Campanha de vacinação alcança meta para poliomielite

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A campanha de vacinação infantil, que foi encerrada no dia 31 de dezembro, tinha como meta vacinar 95% das crianças contra a poliomielite e sarampo. O resultado foi positivo com a cobertura de 95,4% do público-alvo para a polio, com 79.280 doses aplicadas. Contudo, a imunização para sarampo, rubéola e caxumba – conhecida como a vacina tríplice viral – não alcançou a meta e teve cobertura de 85% (61.823 doses).

Segundo a coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), Grécia Pessoni, alguns pais de filhos com intolerância à lactose se sentiram inseguros com a vacina tríplice viral ao saberem que havia uma vacina especial para a alergia à proteína lactoalbumina. “Isso confundiu muitos pais, porque a contra-indicação era para crianças que tem alergia a lactoalbumina e não intolerância a lactose; os pais de filhos que têm intolerância ficaram com medo de levar as crianças para tomar a vacina”, afirma Grécia.
Outro fator que contribuiu para a resistência dos pais à vacinação da tríplice viral foi o próprio formato de vacina, que é de injeção. “A gente sabe que dói no pai e na mãe ver o filho tomar a injeção, mas é mais dolorido ver o filho tendo uma doença como o sarampo”, diz Grécia.
Para a coordenadora, a campanha foi positiva pelos resultados alcançados com a poliomielite, mas afirma que os resultados para sarampo poderiam ter sido melhores, especialmente porque há um surto da doença na região nordeste do país. “Mesmo quando a gente alcança a cobertura adequada ainda fica 5% de crianças que não estão tão protegidas quanto as outras, então vai formando esses bolsões de crianças suscetíveis”, explica. Os pais e mães que não levaram seus filhos para vacinar durante a campanha devem estar atentos ao calendário de vacinação.

Dose extra
O objetivo da campanha foi oferecer uma dose extra para reforçar a imunização das crianças. Segundo Grécia, com essa dose as crianças alcançam o máximo de proteção, uma vez que as vacinas não tem 100% de eficácia, mesmo com a caderneta de vacinação atualizada.
As vacinas para a poli­omielite e a tríplice viral estão disponíveis durante todo o ano nas unidades públicas de saúde de Goiânia para a imunização regular das crianças, mas não são oferecidas como dose de reforço. Além da dose extra, participar da campanha de vacinação também é importante pela oportunidade de conferir se falta alguma vacina no cartão dos filhos e aproveitar o momento para completá-las.
O estado do Ceará já registrou 633 casos de sarampo até o final de dezembro de 2014. O surto afeta principalmente crianças menores de 1 ano de idade. Devido à época de férias, as possibilidades de transmissão aumentam com os fluxos de viagens. Grécia ressalta a importância da dose extra para esta época do ano. “Se as crianças não estão com o reforço da vacinação adequado, elas têm o risco de adquirir a doença, porque o deslocamento está muito fácil”.

Dificuldades
A coordenadora citou alguns fatores que representaram obstáculos para o alcance da meta de cobertura, como o de pais e mães que, muitas vezes aconselhados por alguns pediatras, não levaram seus filhos para tomar a dose extra com a justificativa de que o cartão de vacinação estava completo. Segundo Grécia, essas controvérsias invisibilizam a importância da dose de reforço.
Outra dificuldade é a ideia de que poliomielite, sarampo, rubéola e caxumba não são mais comuns no Brasil e que por essa razão não há necessidade de vacina de reforço. A exemplo da poliomielite, Grécia afirma que está erradicada no país desde 1989, mas há muitos países que vivem uma situação endêmica do vírus e essas pessoas, ao visitarem o Brasil, podem trazer de volta a circulação desse vírus, caso a população local não esteja com o máximo de proteção. “Enquan­to a pólio não acabar em outras partes do mundo a gente não deixa de fazer campanha”, diz a coordenadora.
Grécia afirma que em 2014 a campanha de vacinação foi muito divulgada na mídia, o que ajudou bastante no alcance da meta. No entanto, ela expõe a necessidade de conscientizar os pais sobre a importância da vacinação em campanhas. ‘As vacinas são seguras e direcionadas a todos que estão inseridos dentro do determinado público-alvo de cada campanha. Por isso, mesmo os que têm planos de saúde podem e devem se imunizar’.


 

 

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