Marconi e Paulo se aproximam

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Os dois líderes das duas maiores esferas do poder executivo do Estado estão em processo de apaziguamento político. Depois de anos de rusgas, a relação entre o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), demonstrou, na última semana, ter dado o primeiro passo para uma aproximação administrativa mais concreta.

A prova disso foi o clima amistoso ocorrido durante o lançamento das obras de requalificação urbanística da Praça Pedro Ludovico Teixeira, a Praça Cívica, quando, acompanhados do ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), Paulo e Marconi elogiaram a iniciativa dos dois governos. A obra é uma parceria entre prefeitura e governo estadual.
Outra prova disso foi a mudança repentina de posicionamento do presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), em relação ao prefeito Paulo Garcia. Um dos maiores críticos da gestão do petista nos últimos anos, Rincón poupou o prefeito em entrevista coletiva que concedeu ao Clube dos Repórteres Políticos de Goiás, na última terça-feira, 3. O recuo ocorreu exatamente um dia depois do encontro amigável entre Paulo e Marconi. (Leia mais em matéria abaixo).
A cordialidade entre ambos no lançamento das obras, aliás, nem de longe lembrava os embates pesados e as trocas de farpas entre ambos em momentos passados, como durante processo eleitoral de 2014. À época, os dois trocaram críticas pela imprensa. Algumas vezes, o prefeito Paulo Garcia chegou a acusar o Palácio das Esmeraldas de atuar para inviabilizar sua gestão. Por sua vez, o governador Marconi Perillo rebateu alegando que o petista não tinha competência para resolver os problemas da cidade, como a crise do lixo.
A ligação política do petista com o ex-governador Iris Rezende (PMDB), principal oponente de Marconi nas eleições, dificultava ainda mais aproximações administrativas. Com fim do período de rivalidades partidárias e a promessa de um ano difícil do ponto de vista financeiro, os dois parecem ter estabilizado uma relação harmônica. As parcerias justificam a aproximação entre dos mandatários da capital e do Estado.
Os diálogos ficaram mais expostos no final do ano passado, quando em reunião os dois se encontraram para buscar apoio da presidente Dilma Rousseff (PT). Naquela circunstância a continuidade de obras como a conclusão do anel viário de Goiânia, cuja obra está parada há mais de dez anos, a construção da via de acesso ao novo terminal do Aeroporto Santa Genoveva e quatro viadutos no perímetro urbano da BR-153, foram discutidas no Palácio das Esmeraldas.

Bate-rebate
Segundo aliados dos dois lados, a aproximação pode ter se dado por ambos não serem candidatos à reeleição, pela aproximação do governo do Estado com o governo federal e por uma mudança de posicionamento do prefeito Paulo Garcia. Para aliados do governador, ele tem se mostrado mais aberto os diálogos, queixa constante dos oposicionistas do petista.
Aliás, a falta de aproximação até mesmo com a própria base tem sido uma constante nas reclamações em torno do perfil do prefeito. A escassez de diálogo foi um das causas apontadas por vereadores, por exemplo, para votarem contra alteração das alíquotas do IPTU no final do ano passado e a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal também no ano passado.
De fato, Marconi, em seu último mandato, buscou aproximação política e administrativa com prefeitos da oposição. Tanto que manteve bom relacionamento com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), e com o ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), enquanto esse ainda comandava a cidade. Lideranças governistas atestam que essa aproximação também foi tentada com Paulo Garcia, mas o perfil mais fechado do petista inviabilizou a tentativa.
O ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD) evidencia que as tentativas de diálogo com o prefeito já existiam. Em reunião realizada logo após o processo eleitoral de 2012, então secretário da Casa Civil, Vilmar promoveu encontro com Paulo Garcia. Na pauta, parcerias entre governo e prefeitura. Naquela ocasião tudo ficou alinhado, mas segundo Vilmar, com o tempo, as conversações não foram para frente e acabaram não vingando.
Por outro lado, aliados do Paço alegam que as tentativas de aproximação política e administrativa tentadas por Marconi no ano passado, tinham cunho eleitoral. Promessas de ajuda, segundo alegam alguns integrantes da base de Paulo, não se concretizaram, como o convênio para a compra de caminhões de lixo no ano passado.
Era maio de 2014, no auge da crise do lixo. Os dois mandatários iniciaram aproximação para resolução do problema. Houve a assinatura de um convênio que garantiria o repasse de R$ 5,8 milhões por parte do governo estadual para a prefeitura de Goiânia, para aquisição de 22 caminhões para a execução de serviços de coleta de lixo na capital.
A prefeitura, porém, alegou que o valor que o Estado disse ter depositado não caiu na conta do Paço Municipal. “No dia 4 de julho, último prazo para as transferências de recursos em função do período eleitoral, o Estado depositou a quantia em conta errada, o que ocasionou o estorno do valor pelo Banco Central. O Estado, alegando a incapacidade de efetuar novo depósito, deixou de fazê-lo”, revelou, à época, o procurador geral do Município, Carlos de Freitas.
Também causou insatisfação ao Paço a movimentação de Jayme Rincón, durante o processo de eleição da nova Mesa Diretora da Câmara de Goiânia, que resultou na vitória do vereador Anselmo Pereira (PSDB).

