“Estamos no limite, assim como todos os municípios”

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Tribuna do Planalto – Prefeito, como está o planejamento para 2015 em relação às obras e a sua gestão em Senador Canedo?
Misael Oliveira – Em 2015 nós vamos executar o nosso plano de metas local. Vamos trabalhar com cotas bimestrais de desempenho das secretarias, um exemplo que eu estou copiando do governo de Pernambuco, de Eduardo Campos. Esse modelo vem agora se desenhando no Brasil e foi utilizado, inclusive, por Aécio Neves, assessorado pelo escritório Falconi, o mesmo que trabalhou em Pernambuco.  Dessa época pra cá já havíamos trabalhando esse modelo para ser implantado em Senador Canedo, o que ocorre agora com uma assessoria de avaliação desse plano de metas. Há semelhança nesse modelo com a reforma feita pelo governo do Estado. É um modelo de gestão interessante. São ações que têm prazos para serem cumpridos, objetivos, cronograma e prazos de entrega. E é isso que estamos preparando para 2015.

Esse plano de metas estava previsto dentro do plano de governo do senhor?
Não. Foi depois que eu conversei com o Eduardo e aproveitei o plano de Vanderlan Cardoso para o governo, que eu adequei ao modelo de Senador Canedo. Mas estamos trazendo o plano de governo para dentro do plano de metas e o foco é atingir mais de 100% do nosso plano de governo.

Quais será o carro chefe das obras?
Nós estamos trabalhando com a construção de quatro escolas com recursos próprios; com obras estruturantes que são as das Avenidas Progresso e Pedro Miranda que são quase sete quilômetros com ciclovias, que já estão com mais de 60% de obras prontas e vamos fazer ligações dentro de Senador Canedo e uma via de 9 quilômetros em parceria com o Estado, ligando a região central à Vila Galvão e com ligação para o Portal do Sol e ao distrito industrial, criando uma via duplicada que vai dar um novo acesso à Senado Canedo. Vamos iniciar uma licitação de 256 quilômetros de esgoto, dinheiro do governo do Estado, mas com contrapartida do município, e também uma nova estação de tratamento de água onde vamos fazer um lago de captação de 10 quilômetros, que no ano que vem já deve estar pronto, preparando o abastecimento da cidade para os próximos 15 anos.

A questão da água sempre foi um problema para a cidade de Senado Canedo. Como está isso hoje?
Nós estamos normalizados hoje. E já estamos preocupados com a seca, fazendo os lagos de preservação, vamos fazer mais um lago na zona rural de Bom Sucesso, e um no córrego Laginha e mais cinco lagos acima do Laginha de regulação, que poderão ser usados como um sistema em que na medida que for precisando, vai mandando para o lago de captação.

Tem a previsão da construção da obra de um viaduto no acesso da GO-020?
Sim. Foi conversado inclusive a ligação da região do Residencial Morumbi, do outro lado da rodovia. Vamos ter em parceria de Senador Canedo e Aparecida com a Agetop, onde iremos ligar as duas cidades por uma nova via, passando pela região do Val das Pombas, do Cemitério Buenos Aires, do Distrito Industrial de Aparecida e que vai servir de ligação também para o novo aeroporto de Aparecida.

Uma realidade completamente diferente do que tínhamos antes, então, quando as cidades do Entorno de Goiânia eram consideradas apenas cidades dormitórios…
É um fortalecimento. Eu estou apresentando para os prefeitos dessas cidades e preciso de 10 prefeituras, para a criação de um consórcio entre os municípios do Entorno da capital para água, lixo e iluminação. Em Caldazinha, venceu a concessão deles e vamos conversar com o Estado para fazer uma parceria dentro desse consórcio com Senador Canedo. Vamos buscar também parcerias com Bela Vista, Goianápolis, Leopoldo de Bulhões, Silvânia, Hidrolândia para unirem-se ao consórcio. Estamos com um projeto de fazer do aterro um lugar de geração de energia através do lixo, porque o nosso aterro já é licenciado e todo aquele lixo que está enterrado entraria no processo de co-geração de energia.

