“Friboi mostrou que é oportunista, não peemedebista”

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Tribuna do Planalto – O senhor está de volta à Assembleia Legislativa depois de quatro anos. Qual o sentimento em torno disso?

José Nelto – Eu queria estar em Brasília novamente. Era pré-candidato a deputado federal há quatro anos e tive minha candidatura abatida no ar, na maior injustiça da história política do Brasil. Me tomaram o mandato de deputado federal. Não pude ser candidato. Fiquei quatro anos fora da política. Nesse período, refleti e trabalhei muito. Sem o poder político, foi um vazio muito grande em minha vida. Me senti como se fosse um homem que havia morrido e que via tudo acontecer sem poder participar, sem poder subir à tribuna, defender o povo. Para suprir isso, fui trabalhar muito, no campo empresarial, além de ter sido secretário na prefeitura de Goiânia por dois anos. Isso ajudou a preencher esse vazio. Depois readquiri novamente meus direitos políticos e em fevereiro do ano passado lancei minha pré-candidatura à Assembleia. Neste período não houve sábado, domingo nem feriado. Cheguei a virar 24 horas direto algumas vezes. Tive que recuperar algumas bases, já que perdi quase todas e, sem apoio de governo algum, apenas de amigos, pude comprovar que eu poderia vencer a eleição. Não foi fácil a minha volta, mas hoje posso afirmar que eu tive duas emoções muito grandes. A primeira quando readquiri meus direitos políticos e a segunda quando fui eleito novamente. Agora, o passado já passou. Não faço política olhando para o retrovisor. Faço mirando para o futuro.

A oposição é muito criticada pela falta de combatividade ao governo do Estado. Com sua volta, com a volta de Ernesto Roller e de Adib Elias, a oposição voltará a ser forte?
A oposição tem que ser inteligente, entender o xadrez político, saber a hora de avançar e de recuar. O Aécio Neves, por exemplo, estava muito bem. Depois de ter perdido o governo, passou a ser vítima e cometeu o maior erro político que se pode cometer, em minha opinião: não aceitar a derrota e utilizar os métodos não se seu avô (Tancredo Neves) que era um  democrata, mas sim métodos lacerdistas, métodos da UDN, que era um partido que simbolizava a renovação política contra o nosso velho PSD e que depois virou MDB e PMDB, mas que não tinha votos, e que passou a ser um partido golpista. O Aécio utilizou esse método da UDN. Ele provou que era mais lacerdista que tancredista ao apresentar pedido de cassação do mandato da presidente Dilma Rousseff e de sua posse no lugar dela. Nós em Goiás não faremos isso. Temos experiência acumulada. Roller já foi secretário de Segurança Pública, Adib já teve dois mandatos na Casa, eu tenho oito mandatos entre Câmara e Assembleia. Vou para 32 anos de mandato. Conhecemos profundamente o governo, a administração e Goiás. Nós, da oposição, não vamos arredar um milímetro de nossos direitos. Nossa oposição deixará marcas. Daremos um rumo à oposição em Goiás até 2018. Não queremos que Marconi Perillo eleja outro Alcides Rodrigues. Nossa meta é a vitória em 2018. Já se vão 20 anos de poder do grupo político de Perillo em Goiás, o que se assemelha ao poder do clã de José Sarney no Maranhão. É muito tempo no poder. A alternância de poder é importante para a democracia. Eu sou contrário à reeleição. E digo o porquê: a reeleição aumenta a corrupção no Brasil. O processo de reeleição é um processo corrupto em todos os partidos. Todos usam a máquina e o dinheiro público para se manterem no poder. Iremos trabalhar para que nossa bancada na Câmara Federal acabe com a reeleição e implante o mandato de cinco anos, sem reeleição, também para deputados e não só para o Executivo. Isso é uma crítica a mim mesmo. Deputado estadual não pode ter mais do que dois mandatos consecutivos. Não pode existir a carreira política. Isso já ocorre no México, onde estive recentemente, e na Costa Rica. Lá não há carreira política. Se um deputado estadual é candidato a federal, ele deve esperar mais quatro anos para tentar um novo mandato. O Brasil precisa pensar nisso.

