“Não podemos frustrar a expectativa do partido”

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Tribuna do Planalto – Qual o balanço que o senhor faz desses 10 meses de administração?

João Gomes – Foi gratificante, do ponto de vista pessoal, de equipe, e de cidadania; de utilizar cem por cento do meu tempo com a cidade de Anápolis. Não foi um ano fácil. Foi difícil. Foi um ano político, onde encontramos obstáculos que não são comuns, já que tínhamos um companheiro candidato ao governo. Mas foi também um ano de realizações. Crescemos enquanto gestor e a cidade nos avalia bem como tal. Os serviços continuaram iguais aos da gestão anterior ou até melhoraram. Ficamos muito felizes com a resposta das pesquisas. Essa é a visão que queremos como gestor. Por isso estamos otimistas em relação ao futuro, a 2015. Estamos prontos para dar a resposta que a cidade espera.

No ano passado, o sr. estava na iminência de conseguir um convênio com a Agetop para recapear ruas e avenidas. O convênio ocorreu?
Nós conseguimos um convênio pequeno de R$ 6,6 milhões, onde R$ 2,2 milhões é da prefeitura e o restante da Agetop e já começamos o serviço de recapeamento que, a princípio, será apenas das linhas de ônibus. Mas até o final de nosso governo, com a criação desses seis eixos de mobilidade urbana, iremos buscar recapear todas as linhas de ônibus da cidade de Anápolis, para dar mais conforto e celeridade ao transporte.

Há uma agenda de obras para a reta final de seu governo? Como buscar recursos no governo federal e estadual que anunciaram medidas de diminuição de gastos?
Geralmente os dois primeiros anos dos governos estaduais e federais são os dois últimos anos de governos dos prefeitos. Há um antagonismo de interesses. Dentro disso, ao menos aqui em Anápolis, desde que assumimos em 2009, nós nunca deixamos para fazer as obras no final. Estamos a todo vapor e não paramos hora alguma. Nesta gestão, nós já inauguramos algumas obras que foram iniciadas na gestão de Antônio Gomide e já iniciamos outras que queremos inaugurar ainda em nossa administração. Inauguramos três Cmeis, por exemplo, e já demos ordem de serviço para outros catorze. Temos nove unidades de saúde em nosso município que demos ordem de serviço em nosso governo. A UPA já estava sendo construída há três anos e foi inaugurada agora. Esse jeito de governar, imaginando os últimos 24 meses é complicado. Foge do planejamento, pois dois anos é muito pouco para desenvolver o planejado. As dificuldades existem, sim, e é certo que encontraremos algumas barreiras em relação a parcerias com os governos estadual e federal, mas temos compromisso já com o governo estadual em relação a algumas obras e acreditamos que a palavra dada será mantida e, em relação ao governo federal, temos também intervenções e parcerias já encaminhadas e planejadas.

Quais são as obras específicas que vocês vão entregar nos próximos dois anos?
Poderia ficar aqui três horas falando para você e ainda iria cometer injustiças, pois deixaria muitas de fora. Não me lembraria de cabeça, mas são Cmeis, quadras de esporte, escolas novas e reformadas, praças, eixos de mobilidade e viadutos por meio do PAC, de R$ 80 milhões, postos de saúde, recapeamento asfáltico, obras de drenagem em vários bairros, parques ambientais, como o da Jaiara, contenção de erosões, obras habitacionais por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, programa com o qual já construímos mais de 8 mil moradias e ainda entregaremos mais duas mil, que serão construídas. Teremos também parques já projetados, asfaltamento já previsto em vários bairros, ou seja, já são mais de 100 obras em andamento na cidade e essa demanda não irá parar em 2015 e 2016 em função de falta de recursos, pois buscaremos onde tiver.

Esse projeto de mobilidade urbana tem um aspecto ousado que é a construção de três viadutos em menos de um quilômetro. A prevista crise financeira não pode comprometer a obra?
Esse recurso é de financiamento. Serão R$ 76 milhões, por meio do PAC da Mobilidade, mas oriundo do Fundo de Garantia que será repassado pela Caixa, o qual nós já assinamos o contrato com o aval do Tesouro Nacional e estamos aguardando agora apenas a licitação das obras para os eixos e para os viadutos. Recurso para quem tem projeto, eu acredito que não irá faltar por parte do governo federal, mas você tem que otimizar, utilizar bem os recursos que chegam.

