Comer para melhor aprender

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Momento mais aguardado por muitos alunos, a alimentação é aliada no desenvolvimento e aprendizado dos pequenos. Por esta razão, assim como prioriza a formação dos profissionais e planejamento das atividades em sala de aula, a Prefeitura de Goiânia preocupa-se com o desempenho dos educandos investindo em outro aspecto a: merenda escolar.
Para a Secretária de Educação do município, Neyde Aparecida, os alimentos fornecidos nas instituições educacionais contribuem para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos alunos e a formação de hábitos alimentares saudáveis. “Alicerce fundamental no processo de aprendizagem”, destaca.
Mesmo com os servidores em recesso, o Departamento de Alimentação Educacional - responsável pela coordenação e execução da política municipal de alimentação nas instituições educacionais, ou seja, acompanhar, atuar e supervisionar desde a escolha, aquisição e distribuição dos gêneros alimentícios, até o preparo e fornecimento das refeições nas mesas das escolas, estejam elas sob gestão direta do departamento, terceirizada a empresas contratadas ou conveniada com organizações da sociedade civil – iniciou, nos primeiros dias de janeiro, a distribuição dos alimentos para receber os educandos.
“Sabemos que a alimentação faz a diferença, principalmente para aquele aluno que, muitas vezes, chega sem ter realizado nenhuma refeição, por isso não dá para descuidar. Temos que estar sempre abastecidos”, declara a diretora da Escola Municipal Profa. Deu­shaydes Rodrigues de Oliveira, Ana Maria Morais Moura Alencar.
aO diretor do Dale, Wesley Ba­tista da Silva, conta que, em média, são servidas 2,7 milhões refeições mensais, pagas por meio de recursos do governo federal e tesouro municipal. “Em 2014 foram 21 milhões investidos em alimentação. Nossa expectativa é superar os 27 milhões em 2015,” complementa.
Ele explica que a alimentação nas escolas e centros municipais de educação infantil é oferecida de acordo com o tipo da modalidade de atendimento. “Enquanto os alunos das escolas de atendimento parcial recebem uma refeição e têm, em média, 20% das necessidades nutricionais diárias atendidas com a alimentação escolar, os alunos do turno noturno, por meio do projeto Estudar Sem Fome, podem jantar, e ter supridas mais de 30% das necessidades nutricionais”, exemplifica.
Welington de Freitas, 46 anos, aluno da Escola Municipal Alice Coutinho, traduz, na prática, o que significa a merenda: “Estu­dar com fome, não dá! Para mim, a alimentação servida na escola tem muito valor, chego realmente com muita fome e aqui me alimento com comida saudável todos os dias”.
Mais privilegiados são os educandos das escolas de atendimento integral, que recebem três refeições diárias e têm mais de 70% das necessidades atendidas. Todavia é nos Cmei que a SME de Goiânia mostra a qualidade da alimentação oferecida, suprindo, por meio das cinco refeições diárias fornecidas, 100% das necessidades nutricionais dos pequenos.

 

Nutrição ao pé da letra
Responsável pela alimentação servida em toda a rede municipal de ensino, o Departamento de Alimentação Educacional (Dale) conta ainda com nutricionistas habilitados, responsáveis por montar cardápio diversificado, constituídos por alimentos variados, adequados e seguros quanto aos quesitos higiênico-sanitários e nutricionais, de acordo com a cultura e os hábitos alimentares da região.
O acompanhamento realizado por meio de visitas periódicas às instituições visam garantir o cumprimento das exigências qualitativas e quantitativas do Programa Nacional de Alimentação do Escolar (PNAE) que, por meio da transferência de verba, visa suprir as necessidades nutricionais dos alunos durante sua permanência em sala de aula.
De acordo com a divisão de Nutrição do Dale, são calculados cardápios que ofereçam quatro tipos de carne (bovina, suína, de frango e filé de pescado), leite e derivados do leite, frutas, hortaliças, cookies integrais, biscoitos, bolachas, rapadurinha, sucos de polpa concentrados e os alimentos básicos.
“Na sua maioria tratam-se de produtos frescos e, pelo menos três vezes na semana, os alunos se alimentam com frutas e hortaliças, muitos destes fornecidos pela agricultura familiar”, ressalta o diretor do Dale.


Da roça para a escola

 

Agricultura familiar está em expansão na alimentação educacional da rede goianiense. Atualmente, a Prefeitura de Goiânia investe cerca de R$ 7 milhões na aquisição de insumos como proteína de soja, mamão, polpa de abacaxi, muçarela, rapadura, cookie de baru, tomate, mandioca e arroz – advindos da produção de agricultores familiares.
De acordo com a Secretária, este investimento constitui-se em de 50% dos recursos repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Edu­cação, para a produtos da agricultura familiar, índice superior ao que a legislação determina, visto que o mínimo definido é de 30% na compra de produtos da agricultura familiar e de empreendedor familiar rural ou de suas organizações (Lei 11.947/2009).
“Reforçar os cardápios escolares com produtos in na­tu­ra propicia às crianças alimentos mais saudáveis, mas, acima de tudo, incentiva os agricultores familiares a continuarem produzindo saberes, além de manter a diversidade alimentar brasileira viva”, diz.
Também, no intuito de promover a educação alimentar, a SME dispõe do Projeto Horta Escolar, realizado por equipe de profissionais do Da­le que orientam as unidades edu­cacionais sobre como cultivar e manter uma horta.
Um dos coordenadores do Projeto, Nestor Valverde, explica que a metodologia utilizada é a de oficinas e palestras que trabalham temas transversais, como o estímulo à consciência ecológica, valorização do trabalho e da cultura do homem do campo, compreensão da relação entre solo, água, seres vivos e fenômenos da natureza, além de incentivar a produção da horta familiar. “Trata-se de um laboratório vivo que ajuda a incrementar a alimentação educacional”, resume.
Ainda de acordo com a Secretária Neyde Aparecida, a produção da merenda recebe outro importante suporte, o Programa de Autonomia Financeira das Instituições Edu­cacionais (Pafie). “Com esse recurso, as instituições educacionais podem adquirir gêneros alimentícios e gás de cozinha, necessários ao preparo da merenda dos alunos”, complementa Neyde Aparecida.


Rota do sabor

 

Para chegar ao prato dos qua­se 130 mil alunos que compõem a rede de ensino municipal, a merenda escolar percorre longo caminho. Processo que é supervisionado por profissionais do Da­le, pelos diretores e ma­nipuladores de ali­men­­tos das escolas, asse­gu­ran­do a escolha do me­lhor alimento e a chegada da refeição aos pratos dos alunos.
Os fornecedores são licitados e os alimentos adquiridos conforme a necessidade. O instrumento que diagnostica essa de­manda é o Mapa Esta­tís­tico de Alimen­tação, documento mensal, que tem por objetivo agrupar da­dos numéricos referentes ao quantitativo de alu­nos atendidos, quantidade de refeições servidas, recurso financeiro disponibilizado, projetos executados e número de manipuladores de alimentos que se encontram vinculados.
Nesse sentido, a ma­nipuladora de alimentos, responsável pelo mapeamento dessas informações, desempenha papel de fundamental importância não só como colaboradora para a melhoria da aprendizagem do aluno, mas também como agente condutora das técnicas adequadas para o preparo da me­renda e das informações sobre os bons hábitos. (Juliana Barcelos)

 

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