“Apoiamos aliados na capital. Chegou a hora de querermos isso de volta”

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Tribuna do Planalto – Presidente, o senhor deixará a presidência do PSDB em abril. Qual é o balanço que faz desse mandato à frente do partido?

Paulo de Jesus – Não tive muita dificuldade. A gente sempre trabalhou buscando o viés da articulação para a união. Eu sempre trabalhei isso. Tem as questões esporádicas, mas a gente não sentiu muita dificuldade em momento nenhum. A dificuldade é financiamento. O partido poderia fazer mais. Agora estamos discutindo com nossos deputados e lideranças que temos que eleger no mínimo 80 prefeitos, incluídos os municípios de Goiânia, Aparecida, Anápolis e Senador Canedo. Queremos levas a essas cidades o jeito tucano de governar.  Mas, para mim foi muito positivo. Eu faço política de forma organizada.

O sr. disse da possibilidade de fazer 80 prefeitos, mas o PSDB já elegeu em 2004, salvo engano, 89 prefeitos…
É verdade…

O quê mudou de lá para cá?
As disputas ficaram mais pulverizadas, por conta do aumento do número de partidos. Houve uma pulverização muito grande. Hoje, grande parte dos partidos fizeram em torno de 18 a 20 prefeituras, a não ser o PMDB que fez 58 prefeitos, fez mais do que nós. O PMDB ainda trás consigo a aura de representação do MDB da época. Ele soube utilizar muito bem isso, embora ele seja um partido que não apresenta projeto e que não quer ser protagonista. Quer apenas buscar o poder, mandar ser participar pelo fisiologismo como faz no governo federal.

Esse fisiologismo foi o que o Marconi tentou evitar agora no quarto mandato dele?
Sim. Ele ficou mais livre, mas desde o começo do ano passado, em abril, ele já vinha exigindo essa liberdade para governar.

Porque no último mandato ele já teve maiores dificuldades para compor seus auxiliares.
É. Foi uma eleição muito mais difícil. A aliança era menor, nós levamos naquele período uma carga muito grande de quem nós elegemos. Aí, a gente tem que pedir desculpas por ter ajudado eleger Alcides Rodrigues. Ele exerceu o poder sem vontade, sem querer, somente com o seu grupo. Eu não sei o porquê. Marconi o trouxe de um simples deputado estadual, virou vice-governador, supersecretário, o elegeu para governador e ele só veio reclamar depois que o Marconi foi para o Senado. Na volta do Marconi como candidato ao governo, teve que enfrentar a máquina estadual, a  máquina de Goiânia e a máquina federal. Foi uma eleição muito mais dura. Já essa agora, no mês de abril, o Marconi reuniu os parlamentares e falou: “Eu topo. Nós vamos continuar esse projeto, mas eu quero montar um governo”. Um governo que ele já vinha formatando na cabeça desde lá atrás, gastar menos com a máquina e mais com a população.

Houve mesmo um documento que todos os presidentes assinaram?
Não. Nós fazemos política conversando. Nós não assinamos documento. O ponto principal da ação política é seriedade, é a confiança. Se não houver confiança, não tem sentido estar juntos mais. Nós não tivemos, durante a campanha, problema nenhum com os 16 partidos e nem agora também.

Mas o PSDB não ficou super-representado no governo?
Olha, em certos momento nós sempre privilegiamos os aliados. Na disputa pela prefeitura de Goiânia nós apoiamos partidos aliados. Em outros governos nós ficamos menores. Dessa vez, pela questão da eficiência, da serenidade, ele fez essas escolhas. Ele conhece todo mundo. Não foi bem pela questão partidária. Mas mesmo assim não esta errado, não. Você vê a supersecretaria econômica que é comandada pelo PP e a outra do meio ambiente que é comandada pelo PSD. Quer dizer, pode ser em número, mas não em força.

Ele escolheu alguns secretários tem ligação com partidos que são aliados da presidência da República. É uma forma de buscar um atalho para recursos lá em Brasília?
Claro que tem. Governar não é só dirigir a máquina. Governar é fazer política. Por isso o Marconi tem sempre dito isso e a gente entende muito bem que a questão de governo com governo você não faz oposição. Você faz oposição a ideias e propostas, essas coisas. Agora, com governante não.

