De volta aos pedestres

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Qual o objetivo do projeto de revitalização da Praça Cívica?

O objetivo principal do projeto é retornar a Praça para o usuário pedestre. Ao longo dos anos, a praça foi se tornando um grande estacionamento e perdeu sua principal função.

Como isso vai ser feito?
O grosso do projeto é a definição de canteiros e passeios, ou seja, piso e paisagismo. Para poder delimitar bem o que são esses pisos e passeios, haverá a manutenção do que já se tem do sistema viário. Vão ter ainda alguns acessos de veículos, mas o estacionamento está proibido. Os demais serão passeios para pedestres.

Muitas pessoas reclamaram dessa questão do estacionamento.
O Poder Público também tem favorecido outras ações complementares que vão culminar num melhor aproveitamento do centro histórico. Tais como o eixo preferencial implantado na Rua 10, e o outro que está sendo implantado na Avenida 85. Essas intervenções vão promover um desafogamento do trânsito e mais qualidade e eficiência no transporte.

As fontes luminosas serão eliminadas, ou se pensou em outra alternativa para a água parada?
A gente sabe que há alguns anos, o Poder Público não tem uma continuidade de manutenção dessas fontes. O que haverá de intervenção é que essas fontes irão subir de nível e serão o que chamamos de fonte seca. Vai ser um piso 100% drenante, com um sistema de bomba que realimenta a fonte com a mesma água.

Como fica a questão do paisagismo?
Nós sabemos que, ao longo dos anos, a praça já teve vários estilos. Mas, o que mais se tem consolidado na memória da população é o paisagismo como está hoje, com os passeios e as árvores de maior porte.

Haverá remoção?
Serão removidas poucas espécies, que são aquelas que já não estão em condições fitossanitárias adequadas e que são espécies que foram sendo incorporadas no paisagismo urbano na década de 1970, como as Mangubas, por exemplo, e que hoje vemos que não são espécies adequadas a este contexto.

Por quê?
Elas possuem raízes muito fortes que promovem o impacto no piso. Então, essas serão removidas e substituídas por outras. Todas as espécies que forem inseridas vão ser para manter essa leitura de canteiro como está hoje.

E quanto à simetria?
Também é mantido no projeto como ideia principal. Então, o que tem de passeio e de vegetação aprovados numa face, tem na outra. Esse é um dos conceitos básicos dessa praça.

Houve uma polêmica em relação a estátua de Pedro Ludovico Teixeira, quando ela foi assentada ao lado do Centro Administrativo. O que ficou decidido?
Desde que foi instalado ali, há uma pressão de parte da população e também da família, pois eles entendem que a Praça Cívica é essa parte de frente, que dá para a Torre do Relógio. Eu vejo a praça como um todo e acredito que ali o monumento esteja bem assentado, mas foi uma solução apresentada e que é passível de aprovação. Ele será inserido entre o prédio da Prefeitura e a fonte oeste. E para manter a porção da simetria, será inserido no lado oposto o primeiro rolo compactador da cidade. Eu, particularmente, acho que a Praça terá um excesso de monumentos e informações. Mas, isso é uma proposta que, na nossa análise, não interfere na preservação do conjunto.

Toda a Praça Cívica é tombada?
Pelo Iphan são tombados edifícios, que são o museu Zoroastro Artiaga, o Marieta Teles, a Procuradoria Geral do Estado, o Palácio das Esmeraldas, a Secult, os dois obeliscos, as duas fontes, o coreto, a torre do relógio, o Tribunal Regional Eleitoral e a antiga Delegacia Fiscal. Os outros edifícios, como o Tribunal de Contas e a creche, que não seguiram essa linguagem, não são tombados. A praça como um todo é considerada área de entorno pelo Iphan. Dependendo da esfera, o tombamento incide sobre um bem.

A Farmácia Artesanal da Rua 4, no Centro, passou por um processo de restauração em 2012. Como estimular outros empresários a acordar para a importância histórica desses bens? Há algum projeto de incentivo nesse sentido?
A Prefeitura contratou, na época da gestão do Pedro Wilson, um projeto que ia ser implantado de maneira piloto nas primeiras quatro quadras da Avenida Goiás, e que previa limpeza das fachadas, revestimento de fiação, e estudos de sinalização visual e cores. Mas, a Prefeitura tem outros mecanismos e instrumentos que podem ser utilizados.

Seria por meio de regulamentação?
Sim, pois qualquer comunicação visual, seja letreiro, marquise ou luminoso, naturalmente tem que passar por um processo de alvará e permissão no Município. A partir do momento que a Prefeitura tem que normatizar isso, pode fazer no sentido de que essas intervenções estejam alinhadas ao contexto de preservação.

E quanto àquela casa que foi demolida na Rua 22?
Toda a área do Centro está grafada no Plano Diretor como uma zona especial de interesse histórico. Então, qualquer demolição que seja solicitada dentro dessa zona, tem um setor específico que vai avaliar se é possível ou não fazer essa demolição. O caso dessa residência, houve um parecer contrário do Iphan. Agora, a gente não tem a prerrogativa de lei de impedir, porque não é um bem tutelado pelo Iphan.

Há projetos de restauração de outros edifícios em Goiânia?
A intervenção, por enquanto, se limita à Praça Cívica, mas a gente espera que seja um despertar. E isso ficou bem claro no dia do lançamento, na fala das três instâncias de poder que estiveram presentes ali. Mas, há em tramitação um projeto para a Estação Ferroviária.

Lá, houve uma intervenção há alguns anos, mas a edificação voltou a sofrer com o abandono e a falta de manutenção…
Sim. O grande problema na Estação Ferroviária, foi que nessa intervenção realizada no início dos anos 2000, não foi feito um plano de uso para o edifício. Foram instalados programas e ações que eram temporários. Passado o período de ocupação, a área ficou vazia e o prédio hoje é subutilizado.

Qual a proposta agora?
A proposta que recebemos, e avaliamos como extremamente positiva, é levar para lá departamentos já existentes na estrutura do Município, com calendário contínuo. Além disso, vai ser promovida a restauração do edifício, incluindo dois afrescos do Frei Nazareno (Confaloni) que ficam no saguão e ainda o paisagismo externo.

Como está o andamento?
O projeto foi apresentado pela Prefeitura e aprovado pelo Iphan Goiás, do ponto de vista arquitetônico. Em seguida, foi submetido à diretoria do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Cidades Históricas. Foram apontadas uma série de adequações necessárias, incluindo orçamentária, e isso foi retornado para a Prefeitura. Estamos aguardando essas adequações desde setembro.

O que torna o conjunto Art Deco de Goiânia único?
Esse traçado urbano que o Attilio Corrêa trouxe para Goiânia, focado nessa ideia, era o que tinha de mais atual. Ele tinha acabado de chegar da formação dele na França. Então, a relevância desse conjunto é a construção de uma capital num contexto de se querer algo moderno e inovador, e é elegida essa modernidade com esses adornos característicos do Deco, em detrimento daquela racionalista.

No caso das imóveis particulares que integram esse movimento arquitetônico, muitos estão sendo demolidos, a exemplo de algumas casas. Por que isso está acontecendo?
São duas coisas que estão pressionando isso. Uma é a demanda por estacionamento, e a outra é a flexibilização do Plano Diretor ao longo dos anos, permitindo a ocupação vertical de espaços que já estavam congelados. Acontece isso porque o preço do terreno tem muito mais valor para o proprietário como moeda de troca no mercado imobiliário, do que o imóvel em si.

 

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