A vice que pode valer ouro

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As discussões em torno da sucessão municipal estão apenas em seu começo, mas, ainda que de forma tímida, muitos nomes já se movimentam nos bastidores visando as eleições de 2016. Em Goiânia, muitos aliados, como o senador eleito pelo DEM, Ronaldo Caiado, e o deputado estadual reeleito Bruno Peixoto (PMDB) colocam o ex-governador Iris Rezende (PMDB) como principal nome para a disputa pelo Paço.

E, caso se concretize sua pré-candidatura, Iris entraria na disputa como um dos favoritos para vencer, o que o poderia levar à sua última gestão no executivo municipal, já que o próprio peemedebista jã fala em aposentadoria. Com isso, o posto de vice do peemedebista pode ser um caminho curto para se chegar ao poder na capital a médio e longo prazo.
Iris Rezende goza de considerável prestígio junto à população goianiense, onde foi vereador e prefeito por três vezes. As mais recentes, em 2004, venceu a corrida eleitoral e, em 2008, se reelegeu com boa margem de votos. Deixou o governo com cerca de 70% de aprovação popular para disputar o governo do Estado.
Por possuir extenso currículo e vida política longa na capital, o cargo de vice na chapa de Iris é bastante cobiçado. Ainda porque, o seu nome desde já é contado como um dos favoritos à prefeitura de Goiânia, mesmo ainda sem um sinal concreto de sua parte indicando a candidatura.
Membros do PMDB avaliam que compondo uma chapa majoritária de vice tendo Iris como cabeça é um ganho político considerável. Além da força política obtida com a imagem colada a de Rezende, a sucessão de seu mandato seria praticamente certa. Seu vice, na próxima incumbência, seria o principal competidor pelo Paço.
Em declaração à Tribuna na semana passada, o radialista Jorge Kajuru (PRP) disse que ele poderia ser vice de Iris numa possível união de seu partido com os peemedebistas. Sua fala acendeu o debate sobre quem poderia ser um bom nome para a vaga encabeçada por Rezende. Jorge Kajuru não é descartado por ser conhecido e por ter sido bem votado na última eleição. Além disso, bastante próximo a Ronaldo Caiado (DEM), influente dentro da legenda.

Chapa
Informações de bastidores que tiveram início no ano passado deram conta de que o favorito para a vaga seria o ex-deputado e empresário Sandro Mabel (PMDB). Segundo pessoas ligadas à sigla Sandro seria o preferido do próprio Iris Rezende.
Sandro Mabel foi fundamental para Iris Rezende na disputa para o governo do Estado em 2014. O empresário se manteve firme e empenhado na campanha de peemedebista. Foi o principal viabilizador financeiro da campanha.
A ação de colocar Mabel como vice seria uma forma de agradecer o correligionário, além da estrutura que ele poderia, novamente, oferecer à candidatura. Sendo Sandro ou alguém de outro partido, o certo é que as discussões vão continuar ganhando corpo à medida que o tempo vai passando.
Junho de 2016 é o prazo final para oficializar as coligações. Caso a configuração atual ganhe força até lá, o PMDB pode não conseguir apoio de outras legendas que possivelmente pretenderia colocar algum nome para ocupar a vice. Parceiro dos peemedebistas há anos, o PT, que comanda a ações do poder municipal, é também importante no processo,  apesar dos desgastes.

Descarte
O presidente do diretório Metropolitano do PMDB, deputado Bruno Peixoto descarta desde já a possibilidade de o partido ir sozinho para a disputa. Sendo assim, a legenda deve coligar com outros partidos e dar início as novas conversas sobre coligações, nomes e assim dar inicio ao afunilamento do jogo eleitoral para 2016.
Hoje, o PMDB tem praticamente certa a parceria com DEM. O partido tem em Ronaldo Caiado o grande líder com quem os peemedebistas contaram no último processo eleitoral para governo do Estado. Segundo Bruno Pei­xoto, o PTN do deputado estadual Francisco Gedda também é um importante parceiro. A legenda comandada por Gedda fez parte da coligação encabeçada por Iris em 2014.
Principal apostador no nome de Iris Rezende, Bruno Peixoto é claro e direto: “O PMDB tem candidato, e é Iris Rezende”. Se o presidente metropolitano da legenda levar a articulação até a formação da chapa faltará então um nome para a vice. Para Peixoto existem vários nomes importantes para a composição da chapa que ainda será muito discutida. “Ainda é muito cedo para discutir a vice”, disse ele.
Não obstante, Bruno Peixoto cita nomes que sob sua concepção são interessantes para uma possível composição. Entre os quais o já citado Jorge Kajuru (PRP) e o deputado federal Armando Virgílio (SDD). Falou também sobre a possibilidade de abrir diálogo com o líder da Terceira Via Vanderlan Cardoso (PSB). Com todas essas possibilidades Bruno ratifica que o PMDB não vai se lançar sozinho nas próximas eleições.