Ganho
Líderes governistas e da base do prefeito acreditam que nesta aproximação quem ganha é o goianiense. Hoje à frente da secretaria estadual do Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, Vilmar Rocha, será um elo importante entre o governador e o prefeito.
A pasta que o mesmo comanda tem envolvimento direto com as ações da prefeitura na cidade de Goiânia. Segundo Vilmar esse diálogo foi estabelecido também com Maguito Vilela (PMDB) em Aparecida e com Antônio Gomide (PT) em Anápolis sem nenhum problema.
Desta vez, segundo Vilmar Rocha, a aproximação ocorreu de forma mais aprofundada. Ele citou o momento em que esteve no encontro com Gilberto Kassab, Marconi Perillo e Paulo Garcia e disse ter visto no prefeito um homem mais aberto e que está disposto em fazer essa parceria com o governo estadual, independente de condições que envolvem os partidos rivais.
A aproximação, inclusive, já gerou ideias de maior aproximação entre governo e prefeitura. Vilmar Rocha afirmou que irá sugerir ao prefeito para que repasse à iniciativa privada a construção de estacionamentos em prédios no entorno da Praça Cívica, que não mais contará com o estacionamento interno.
“Irei sugerir isso ao prefeito. Será mais uma forma de aproximação entre as duas gestões. Sei que parte da população ficou irritada com o fim do estacionamento interno da Praça Cívica, mas o projeto de revitalização da praça pela prefeitura é um bom projeto, que trará as famílias de volta para essa área. Vamos conversar sobre isso”, disse o secretário.

Maturidade
Pelo lado dos petistas o pensamento neste momento parece ser o mesmo. O deputado estadual Humberto Aidar (PT) disse que os dois governantes demonstram maturidade ao se aproximarem novamente. Para ele, a população não tolera mais os assuntos partidários interferindo na administração. Humberto ressaltou a sua torcida pelo companheiro de legenda e diz ter defendido sempre a melhor relação possível entre as partes.
Desde 2010 a frente da prefeitura de Goiânia e cinco anos de convivência administrativa conturbada com o estado, Paulo Garcia tem sido poupado de criticas nestes últimos dias. Humberto declara que houve uma perda de tempo muito grande entre as partes por terem alimentado esse desgaste. Pelos próximos dois anos juntos administrativamente o deputado espera que o governo possa ajudar a prefeitura e a prefeitura possa ajudar o governo.
O chefe de gabinete de Paulo Garcia, Olavo Noleto (PT), diz estar bastante satisfeito com a proximidade entre os dois. À frente de seu cargo desde o ano passado, ele foi contido ao analisar os tramites que levaram a maior aproximação entre os dois e disse que é assim que tem que ser. “É uma relação administrativa, madura, respeitosa. Algo que teve ter entre dois governantes”, disse.
Assim com Olavo Noleto, o deputado federal Roberto Balestra (PP) e o também deputado federal João Campos (PSDB) acreditam que as ações do governo devem estar interligadas com as do município. Roberto Balestra disse que a responsabilidade dos dois chefes os levaram ao amadurecimento. Já João Campos ressaltou que o debate político não deve prevalecer sobre ações administrativas.


Crítico contundente de Paulo, Rincón baixa o tom

 

Demonstrando mais cautela no que tange as criticas ao prefeito Paulo Garcia, o presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), em entrevista ao Clube dos Repórteres Políticos de Goiás na última terça-feira, 3, diminuiu o tom. A entrevista era para ter sido uma resposta de Rincón ao prefeito, que foi entrevistado na semana anterior pelo clube.
Em sua entrevista, questionado sobre a possibilidade de Jayme Rincón se candidatar a Prefeitura de Goiânia no próximo ano, Paulo Garcia, já irritado com a suposta interferência do presidente da Agetop na eleição da Câmara de Goiânia, na qual a oposição elegeu o presidente, classificou Rincón de “protótipo de político” e disse que Jayme era uma cruz a ser carregada por Marconi Perillo.
Jayme, em entrevista à Rádio Bandeirantes, respondeu dizendo que “o prefeito voltou a falar muito e continua trabalhando pouco” e que ele “é o maior estelionato eleitoral da história de Goiânia”. Porém, quando teve a oportunidade de responder Paulo durante a coletiva com o Clube, ou seja, no mesmo espaço onde foi criticado, Jayme recuou.
Segundo fontes governistas, o recuo teria sido parte de duas estratégias. Uma delas foi para cumprir ordem superior para que não atacasse Paulo Garcia, que um dia antes havia se encontrado com o governador na Praça Cívica. A outra é que Paulo não será candidato no ano que vem. Com isso, o alvo do presidente da Agetop foi o ex-governador Iris Rezende, que aparece como nome mais forte dentro do PMDB para a disputa na capital em 2016.
Com isso, ao falar sobre as dificuldades de Goiânia, o mandatário declarou que a responsabilidade pelas dificuldades vivenciadas pela capital não poder ser jogada somente ao prefeito atual.
Neste contexto, ele citou Iris que esteve a frente da prefeitura de 2004 a 2010. “Iris e seu grupo só pensam em dividendos políticos e no imediatismo. Por isso fazem obras sem nenhuma qualidade e muito caras para os cofres públicos”, avaliou Jayme. (M.B.)

 

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