Desafio após a formação do governo

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Sem título-1 cópiaCom a grande aliança fechada para a chapa de Marconi Perillo em torno da disputa à reeleição em 2014, muitos partidos ficaram na expectativa de indicações de nomes que iriam compor o primeiro e o segundo escalões do governo do Estado a partir de janeiro de 2015. Porém, a maioria dos nomes anunciados pelo governador nas duas últimas semanas causou surpresa a alguns aliados, que não conseguiram esconder a insatisfação pelo baixo número de indicados de alguns partidos. São os casos de PTB, PDT e Pros, que se sentiram desprestigiados.

Nomes que eram cotados como certos acabaram ficando de fora – ao menos nesse primeiro momento -, enquanto que outros surpreenderam ao serem indicados. Exemplo disso foram as indicações do PSD, partido que ficou com duas pastas importantes dentro do governo: o ainda deputado federal Vilmar Rocha, que ficou com a supersecretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infrae­strutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos e o também deputado federal Thiago Peixoto, que assumiu a Secretaria de Gestão e Planejamento. Com o fato, o partido acabou se fortalecendo  causando insatisfação a outros aliados partidários.
Após as indicações de nomes, muitas conversas de bastidores surgiram, além das declarações explícitas de alguns aliados diante do desagrado com os nomes apresentados e a não contemplação de outros. Mesmo demonstrando alguma insatisfação com a escolha do governador, muitos aliados se resignaram e prometeram tocar a ‘bola para frente’, enquanto que outros ainda aguardam um aceno do tucano.

Insatisfação
O deputado federal e presidente do PTB em Goiás, Jovair Arantes, foi, de longe, o mais incomodado com as escolhas do governador. Ele declarou não estar feliz com a indicação apenas do nome d o deputado estadual Valcenor Braz no primeiro escalão à frente da Secretaria Extra­or­dinária do Entorno de Brasília. “O PTB é um partido que foi sempre muito leal a todas as atividades  e a todas as ações do governador. Quando seu próprio partido lhe faltou, o PTB foi o primeiro a se apresentar, quando ele rompeu com o governo Alcides Rodrigues”, desabafou em entrevista concedida à Rádio 730.
Para o deputado, o governador demonstrou uma inabilidade política, mesmo possuindo muitas qualidades. “Respeitando a sua qualidade, a inabilidade foi maior do que a habilidade. Mas, ele é o governador. É mais quatro anos, tá de bom tamanho para o PTB”, disse, contrariado, mas alegando que não deve romper com a base por conta disso. “Não estudamos romper com a base aliada. Nós vamos ser indiferentes a essa situação. Um rompimento agora não representa nada. Nós teremos outras eleições que virão pela frente. Poderemos até estar juntos, eu não sei. A executiva do partido é que vai decidir isso”, completou.
Outro partido que se viu desprestigiado inicialmente foi o PP, que apesar de ter um nome indicado para uma das maiores e mais importantes pastas do governo, outros nomes do partido ficaram de fora. Só na ultima semana, o nome de João Balestra (PP) foi indicado para assumir a superintendência da Secretaria de Governo, ao lado do secretário Henrique Tibúrcio, ex-presidente da OAB-GO. O que circula nos bastidores foi que o nome surgiu após a insatisfação do deputado federal Roberto Balestra (PP), que tinha a indicação de seu aliado como certa. Ele, que já havia declarado em entrevista à Tribuna a sua certeza em relação à indicação do nome de João Balestra, não gostou nada quando seu indicado não apareceu na lista inicial das nomeações.
Diante da divulgação de João Balestra para a superintendência, o deputado federal Roberto Balestra declarou que os cargos de segundo escalão também são importantes para o governo e acha que agora o “PP está contemplado”, com representação em todos os escalões.
Ao ser questionado em uma entrevista à Rádio Mil FM, o deputado disse que João terá um importante papel dentro da Secretaria em que ocupará. “Joao Balestra tem uma tarefa grande, um trabalho bem distribuído um com uma parte institucional e outra executiva porque nessa secretaria precisa de ter alguém que tenha conhecimento político”, alfinetou, já que o titular será o ex-presidente da OAB-GO, Henrique Tibúrcio, novato na política.
O PR da deputada federal Magda Moffato, segundo ela, trabalhou muito para eleger Marconi e ficou com apenas com um cargo no primeiro escalão. “Não ficamos satisfeitos, é claro, pois esperávamos mais algum nome do nosso partido. Mas, confiamos no governador e sei que os espaços são poucos. Ainda tem alguns nomes para serem indicados e ficaríamos satisfeitos com uma diretoria ou mesmo uma chefia de gabinete que são cargos importantes politicamente”, diz.
Segundo Magda, seu nome foi sondado para compor a secretaria social e da Mulher que foi preenchido por Lêda Borges (PSDB), já que a deputada preferiu manter-se na Câmara Federal. “Quero poder fazer um trabalho como deputada federal, pois fui eleita para isso e quero honrar meus votos. Acredito que posso contribuir ainda mais com o nosso Estado estando lá no legislativo”, explica.
O Pros saiu sem nenhum cargo no primeiro escalão e isso estremeceu a relação do partido, que esperava ao menos uma indicação. Segundo o presidente regional do partido, Rodrigo Melo, já houve uma conversa com o governador e eles ainda aguardam um novo diálogo para resolverem essa situação.  “Vamos aguardar o governador para retomarmos essa conversa, pois somos parceiros e estamos aqui para somar. Acredito que será uma boa conversa”, espera.
Além de não ter sido indicado para o primeiro escalão do governo, o partido também não fez nenhum deputado federal, já que dependia do chamado de mais um parlamentar para que o suplente Eurípedes Júnior, presidente nacional do Pros, conseguisse assumir seu mandato na Câmara Federal. Mas, segundo Rodrigo, a preocupação do partido agora já é com 2016. “Já estamos trabalhando para fazer prefeitos e esse é o nosso foco agora”, conclui.
O PDT de Flávia Moraes também acabou ficando de fora das indicações. A deputada declarou em entrevista à Tribuna que seu nome sequer foi cotado para alguma secretaria e que os rumores foram pura especulação da imprensa. Ao ser questionada pela reportagem sobre a posição do partido após às indicações, Flávia Moraes preferiu não se posicionar, passando a bola para que o presidente do PDT, George Moraes, respondesse. No entanto, a reportagem tentou várias vezes falar com o presidente, mas, até o fechamento desta edição, ele não havia dado retorno.