Senador Canedo é visto como o “primo rico” dos municípios da RMG, por conta da presença da Petrobrás na cidade. Existe essa folga na gestão?
Dizem que fama de rico e valente, ninguém desmente, mas na verdade hoje nós estamos passando por dificuldade principalmente porque já fomos terceiro no ICMS, e hoje estamos no sexto lugar. Aparecida de Goiânia que era o sexto hoje está em quarto. Há uma confusão na cabeça das pessoas em relação à riqueza do município. 90% do adicionado de Senador Canedo vêm realmente do combustível, mas a receita de Senado Canedo hoje é de R$ 23 milhões e temos uma folha de R$ 12 milhões. Estamos no limite, assim como todos os municípios. Nesse momento entra a capacidade de articulação do prefeito. Brasília tem muito recurso e o importante é ter projetos prontos para obtê-los e isso nós sempre nos preocupamos em fazer desde o Vanderlan.

Porque houve essa queda do ICMS de Senador Canedo?
Em função do valor adicionado. Diminuiu a riqueza em função da Petrobras atravessar por uma crise por estar no epicentro da Operação Lava Jato. Todas as cidades que tem base da Petrobras estão pagando o pato, por que ela contabilmente aumentou o preço de custo, o que diminuiu o valor adicionado de Senado Canedo. Mas não temos que lamentar, o que temos que fazer é trabalho, correr atrás dos recursos e parcerias do governo Federal e do Estado.

A secretária da Fazenda Ana Carla Abrão anunciou a diminuição do repasse do ICMS para os municípios e já tem prefeito reclamando. Como que isso vai atingir Senado Canedo?
Atingirá a tudo e a todos. Mas, são teses. Não é um fato novo. Alguns auditores da Secretaria da Fazenda defendem isso há muito tempo, só que ninguém teve coragem de fazer. Os altos de infração de ICMS e IPVA não vão para o bolo dos 25 % cabíveis aos municípios. Mas há um contrassenso. Isso é uma tese que a procuradoria e que alguns funcionários querendo mostrar serviço, levaram e a secretária levou a ideia e o Tribunal de Contas, baseado nisso, aprovou. O que causou estranheza aos municípios em relação à nova secretária, foi a falta de diálogo com os nossos representantes, como a AGM e com a FGM porque os municípios tem crédito no Estado com os PSFs, no transporte escolar, então isso teria que ser muito bem discutido.  Teria, ao menos, de ter sido feito um encontro de contas, porque esses recursos foram tirados logo na primeira semana de janeiro, quando os prefeitos estão em dificuldades, todos foram pegos de surpresa com o corte do ICMS e isso causou um desequilíbrio das finanças de todos os municípios.

O fato dela ser uma pessoa técnica tirou um pouco da habilidade política de lidar com setor público e com a sensibilidade de sentar com os municípios e discutir esse problema?
Não. Muito pelo contrário. A secretária nasceu num berço político. Filha de ex-governador, filha de deputada federal, ex-primeira dama, senadora da República. Acho que o quê menos falta nela é sensibilidade política. Ela cresceu nesse ambiente.

Prefeito, o PDT, por meio da deputada Flávia Moraes foi muito cotado para assumir uma das supersecretarias, mas acabou não sendo contemplado. O partido estava esperando algum cargo, principalmente pelo apoio nas eleições?
Olha, o apoio da Flávia já vem do primeiro turno eu meu do segundo turno. Eu vejo com naturalidade essa questão. O PDT busca seus espaços com legitimidade.  De uma forma ou de outra, vai ter o seu espaço em função do que ele representou na campanha política de 2014.

Como o governo estadual está atendendo Senador Canedo. O sr. tem algo a reclamar?
Não. No segundo turno nós fizemos uma campanha em Senador Canedo baseada em propostas. Eu não tenho o que cobrar. O governo começou agora. As recomendações que ele me fez foi que corresse já atrás dos compromissos nossos para ver se até o mês de maio, junho a gente honre pelo menos 80% daqueles compromissos.

