“Eu sou o único representante legítimo da região sudoeste em Brasília”

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Tribuna do Planalto – O senhor conseguiu a reeleição em uma eleição considerada por muitos deputados como muito difícil, devido à concorrência na base aliada e também pela descrença do eleitor. O sr. também sentiu isso?
Heuler Cruvinel – Foi uma eleição muito acirrada principalmente na base aliada, tendo em vista que nós elegemos 13 dos 17 deputados federais dentro da coligação, e na qual nós tivemos um distanciamento muito grande por parte do eleitor. Até na última semana tínhamos 60% de indecisos. Nós fizemos um trabalho municipalista no primeiro mandato, ajudando os prefeitos, principalmente as do sudoeste de Goiás. E minha reeleição veio através do reconhecimento do trabalho. Foram mais de 61 mil votos em todos esses municípios; mais de 30 mil votos em Rio Verde chegando em 90.877 votos. Aumentei a votação em torno de 20%.

E em relação à concorrência dentro da base aliada? Muitos candidatos reclamaram do “fogo amigo”. Houve realmente?
Com toda certeza teve. Nas cidades existiam dois grupos políticos: um ligado ao PMDB e outro ligado à base aliada. Pela base aliada ter mais candidatos, nós tivemos uma concorrência maior dentro do nosso grupo político. Mas eu não sou desses de ficar brigando. Gosto de trabalhar e mostrar o que fizemos nos últimos quatro anos.

O concorrente direto do sr. em Rio Verde, Leandro Vilela, não concorreu à reeleição. Houve transferência de votos dele para sua candidatura ou foram todos transferidos para Daniel Vilela?
Dentro o nosso grupo político eu consegui ter uma votação maior dentro da nossa região por esse motivo também, apesar da maioria dos votos do Leandro Vilela ter migrado para Daniel Vilela, que é seu primo e teve todo o seu apoio na região. Mas, de qualquer forma, abriu um espaço maior em toda a região.

A região sudoeste hoje conta com o sr. e com Daniel Vilela como representantes. Mas Daniel tem ligação familiar com a região apenas, não tendo vivido lá. Isso torna seu nome como o único representante legítimo dessa região em Brasília. Aumenta a responsabilidade?
Com certeza aumenta a responsabilidade. Daniel Vilela se distanciou da região sudoeste quando veio para Goiânia. Foi vereador e foi deputado estadual aqui. Seu pai é prefeito de Aparecida. Nós temos um compromisso maior com a região porque sou nativo de lá, moro em Rio Verde, tenho compromissos em todos os municípios. Neste segundo mandato, com mais experiência, vamos fazer um trabalho ainda melhor e buscar recursos do governo federal para a região.

O sr. foi convidado para fazer parte da equipe do primeiro escalão do governo de Marconi Perillo, mas declinou ao convite. Foi por causa desse aumento de responsabilidade?
Tive o convite sim para compor a equipe do governador Marconi, mas acredito que através da experiência no congresso, eu terei a oportunidade de poder contribuir ainda mais como representante de toda esta região lá no Congresso. Eu sou o único representante legítimo da região sudoeste em Brasília. E o nosso partido tem o Ministério das Cidades, comandado pelo presidente nacional do nosso partido, Gilberto Kassab, o que ajudará ainda mais. Esse ministério tem o quarto maior orçamento e tem inúmeros programas que podem ajudar os municípios. Por isso escolhi ficar na Câmara Federal atuando.

Vocês da Região Sudoeste pediram muito a secretaria de Indústria e Comércio no terceiro mandado de Marconi, já pensando no desenvolvimento da região. Agora essa pasta foi fundida e ficou com o vice-governador José Eliton. Não tendo mais essa pasta, o que vocês pediram para o governador para a região?
Nesse quarto mandato, o governador procurou desregionalizar as pastas, como é o caso da Secretaria de Indústria e Comércio, que sempre ficou com Anápolis, a Saneago, que estava sempre nas mãos de Itumbiara, etc. A supersecretaria comandada por José Eliton, terá uma representante de Rio Verde: a vereadora Maria José. Ela será superintendente e fará um trabalho de busca de empresas com a vocação de se instalar lá. Estamos também indicando o secretário executivo de Cidades, que é o José Carlos Pimenta, que também fará esse elo na supersecretaria que ficou a cargo do presidente do nosso partido, Vilmar Rocha. Outro que indicamos é o ex-deputado Padre Ferreira, que ficará na diretoria administrativa da Agehab. Rio Verde, nesses últimos quatro anos, não obteve nenhum benefício habitacional do governo estadual. Nenhum cheque-moradia, nenhum cheque-reforma, nada com relação à Agehab.

Porque isso ocorreu?
Não sei. Às vezes por problemas burocráticos que podem ter acontecido e feito com que esses benefícios não tenham chegado a Rio Verde que é a quarta maior cidade do Estado com mais de 200 mil habitantes. Nós tivemos, através do programa Minha Casa Minha Vida do governo federal, a entrega nesses últimos quatro anos, de 2 mil casas, mas sem participação do governo estadual. Ninguém está aqui atrás de emprego, de cargo político no governo. Nós queremos trabalhar para que o resultado chegue à população, ao cidadão.

Com essas indicações do grupo dessa região, o sr. acredita que ela está bem representada neste quarto mandato?
Eu não vou falar que temos um grande espaço porque ele foi diminuído para todos e todas as regiões. O governador fez o que a população espera: uma administração mais enxuta, diminuindo as secretarias, os cargos comissionados, para ter condições de fazer mais investimentos em todos os municípios. Esperamos que as obras possam se tornar realidade e acontecer e é o que a população de toda a região sudoeste espera.

