Mandato marcado pela liberdade

0
1036

“Fui eleito para go­vernar. Vou go­ve­rnar com meu estilo, com as pessoas da minha confiança, procurando abrigar pessoas qualificadas dos partidos que me apoiaram. Os parlamentares foram eleitos para legislar e cumprir o papel deles. Eu, como militante, como companheiro desse grupo ao qual pertenço há muito anos, vou procurar prestigiar todas as forças. Agora, aqueles que quiserem governar, que se candidatem ao governo.” Foi com esta frase que o governador Marconi Perillo (PSDB) encerrou o seu ritual de posse para o quarto mandato como governador nos jardins do Palácio das Esme­raldas no início da tarde da quinta-feira, 1º.

A frase, simbólica, concedida durante entrevista coletiva, serviu para concretizar aquilo que já vinha se vislumbrando para este novo e, talvez, derradeiro mandato de Marconi Perillo: a certeza de que ele não aceitaria nenhuma imposição na formatação de sua equipe e em sua forma de governar nos próximos quatro anos e, com isso, impor a realização de reformas necessárias para Goiás, segundo disse em seu discurso. Em suma: o governador terá, mais que nunca, liberdade para governar.
A prova desta força política conquistada pelo tucano neste novo mandato ficou mais clara ainda no anúncio do primeiro escalão de seu novo secretariado, ocorrido na tarde do mesmo dia. Dois fatos chamaram atenção na divulgação dos nomes: nenhum nome do PTB foi contemplado em supersecretarias e apenas um deputado federal foi chamado pelo governador.
Aliados entenderam isso como uma resposta do governador às pressões que vinha sofrendo por parte do presidente regional do PTB, o deputado federal Jovair Arantes, e também por setores do Pros, que esperavam o convite a um segundo deputado federal – a aposta era em torno do nome de Heuler Cruvinel (PSD) – para que o presidente nacional da legenda e segundo suplente de deputado federal pela base aliada, Euripedes Júnior (Pros), assumisse seu mandato na Câmara Federal (leia mais em matéria abaixo).
No ano de 2014, sem precisar fazer tantas concessões como em 2010, Marconi teve maior facilidade para compor seu governo, bem como acredita que a reforma administrativa o ajudará a governar a partir de 2015. “Neste ano tive maior facilidade na composição do que em 2010 e, com menos secretarias, ficará mais fácil para eu cobrar o cumprimento das metas deste mandato”, avaliou.

Liberdade
Se em seus outros mandados as perspectivas de gestão não eram tão favoráveis sob o ponto de vista de liberdade em administrar, neste o discurso do próprio governador Marconi Perillo (PSDB) mostra que os rumos podem ser diferentes. Nem mesmo a grande aliança de 17 partidos que o apoiaram no último pleito e a divisão de cargos e secretarias de governo não o  impediram de fazer um enxugamento da máquina.
Lideranças do seu partido e próximas da administração estadual acreditam que um governo não consegue trabalhar sozinho, mas ratificou que este mandato deve ser acompanhado por mais liberdade. Pertencente a um dos partidos de maior destaque na base do governo, o deputado Sandes Junior (PP) foi enfático ao dizer que “este será o melhor governo de todos”.
Para ele, a afirmação se baseia na experiência de gestão que angariou durante os últimos anos. Ainda segundo Sandes, este será um governo mais leve e com menos pressão, pois a máquina estará enxuta e os potencias de investimentos, mesmo com perspectiva de um ano difícil, está aflorada.
Para o radialista, que reassumirá cadeira na Câmara Federal já em fevereiro, o governo se adiantou a possíveis problemas com um montante de R$ 1 bilhão em caixa. “Apesar da perspectiva pessimista de um ano ruim, o governo se preparou e está pronto para ela”, disse o deputado.
O deputado João Campos (PSDB), reeleito para mais um mandato, destaca que estes próximos quatro anos serão muito positivos. Campos destaca a liderança e experiência de Marconi como principal fato. “Marconi conhece o Estado como ninguém”, afirma João Campos. Segundo ele, este novo governo vai tentar fazer mais do que é possível.
Sobre a perspectiva de um ano com dificuldades financeiras, o deputado pontua que a ousadia de Marconi vai se sobressair. “O governador tem demonstrado ousadia e a capacidade de ir além do limite”, disse Campos. Além de destacar também que o governo vai ser modelo a ser seguido com a reforma administrativa que implantou neste seu quarto mandato.
Sobre possíveis insatisfações de membros da base aliada, Campos, assim como Sandes, acredita que ninguém governa sozinho. Para ele, estas questões devem ser solucionadas na base do diálogo. Ele acredita na capacidade de Marconi Perillo em resolver esses atritos com muitas conversas. “O Marconi é de muito diálogo. Vai fazer o possível”, disse ele.