Manutenção
Mesmo após alguns aliados terem declarado insatisfação com os nomes escolhidos para o governo, o presidente do PSDB, Paulo de Jesus, não acredita que nenhum partido deixará a base, inclusive o PTB. Para ele, o rompimento não deve acontecer. “Eu costumo dizer que Jovair Arantes saiu do PSDB, mas o PSDB ainda o tem no coração. Ele é parceiro e vai continuar com a gente”, diz.
Segundo o presidente, as alianças devem continuar para fortalecer a administração e evolução do Estado e que os interesses partidários devem ficar em segundo plano: “O projeto maior não é o PTB. É Goiás. Não é Marconi Perillo nem a nossa base aliada. É atender o Estado com nosso projeto de desenvolvimento que vem dando certo”, discursa.

Novidades
Mais de 600 novos nomes foram nomeados ou reconduzidos aos cargos no governo estadual, de acordo com publicação do Diário Oficial do Estado (DOE) do dia 13 de janeiro de 2015. Na publicação, 25 superintendentes, 11 diretores e 3 superintendentes executivos de setores específicos criados com a reforma administrativa foram divulgados. Alguns nomes já conhecidos na gestão anterior se mantiveram à frente da administração mas, agora com cargos diferentes.
O nome do ex-chefe de Ga­bi­­ne­te do governador Mar­coni Perillo, Eduardo Zaratz (PV), por exemplo, foi deslocado para a superintendência executiva de Assuntos Metropolitanos da Secretaria de Meio Ambiente.
A ex-secretária de Meio Ambiente, Jacqueline Vieira, passa agora a ocupar a superintendência executiva de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O ex-secretário de Infrae­s­tru­tura e ex-presidente da Agência de Desenvolvimento Regional, Danilo de Freitas, atuará agora na superintendência executiva de Desenvolvimento Regional, da Secretaria de Desen­vol­vimento Econômico, Científico e Tecnológico e o ex-titular da Secretaria de Cultura, Gilvane Felipe, é o novo superintendente de Desenvolvimento Urbano, Políticas Habitacionais e de Saneamento da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura.
A Agrodefesa e Comu­ni­cação não tiveram nomes oficializados, mas Marconi Pe­rillo declarou que, no primeiro caso, ele tem interesse em ouvir a Ministra da Agri­cu­l­tura e Pecuária, Kátia Abreu, para saber sua posição em relação ao setor que é considerado pelo governados uma área extremamente importante.  “Quero ouvir da Ministra para saber o que ela tem de estratégia para essa área de Defesa Sanitária Animal”, disse em seu primeiro encontro com o seu novo secretariado realizado no dia 6 de janeiro, em que serviu para acertar as primeiras ações que serão feitas durante os próximos quatro anos.
A direção-geral do Grupo Executivo de Comunicação será de Luiz Siqueira, ex-diretor de Gestão e Planejamento da Agecom, indicado pelo próprio governador que também informou que não está definido ainda o titular da Agência Brasil Central de Notícias, que está sendo comandada interinamente pela jornalista Abadia de Lima.
Agora, poucos nomes restam para serem definidos para o quarto mandato de Marconi Perillo. Mas, o que se espera é que todos os aliados da base do governo sejam contemplados, mesmo que com cargos de assessores. Para o governador, fica o desafio de aparar as arestas com os descontentes.


Reunião trata de mudanças no orçamento do Estado

 

Alheios ao desconforto de alguns membros da base aliada, o secretariado indicado pelo governador, que esteve de férias na semana passada, já começou a direcionar os trabalhos solicitados por ele e se reuniram na última quarta-feira, 14, na Secretaria da Fazenda. O objetivo foi debater as alterações orçamentárias que serão enviadas à Assembleia Legislativa para aprovação.
Na reunião, estiveram presentes a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa, e o secretário de Gestão e Planejamento, Thiago Peixoto, além de técnicos de todos os órgãos estaduais que cuidam das áreas de planejamento e finanças.
Esse é o primeiro passo de uma determinação do governador que, no dia 6, pediu aos secretários uma relação inteirada entre planejamento, orçamento e gestão financeira do Estado para que se “tenha um orçamento real e não fictício”, segundo o tucano. (J.N.)

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