Entre cruzes e espadas

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O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), chamou para a briga o presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), na semana passada, durante entrevista para o Clube dos Repórteres Políticos de Goiás na terça, 27. Em pelo menos três estocadas direcionadas ao tucano, o petista mostrou que a atuação de Rincón – que já articula sua pré-candidatura a prefeito – em relação aos assuntos da capital o tem incomodado profundamente.
Primeiro,  Paulo disse que Rin­cón é um “protótipo”, pois nunca passou pelo crivo das urnas. Depois, o golpeou ao dizer que ele havia “quebrado” todas as empresas que administrou. Por último, e o que mais chamou a atenção, Paulo Garcia finalizou com a seguinte provocação: “Há quem diga que o governador, em conversas íntimas, diz que Rincón é uma cruz que ele tem que carregar”.
Jayme Rincón respondeu no mesmo dia por meio de nota oficial. Começou a mensagem já no ataque: “O prefeito é o maior estelionato eleitoral da história de Goiânia”. Qualificou a gestão de Paulo como “fracassada” e o cutucou dizendo que a sua gestão na Unimed – Paulo foi presidente da cooperativa no passada – foi “desastrada”. Um dia depois, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Rincón respondeu o petista: “Acho que o prefeito gostaria muito de ter uma cruz como eu para carregar”.
A briga entre os dois administradores foi o grande destaque político da semana passada. Nos bastidores, as pessoas mais próximas a Paulo Garcia analisam que o prefeito ainda não digeriu a atuação de Rincón na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Goiânia, que teve a vitória do tucano Anselmo Pereira para a presidência da Casa, além de não gostar das constantes críticas que Rincón faz à prefeitura em suas entrevistas.
O que chama a atenção, porém, é outra coisa. O prefeito tem o direito de criticar quem ele quiser, assim como o criticado de responder as críticas e fazer outras. Mas, a quem interessa esta troca de gentilezas entre os dois gestores? Além do momento administrativo difícil de Paulo Garcia, que o petista tenta superar tocando uma agenda de obras e de visitas a prestadores de serviços públicos na capital, ele também precisa superar desgastes políticos, principalmente na Câmara. Entrar em discussões do nível da semana passada certamente lhe trará mais dificuldades ainda, já que quem comanda o Poder Legislativo goianiense é o PSDB. Anselmo, aliás, já vem defendendo a candidatura de Jayme Rincón publicamente.
Outro ponto é em relação à estratégia político eleitoral. Hoje, a base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB) não tem um projeto único para a sucessão na capital no ano que vem. Como mostrou a Tribuna, na semana passada, há pelo menos oito pretendentes ao cargo de candidato aliado no ano que vem. Ou seja, a possibilidade de haver um racha – e, consequentemente, o enfraquecimento do grupo – é enorme.
Jayme Rincón não é um nome que une os partidos da base. Não une nem mesmo o PSDB, já que o deputado federal Fábio Sousa se colocou, mais uma vez, como opção do partido à prefeitura de Goiânia. Rincón busca, então, fortificar o seu nome em 2015 para poder entrar em 2016 com uma forte postulação. Polarizar a discussão de Goiânia com o atual prefeito é tudo que ele precisa para se destacar de seus concorrentes internos e se consolidar, cada vez mais, como um candidato. Em resumo, esse tipo de discussão ajuda Rincón a unir a base em torno de si.
Estrategicamente, seria mais interessante para Paulo Garcia fugir dessas ‘bolas divididas’ e aproveitar o momento em que começa a tocar um volume interessante de obras na capital. Mesmo porque uma coisa é certa – Paulo não é candidato a nada em 2016 e precisará de uma administração forte para influenciar positivamente o processo. Que os confrontos diretos e o duelo de espadas na esgrima política possa ficar a cargo daqueles que postulam projetos eleitorais em 2016. Para o ex-prefeito Iris Rezende, que, aliás, se mantém publicamente quieto, ou quem mais quiser disputar a sucessão no ano que vem.

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