Na base, Vanderlan terá concorrência

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Após as eleições de 2014, o empresário Vanderlan Cardoso (PSB) prometeu que não será mais candidato majoritário sem um forte grupo político que lhe dê estrutura para concorrer com chances de vencer o pleito eleitoral. Com uma boa votação em Goiânia em 2014, Vanderlan é nome especulado para concorrer à prefeitura de Goiânia e, como ele mesmo disse em entrevista, está aberto a diálogo com qualquer grupo ou liderança política do Estado.

Na semana passada, o jornal O Popular divulgou uma notícia de bastidores que aponta que Vanderlan deve se reunir com o governador Marconi Perillo (PSDB) após o carnaval. Dentre os assuntos, a sucessão goianiense deve ser uma pauta importante no tête-à-tête entre os dois. Mas, o que a base aliada do tucano pensa sobre a possível ida de Vanderlan para o grupo do governador e a possibilidade de um apoio governista à sua postulação na capital?
A Tribuna foi atrás de lideranças da base para entender a situação. Segundo os partidários ouvidos, Vanderlan seria muito bem vindo no ninho governista, mas um apoio de todos para a sua possível candidatura em Goiânia no ano que vem não seria automático. A pretensão do empresário esbarra no grande número de postulantes governistas que querem disputar o Paço Municipal no ano que vem, segundo matéria da Tribuna há algumas semanas.

Construção
O deputado estadual Fran­cisco Júnior, um dos nomes do PSD para a corrida pela prefeitura no ano que vem, vê como importante uma hipotética ida de Vanderlan para a base. “Vanderlan foi um bom prefeito e vem obtendo bons resultados. É um importante apoio político”, ressalta.
O pessedista, porém, diz que candidatura em 2016 é algo que precisa ser construída. “Não da para chamá-lo já para ser candidato na cabeça de chapa. Ninguém em consciência teria coragem de fazer uma proposta dessa. Vir para compor a base é uma coisa, discutir a chapa é outra situação”, mostra.
Paulo de Jesus, presidente regional do PSDB, também vê como positiva a integração de Vanderlan no grupo governista, caso ocorra. “Vejo como sendo um processo normal discutir uma aproximação entre Vanderlan e Marconi”, opina. Ele, porém, reforça que o PSDB terá candidato. Todavia, realça que essa afirmação não impede os tucanos de conversar com outras siglas. Ou seja, em outras palavras, no mesmo tempo que reforça a posição do partido, deixa a situação em aberto.
No pleito eleitoral do ano passado, Vanderlan Cardoso caminhou lado a lado com a outra face da oposição no que tange as críticas a base governista. Contudo, Paulo de Jesus destaca que faz parte do processo do contexto político vivenciado naquela época. “O Vanderlan teve uma postura urbana. Podemos ter divergência, mas muitas coisas convergem”, defende.
Já o deputado estadual pelo PSDB e presidente interino da Assembleia Legislativa, Nédio Leite é bem mais otimista. Ele defende as conversações entre PSB e governistas. Para ele, é importante para a base o processo de renovação. Segundo Nédio, Vanderlan representa um nome forte na política e que o seu apoio será manifestado. “É forte. Eu dou o maior apoio”, ratificou.
Em caso de um resultado positivo na conversa entre os dois líderes, Nédio Leite não crê que isso vá gerar atritos dentro do grupo governista. Para o deputado, Marconi vai conduzir bem os diálogos. Sobre o projeto prefeitura 2016, Nédio destoa ao dizer que Perillo não fará questão que seja um nome do PSDB. “Não necessariamente será um nome do próprio partido, mas que seja da base do governo”, disse.