Leve
O senador Cyro Miranda (PSDB) acredita em uma gestão com mais liberdade do governador Marconi Perillo. Segundo ele, diferentemente dos últimos anos, Perillo tem mais tranquilidade para trabalhar fora de turbulências externas que sempre lhe exerceram pressão. “Neste mandato o Marconi fará um governo dele”, acredita o político.
Cyro diz ainda que Mar­coni fará um governo de austeridade e que o colocará em evidência no cenário nacional da política. “É um governo que antecipa as providências”, declara. Ao falar em antecipar providência, o senador se refere à reforma administrativa que enxuga a máquina estadual e tem o objetivo de economizar dinheiro e aumentar o potencial de investimento para os próximos anos.
Trazendo um extenso currículo político na bagagem apesar na pouca idade, Marconi é destacado por Cyro como um vislumbrador de horizontes.


Insatisfações ainda permeiam base

 

A liberdade de governo de Marconi Perillo (PSDB) para seu quarto mandato, no entanto, tem gerando insatisfação em alguns partidos de sua base governista neste início de novo governo. Nos bastidores, dois partidos demonstraram muita insatisfação com as decisões tomadas pelo tucano.
Um deles, claro, foi o PTB, que queria ver um de seus membros no comando de uma das cinco superpatas do governo estadual. O outro partido foi o Pros, do presidente nacional Eurípedes Júnior, que é segundo suplente de deputado federal, e que não conseguiu, ao menos por enquanto, assumir como efetivo, pois o tucano chamou apenas um deputado federal para o novo governo (leia mais sobre os novos auxiliares em reportagem na página 10).
A postura, mais uma vez, foi interpretada por aliados que o governado, no atual momento, conta com a faca e o queijo nas mãos. Não que o PTB, por exemplo, tenha atrapalhado o último mandato do tucano, mas as concessões realizadas em troca de apoio político nas eleições de 2010 não trouxeram o resultado esperado para o governador, que enfrentou dificuldades políticas e um desgaste imenso no ano de 2012, que, por pouco, não o fizeram desistir da disputa ao governo do Estado em 2014.
Uma das justificativas utilizadas por aliados para terem suas vontades atendidas, é a ligação de alguns com a presidente Dilma Rousseff (PT). Eurípedes Júnior, por exemplo, foi o único político goiano presente no discurso de vitória da presidente em outubro passado, e tem com a mesma uma forte ligação política.
Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara dos Deputados, foi contra a decisão do presidente nacional de seu partido, que declarou apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB), e manteve o apoio da bancada do PTB à Dilma. Jovair, inclusive, esteve presente na posse presidencial em Brasília no último dia 1º, mas não compareceu à posse de Marconi, no entanto.
No último mês de novembro, quando começaram as especulações em torno do novo secretariado do quarto mandado de Marconi Perillo, o presidente regional do Pros, Rodrigo Melo, disse, em entrevista à Tribuna do Planalto, que o partido aguardava sim, que dois deputados federais fossem chamados para serem secretários do tucano.
Rodrigo disse, à época, que o partido estaria tranquilo, pois teria a certeza de que Eurípedes Júnior assumiria como deputado federal na Câmara dos Deputados. “Estamos tranquilos quanto a isso já que o governador gravou um vídeo para os moradores de Planaltina [mu­nicípio de Eurípedes] dizendo que a cidade teria seu primeiro deputado federal da história. Eurípedes, com sua ligação com Dilma Rousseff, também poderá ajudar Marconi em seu novo governo”, afirmou em novembro.
Aliados acreditam que a insatisfação de partidos da base serão solucionadas na base do diálogo. O deputado João Campos, por exemplo, acredita na capacidade do governador Marconi Perillo de resolver esses atritos com muitas conversas. “O Marconi é de muito diálogo. Vai fazer o possível”, disse ele. (F.P.)

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here