Prematuro
Pessoas ligadas ao PMDB dizem que Sandro Mabel seria o favorito para compor a vice de Iris Rezende. Embora não diga o mesmo, o empresário prefere deixar a questão de lado neste momento.
Segundo ele ainda é muito prematuro discorrer sobre o tema. “As conversas estão ainda no início. Não estamos pensando na chapa”, diz.  Sobre uma possível candidatura de Iris Rezende, Sandro disse que só depende do ex-prefeito de Goiânia. “Depende do Iris, se ele estiver disposto…”, se anima.
Todavia, uma chapa majoritária formada apenas por peemedebistas poderia causar inviabilidade na formação de coligações. Isso porque outros partidos perderiam o direito de indicar algum nome para a composição, caso, por exemplo, dos maiores aliados entre os quais o DEM, PT e SDD e até o PC do B.
Para Sandro Mabel, uma chapa solo está descartada. “Nós estamos nos organizando. Primeiro os diretórios, depois a gente pensa em eleição”, diz. Sandro ressaltou a importância de uma composição mais abrangente. “O resultado mostra que seria melhor com a formação de alianças”, finalizou.

União
No que tange uma formação de chapa solitária, o deputado estadual reeleito Paulo Cezar Martins (PMDB) tem a mesma opinião. Mesmo tendo reduto em Quirinópolis, Martins acredita que uma chapa solo não seria interessante. Ele alerta que a oposição ao governo do Estado tem que se unir e o começo deve ser agora nesse próximo embate eleitor para a prefeitura de Goiânia.
Um dos principais defensores da renovação do PMDB Paulo Cezar observa que esse processo remodelagem passa por Iris Rezende. No entanto, esclarece que sua candidatura deve ocorrer caso a legenda não apresente nenhum nome. Sobre outros nomes importantes para disputar o Paço, Martins pede que outros correligionários, que manifestaram desejo de se candidatar, apareçam e “tenham coragem” de se colocar a disposição.

PT
No PT ninguém fala sobre sucessão municipal. Ainda assim, o deputado federal Rubens Otoni (PT) diz que nomes fortes dentro dos quadros petistas não é o problema. Segundo o deputado, o que tem que ser discutido agora são as conjunturas do processo que permeia todos o momento que antecede a indicação dos nomes. “Primeiro tem que se discutir as alianças, depois os nomes”, disse o petista.
Para além das discussões sobre as alianças, Rubens Otoni disse ainda achar plausível que o PT pense em indicar um nome para concorrer ao Paço. “O PT hoje tem o comando da prefeitura e é legítimo que indique um nome”, declarou. Na ocasião ratificou os nomes da deputada eleita Adriana Accorsi, do professor e ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira, além do deputado Humberto Aidar.
O presidente do PT metropolitano e deputado estadual, Luiz César Bueno (PT), ponderou que as discussões a sucessão são ainda prematuras. O petista alertou que o projeto do PT atualmente está centrado na melhoria da administração da cidade de Goiânia. “Essas discussões ainda nem se quer começaram. Não tem porque discutir isso agora. O PT está focado na administração”, limitou-se.

PSB
O empresário Vanderlan Cardoso (PSB) permanece recluso no que diz respeito a eleições 2016. O pessebista não fala sobre o assunto, e, segundo aliados, o empresário aproveita o momento para analisar o contexto político. Segundo o prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT), amigo próximo de Cardoso, uma coisa é certa: ele não vai sozinho para a disputa.
Para Misael, a falta de capilaridade política e de uma chapa maior foram fatores responsáveis para o resultado não ter sido melhor no último embate. Por tudo isso, o ex-prefeito de Senador Canedo descarta, desde já, uma candidatura solo para o cargo de prefeito de Goiânia.

