O “pai do videogame”

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Os modernos videogames conhecidos hoje pelo mundo tiveram seu início em 1972, quando o engenheiro alemão Ralph Baer inventou um aparelho chamado de “Brown Box”.  Apelidado de Caixa Marrom, o equipamento é considerado o primeiro console doméstico lançado no mercado, que mais tarde ganhou o nome de Magnavox Odyssey. Sua criação foi aperfeiçoada e hoje os videogames contam com os melhores recursos tecnológicos para proporcionar ao usuário uma melhor experiência no universo dos jogos, mas o legado de Baer permanece.

Falecido no último dia 6 de dezembro, aos 92 anos de idade, o pai do videogame era engenheiro, nasceu na Alemanha, mas em 1938 mudou-se com a família para os Estados Unidos. Nesse mesmo período, Baer conseguiu um emprego em uma indústria de eletrônicos e foi designado a criar um novo aparelho de TV, mas ele não queria apenas desenvolver algo para assistir à programação da televisão, a ideia era que a TV tivesse recursos interativos, como jogos eletrônicos. Foi a partir de então que surgiu sua ideia revolucionária.
Junto com outros três engenheiros, Bill Harrison, Bob Tremblay e Bill Rusch, ele conseguiu fazer com que dois pontos em uma tela pudessem ser controlados de maneiras distintas. A partir dessa criação, por volta de 1966 surgiu o primeiro protótipo da Brown Box, mas na época o invento não agradou seus patrões e Baer teve que mudar de emprego. Desempregado, mas com a Brown Box nas mãos, o engenheiro procurou as principais companhias de eletrônicos da época para transformar sua invenção em um produto com potencial mercadológico. Foi quando Bill Enders, com quem Baer já havia trabalhado, se interessou em fechar o negócio e licenciar em 1972 o primeiro console de videogame, que, aliás, é bem diferente do que se vê hoje em dia. O aparelho era robusto, com uma ranhura para introduzir os cartões que continham o software de cada jogo.
O negócio deu certo e até o Natal daquele ano haviam sido vendidas 130 mil unidades. Em 1975 os índices mostraram que esse número mais que dobrou, chegando a 330 mil equipamentos vendidos. Um dos jogos mais famosos naquela época era um jogo no estilo do Pong (jogo em duas dimensões que simula um tênis de mesa ), que foi lançado três anos depois pela Atari e que ficou mais conhecido que o Odyssey. Por entender que se tratava de uma violação de Patente, a Sanders Associates e a Magnavox processaram e ganharam da Atari, recebendo US$ 700 mil de indenização.

Evolução
Ao longo de sua vida, o pai do videogame registrou 50 patentes nos Estados Unidos e outras 100 em todo mundo. “Para mim, ter ideias novas e transformá-las em produtos reais foi sempre tão natural quanto respirar”, escreveu Baer em sua autobiografia, “Videogames: In the beginning”, publicada em 2005. Um ano mais tarde o criador dos consoles decidiu doar seus protótipos e a documentação dos inventos ao instituto cultural Smithsonian de Washington e foi condecorado pelo então presidente George W. Bush com a Medalha Nacional da Ciência e Tecnologia por sua contribuição ao setor.


Homenagens

Com a morte de Baer, os criadores dos games manifestaram a perda. Ken Levine, desenvolvedor de Bioshock (videogame em primeira pessoa), despediu-se assim: “Conheci Ralph Baer uma vez na Video Games Live. Parecia muito orgulhoso do que havia obtido. Fico feliz de que tenha podido ver como [o setor dos games] cresceu”. Tim Schafer, um dos criadores do Monkey Island e gênio da Lucas Arts, foi mais breve: “RIP Ralph Baer. Obrigado por TUDO”.
Outras personalidades também se despediram de Baer com discursos de pioneirismo e agradecimento pelo feito, como Raúl Rubio, chefe da empresa Tequila Works, que trabalha em um dos jogos mais esperados do PlayStation 4 (Rime) e  Iván Lobo, presidente da Academia de Artes e Ciências Interativas e do Gamelab.


Caixa Marrom

O invento de Baer fazia jus ao apelido. Era uma caixa marrom feita de madeira escura. Na parte da frente tinham vários botões seletores que dependendo da posição criavam a impressão de que trazia vários jogos. Os controles também eram caixas marrons menores, que tinham os botões de movimentação vertical, horizontal e diagonal. Na época o aparelho foi bem aceito pela crítica que passou a chamar de “produto misterioso”. Segundo artigo da Ars Technica, o objetivo desse videogame era ter um apelo universal, unindo a família e criando entretenimento interativo com um dispositivo passivo.

 

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