repete historicamente no grupo quando o assunto é sucessão municipal na capital. A segunda barreira a ser alcançada é a construção de um nome viável e com identificação junto aos goianienses.
Um fator que pode dificultar a união da base é justamente o mau desempenho da gestão de Paulo Garcia. Isso pode levar ao mesmo fenômeno que prejudicou a oposição estadual nas eleições de 2014. Após os desgastes devido ao envolvimento de seu nome na Opera­ção Monte Carlo, Marconi experimentou uma grande queda de popularidade. O fato foi visto pelos partidos da oposição como algo praticamente consumado, o que estimulou candidaturas em todos os partidos opositores e ajudou muito a divisão do grupo nas eleições. Agora, a base de Marconi corre o mesmo risco em Goiânia.
Os principais partidos da base aliada terminaram 2014 mostrando que possuem projetos antagônicos entre si. Lideranças do PSDB, por exemplo, unificaram o discurso e demandam que, após 16 anos, o partido volte a lançar um candidato à prefeitura de Goiânia. Além do deputado federal eleito Fábio Sousa (PSDB), o nome mais comentado é o do presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), mas que ainda não mostrou ressonância junto a outros partidos.
O maior defensor de Rincón fora do PSDB é o deputado federal Roberto Balestra (PP). O parlamentar já deu várias entrevistas defendendo a candidatura do tucano. O presidente regional do PP José Eliton, porém, já disse que o partido tem nomes para entrar na disputa como uma forte opção. O mesmo posicionamento adota algumas lideranças do PSD, que vê em 2016 a possibilidade de a agremiação concorrer com chances de conquistar o Paço Municipal.
O vereador e deputado estadual Virmondes Cruvinel (PSD) afirmou com certa veemência – há algumas semanas, na coluna Linha Direta da Tribuna – que o partido vai lançar candidato em 2016 em Goiânia. O próprio pessedista está de olho na oportunidade de ser candidato. Outro no partido que postula o cargo é o deputado estadual reeleito Francisco Júnior, que foi candidato a vice-prefeito do deputado federal Jovair Arantes (PTB) em 2012. O deputado estadual Lincoln Tejota também coloca o seu nome como um possível pré-candidato à prefeitura da capital (leia entrevista com o deputado na página 11).

Anos anteriores
O ano de 2015 será mais importante para 2016 do que outros anos pré-eleitorais do passado, pelo menos em Goiânia. Em 2007, por exemplo, o cenário já estava praticamente formado desde o início do ano, com a candidatura do então prefeito Iris Rezende à reeleição por parte da situação. Na base aliada do então governador Alcides Rodrigues (ex-PP), o deputado federal Sandes Júnior (PP) também despontou cedo, principalmente por dois motivos – pouco interesse do restante da base, já que Iris tinha uma grande popularidade, e por Sandes ser do partido do governador e controlar o diretório metropolitano do PP.
Em 2011, o nome do prefeito Paulo Garcia (PT) também era certo para a reeleição. A base aliada de Marconi passou um ano de indefinições e de gestação de nomes. Tudo que foi articulado, porém, foi colocado em xeque quando, no início de 2012, a Operação Monte Carlo foi deflagrada trazendo grandes desgastes a nomes do grupo governista. O escolhido, já às vésperas das convenções, foi o deputado Jovair Arantes (PTB), com Francisco Júnior (PSD) na vice, mesmo com o deputado estadual Fábio Sousa (PSDB) insistindo na tese de que os tucanos deveriam, mesmo com o desgaste, lançar um nome para a disputa em Goiânia.


Indefinição também em Aparecida de Goiânia

 

 

O ano de 2015 será de extrema importância para o afunilamento da sucessão mu­nicipal em alguns outros grandes municípios, como Apareci­da de Goiânia, a segunda mai­or cidade em população de Goi­ás. Lá, o prefeito Ma­gui­to Vilela (PMDB) está bem ava­liado. Prova disso, foi que a cidade deu uma boa vitória a Iris Re­zende na eleição para o governo no ano passado. Ma­guito, porém, não poderá con­cor­rer a reeleição e ainda não tem um nome pronto para apoiar.
Duas lideranças começam 2015 como possíveis candidatos do prefeito em 2016. Uma delas é o empresário e deputado federal Sandro Mabel (PMDB), que, apesar de já ter sido candidato a prefeito de Goiânia por duas oportunidades (1992 e 1996), tem negócios na cidade vizinha. Outra opção é o vice-prefeito Ozair José (PT), que já foi candidato à prefeitura da cidade por duas vezes (2000 e 2004).
Enquanto Sandro Mabel é visto como um nome mais forte, principalmente devido à estrutura financeira que o deputado pode disponibilizar na campanha, Ozair tem um histórico de maior fidelidade a Maguito. O vice-prefeito foi um dos que mais ajudou o peemedebista em 2007, quando ele mudou para Aparecida para ser candidato a prefeito do município. Já Mabel foi aliado de primeira hora do chamado Grupo de Aparecida, que na metade da primeira década do século XXI tinha seu líder, o atual deputado estadual Ademir Me­nezes (PSD), como vice-governador. O Grupo de Aparecida foi adversário de Maguito em sua primeira eleição, quando lançou o deputado Marlúcio Pereira (PTB) para prefeito, com o apoio de Mabel.
Do lado da oposição a Maguito, a ordem é de buscar a união e oxigenar o grupo com nomes novos. Com o enfraquecimento e a consequente desarticulação do Grupo de Apare­cida, Ademir Menezes ficará, pela primeira vez em muitos anos, sem mandato. O único opositor a Maguito com mandato será Marlúcio Pereira, que conseguiu a reeleição. Al­gu­mas lideranças do PSDB querem convencer o deputado federal João Campos a transferir o seu título e concorrer a prefeito no município. Outra opção é o ex-candidato a vice-pre­feito em 2012 Veter Martins (PHS).

Anápolis
Na contra-mão de Goiânia e Aparecida, Anápolis já tem um panorama eleitoral pré-definido e 2015 deverá servir apenas como consolidação dos nomes já apresentados. O PT anapolino assumiu o projeto de reeleição do atual prefeito João Gomes (PT) como prioritário para o partido. Ele tem o apoio de importantes lideranças do partido na cidade, como o ex-prefeito Antônio Gomide, o deputado federal Rubens Otoni e o presidente regional do partido Ceser Donisete. Desta forma, o desafio de Gomes será ampliar a aliança e formar uma grande coligação para o fortalecimento do projeto.
O prefeito, porém, não terá disputa fácil em 2016. Diferente de 2012, quando a popularidade de Antônio Gomide inibiu o lançamento de nomes fortes para a disputa, no ano que vem o PT deverá ter um adversário de grande estrutura. Trata-se do deputado federal eleito Alexandre Baldy (PSDB) que, após conseguir uma das 17 vagas goianas no Congresso Nacional, agora já começa a pensar em uma candidatura no município.
Apesar de não ser um nome de grande identidade com Anápolis, o empresário tem possibilidade de atrair uma grande estrutura financeira para a sua campanha. Além disso, não deverá ter grande dificuldade para unir a oposição na cidade, há anos carente de um grande líder. Como deputado federal, Baldy também terá a oportunidade de levar recursos para o município e, assim, se fortalecer para o processo eleitoral de 2016.
Outros dois nomes que ‘correm por fora’ na disputa em Anápolis são o do ex-deputado federal Pedro Canedo (PP), que afirmou recentemente que lançará seu nome para a disputa da prefeitura da cidade. Outro nome que também anunciou que disputará o pleito é o ainda deputado estadual José de Lima (PDT). (E.S.)

 

 

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