Anápolis não teve nenhum nome no primeiro escalão do governo estadual. Isso pode representar alguma perda para o município?
Escolha de secretariado sempre compete ao gestor. Tivemos oportunidade de ter mais de um secretário no primeiro escalão em outros governos, mas acho que o mais importante é a política pública e a vontade política de se fazer acontecer as coisas. Se houver vontade política por parte do governador para trazer benefícios para Anápolis – e eu acredito que tenha – as coisas virão. Obviamente que ajudaria ter pessoas no governo, mas sem vontade política, de nada adianta ter.

Há vontade política do governador em ajudar Anápolis?
Noto isso sim. Não encontrei nada que demonstre que ele não tenha vontade política com Anápolis. Nós fazemos uma política proativa, no ponto de vista pessoal, mas, acima de tudo, suprapartidária.

A relação nos dez meses com o governador foi boa?
Sim, foi. Nós tivemos algumas dificuldades em relação ao período eleitoral e mesmo assim conseguimos um convênio. Passada a eleição, conseguimos a manutenção de convênios firmados com nosso antecessor, e, obviamente, buscaremos muito mais, pois acreditamos que nossa cidade representa muito no contexto de Goiás. Anápolis produz muito e quer ser bem beneficiada pelo Estado. E o governador tem demonstrado muito boa vontade conosco, mesmo com dificuldades. Anápolis deu boa votação para ele no segundo turno. Ele tem essa compreensão.

Qual a expectativa de conclusão das obras estaduais que estão paradas hoje, como o Centro de Convenções e o Aeroporto de Cargas?
Hoje consigo responder pelas minhas obras. As obras do governo seguem o cronograma delas. Nossa expectativa é de que elas fiquem prontas o mais rápido possível. São obras importantes. Por isso aguardamos com muita ansiedade. Mas depende do governo do Estado. O subsecretário de Indústria e Comércio, Vitor Hugo Queiróz, nos confirmou que o governador quer entregar essas obras até o meio do ano.

O sr. se reuniu com o governador na semana passada. Qual foi a pauta? Foi discutido algum assunto de Anápolis?
Não. Para isso terei outra reunião com ele na qual trataremos assuntos de importância que começamos a discutir em dezembro. Nessa reunião com os prefeitos, nós iniciamos nossa movimentação no gabinete do prefeito Paulo Garcia (PT), em Goiânia. O ponto forte foi em torno do corte do ICMS e do Coíndice, e ele se colocou à disposição para nos ajudar, se dizendo preocupado sobre isso, dizendo que se reunirá com seus secretários. Mais para frente buscaremos reunião com a secretária da Fazenda para levar nossos pedidos.

Pesou esse corte de parte do ICMS do ano passado? Como foi esse impacto para Anápolis?
Foi grande também. Obviamente que uma cidade como Anápolis perde mais com isso. Anápolis tem uma de suas principais receitas o ICMS. Automaticamente quando corta, fere todo o seu planejamento. Como foi um corte, vamos dizer, não programado, deixou os municípios com muita dificuldade. As quedas são acentuadas devido às condições da economia. A gente precisa buscar criatividade para que possa superar esses desafios que são muito maiores do que os de 2014.

O que se gasta hoje com pessoal na prefeitura de Anápolis e qual vai ser o índice de reajuste da data-base?
Nós começamos o ano com 13,1% de aumento para os professores. Posso lhe afirmar seguramente que Anápolis não tem nenhum professor que ganhe o piso. O nosso piso aqui está muito superior ao piso nacional que é o estabelecido como mínimo. Temos a tranquilidade de afirmar que os nossos professores hoje são os mais bem pagos de Goiás estão entre os mais bem pagos do Brasil. Março, agora, já fechamos a questão da data-base do servidor público de um modo geral e já estamos discutindo e vamos no mínimo trabalhar com o IPCA.