O sr. acha que o parlamentarismo seria melhor aqui no Brasil?
Eu acho que o parlamentarismo é melhor em qualquer lugar. O parlamentarismo com voto distrital misto, com o fim da coligação. Eu acho que a reeleição poderia ser boa desde que fosse muito mais forte a fiscalização. Eu preferia que não houvesse a reeleição e tivesse um mandato de cinco anos e a lei de responsabilidade fiscal. A reeleição seria boa se houvesse a eficiência na fiscalização e obediência das normas.

O sr. é a favor de lista?
O foto distrital misto a metade é lista. Tem que ter, porque nós temos muita gente boa, mas que é ruim de voto.

Essas listas não iam ficar só com os caciques dos partidos?
Não. De qualquer maneira ia ficar com a direção do partido. Agora aí é que você vê quem é do partido, quem pode fazer, quem não pode, quem pode comandar… É um processo democrático. Quer dizer, a pessoa viver mais político né. Acho que é um caminho que deveria fazer.

Presidente, o sr. citou que o partido vai querer lançar nomes aqui na capital e nessa região mais próxima de Goiânia. É a busca de uma retomada? Houve a percepção de que o partido tinha perdido a força que tem em todo o Estado dentro dessa região aqui da capital?
Também. Mas isso aí é uma estratégia nossa. Nós temos que ter uma reforma política, nós temos que ter uma reforma partidária, nós temos que ter uma reforma trabalhista, nós temos que evoluir conforme o mundo está evoluindo. Nós temos que começar a caminhar para isso. O Fernando Henrique iniciou um processo de modernização do Estado, de ter normas e regras. Bastaram três mandatos para acabar com tudo. Hoje várias pessoas usam o Estado para uma questão de sobrevivência política partidária. O grande exemplo é o Maranhão, usado pela família Sarney. Hoje é um dos Estados mais atrasados, competindo com o Piauí e Alagoas.

Houve agora a transferência de poder. Agora tem o PCdoB lá.
E nós apoiamos lá o PCdoB. Porque aquele governador é do PCdoB, mas ele é sério (risos). Eu falo do PCdoB porque fala que é ideológico, mas ele aceita ser coadjuvante do PT. Teve um período aqui no Brasil que eles em que a prefeitura de Goiânia era contrária ao Estado e os dois eram contra a União e o PCdoB participava dos três governos. Não tem sentido.

O sr. citou o Maranhão, mas aqui em Goiás vão dar 20 anos do mesmo grupo político.
Só que aqui avançou. Você pega Goiás de 1998 e olha como é que está Goiás hoje, o salto do PIB de 17 bilhões para 140 bilhões. Fora as exportações, a infraestrutura, a educação, na busca da industrialização de Goiás e na atração de investimento, mesmo lutando contra outros Estados, principalmente do Sul e Sudeste…

O PSDB tem candidato em Goiânia?
Temos alguns nomes se apresentando. O deputado Fábio de Sousa é candidato, o Jayme Rincón é candidato, o João Campos já tinha me falado que é candidato, o José Paulo Loureiro é um grande nome e eficiente também, então tem muita gente. E vai aparecer mais. Nós vamos primeiro nos apresentar e mostrar nosso projeto que não é muito diferente do projeto do Estado. É gastar mais com a população e menos com a máquina, saber priorizar.

Então em 2016 o partido não abre mão para outro candidato. Chegou a hora do PSDB?
Nós não trabalhamos com política de imposição. De repente aparece o nome de outro partido que pode explodir, mas nós queremos nos apresentar e vamos colocar nossos candidatos e vamos trabalhar para fazer a unidade do mesmo jeito que nós trabalhamos unidos ao Sandes e ao Jovair em anos anteriores. Apoiamos aliados na capital. Chegou a hora de querermos isso de volta e nós vamos buscar, mas nós fazemos política pedindo e não brigando.

Então ainda houve uma discussão com a base?
Não. Está longe ainda e nomes mesmo devem surgir em dezembro…

Teoricamente o que estamos vendo é uma maior dificuldade de união com o PSD que também quer lançar candidatos, inclusive, apresentando três nomes, não?
E são nomes bons. Esse é o jogo democrático.

E para haver união?
Para unir é muita conversa. Projetos. E aí, para você ter um candidato bom, ele tem que ser bom de articulação política, tem que ser bom de articulação com a sociedade, um bom projeto e um pouco de articulação com quem vota. Ele tem que estar bem indicado nas pesquisas tanto qualitativa, quanto quantitativa, para ter a perspectiva de possibilidade de vitória e nós vamos jogar isso e trabalhar em cima dessas variantes e é isso que a gente busca. Eu acho que nós conseguimos.