Qual a linha desse ano na oposição? Dar uma trégua nestes primeiros meses?
Nós estamos analisando o governo nesse mês de janeiro. A oposição começa a trabalhar no dia primeiro de fevereiro. Não sei quem será o líder da oposição. Teremos uma reunião em 26 de janeiro que definirá isso. Com o líder escolhido, no dia primeiro de fevereiro ele fará um discurso que dará o rumo da oposição em Goiás. Esse discurso está na ponta da língua do grupo do PMDB e mostrará pontos positivos e negativos da oposição e como poderemos melhorar nossa atuação para a construção de um Estado melhor e para derrotar o candidato do governador. Nosso trabalho é acabar com o ciclo do marconismo em Goiás. Houve as épocas do ludoviquismo, do caiadismo, do irismo e do marconismo, que já se euxauriu. O próprio governador disse que irá descansar depois deste mandato. Mas o que queremos é derrotar o Dr. Alcides do Marconi em 2018. Essa é nossa missão. Conhecemos muito bem como é feita a política em Goiás. Conhecemos muito bem quem está e como funciona o TCE. Conhecemos muito bem e como funciona o TCM, conhecemos o Ministério Público e também o Poder Judiciário. Nossa bancada volta para cobrar desses órgãos, com muita organização e educação. Cobraremos transparência.

Faltou mais fiscalização por parte da última oposição?
Não teve oposição nos últimos anos na Assembleia. Essa é a grande verdade. Nem por parte do PMDB e nem por parte do PT. A oposição ficou muda.

A esperança do voto combatível do PMDB está florescendo novamente?
Isso é uma vontade da base. Nós começamos a tirar agora os velhos diretórios do PMDB do interior, gente que comandava o PMDB no interior há mais de 30 anos e achava que o PMDB era propriedade deles. Todo município vai ter um candidato do PMDB para ganhar eleição. Não é para perder não. Partido político que não disputa eleição é igual time de futebol, ele acaba. Qualquer candidato que o PMDB lançar no interior tem 20 a 30% de votos. A sigla é forte. O que aconteceu com o PMDB durante um certo tempo? Não houve comando. Cada um fez o que quis. Agora, acabou essa história. O PMDB hoje tem uma aliança com o DEM em Goiás do senador Ronaldo Caiado (PMDB). Ele somou ao PMDB e só ganhou a eleição para o Senado, e ele reconhece isso, porque teve o apoio do PMDB.

A aliança hoje com o DEM é mais prioritária do que com o PT? Se esgotou a aliança com o PT?
Eu não vou dizer que se esgotou porque quem quer ganhar a eleição, ele trabalha com a soma e a multiplicação, jamais com a divisão e diminuição. Ela está um pouco abalada porque a oposição estava com o rei na barriga achando que qualquer um derrotava o governador. Não houve humildade na oposição.

Foi um erro o lançamento do ex-governador Iris Rezende para o governo de Goiás?
Não. Se o Júnior do Friboi tivesse entrado no PMDB pelas portas da frente e não imposto por Michel Temer e se ele fosse político, seria candidato. Friboi mostrou que não é político e que não tem compromisso com nada. Ele ficou 22 dias como candidato e não conseguiu conversar com nenhum partido. E aí houve um vazio e Iris foi aclamado para ser o candidato. Se ele tivesse humildade seria candidato a vice de Iris ou ao Senado. Na verdade ele recuou  quando o governador de Goiás pressionou a empresa dele, a JBS. Daí a candidatura dele desabou. Se ele tivesse sido candidato a outro cargo, ele mostraria que é peemedebista. Mas ele mostrou que é oportunista e não peemedebista. Hoje nós temos duas pré-candidaturas para 2018: a  de Daniel Vilela (PMDB) e a de Ronaldo Caiado (DEM). Nós não abriríamos mão da aliança com Ronaldo Caiado.

O PMDB abriria mão para Caiado ser o candidato?
Pode abrir. Se o Daniel não se viabilizar no PMDB, Ronaldo Caiado pode ser o candidato.

Porque tem aquela história do PMDB ser um partido muito grande para ser vice do DEM…
Não. Isso é coisa do passado. O que nós precisamos aqui é derrotar os 20 anos do PSDB no Estado. A sociedade clama por isso, já que 44% não votou no governador Marconi Perillo por falta, talvez, de um nome novo. Tem jovem com 20 anos que ainda não experimentou um governo do PMDB ou do DEM, ou de outro partido.