Nesse inicio de quarto mandato parece que a reforma tem caminhado de uma forma até tranquila, exceto pelo Detran, que vem sendo criticado não só em Goiânia como no interior. Como está acompanhando isso?
Eu acredito que faltou ao Detran, que instalou um novo programa em seus computadores, um treinamento às pessoas que lá trabalham para que pudessem fazer esse atendimento personalizado ao cidadão goiano. Acreditamos que com o passar do tempo isso irá acontecer naturalmente. Nos próximos meses creio que o cidadão terá um atendimento de qualidade, pois paga caro para isso, e que possa resolver o seu problema no Detran. Acredito na capacidade administrativa do governador Marconi Perillo em poder solucionar todos esses desafios.

O sr. disputa a prefeitura de Rio Verde em 2016?
Política é momento. Não adianta eu chegar aqui e dizer que eu vou ser candidato em 2016 e chega na hora e eu não tenha a situação adequada para que possa ser candidato. Tem esse ano, tem o ano que vem para poder ver se eu tenho condições de sair candidato.

O cenário hoje é positivo, já que o prefeito Juraci Martins está sendo bem avaliado?
Com toda certeza. O cenário hoje é totalmente positivo para continuarmos no poder em Rio Verde. Temos um grupo político forte.

A oposição lá está dividida. Paulo do Vale (PMDB) diz que vai sair candidato e Karlos Cabral (PT) disse que não o apoiará. Isso também ajuda?
Ajuda. Nós teremos o nosso grupo unido. Você pode ter certeza que lá nós não teremos grupo do Heuler, grupo do Lissauer Vieira e grupo do Juraci. O nosso grupo político é o grupo do prefeito Juraci e da base do governador Marconi Perillo (PSDB). 

Juraci foi eleito até com certa facilidade há quatro anos. Depois, parece que houve uma queda em sua avaliação. Com está agora?
Juraci passou por dois anos com problemas administrativos com relação a algumas obras que foram paralisadas por problemas de empresas que venceram a licitação e não tiveram como finalizar essas obras por falta de recursos financeiros. Isso acabou gerando um pouco de desgaste na administração do dr. Juraci Martins, mas isso já foi superado.

A revisão do repasse de parte do ICMS aos municípios que a secretária Ana Carla Abrão anunciou no início desse ano, preocupa Rio Verde?
Preocupa e muito. Os municípios já passam por uma dificuldade muito grande até pela distribuição do pacto federativo, que no ano passado aprovou um aumento de 1% para os municípios, mas com essa diminuição do ICMS, acaba ficando a cargo dos prefeitos a recuperação. Quem acaba sofrendo é a população.

Essa estiagem que atingiu Goiás no período de chuva pode trazer consequências ruins para a economia de Rio Verde?
Com certeza. Rio Verde, Jataí, Mineiros, toda a região sudoeste vai ter um prejuízo muito grande agora nesta safra. Nós teremos uma perda de cerca de 30% na produção de grãos em toda a região sudoeste, o que gera uma perda da economia local e regional por conta dessa produtividade. Apesar de nós termos hoje produção da região diversificada, temos a concentração da soja dentre os produtores rurais.

Como é que esta a situação da água lá em Rio Verde?
Olha, inclusive é uma demanda nossa em relação a Rio Verde, poder fazer uma subestação de captação de água do Rio Verdinho que é um rio abundante em água. Sabemos que é um problema nacional, principalmente com essa estiagem que nós tivemos nesse ano de 2014.

O sr. e o prefeito Juraci Martins eram do DEM. Ele foi reeleito pelo DEM em 2008, assim como o sr. Em 2010. Agora o sr. está no PSD, que faz parte da aliança da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT). Como fica o posicionamento de vocês?
Na eleição de 2014 apoiamos a candidatura de Aécio Neves, pois tivemos liberdade do PSD nacional. Mas nós iremos fazer o nosso trabalho como fizemos nos últimos quatro anos: votar nos projetos de interesse de Goiás.

Domingo o sr. vota Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP)?
Estou indeciso ainda. Vamos conversar com o partido para que possamos ter condições escolher o nosso candidato.

O PSD vota em bloco?
Não. Esse é um voto muito individual. Ele é um voto secreto, não é um voto aberto.

Aqui na bancada goiana Eduardo Cunha está mais propenso?
Nós tivemos uma reunião junto com o Eduardo Cunha e conversas com o Jovair Arantes (PTB), com o candidato do PT Arlindo Chinaglia e com o Gilberto Kassab. Mas estou realmente indeciso.

A indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o ministério da Agricultura foi boa?
Foi muito boa para o agronegócio. Ela conhece o setor, sabe das necessidades e das demandas. Nós acreditamos que com a vocação que tem com o agronegócio, ela pode ajudar muito a classe ruralista. E foi bom para Goiás, pois ela é goiana.

O sr. acha que ela vai ter liberdade para trabalhar?
Tem. Ela tem um ótimo relacionamento com a presidente da República.

Alguns líderes da agricultura familiar e cooperativas estão meio apreensivos, pois creem que ela vai olhar mais para o agronegócio e vai deixar de lado a agricultura familiar…
Eu não acredito nisso porque ela vai fazer um trabalho pela produção agrícola do país independente do tamanho que seja o produtor rural. Lógico que ela não tem nenhum compromisso com os Sem Terra, porque isso é atribuição do Incra e do ministério do Desenvolvimento Agrário, mas quem tem terra, independente do tamanho que seja, terá suporte necessário para poder continuar produzindo e gerando emprego.

 

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