Um grande pedagogo

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Aulas-passeio, estudos de campo, cantinhos pedagógicos e troca de correspondência entre escolas, são atividades que se tornaram muito difundidas em instituições de ensino, mas  o que muitos não sabem é que o idealizador desse tipo de prática foi o pedagogo francês Célestin Freinet. Não é necessário conhecer a fundo a obra do educador para fazer bom uso desse tipo de recurso pedagógico, mas entender a teoria que motivou sua criação pode possibilitar uma aplicação integrada e tornar as atividades mais produtivas.

No século 20, Freinet se insurgiu contra o ensino tradicionalista, centrado no professor e na cultura enciclopédica, propondo em seu lugar uma educação ativa em torno do aluno. Na sua concepção, o trabalho e a cooperação vêm em primeiro plano, a ponto de ele defender, em contraste com outros pedagogos, que não é o jogo que é natural da criança, mas sim o trabalho. O objetivo declarado por Freinet, então, foi criar uma “escola do povo”.
 Freinet acreditava que a atividade é o que orienta a prática escolar e o objetivo final da educação é formar cidadãos para o trabalho livre e criativo, capaz de dominar e transformar o meio. Sendo assim, um dos deveres do professor, segundo ele, seria criar uma atmosfera laboriosa na escola, para estimular as crianças no desenvolvimento de experiências, procurar respostas para suas necessidades e inquietações, auxiliando e sendo ajudadas por seus colegas e buscando no mestre alguém que organize o trabalho.
Outro ponto que Freinet acreditava ser primordial do professor é colaborar ao máximo para o êxito de todos os alunos, ajudando-os a superar os erros.  Nesse sentido, Freinet propôs uma pedagogia do bom senso, pela qual a aprendizagem resulta de uma relação dialética entre ação e pensamento, ou teoria e prática. A partir dos recursos criados por ele, propõe o despertar, nos estudantes, de uma consciência do meio em que estão inseridos, incluindo os aspectos sociais, histórias de vida.


Técnicas de ensino

 

 

Fundamentada em quatro eixos: cooperação, comunicação, documentação e afetividade, Célestin Freinet dedicou a vida na elaboração de técnicas de ensino que funcionam como canais da livre expressão e da atividade cooperativa, com o objetivo de criar uma nova educação. Entre as suas principais postulações, estão: a correspondência entre escolas, para que os alunos possam não apenas escrever, mas serem lidos; os jornais de classe, mural, falado e impresso; o texto livre, nascido do estímulo para que os alunos registrem por escrito suas ideias, vivências e histórias; e a cooperativa escolar. “É necessário fazer nossos filhos viver em república desde a escola”, escreveu Freinet.
Em suas aulas o pedagogo francês era contrário ao uso de manuais, sobretudo as cartilhas, por considerá-los genéricos e alheios às necessidades de expressão das crianças. Defendia que os alunos fossem em busca do conhecimento de que necessitassem em bibliotecas, na pró­pria escola e que confeccionassem fi­chários de consulta e de autocorreção para exercícios. “Todo conhecimento é fruto do tateamento experimental, da atividade de formular hipóteses e testar sua validade, e cabe à escola proporcionar essa possibilidade a toda criança” afirmava Freinet.  

Transformação
Ao estudar o problema da educação, Freinet propunha que ao mesmo tempo em que o professor almejasse a escola ideal, criativa e libertadora, deveria também estudar as condições concretas que estariam impedindo a sua realização.
A propostas e ações de Freinet continuam tendo grande ressonância na educação. Bastante atuante, ele chegou a ser preso durante a Segunda Guerra Mundial, acusado de subversivo por conta das suas técnicas inovadoras de educação. Dono de uma grande legado, o educador faleceu em 1966, aos 70 anos de  idade.

 

 

 

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