“Esperamos mais inves­ti­me­n­to do Estado em Aparecida”

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Tribuna do Planalto A prefeitura Aparecida, nos últimos anos, priorizou obras realizadas em parceria com o governo federal. Nesse novo mandato da presidente Dilma Rousseff haverá diminuição dos gastos. Isso gera preocupa a continuidade dessas obras?

Ozair José – Aparecida é uma cidade atípica, que cresceu desordenadamente e que tem muitas prioridades para ontem. Nós nos desenvolvemos muito por conta dos projetos apresentados em parceria com o governo federal, com investimentos em infraestrutura, principalmente. E é verdade que recebemos muitos recursos federais nestes seis anos. Nós temos acompanhado de perto o temor em torno das dificuldades previstas para a economia brasileira neste início de ano, mas não acredito que se refletirá nas obras. Houve realmente uma queda em relação ao ano passado e isso gera um pouco de preocupação. Se pegarmos como comparação janeiro do ano passado com janeiro de 2015, nós sentimos uma queda na arrecadação e no repasse de verbas como o do ICMS. O que nós temos que fazer é caminhar com os pés no chão. Desde o início do ano já mostramos a toda nossa equipe que precisamos economizar. Mas as obras continuarão caminhando em nossa cidade e nossa previsão é continuar recebendo receitas do governo federal.

A obra em torno do aeroporto do município já conta com recursos garantidos?
Essa é uma obra que provavelmente receberá recursos da iniciativa privada. Pode ser que seja uma parceria público privada ou somente privada mesmo. Neste momento estamos discutindo exatamente qual será o modelo a ser aplicado em sua construção. Agora, trata-se de uma obra importante, pois o aeroporto de Goiânia já se encontra saturado. Ele atenderá pequenas e médias aeronaves que também trarão impacto no município.

Será possível asfaltar todas as ruas habitadas até o final do mandato?
Nós fizemos mais de cinco milhões de metros quadrados de asfalto e ainda devem faltar pouco mais de seis milhões em toda a cidade. É muita coisa ainda. Mas nosso objetivo é trabalhar para que seja pavimentado. Tudo o que for possível faremos. A demanda por recurso nesse novo asfaltamento é grande, pois onde pavimentamos necessita também da instalação de galerias pluviais. O custo é alto por conta disso. Se fosse somente o asfalto, seria garantido.

Um dos grandes problemas que estava ocorrendo e que impedia boa parte da pavimentação das ruas era a terceirização das obras da Saneago no município. Esse problema já foi resolvido?
Foi. A Odebrecht assumiu as obras do sistema de esgoto e a Saneago as obras de saneamento. Já temos a previsão de chegada de água tratada a 100% do município e em até seis anos há o compromisso contratual da chegada do esgoto em todo o município também. Neste momento já estão sendo feitas extensões de rede e o primeiro objetivo é a conclusão da estação de tratamento de esgoto. Até no meio do ano a estação deverá estar pronta, possibilitando a extensão das redes para todos os bairros, inclusive os grandes como o Garavelo.

Em relação a recursos, Aparecida sempre teve dificuldades no valor de repasse do ICMS. Houve uma melhora. Hoje a cidade se sustenta?
Não. Ainda é muito difícil. Quando pegamos a folha de pagamento da Educação, Saúde, e repasse ao Poder Legislativo, sobra muito pouco dinheiro para investimentos. É exatamente aí que buscamos parcerias com o governo federal e o estadual, que têm sido parceiros do município, gerando resultados. O recurso municipal, hoje, é insuficiente para tocar a cidade. Agora, em relação ao ICMS, Aparecida produz muito para o Estado, e teria que receber muito também. O nosso PIB é em torno de R$ 8 ou 9 bilhões. Com isso, o governo teria que investir mais na cidade. Temos cobrado e esperamos que o Estado, com esse enxugamento, possa fazer mais investimentos aqui.

O que o governo faz hoje em Aparecida?
Podemos citar o Credeq, a duplicação da GO-040, a iluminação da BR-153, o Vapt-Vupt do Garavelo, a conclusão do IML, construção de escolas estaduais, a implantação do Colégio Militar e a construção da Avenida da Paz, dentre outras. Mas isso ainda é pouco. Queremos e cobramos para que o governo invista mais, já que o volume de receitas gerado pela cidade é grande.

