Prefeitura busca reação com reforma

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O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), concluiu mais uma etapa do planejamento de recuperação de sua gestão e de sua imagem traçado ainda no ano passado, ao apresentar, na última semana, o projeto da segunda reforma administrativa de seu segundo mandato.

O projeto, que prevê economia anual de R$ 72 milhões, montante que representa redução de aproximadamente 25% no orçamento total do município, com a redução de onze secretarias, que deixarão de existir, ficando o Paço com 17 pastas a partir deste ano.
A reforma, somada com o pacote de obras lançado ainda no ano passado, e com a aproximação administrativa com o governo estadual, iniciada com o lançamento das obras de intervenção da Praça Cívica há duas semanas, são as apostas do prefeito para sua recuperação e também de sua gestão, em vistas das eleições municipais do próximo ano.
Mas, se por um lado o Paço Municipal tem apresentado suas armas para a crise administrativa que se ascendeu sobre a prefeitura nos últimos anos, outro problema surgiu nos últimos dias, o que poderá acarretar em desgastes políticos a serem enfrentados num futuro próximo pelo prefeito.
Trata-se da rebelião do Bloco Moderado, formado pelos vereadores Zander Fábio (PSL), Divino Rodrigues (Pros), Paulo da Farmácia (Pros) e Bernardo do Cais (PSC). Este grupo de quatro vereadores que atuava até então “de forma independente”, segundo palavras de seus integrantes, na Câmara Municipal, passará a atuar na oposição neste ano de 2015.
 A decisão de engrossar o bloco da oposição na Câmara foi uma resposta à exoneração de servidores da prefeitura de Goiânia que foram indicados pelos vereadores que compõem o Bloco Moderado dentro da Câmara Municipal.
A atitude não agradou aos parlamentares que enxergaram com a ação como retaliação diante das ultimas reprovações que aconteceram dentro da casa legislativa municipal como a reprovação do IPTU e a derrota da base aliada do prefeito na disputa pela mesa diretora para a oposição.

Problema
Apesar do extenso pacote de benefícios previsto para o ano (veja matéria abaixo), a situação política da prefeitura em relação ao legislativo municipal pode atrapalhar a retomada da imagem positiva do Paço Municipal. Com a atitude de exoneração dos cargos, apesar de ser considerada como um ato normal pela administração da prefeitura, não agradou aos parlamentares do Bloco Moderado que enxergaram com a ação como retaliação diante das ultimas reprovações feitas por eles dentro da casa legislativa municipal.
Segundo os vereadores, o fato aconteceu logo que a Prefeitura de Goiânia foi derrotada no projeto de reajuste do IPTU e ITU e na eleição da mesa diretora da Câmara de Goiânia, em dezembro. “É uma retaliação da Prefeitura que está exigindo moeda de troca e não concordamos com isso”, desabafa o vereador Zander Fábio (PSL).
Ele que é líder do bloco, diz que continuará mantendo a linha que o Bloco vem seguindo, apesar de vereadores da base não acreditarem nessa possibilidade. “A relação com o Paço sempre foi republicana. Onde não há diálogo é complicado. Eu respeito a posição da prefeitura, mas vamos continuar defendendo acima de tudo os interesses da população e vamos aprovar apenas aquilo que considerarmos benéfico para os goianienses”, explica, deixando a brecha para votações contra a orientação do Paço.
Já o vereador Divino Ro­dri­gues (Pros), que também compõe o bloco, e que está de licença da Casa e que pode ser afastado de suas funções por estar sendo investigado na Operação Poltergeist, disse acredita que o prefeito enfrentará dificuldades por conta da atitude tomada administrativamente.
“O prefeito terá sim mais dificuldades de resolver algumas situações com o Bloco Moderado, mas isso não quer dizer que não aprovaremos nada, pois o que for benéfico para a população, não vamos ser contrários apenas por questões políticas”, avalia o vereador.
Ele diz que apesar de respeitar a decisão do executivo, reconhece que a relação pode ter ficado estremecida. “Toda relação que há uma exigência firme, fica estremecida, mas também não quer dizer que não possa melhorar, ou piorar ainda mais”, reforça.
E esse estremecimento poderá atrapalhar os planos do Paço já nos primeiros dias de funcionamento da Câmara Municipal em 2015, quando o projeto com a reforma administrativa chegará à Casa para ser votado pelos vereadores, que deverá ocorrer após o carnaval.
Além da reforma, o veto do prefeito às emendas aprovadas pela Câmara no projeto de reajuste da data base salarial dos servidores também deverá ser derrubado pelos vereadores, conforme adiantou Paulo da Farmácia, o que forçará a prefeitura a enviar outro projeto em março.