Hoje o PMDB conta com o nome de Iris para a disputa da prefeitura de Goiânia?
Iris Rezende foi aprovado por mais de 80% da população da capital e tem um vigor físico, uma cabeça como se tivesse 70 anos de idade. Hoje ele é um dos pré-candidatos do PMDB. Nós temos também Daniel Vilela, Sandro Mabel, Ronaldo Caiado… São quatro nomes para esse grupo político que fez a aliança no primeiro turno das eleições em 2014. Vamos chamar mais aliados. Se o Vanderlan quiser nos apoiar, nós queremos o apoio do Vanderlan. Se o PT quiser nos apoiar, nós queremos o apoio deles. Se o Jovair Arantes que foi jogado para escanteio pelo governador, nós queremos o apoio de Jovair Arantes.

A administração de Paulo Garcia falhou?
Não preciso dizer se falhou ou não. O dia a dia já mostrou isso. Eu acho que quando o prefeito Paulo Garcia tomou posse e tirou o PMDB da administração, lhe dando cargos periféricos, com o PT assumindo a responsabilidade, acho que foi o grande erro de Paulo Garcia.

Nesse próximo processo eleitoral das prefeituras, o trabalho da Câmara Municipal será importante. O que o senhor espera dessa nova Mesa Diretora que será comandada pela oposição?
Eu fui presidente da Câmara e digo que o prefeito Paulo Garcia vai mandar muito pouco nesses dois anos. Ele não tem maioria ainda tem o governo de Goiás trabalhando paralelamente e sustentando essa maioria adversária. Paulo vai passar noites com insônia, noites mal dormidas. Ele precisará ter sabedoria para terminar essa administração com a Câmara envenenada.

O senhor falou que o Júnior Friboi foi oportunista. O senhor acha que o PMDB deve expulsá-lo?
Ele já está expulso porque ele não tem coragem de ir a uma reunião do PMDB. Não há espaço para ele.

Mas enquanto isso ele fala pelo partido…
Há um processo de expulsão que irá para a executiva do partido. Ele terá direito de fazer sua defesa, mas ele nem deve aparecer. O caso dele é indefensável.

O caminho dele é o ostracismo?
Isso já acabou. Se ele quiser ser em Goiás deputado federal, estadual, ele terá que comprar um mandato. O que eu falava na campanha é que ele era o candidato mais pobre. Não tem cultura, preparo político, compromisso com ninguém e só tinha dinheiro. Então ele já está expulso pela decisão dele e oportunismo de apoiar a candidatura do governador.

O mesmo vale para o Frederico Jayme?
A regra vale para todos.

O sr. falou do futuro, sobre querer derrotar o grupo de Marconi Perillo e citou Alcides Rodrigues, que seria hoje José Eliton. Porque chamá-lo de Alcides Rodrigues?
Porque a gestão de Alcides foi um desastre. O governador elegeu um poste que não fez nada, não teve coragem de romper, mostrar a verdade, fazer a diferença.

E com o José Eliton estaria indo para o mesmo caminho?
Qual a história política que ele tem? Até seu pai foi derrotado na sua cidade. Se ele perdeu mostra que não tem prestigio. Nós não queremos que Goiás eleja um novo Alcides Rodrigues.

Em relação a Junior Friboi, há uma ala do partido, ligada a Maguito Vilela, que defende que ele é  mais um para somar no partido. Como fica a comunicação entre a ala que defende Iris e a ala que defende Friboi?
A razão está acima da paixão.

Em que sentido?
Da expulsão do Friboi. O partido não aceita ele mais.

O sr. acha que isso não fere o partido?
Ele não faz falta do partido. Se ele ficar no partido fica fisiológico, vira uma mercadoria de quinta categoria. Temos que abrir espaço para essa juventude, novos empresários, para pessoas do bem e não para quem quer o governo para negociar, ninguém aguenta mais tanta corrupção. Ou ficam na política os idealistas ou entregamos para os oportunistas. Tem que haver essa resistência e é isso que queremos no PMDB.  Não vamos xingar ninguém, vamos fazer o discurso da inteligência, trabalhar nas redes sociais e isso vai alastrar em todo o Estado. O PMDB vai reunir a bancada dos cinco parlamentares no dia 26 para escolher o líder para montar o discurso do que a posição vai fazer nos próximos quatro anos.

 

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