O sr. citou muitas obras que já estão sendo feitas e outras que estão para serem lançadas. O que poderá ser entregue ainda nesta gestão de Maguito Vilela, já que no ano que vem teremos eleições municipais?
Estamos priorizando as obras em andamento, para que possamos entregá-las à população. Dentre elas, temos as Unidades Básicas de Saúde, uma UPA na região do Santa Luzia e outra no Buriti Sereno, duas praças culturais e poliesportivas que abrigarão quadras, pistas de skate, cooper e etc…, que devem ser entregues em março; temos também o hospital municipal, uma escola profissionalizante no Buriti Sereno, as obras de conclusão das extensões de esgoto e da implantação da água tratada e, claro, da pavimentação de ruas, como as do Bairro Cardoso II, do Jardim Itapuã, entre outras… Enfim, são muitas obras em andamento que até o final de nosso governo queremos entregar.

Estes problemas de falta de asfalto, esgoto e saneamento são crônicos.  Faltou planejamento nas gestões passadas?
Eu acredito que cada um, ao seu modo de governar, fez pela cidade. É aquilo que eu disse: a cidade de Aparecida é uma cidade atípica que foi loteada sem infra-estrutura nenhuma. Cada um foi fazendo uma etapa, um pedaço e foram feitos muito benefícios ao longo do tempo. Agora, é lógico que poderia ter sido feito bem mais se tivesse uma gestão por parte do governo federal e cobrar mais do governo do Estado para aplicar mais no município. Com a chegada do Maguito, com os bons projetos e com a força do governo federal as coisas caminharam com maior rapidez.

O Maguito conseguiu articular melhor para conseguir essas obras junto ao governo estadual?
Muita força. Por ter sido senador, governador, deputado federal e vice-presidente do Banco do Brasil, houve muito força. Houve um bom relacionamento entre o governo federal e o município. Hoje o Maguito faz parte da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Tem tido esse bom relacionamento com o governador Marconi Perillo. Eu acho que é isso, o governo nosso tem procurado governar junto com o governo federal, estadual, com o poder legislativo da cidade, nós temos tido um bom relacionamento com o poder judiciário. Estamos procurando buscar todo o seguimento organizado dentro da cidade em favor da cidade e em favor do povo.

O sr. já se entrosou com o PT ou ainda é um ‘estranho no ninho’?
Eu tenho procurado mostrar para o partido que é importante a união. Não é só o PT, eu acho que todos os partidos que governam a cidade. Essa união interna também dentro do partido ela é fundamental. Se queremos um partido forte nós precisamos de dar essa demonstração de força dentro do partido. Eu me dou muito bem com todos os integrantes do PT.

O prefeito Maguito não pode mais concorrer a reeleição. O PT vai laçar candidato lá?
Bom, o que nós estamos pregando hoje é um momento em que nós estamos muito focados na gestão. Mas não tem jeito de a gente não conversar sobre política. Hoje, estamos defendendo a questão da união. O meu nome vai estar à disposição, mas o mais importante de tudo isso aí é a unidade. Eu penso que a partir do momento que nós tivermos essa união nós vamos pegar aquilo que nós temos de melhor. Política é muito complicado. Não é fácil de resolver. Eu acredito que o prefeito vai conduzir o processo e vai ter a consciência do que vai ser melhor.

Além do nome do sr., um nome que também é forte dentro da base é o do secretário Euler de Moraes. Vocês dois são os candidatos naturais dentro da base?
Eu não sei a questão do Euler, para mim ele nunca falou que tem pretensão. Ele está no PMDB, ele se movimenta, como tem outros também dentro do PMDB que se movimentam na tentativa de que seja ele o candidato. Cada partido que tem os seus pretensos candidatos estão se movimentando e naturalmente que vai ter que haver esse entendimento.