O sr. é aliado pelo ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB) que faz oposição ao governador, mas do outro lado tem o PDT que dá base do governo. O sr. fica no meio do caminho?
Não. A polaridade da política no Brasil permite isso. Ao terminar o primeiro turno eu perguntei para o Vanderlan: “Qual vai ser o seu posicionamento?” Ele disse: “Misael, nessa eleição agora no segundo turno eu vou ficar neutro e você vê qual o melhor caminho político que você vai adotar aqui para Senador Canedo. Mas ao anunciar esse apoio por algum dos candidatos que você não faça esse apoio por simples apoio. Que você faça um apoio calcado e baseado em compromissos.” E aí nós fizemos vários compromissos. Eu nunca votei no PMDB. Desse grupo que está aí eu sou um dos que participou dos votos em Marconi nos quatro mandatos. Em dois deles no segundo turno, em 2010 e 2014. O Vanderlan soube entender muito bem isso. Eu acho que o futuro vai reservar ao Vanderlan grandes expectativas.

O sr. acha que o Vanderlan pode sair candidato aqui em Goiânia?
Olha, eu não sei. Por enquanto ele não admite conversar sobre essa questão. Vanderlan tem usado esse período de reclusão política para analisar. Ele tem pensado muito sobre a história política de Goiás. A gente vai vendo que a história sempre se repete. Se você acompanhar a história política do PMDB você vai ver que ela vem se repetindo. O Marconi foi muito competente. Ele conseguiu renovar a política de Goiás.

Mas em Goiânia, tanto ele quando o PSDB têm uma dificuldade de entrar…
Goiânia é um caso a parte. Aí nós vamos naquele caso que eu te falei: a história sempre se repete. Governo nunca conseguiu eleger prefeito dentro de Goiânia. A única vez que Goiânia elegeu prefeito aqui depois do período da democracia foi em 1985 e depois com o Nion. Então se você pegar a história de Goiânia, nunca um governador elegeu de fato um prefeito.

Por isso o Vanderlan poderia ter chance mesmo concorrendo com um candidato apoiado pelo próprio Marconi Perillo ou pelo próprio Iris Rezende (PMDB)?
Eu só falo um negócio. Em Goiânia sempre ganhou também quem teve união. A vitória do governo de 1998 começou com a união para disputar a prefeitura de Goiânia em 1996. Quando uniu o PP, o PFL do Ronaldo Caiado, o PSDB com o Nion e o PTB. Nós éramos quatro ou cinco partidos. Então Goiânia é um caso atípico. É um caso que não da pra fazer uma previsão.

O sr. disse aí que a população em 2010 e 2014 queria o novo, mas acabou não encontrando e votou no Marconi. Por que o Vanderlan não conseguiu representar esse novo?
A falta de estrutura política. A falta de candidatos a deputado, a falta de capilaridade. Nós não tínhamos uma chapa de deputado estadual, federal e tempo de televisão. O eleitor viu muita consistência nele. Só que a campanha do Vanderlan ia num raio de 100 km. Na minha opinião Vanderlan foi o grande vencedor dessa eleição. Porque com a estrutura pequena ele ainda conseguir passar uma mensagem para a população. Uma coisa ele tem colocado. Falou: “Olha, sozinho eu não vou mais.”

Há dois grupos: PMDB e base aliada. Sozinho ele não vai mais. Em que grupo ele iria?
Ele está avaliando. Vai avaliar. Porque essa avaliação ele vai avaliar os dois lados. Vai onde causar menos desgastes. Hoje ele está num processo de avaliação.

O sr. acredita que o quadro político vai se abrir nas próximas eleições? As alianças vão se dissolver? Tanto da base aliada quanto da oposição?
Olha, isso depende muito. O Vanderlan tem deixado claro que ele não disputa eleição de governo de Estado. Ele acha que essa situação de estrutura só se você dentro de um grupo político bem forte. Mas o quadro vai estar aberto para 2018 aqui em Goiás. Vai ter o Marconi como candidato a vice, ou a presidente da República, ou a senador. O José Eliton possível candidato ao governo com  a estrutura na mão. E aí por cá, o PMDB e o PT se digladiando, pois se Ronaldo Caiado for candidato ao lado do PMDB, o PT não apoia. Mas o PMDB ainda tem o nome natural dele, que é o Maguito.  Infelizmente o PMDB está numa confederação de interesses pessoais e não se reencontra. Não deu conta de viver fora do poder. Eu acho que 2018 está em aberto ainda em função do quadro político que se desenha no momento.

Prefeito, qual vai ser a importância de Vanderlan no processo de reeleição do sr.?
Estou preocupado com a administração de Senador Canedo, preocupado com as dificuldades inerentes ao ano de 2015. Só vou discutir política o ano que vem.

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