Agora em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, Anápolis?
Trindade não tem problema, vai para a reeleição com o Jânio; Anápolis, desde a eleição passada já queríamos apresentar, mas ele preferiu ser deputado federal primeiro, que é o Alexandre Baldy. E nós precisamos de um nome forte como o dele. Em Aparecida poderemos ter um nome que assusta adversários: o do Delegado Waldir, que fala a linguagem da população.

E ele está disposto?
Eu tenho conversado com ele e ele tem mostrado que sim. Tem muitas pessoas que acham que ele conhece só de Segurança Pública, mas não. Ele conhece de Meio Ambiente, de Mobilidade Urbana e da questão urbana em si. Ele tem se preparado.

Hoje a administração de Maguito Vilela é bem avaliada. O sr. acha que isso é mais um impedimento para o PSDB?
Realmente o Maguito é muito forte e trabalhou na perspectiva de busca disso. Ele veio tentar fazer um corredor universitário, na área de educação, de indústria, tentando interferir na questão física de mobilidade em Aparecida, só que lá é complicado mesmo. Mas ainda falta muito a se fazer e o que precisa é o foco no ser humano.

O sr. acredita que dentro da novidade de Goiás agora com relação ao repasse dos municípios, a secretária da fazenda meio que se arrependeu disso? Foi precipitada essa questão?
Aquilo foi uma determinação. Não sei se foi do TCE ou da Justiça porque existe um processo muito antigo aí e alguns municípios receberam a mais, e a maioria reclamou como se fosse indevido. Tem umas coisas que acontecem na justiça que fica estranho e agora estão tentando concertar isso para ninguém sair no prejuízo. Os municípios são a base do Estado, são parceiros do desenvolvimento lá na ponta e sofre todas as pressões. Então isso foi uma determinação, não é recuo. Eu sei que os municípios ficaram prejudicados porque qualquer tanto que tirar o município sente.

O sr. falou das cidades e faltou Senador Canedo. Como está lá?
Nós estamos buscando fazer em Senado Canedo. A força do Vanderlan lá é muito grande. Inclusive quando ele se candidatou a prefeito teve o nosso apoio. Ele pegou a prefeitura e fez o que precisava, deu conta de fazer. O Misael Oliveira nos deu apoio no segundo turno, e ele está com a gente. Pode ser que caminhemos juntos… Como partido eu quero.

O sr. acha que é possível essa aproximação do PSDB com Vanderlan Cardoso?
Eu não vejo dificuldade nisso, mas tem que ter uma conversa e boa vontade de ambos os lados.

Agora essa questão de o Vanderlan já ter sido adversário do partido, duas vezes ao governo do Estado, com duras críticas ao governador, não impede?
Quando a gente faz política em beneficio coletivo pensando no futuro da comunidade, tem muitas coisas pessoais que você tem que largar de lado. E se fosse somente por questão eleitoral eu mesmo nunca imaginava que o Caiado ia estar com Iris Rezende, por exemplo.

Quem deve ser o novo presidente do PSDB?
O novo presidente do PSDB vai ser uma conjunção. Tem muitos nomes, tem o Sérgio Cardoso, tem a Lúcia Vânia, tem o Antônio Faleiros que inclusive foi presidente por cinco vezes quando podia, antes das novas regras. A convenção vai ser dia 26 de abril.

E o sr. deve continuar no partido?
Desde quando criamos o PSDB, sempre estive no partido, na executiva para ajudar a melhorar. O meu trabalho não é questão de cargo, eu vejo como principal a questão do partido, de ajudar a crescer e melhorar porque eu trabalho dessa forma.

O sr. pode assumir um cargo no governo?
Eu não busco isso. Eu sou diretor financeiro da Celg Telecom. Estamos tentando estruturar a empresa de comunicação digital dentro do governo para ver se unificamos porque fica mais barato e dá uniformidade no Estado inteiro. A gente já vem há uns dois anos tentando buscar, mas houve um atraso por conta da federalização da empresa. Acho que agora vai resolver porque está definido como vai ser o encontro de contas entre a Celg e a Eletrobrás. Acho que agora deslancha.

O descontentamento de Jovair Arantes pode causar um rompimento do PTB com a base para 2016 ou 2018?
Não acredito nisso porque o Jovair foi do PSDB e ele sempre saiu em primeira linha lançando o governador, dando apoio ao projeto e articulando com outros partidos para convergência. A questão já está acertada, conversada.

 

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