 


Solidariedade quer se fortalecer antes de 2016

Partido que compôs a chapa de vice-governador pela coligação encabeçada pelo PMDB, o Solidariedade é tido como importante parceiro na corrida para o Paço. Tendo em conta o que já foi citado por Bruno Peixoto que o ex-deputado federal Armando Vergílio seria um bom nome para compor a vice de Iris, se a discussão já tivesse se aprofundado.
No ano passado, Armando Vergílio foi importante na chapa e, assim como Ronaldo Caiado, contribuiu na campanha. No entanto, segundo o presidente interino do partido Sílvio Sousa, as conversas ainda não tiveram corpo em torno da união entre as duas legendas. Ele ressaltou que o momento agora está centrado na reestruturação do partido.
A partir do dia 26 os líderes do Solidariedade vão percorrer todo o Estado em busca de reestruturação que visa ganhar o máximo de prefeituras. Silvio não descarta uma candidatura própria à prefeitura, mas não é muito otimista com a ideia, uma vez que com as composições o fortalecimento e as chances são maiores.
“No Solidariedade, o momento agora é de reorganização”, ratifica o mandatário. Dentro desse contexto, segundo Sílvio, está a organização dos diretórios municipais, conversa com possíveis candidatos a vereador e só depois conversar sobre alianças partidárias. Para ele, ainda é muito prematura falar sobre o tema agora.
O partido conta hoje com 80 vereadores e dois vices-prefeitos, um em Catalão e outro em Santo Antônio de Goiás. Em Goiânia, a legenda é representada por três vereadores. Entre os quais Cida Garcêz (SDD), Djalma Araújo (SDD) e Paulo Magalhães (SDD). O objetivo de Silvio Sousa é aumentar o número. “Estamos focados em fortalecer o partido”, finaliza. (M.B.)


Nomes cotados para possível vice de Iris Rezende

Sandro Mabel
Ocupação: Deputado Federal
Partido: PMDB
Resumo: Sandro é cotado dentro do próprio PMDB como nome preferido à vice de Iris Rezende. A indicação do empresário para o cargo seria em forma de agradecimento ao desprendimento demonstrado por Mabel na eleição do ano passado. Mabel já tentou a prefeitura de Goiânia por duas oportunidades, mas foi derrotado em ambas tentativas.

Armando Vergílio
Ocupação: Deputado Federal
Partido: SDD
Resumo: Armando Vergílio já experimentou como é disputar uma eleição como vice de Iris Rezende, já que ocupou o cargo na chapa majoritária do ex-governador nas eleições do ano passado. Seu nome foi citado como forte pelo presidente metropolitano do PMDB, deputado estadual Bruno Peixoto, para ocupar a vaga.

Vanderlan Cardoso
Ocupação: Empresário
Partido: PSB

Resumo: Vanderlan Cardoso tentou por duas vezes ser governador de Goiás, mas acabou derrotado em ambas. Principal nome da terceira via no Estado, o empresário disse, no ano passado, que poderia disputar a prefeitura de Goiânia em 2016. Atento, o PMDB disse que irá procurá-lo para buscar uma aliança pela prefeitura de Goiânia.

Jorge Kajuru
Ocupação: Radialista
Partido: PRP
Resumo: Ex-candidato a deputado federal, Jorge Kajuru conquistou grande número de votos na eleição passada (ele teve mais de 106 mil votos) foi lançado como pré-candidato a prefeito por seu partido. O radialista, porém, disse à Tribuna do Planalto que poderá buscar ser a indicação de vice de Iris, por meio de Ronaldo Caiado (DEM).

Adriana Accorsi ou Edward Madureira
Ocupações: Deputada Estadual e suplente de Deputado Federal, respectivamente
Partido: PT
Resumo: Embora o PT indique que buscará candidatura própria à prefeitura de Goiânia, há, dentro da sigla, uma vertente que defende a manutenção da aliança com Iris Rezende. Nesse caso, os nomes mais cotados a serem indicados pelo partido são os de Adriana Accorsi e de Edward Madureira.

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