O chamado Grupo de Aparecida, liderado pelo ex-deputado Admir Menezes, já teve muita força na cidade e hoje se enfraqueceu. Qual a força do grupo hoje?
Hoje eles tem o governo do Estado, o governador Marconi Perillo. Nós não podermos deixar de reconhecer que cada um tem a sua força. Acho que político não tem como falar: ah, esse aqui morreu politicamente. Pode estar lá em baixo, mas pode ressurgir e vem com força total. Há pessoas boas lá para disputar eleição. Eles devem unir uma base para lançar uma candidatura. Eles têm uma turma muito forte que já governou a cidade. Então é preciso estar muito atento.

O sr. acredita que a oposição deve trazer um nome de fora, que não é muito ligado a Aparecida, por exemplo o deputado delegado Waldir ou o deputado João Campos (ambos PSDB)?
Acho muito difícil uma cidade do tamanho de Aparecida você dizer que não vem gente de fora. As pessoas se referem muita a questão do Maguito. Nós temos que ver que o Maguito é uma questão diferenciada. Ele já foi deputado federal, senador da República, vice-governador, governador do Estado. O povo naquela época já tinha um sentimento de mudança. Então ele caiu num momento bom. Então eu não vejo em Aparecida um cenário de que vai chegar um nome de fora e vai ter facilidade.

O eleitor de Aparecida é muito bairrista.
Muito bairrista. Não tenho dúvida nenhuma. Nesse sentido aí é totalmente bairrista.

O prefeito Maguito disse um tempo atrás que após o término do mandato ele ia se afastar da política. O sr. acredita nisso?
Eu não acredito que ele vai deixar a política de forma nenhuma. Eu penso que o Maguito ainda tem muito a contribuir com Goiás e com o Brasil. Pessoa que tem a experiência que ele tem ao longo da sua vida pública ainda está muito novo para parar de disputar o mandato. Embora ele tem colocado aí um foco no deputado Daniel Vilela, ele ainda tem muito a contribuir com Goiás e com o Brasil.

O sr. acha que ele tem motivação para disputar a eleição em 2018 para o governo?
A política é desse jeito. Hoje ele não teria. Ele está governando a cidade, mas depois de deixar a prefeitura ele percebe que tem muito a contribuir ainda com o Estado eu tenho certeza que muda totalmente. Agora, lógico que essa é uma decisão pessoal dele, ele é que vai avaliar, mas eu como político que acredito que posso contribuir muito com o município de Aparecida e com meu estado, eu tenho certeza que o Maguito vai poder contribuir muito com o nosso estado e com o Brasil.

Em relação a Goiânia, o sr. acredita que o melhor nome seja o de Iris Rezende (PMDB). Seria interessante o apoio do PT?
Isso está sendo discutido dentro do partido. Da mesma forma que a gente esta construindo essa união entre PT-PMDB dentro de Aparecida, essa é a primeira orientação, de dar continuidade a essa parceria. Agora, vai depender muito das discussões aqui em Goiânia. A orientação que nós temos dentro do PT é de dar continuidade a essa união.

O sr. tentou mais uma vez o mandato de deputado estadual e acabou não obtendo êxito. Foi uma disputa realmente acirrada esse ano passado?
Nós tivemos candidatos fortes que disputaram a eleição passada e Aparecida não foi diferente. Anápolis, por exemplo, só elegeu um deputado. Aparecida somente um deputado. Nós tivemos lá em Aparecida vários candidatos. Então foi essa divisão de votos. A cidade é uma região metropolitana, quer dizer, quantos cidadãos que vão pra lá e pega os votos? Como a gente tem o foco aqui nessa região acaba tendo essa dificuldade. A parte financeira também. Hoje se você não tiver dinheiro para disputar uma eleição é muito difícil.

Suceder o Maguito deve ser uma dificuldade muito grande. O sr. está preparado para ser o sucessor?
Eu vim ao longo do tempo me preparando. Eu tenho uma experiência administrativa muito grande. Esse último mandato do Maguito nós estamos participando ativamente da gestão e isso está dando para a gente todas as condições de ter a visão de governar uma cidade com os problemas de Aparecida. A gente já conhece a cidade. E eu tenho certeza que estou preparado hoje para governar a cidade de Aparecida.

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