Articulador
Os rumores sobre o encontro apontam uma tendência evidenciada pelo prefeito de Senador Canedo Misael Oliveira (PDT), amigo próximo de Vanderlan Cardoso e que tem sido o principal articulador para a reaproximação do empresário com o governador. Em entrevista à Tribuna em meados de janeiro, o prefeito de Senador Canedo disse que o empresário não iria mais encarar uma eleição sozinho. Ao fazer essa declaração, Misael descartou a possibilidade de Cardoso disputar uma nova eleição pela terceira via.
O principal argumento é de que a frágil estruturação política causou o insucesso nas duas candidaturas de Cardoso. A primeira, em 2010, quando tinha ao seu lado um leque maior de partido e a segunda em 2014, quando formou aliança com apenas mais duas siglas. Neste último embate, estavam com ele o PRP, PSC e o seu próprio partido, o PSB.
Misael, que sucedeu Van­derlan Cardoso na prefeitura de Senador Canedo, foi aliado de Cardoso no primeiro turno da eleição do ano passado, apesar do seu partido ter ficado com a base aliada. Todavia, no segundo turno acompanhou a sua ala partidária e apoiou Marconi Perillo.
O prefeito se mostrou entusiasmado com a possibilidade de Vanderlan e Marconi estarem juntos de agora em diante. Entretanto, ressaltou que o simples fato de conversar não quer dizer que aliança esta sacramentada. “Tenho sempre dito, conversar é uma coisa, formar aliança é outra situação”, frisa.
Sobre o encontro, Misael destaca que as conversas não vão permear somente o campo da política, mas sim de todo o contexto. Misael pontua que Vanderlan é empresário e tem interesse que o Estado vá bem e que o encontro vai entremear também essas questões. “Eles estão conversando também sobre a política econômica do Estado, afinal ele é empresário e tem interesse nisso”, declarou.
O prefeito afirmou ainda que o diálogo entre os dois não pode ser interpretado como uma forma de os dois se oferecerem um para o outro. “O simples fato de Vanderlan conversar com o governador não quer dizer que ele esta se oferecendo para a base aliada. Da mesma forma que Marconi não está se oferecendo para trazer o Vanderlan”, salienta.

Barreiras
Neste contexto, a aproximação entre Vanderlan e Marconi pode ser interpretada como uma união que renderia aos dois grupos. O empresário conseguiria a capilaridade que deverá buscar nos próximos anos enquanto que a base governista, que historicamente vem tendo dificuldade de conquistar espaço na região metropolitana da capital, passará a contar com um nome forte e já testado, já que Vanderlan obteve bons resultados em votações na capital. Por aqui, em 2010, ele conseguiu mais de 500 mil votos, em 2014 atingiu cerca de 24,3% do total.
Entretanto, para que essa conversa se configure em união, o pessebista terá que articular satisfatoriamente. Se as interlocuções atingirem o nível que permeiam a parceria entre os dois, Vanderlan vai precisar convencer a base aliada de que ele é o nome mais viável para finalmente colocar o grupo governista no caminho que leva à prefeitura municipal de Goiânia.
Entre as principais barreiras para Vanderlan se viabilizar para uma possível candidatura à prefeitura, está a grande concorrência de pré-candidatos no grupo governista. No PSDB, por exemplo, há dois nomes que também pretendem se viabilizar: o presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), e o deputado federal Fábio Sousa (PSDB). Ambos têm se declarado como postulantes à pré-candidatos e travado duelos constantes numa tentativa de viabilização dos seus nomes dentro da base.
Além de nomes tucanos há ainda os fortes concorrentes do PSD que têm se manifestado na tentativa de inserirem seus nomes no processo. Além do deputado Francisco Júnior, há também os seus colegas de Assembleia Legislativa Lincoln Tejota e Virmondes Cruvinel. No PP, dentre outros nomes, há a possibilidade da candidatura do deputado federal Sandes Júnior, enquanto que o PTB pode lançar o deputado federal Jovair Arantes. Este último ainda não passa de especulação, já que ele próprio ainda não declarou publicamente as suas intenções.
Para o sim ou para o não, Vanderlan Cardoso retorna de viagem ao Estado ainda este mês e deve dialogar com Marconi. De férias na região das Américas Central e do Norte, há bastante tempo Vanderlan evita falar sobre política. Quando fala, como em recente entrevista à Rádio 730, pouco acrescenta e muito se esquiva. Ao contrário dele, Marconi Perillo está a atuando a pleno vapor desde que venceu as eleições em outubro, com a exceção de duas semanas em que se permitiu ao repouso com a família em janeiro.


Se Vanderlan se aproximar da base, PRP e Rede se desligam do aliado

Firmando parceria nas eleições para governo de 2014, o Partido Republicano Pro­gre­s­sista (PR) e a Rede Sus­tentabilidade – que ainda não foi oficialmente criado – estarão do outro lado, caso o diálogo de Vanderlan com Marconi seja positivo e tenda para aliança em eleições futuras. Lideranças das duas siglas dizem não acreditar em uma ligação entre os dois. No entanto, se isso ocorrer eles estarão do outro lado.

