Momento de acertar os ponteiros

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Juliana Nunes
Repórter de Política

Após a corrida estadual de 2014, os partidos políticos em Goiás aproveitam o momento para fazer o balanço de suas ações, mas não escondem que já se preparam para as eleições municipais de 2016. Com pouco mais de um ano para as eleições, os grupos políticos precisam acertar ponteiros e observar o cenário de cada município para traçar estratégias e escolher os candidatos que tenham chance de vencer a disputa.
A equação é básica: o prefeito que está tendo sua administração bem avaliada tem maior chance de conquistar a reeleição ou mesmo de conseguir eleger seu sucessor. Já aquele que passa por dificuldades administrativas em seu mandato encontrará maior dificuldade nos mesmos casos.
Nas principais cidades do Estado, alguns nomes já começam a se destacar como potenciais candidatos à reeleição ou a elegeram seus sucessores. Esses deverão passar pelo processo eleitoral com maior tranquilidade, caso mantenham o cenário favorável.
Já outros prefeitos enfrentam dificuldades em suas administrações. Esses ainda têm pouco mais de um ano para criar uma agenda positiva que os auxiliem nas eleições do próximo ano.
A reportagem entrou em contato com lideranças de variados partidos do Estado para levantar quais os prefeitos que se encontram em um bom momento político-administrativo e quais se encontram em dificuldades, visando as eleições do próximo ano.
Dentre os nomes lembrados como os que devem ter dificuldades para se reelegerem, ou mesmo para elegerem um sucessor, apareceram os prefeitos Paulo Garcia (PT), de Goiânia; Jardel Sebba (PSDB), de Catalão; Dioji Ikeda (PDT), de Inhumas; Cristovão Tormin (PSD), de Luziânia; e Professora Lu­ci­mar Nascimento (PT), de Val­paraíso de Goiás.
Segundo políticos consultados pela Tribuna, a dificuldade destes prefeitos não está somente na baixa popularidade e nas administrações que não engrenaram como o esperado, mas também no fato de que cada um deles deverá enfrentar adversários fortes nas urnas no próximo ano. Eles ressaltaram, porém, que ainda há tempo para recuperação.
Por outro lado, alguns já estão mais bem cotados para a disputa do próximo ano. Segundo eles, os prefeitos que estão bem avaliados são Jânio Darrot (PSDB), de Trindade; Misael Oliveira (PDT), de Senador Canedo; Juraci Martins (PSD), de Rio Verde; Humberto Martins (PMDB), de Jataí; João Gomes (PT), de Anápolis e Maguito Vilela (PMDB), de Aparecida de Goiânia. Estes são alguns dos bem cotados para ou se reelegerem ou encaminharem a eleição de seus sucessores.

Dificuldades
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), se encaixa no grupo dos que se encontram em dificuldades à frente da administração municipal. A luz amarela da prefeitura de Goiânia já está acesa há algum tempo, pois o prefeito vem há dois anos enfrentando problemas administrativos e políticos – dentre eles com a Câmara Municipal – que, se não forem contornados a tempo, podem prejudicar a eleição de um aliado em 2016.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo prefeito, a cúpula do PT acredita na recuperação da imagem de Paulo Garcia e de sua gestão. Com isso, o partido poderia conseguir se cacifar, inclusive, para lançar um nome próprio para a disputa na capital, embora alguns membros petistas já reconheçam que o partido poderá sair em chapa encabeçada pelo PMDB do ex-governador Iris Rezende.
Mesmo não declarados, os nomes mais fortes que podem sair em disputa da prefeitura da capital pelo PT são o do suplente de deputado federal Edward Madureira e o da deputada estadual eleita Adriana Accorsi.
Outra cidade que deve enfrentar uma disputa acirrada é o município de Catalão. Com Jardel Sebba enfrentando problemas à frente da prefeitura – Catalão foi uma das poucas cidades do interior na qual o governador Marconi Perillo (PSDB) foi derrotado por Iris Rezende nas eleições do ano passado – principalmente em relação ao fornecimento de água e de manutenção da massa asfáltica da cidade.
A cidade de Inhumas também deverá ter uma disputa acirrada. O comando da cidade está hoje com o pedetista Dioji Ikeda, que enfrenta algumas dificuldades administrativas e vê o crescimento de adversários pepistas e peemedebistas na cidade. Sua saída poderá ser a formarção de uma aliança ampla e forte no município. Em entrevista recente à Tribuna, no entanto, Ikeda não garantiu buscar a reeleição.
Em Luziânia, a maior cidade do Entorno do Distrito Federal, o atual prefeito Cristóvão Tormin ainda convive com a sombra de antigos adversários e com dificuldades administrativas, o que vem fazendo com que ele enfrente altos índices de impopularidade na cidade.
O mesmo ocorre na cidade de Valparaiso. A atual prefeita Professora Lucimar Nascimento deve buscar a reeleição, mas poderá enfrentar dificuldades por conta de sua baixa aprovação. A maior dificuldade da petista, segundo alguns deputados, é que ela esperou contar com o auxílio do governo do Distrito Federal em sua gestão, mas foi traída pelo péssimo governo do petista Agnelo Queiroz em Brasília.