Mas esse gasto com pessoal já atingiu quanto?
Vamos esbarrar no chamado limite prudencial que é de 51,3%. Mas a nossa expectativa é que neste quadrimestre nós devemos passar tranquilamente do limite prudencial. Nos próximos meses, vamos trabalhar para sair dessa margem ruim.

Lideranças do PT já disseram que o projeto do partido o ano que vem aqui em Anápolis é a reeleição do sr. Como que o sr. recebe essa missão e quando que o sr. começa articular?
Olha, fica aí um agradecimento meu e gratidão ao Partido dos Trabalhadores por essa referencia, mas ao mesmo tempo impõe sobre nós também certo peso. Aqui, o Partido dos Trabalhadores sempre teve um projeto para administrar a cidade de Anápolis. Fizemos uma administração bem avaliada. Então é um desafio grande que o partido enfrentou e até aqui nós temos dado conta. Nós não podemos frustrar a expectativa do partido. A expectativa nossa é muito grande, o desafio é maior ainda, mas estamos preparados. Agora, o foco central nosso é a gestão. Eu sempre falei que nós não podemos perder de vista a gestão. Se você perder de vista a gestão, o seu projeto político cai por terra.

A partir de quando que é o ideal para trabalhar mais efetivamente o projeto político?
O projeto político nosso já esta sendo trabalhado. Nós fizemos uma reunião onde nosso companheiro Antônio Gomide foi escolhido para ser o coordenador político desse processo. Todo processo que envolve coordenação política, que envolve o nosso partido e todos os partidos da base aliada que vai estar conosco é coordenado por Antônio Gomide e um grupo com o deputado Rubéns Otoni, o presidente Ceser Donisete, eu e outros.

A oposição deve vir com dois candidatos, o ex-deputado Pedro Canedo (PP) e o deputado Alexandre Baldy (PSDB). O desafio hoje da sua base é se manter unida?
Com certeza. Nós temos hoje uma base até fortalecida do ponto de vista de partidos. Estamos tranquilos com relação à base. Eu acho que o desafio aí é exatamente esse: manter essa base unida.

A aliança PT e o PMDB está em xeque nas três esferas – municipal (Goiânia), estadual e federal. Qual que é o posicionamento do sr.? O PT deveria seguir com o PMDB aqui em Goiás ou essa aliança já se esgotou?
Acho que em toda a aliança os partidos precisam vir para mesa desprendidos de vaidades. Precisamos pensar em projetos. Eu acho que a gente precisa ter maturidade. Eu acho que essa ideia de trabalhar partido não é uma coisa fácil. Cada partido tem o seu interesse partidário. Agora, o que nós não podemos fazer é colocar o interesse pessoal acima do partidário e nem o partidário acima do interesse do povo, no caso aqui, da cidade de Anápolis.

Maturidade seria se, lá em Goiânia por exemplo, o PT não tiver um bom nome abrir mão para o PMDB e vice versa?
Maturidade é você sentar na mesa e cada um ter o direito de colocar os seus nomes. E, na discussão desses nomes, escolher o melhor nome.

Independente de sigla partidária?
Independente de sigla partidária. Por exemplo: nas discussões de 2012, o meu nome foi colocado à disposição na mesa. Outros partidos tiveram direito de colocar os seus nomes na mesa. E depois discutimos quem é o melhor nome. Na época, alguns partidos nem discutiram. Entenderam que o meu nome era o melhor naquele momento. Foi assim, mas poderia ter sido diferente. Eu acho que maturidade é isso.

Em relação a Antônio Gomide, qual deve ser o futuro do ex-prefeito? Candidato ao governo, deputado federal? Qual é o seu futuro político?
O companheiro Antônio Gomide tem um patrimônio eleitoral invejável. Foi o nosso companheiro aqui. Saiu daqui com uma belíssima administração. Deixou a marca do Partido dos Trabalhadores aqui na cidade de Anápolis. Eu acredito que possa acontecer alguma coisa a nível federal, mas não é uma coisa que depende da gente. Do ponto de vista político ele segue sendo essa liderança tão bem avaliada. Agora, qual pode ser o futuro de Antônio Gomide? Ele não participa das eleições de 2016. Mas está no projeto. Somos um grupo político do qual nós fazemos parte e ele com certeza faz parte. Projetos para o futuro? Uma coisa de cada vez.

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