No ritmo do aprendizado

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A além de formar músicos profissionais e especialistas na área, a educação musical é vista por educadores como uma ferramenta pedagógica que auxilia no desenvolvimento cultural, psicomotor, e também colabora com a socialização de crianças e jovens. De acordo com Robervaldo Linhares Rosa, mestre em música e coordenador da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás EMAC/UFG, a educação musical é parte importante da educação e uma área do conhecimento que contribui significativamente para a formação humana.

O professor destaca que a educação musical tem a capacidade de melhorar a condição humana em vários aspectos, e que ela contribui também para que as pessoas possam reavaliar de maneira crítica determinados conceitos sociais. “A educação musical transforma a pessoa, além de ser um instrumento de inclusão social e cultural. Por isso é importante levar a música para a sala de aula”, acrescenta.
No âmbito da formação acadêmica, Robervaldo explica que o ensino na área musical propõe a formação de um profissional que seja educador e que compreenda a música como parte integrante de uma formação mais ampla, que vise não somente ao estudo da música em si, mas à formação social que as atividades musicais proporcionam para os estudantes da arte.
A educadora Eliane Leão, que é professora de música e doutora em Educação, destaca que o trabalho musical ajuda a melhorar a qualidade de vida da criança, trazendo benefícios ao seu processo de alfabetização e raciocínio. “Existe uma disciplina que se chama Desenvolvimento Cognitivo Musical, que comprova os efeitos da música no desenvolvimento cognitivo das crianças. A criança que, além de escutar a música, vivencia essa arte, desenvolve a capacidade de criar melodias mesmo antes da fala. Também tem mais controle rítmico”, comenta.
Eliane explica que a capacidade de percepção da criança que leva à atenção é ativada através da educação musical. E que o ensino de música facilita o desenvolvimento dos talentos naturais, por isso é importante que a arte e sua técnica sejam trabalhadas desde a mais tenra infância. “Ainda bem que agora é obrigatório o ensino de música, como disciplina, nas escolas”, lembra a educadora.

Habilidades e Benefícios
Para quem estuda a música desde cedo, a educadora Eliane Leão ressalta uma série de benefícios que, segundo ela, a disciplina proporciona para as crianças. “Envolvimento em grupo, audição com compreensão, criatividade, respeito ao outro, solidariedade, participação em sociedade, aumento de autoestima e recuperação de várias deficiências de desenvolvimento”.
Além de estimular e melhorar a socialização, a educação musical também é uma importante aliada no processo de alfabetização e na relação do raciocínio musical com o raciocínio lógico. “Na musicoterapia e nas aulas de música para crianças especiais, por exemplo, observamos melhoras nas expressões verbais, corporais, gestuais e faciais. A música tem sido ensinada em ambiente de interdisciplinaridade, com planejamento educacional em que se respeita a relação da música com o ensino de outras disciplinas”, conta Eliane Leão.
Entre a gama de benefícios, também há um consenso de que o contato com a área musical ajuda a criança a ser mais paciente e persistente. O que, segundo a doutora em Educação, ocorre através da utilização de conhecimentos específicos, como exercícios de capacidade (que consiste no ensino de repertórios) e atividades mentais em profundidade. “Tocar um repertório envolve memória e conhecimento desse repertório, onde todos os fenômenos musicais podem ser explicados cientificamente, então é possível afirmar que a persistência e a paciência são campos trabalhados”, explica Eliane Leão.


Qualidade de vida

E6-7 02 PJA musicoterapeuta Donária Netto, que trabalha o ensino de música com crianças desde os primeiros meses de vida, acredita que o ensino musical tem um dos papeis mais fundamentais no campo das artes, que é trabalhar o aspecto emocional dos pequenos. “A música pode tornar não só a criança, mas também o adulto mais sensível. E precisamos de pessoas mais sensíveis, vivemos em um mundo com tantos aspectos cruéis, com pessoas capitalistas e que só pensam em competir umas com as outras… Nós precisamos inverter tudo isso e apostar em um ser humano mais humano”, acredita Donária, que dá aulas de música na Clap Educação Musical, em Goiânia.
Além da coordenação motora, interação, a música também pode ser trabalhada para estimular a memória. “A partir dos oito meses de vida da criança, aqui na Clap nós já desenvolvemos trabalhos que estimulam a memória, concentração, fala e gestos. A nossa preocupação maior é a qualidade de vida para o desenvolvimento físico e mental”, explica Donária Netto.
De acordo com a musicoterapeuta, a música na educação infantil é uma verdadeira fonte de diversão, descontração e estímulos sensoriais, por isso pode ser trabalhada desde cedo. Mas e quanto ao aprendizado nessa faixa etária? “A idade não é algo que define o aprendizado da criança. Ela tem o tempo dela”, explica Donária. E finaliza dizendo que “o emocional é muito bem tratado através da música, que sensibiliza muito mais do que todas as outras artes. A música é benéfica para compensar o desequilíbrio do aluno no dia a dia.”, diz.
Universo adolescente
A musicoterapeuta Donária Netto lembra que em meio à “montanha-russa de sentimentos da adolescência”, o trabalho musical com os jovens entre 12 e 18 anos também se mostra essencial para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e, principalmente, emocionais. Isso porque, nessa idade, os adolescentes vivenciam um momento peculiar, cheio de dúvidas e muitas descobertas, destaca ela. “É nesse momento de relações intensas com o mundo que a música pode ajudar a organizar o caos psicológico”,  acrescenta Donária.


Construção de sentidos

E6-7 03 PJA doutora em Educação e professora de música, Eliane Leão, explica que crianças e adultos constroem o conhecimento musical – que é cumulativo em controle corporal e em conteúdo em níveis progressivos. E todos esses sistemas gerados pelo uso dos conhecimentos musicais são úteis para serem usados em aprendizagem de outros conteúdos, segundo ela. “Veja que se a criança ou o adulto estão ocupados com a produção e a vivência musical, se mantêm saudáveis, bem ajustados, emocionalmente equilibrados, envolvidos com os processos que a produção e criação requerem. Se estes fatores levam ao equilíbrio, pode-se dizer que a música promove a saúde”, conclui. E destaca: “A música tem linguagem própria na sua estrutura, com seus conceitos específicos e seus elementos de área que a diferencia de outras disciplinas. Falo para os meus alunos que a música é o melhor psiquiatra ou psicólogo de cada um pode ter”, brinca a educadora.

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