Lixo que vira arte

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O que antes viraria lixo se tornou obra de arte nas mãos dos alunos da Escola Municipal Jaime Câmara, em Goiânia. A caixa de ovo virou flor, tábuas viraram armários e as aulas da disciplina de artes ministrada pela professora Lana Silva ficaram mais divertidas a partir do projeto Sustentart. Para chegar ao resultado, foram cerca de três meses de trabalho que trouxeram vários benefícios para a turma: entre elas uma consciência ambiental mais sustentável.  

Segundo consta na justificativa do projeto, o objetivo do Sustentart é desenvolver nos alunos a capacidade de pensar criticamente o homem e suas relações com a natureza. Para isso, ao longo do período letivo a escola organizou exposições para incentivar o desenvolvimento intelectual, artístico e social dos estudantes. Com esse propósito, só no ano passado foram realizadas três feiras.
A aluna do 9º ano, Eudjaine de Castro, 14, disse que uma das experiências que ela pode destacar do projeto foi a oportunidade de aprender a reciclar os objetos. “Eu não sabia fazer nada nesse sentido, mas a professora nos ensinou. Eu montei mandalas, fiz crochê e florzinhas com caixa de ovo, e também vela. É uma experiência que vou levar para a vida toda, e que com certeza irá colaborar muito para minha vida”, explica.
A professora Lana, que também é a idealizadora do projeto Sustentart, conta que a partir do trabalho foi possível identificar algumas dificuldades dos alunos, mesmo em outras áreas como a matemática, e ajudá-los no aprendizado. Os estudantes gostaram tanto da forma que o conteúdo foi ensinado que queriam estender os horários das aulas de educação artística, conta a educadora. “Até quando foi preciso repor as aulas aos sábados, os alunos aceitaram e se divertiram na confecção dos produtos”, diz.
Além de brincar, se divertir e relacionar com os colegas, os estudantes aprenderam um pouco de tudo com o projeto: artes, comércio e até noções de administração. Todo o material produzido durante três meses de desenvolvimento do projeto tiveram os preços estipulados pelos próprios alunos, que também se organizam para vender as produções durante as exposições abertas para a comunidade na escola. E a renda do trabalho foi revestida para a formatura.

Dever cumprido
De acordo com a estudante Eudjaine de Castro, ficou uma sensação de contentamento pela participação no projeto. Também pela reação positiva da comunidade escolar que puderam conhecer os frutos do trabalho realizado na escola. “Além de poder ajudar a natureza, fico feliz que as pessoas tenham gostado do que nós fizemos. Elas sempre diziam que era maravilhoso e saiam bem contentes. É uma satisfação muito grande”, lembrou.
A diretora da escola, Cláudia Maria, ressalta vários benefícios a partir do desenvolvimento do Sustentar tanto para escola quanto para os alunos, entre elas a descoberta de talentos, a melhoria da autoestima e o respeito às limitações e capacidades do outro, contribuindo para evitar até mesmo o bulling que vinha acontecendo na escola, diz a educadora.


Amizade fortalecida

 

No período de elaboração dos materiais, os alunos desenvolveram talentos e amizades com colegas que eram mais distantes. Aluna do 9º ano na escola, Elaine Delmondes,15, lembra que durante parte do ano deixou de conversar com algumas pessoas, mas que com a realização do projeto Sustentart ela conseguiu se reaproximar de seus companheiros novamente.
O mesmo aconteceu com a relação entre alguns alunos e os seus professores. A educadora Lana  Silva afirma que os estudantes ficaram mais próximos durante o desenvolvimento do projeto. Para ela, eles se sentiram mais valorizados, se interessaram pelas aulas e até pretendem levar os ensinamentos adiante ao investir no comércio artesanal. “Tem alguns que começaram a perceber que pode ter retorno financeiro e pensam em transformar isso em profissão”, conta.

 

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