Diálogo
Ciente das dificuldades que deverá enfrentar neste ano em relação ao poder legislativo da capital, o prefeito, ao ser questionado pela Tribuna, disse estar otimista e aposta positivamente na sua relação com os parlamentares que, segundo ele, sempre foi pautada no diálogo. “A relação com a Câmara é muito positiva e acredito que tudo vai avançar dentro dos ritmos normais”, salientou.
De acordo com o secretário municipal de governo, Osmar Magalhães todas as ações que ocorreram é um processo normal da prefeitura. “O processo de composição de governo é natural. As forças políticas que participam do governo dão sustentação e é isso que ocorre”, disse.
Segundo o secretário a relação da prefeitura não deve se tornar mais difícil do que já está e acredita na volta por cima justamente pelo processo de composição. “É um processo de apoio. Se não tem apoio, não tem composição”, reforça.
Mas Osmar reconhece que as últimas reprovações dentro da Câmara deixou a prefeitura de calças justas. “A questão do IPTU era fundamental para Goiânia e teve duas derrotas consecutivas. Nós temos que buscar agora, outras alternativas para que a população não seja prejudicada. Uma delas é por meio da reforma”, ressalta.
Mesmo assim, Paulo Gar­cia continua afirmando a conclusão das promessas de sua campanha até o final do mandato e disse que vai trabalhar com muita seriedade e transparência até o final de seu governo para cumprir tudo o que foi prometido e para que seu sucessor possa ser eleito e aposta na economia que será feita com a reforma administrativa proposta e à espera de aprovação.

Desmonte
Outra esperança por parte do Paço é o desmonte do bloco. A possibilidade de enfraquecimento do grupo surgiu na última semana, quando a direção estadual do Pros iniciou processo de pressão para que os vereadores Divino Rodrigues e Paulo da Farmácia passem a compor com a base do prefeito na Câmara.
O Pros, que faz parte do grupo de partidos que dão sustentação ao Paço Municipal, já teria dado o ultimato aos dois vereadores. Em caso de negativa, existe a possibilidade de expulsão de ambos da sigla, que ainda conta na Câmara com um terceiro vereador: Wellington Peixoto, que é da base do prefeito.


Além da reforma, prefeito anuncia novas ações

 

Para tentar mudar a situação e, principalmente, sua imagem, Paulo Garcia aposta na reforma administrativa, que ainda depende de aprovação na Câmara Municipal, e no pacote de obras que vem sendo divulgado nos últimos dias com muita intensidade.
A reforma, apresentada na última semana, prevê a fusão de 14 pastas para a criação de 6 novas superpastas (veja quadro). Caso aprovada, ela gerará economia de R$ 72 milhões, que representa redução de aproximadamente 25% do orçamento municipal, ocasionando mudanças na gestão da prefeitura.
O objetivo da reforma, segundo Paulo Garcia, é fazer uma gestão responsável, dentro do planejamento para este mandato. “Não farei nada que nos coloque em risco e estamos fazendo tudo com muita responsabilidade. Não vamos fugir do déficit fiscal zero”, afirmou.
Já em relação às intervenções na cidade, recentemente, as obras da Avenida 85 começaram a aparecer na mídia e, em seguida, outras foram apresentadas como solução para alguns problemas que a cidade de Goiânia vem enfrentando.
Além do corredor exclusivo da Avenida 85, a cidade ainda conta com as intervenções que vêm sendo feitas na Praça Cívica, em obra realizada em parceria com o Estado, e também com a implantação do corredor da Avenida T-7 e do BRT, que devem ser concluídas em um ano.
O BRT, que promete ser a mais importante das obras a serem lançadas neste ano, conta com recurso oriundo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos serão da ordem de R$ 274 milhões do governo federal. Já a contrapartida da prefeitura deve ser de R$ 95 milhões.
Outra prioridade segundo o prefeito será a construção de três novos hospitais até o final de seu mandato. Segundo informações de Paulo Garcia, um Hospital da Mulher deve ser construído no Setor Vera Cruz; o Cais de Campinas deve passar por readequação para ser transformado em um pequeno Hospital de Urgências e, no Setor Aeroviário onde funciona o Centro de Referência em Ortopedia e Fisoterapia (Crof), passará a ser um hospital de traumatismo.
Outra frente que o prefeito declara que pretende trabalhar é a construção de mais Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) Segundo Paulo Garcia, nos últimos dois anos a prefeitura construiu 29 unidades de educação e com isso abriu cerca de 12 mil vagas na rede municipal o que não sana o problema mas que melhora a situação, reconhecendo que ainda falta muito.
Além disso, Paulo já trabalha com o projeto Macambira Anicuns. Na última quinta-feira, 29 de janeiro, o prefeito visitou as obras, acompanhado dos responsáveis pela execução para avaliar o quadro geral e disse que somente os setores 1, 2 e 3, atualmente em obras pelo consórcio Construtor Puama, que ganhou a última licitação em 2014, devem ficar prontos até o fim da gestão em 2016. O prefeito deverá ainda apresentar a segunda etapa de obras já no início de março. (J.N.)


Conheça as novas pastas da Prefeitura de Goiânia

 

Secretaria Municipal de Governo (Fusão da Casa Civil com Secretaria de Governo)
Secretaria Municipal de Administração (Fusão das Secretarias de Administração e de Gestão de Pessoas)
Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Fusão das Secretarias de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Fiscalização)
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Inovação (Fusão das Secretarias de Trabalho, Indústria, Comércio e Serviços e de Ciência, Tecnologia e Inovação)
Secretaria Municipal de Educação e Esportes (Fusão das Secretarias de Esporte Turismo e Lazer e de Educação)
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (Fusão das Secretarias de Deficiência e Mobilidade Reduzida, Juventude e Igualdade Racial)
Agência de Turismo e Lazer (Proveniente da Divisão da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer – funcionará com autarquias Zoológico e Mutirama)


 

 

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