Tranquilidade
Em contraste com os que correm contra o tempo para melhorarem suas imagens, alguns prefeitos buscam manter a administração estável, já que estão sendo bem avaliados pela maioria dos eleitores. Em Senador Canedo, por exemplo, a situação de Misael Oliveira hoje é tranquila. Mesmo enfrentando algumas dificuldades no início de sua gestão, o pedetista vem tendo boa avaliação de sua administração.
Para lutar pela reeleição, Misael deverá contar mais uma vez com o apoio do ex-prefeito Vanderlan Cardoso (PSB), o que facilitará o seu caminho rumo ao segundo mandato. Há a possibilidade, inclusive, de contar com o apoio do PSDB na cidade. O prefeito, no entanto, desconversa sobre reeleição.  
Em Anápolis, a situação também tem quadro favorável para a reeleição do atual prefeito João Gomes (PT). Ele enfrentou um pouco de resistência quando assumiu a prefeitura ao substituir Antônio Gomide (PT), que deixou o cargo para a disputa do governo estadual com grande aprovação, mas hoje encontra um cenário positivo no município. Contará com o apoio de Gomide, o que será muito importante. O que poderá equilibrar a disputa é a provável entrada do deputado federal Alexandre Baldy (PSDB) na corrida. Caso o tucano venha a ser candidato, a sucessão fatalmente terá um cenário mais disputado.
Em Aparecida de Goiânia, a grande dúvida é quem o prefeito Maguito Vilela, que goza de grande aprovação popular, irá apoiar em 2016. O nome mais forte hoje é o do ex-deputado federal Euler Morais (PMDB), que cresceu nos bastidores depois de Maguito consultar auxiliares sobre a possibilidade de apoiá-lo. O atual vice-prefeito Ozair José (PT) é outro nome no páreo.
A situação em Trindade é tranquila para a reeleição do atual prefeito Jânio Darrot (PSDB) que vem tendo a aprovação de sua administração. Ele não deverá ter adversários fortes, já que a deputada federal Flávia Morais (PDT) e o ex-prefeito de Trindade, George Morais (PDT), não irão para a disputa em 2016 e Ricardo Fortunato (PMDB), ex-prefeito, saiu com baixa aprovação de seu último mandato.
Já em Rio Verde, o atual prefeito Juraci Martins (PSD), que enfrentou problemas no início se sua gestão em 2012, conseguiu se recuperar e hoje tem cenário positivo para ajudar a eleger seu sucessor. O nome mais cotado é o do deputado federal Heuler Cruvinel (PSD). O prefeito de Jataí Humberto Martins (PMDB) também vê sinal verde para fazer o sucessor, que poderá ser o ex-deputado federal Leandro Vilela (PMDB).


Adversários já se movimentam

 

Acompanhando de perto a realidade das administrações das prefeituras do Estado, os adversários dos atuais prefeitos se preparam para o embate previsto para o próximo ano. Em alguns casos, como em Goiânia, o clima de campanha já se faz presente no dia a dia da população.
A disputa na capital deve mais uma vez ter o embate entre PMDB e PT contra partidos da base aliada, como ocorreu nas duas última eleições. Se por um lado o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB), um dos favoritos na disputa da capital, retomou a agenda em seu escritório político nos últimos dias, por outro um dos possíveis nomes da disputa, o presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), vem ocupando espaços e procurando se manter na mídia. O problema é que a base aliada do governador Marconi Perillo apresenta vários outros nomes – como mostrou a última edição da Tribuna – e o desafio dos governistas será unificar todos os esforços em torno de um nome.
No interior os adversários dos atuais prefeitos também se movimentam. O deputado Adib Elias (PMDB), que já declarou que deve disputar a eleição municipal em Catalão, busca fortalecer seu nome para 2016. Seu trunfo são os mais de 30 mil votos conseguidos na eleição para deputado no ano passado.
Em Inhumas, o deputado federal Roberto Balestra (PP) lançou o nome do ex-prefeito Abelardo Vaz (PP) para concorrer com Dioji Ikeda. Para tal, buscará fortalecer Vaz, que conseguiu cargo de diretoria no Detran. Já em Luziânia, o ex-prefeito e atual deputado federal Célio Silveira (PSDB) trabalha para lançar o nome do ex-deputado federal Marcelo Melo (PMDB) para disputar contra o prefeito Cristóvão Tormin. Marcelo, inclusive, poderia deixar o PMDB e se filiar ao Pros ou ao PSDB para enfrentar o pessedista, com apoio de Célio.
Ainda no Entorno, o deputado estadual Ernesto Roller (PMDB) volta a Assembleia e poderá enfrentar o prefeito Itamar Barreto (PSD) novamente, como ocorreu em 2012. Itamar melhorou a sua administração, em relação ao início da gestão, mas ainda não tem uma gestão considerada bem avaliada. Outro nome, o do conselheiro do TCM Tião Caroço, pode ser uma alternativa, caso Barreto não dispute a reeleição.
Embora Maguito Vilela não tenha dificuldades para eleger seu sucessor em Aparecida, o PSDB espera surpreender e lançar um nome que pode ser a surpresa, como foi no ano passado: o do deputado federal Delegado Waldir. Dois outros nomes podem aparecer na disputa: o ex-deputado estadual Ademir Menezes (PSD) e o atual deputado Marlúcio Pereira (PTB).
Em Rio Verde, a oposição poderá vir dividida: o PT planeja o lançamento do ex-deputado estadual Karlos Cabral e o PMDB quer a candidatura do suplente de deputado federal Paulo do Vale. (J.N.)

 

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