O presidente regional do PRP Jorcelino Braga é amigo pessoal de Vanderlan Cardoso e adversário ferrenho de Marconi Perillo. As divergências entre os dois é bastante antiga. Tornaram-se públicas depois que o grupo do ex-governador Alcides Rodrigues (hoje no PSB), do qual ele fez parte, entrou em conflito com Marconi Perillo em meio aos prelúdios das eleições de 2010. Hoje, o grupo de antigos aliados, leia-se Marconi e Alcides, é água e óleo.
O progressista endossa o couro dos que não acreditam numa possível aliança entre os dois. Entretanto, ressalta que quer o melhor para o amigo e que de forma alguma não o crucifica por isso. “É meu amigo e quer o melhor para o seu partido. Ele está fazendo política. Natural” declarou Jorcelino Braga, ex-secretário da Fazenda no governo Alcides Rodrigues (2006-2010).
Braga fez questão de ressaltar que o seu partido é oposição ao governo do Estado seja qual for às circunstâncias. Ao descartar qualquer aproximação com o grupo governista Braga afirmou: “O PRP é contra o governo Marconi. Onde o governo estiver o PRP estará do outro lado”, declarou o ex-secretário.
Senador eleito pela oposição e ex-aliado de Vanderlan, o democrata Ronaldo Caiado manifestou-se sobre o assunto essa semana. Em entrevista a Rádio 730 AM, Caiado disse que espera que Vanderlan permaneça no campo de oposição. Entretanto, declarou que não opinaria com afinco sobre o tema por não ter conversando com Cardoso ainda.
Atualmente, Ronaldo Caiado é bastante próximo do grupo do PMDB. Vanderlan já foi filiado ao partido do ex-governador Iris Rezende logo depois das eleições de 2010, mas desfilou-se por escassez de espaço dentro da sigla, de acordo com explicações do próprio empresário. Em 2012, Caiado e Vanderlan estiveram juntos em uma coligação que apoiou o deputado Simeyzon Silveira (PSC) para a prefeitura de Goiânia.

Rede
O procurador federal Aguimar Jesuino que se filiou ao PSB para compor a chapa majoritária com Vanderlan e Professor Alcides (PSC) nas últimas eleições, disse que uma aproximação com a base aliada tem chance zero. Ressaltou ainda que os dois grupos que dominam o cenário político terá a Rede do outro lado no papel de oposição: “A Rede não vai compor PSDB e nem com PMDB. Não concordamos com a forma administração dos dois”, disse.
O partido Rede Susten­ta­bilidade ainda não foi regularizado oficialmente. Em seu processo final de criação, faltam cerca de 50 mil assinaturas para que seja encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral. A data prevista para a homologação das assinaturas está marcada para o dia 15 de março. Em Goiás, Aguimar é a liderança de maior destaque dentro da novata sigla.
PSC
Já outros aliados de Van­der­lan, como o Partido Socialista Cristão, são a favor da aliança entre as partes. Apesar de estar oficialmente dentro do grupo governista, o deputado Sime­yzon Silveira (PSC) ressalta que faz parte do grupo de Vanderlan do qual e pessebista é líder. “Estaremos com o Vanderlan. Ele é o primeiro nome do grupo”, disse Silveira.
Simeyzon vê com muita naturalidade o avizinhamento entre Marconi e Vanderlan, entretanto ele acredita que esse diálogo deve ocorrer não apenas com a base mais com os outros. “É uma conversa que deve haver com os outros grupos. Ele deve ouvir a todos neste momento” ressalta. (M.B.)


O que lideranças pensam da possibilidade de Vanderlan ir para a base?

“É um importante apoio político, mas vir para compor a base é uma coisa, discutir a chapa é outra situação”

Francisco Júnior (PSD), deputado estadual

“Vejo como sendo um processo normal discutir uma aproximação entre Vanderlan e Marconi”

Paulo de Jesus, presidente regional (PSDB)

“Vanderlan é um nome forte. Eu dou o maior apoio”

Nédio Leite (PSDB), deputado estadual

“Tenho sempre dito, conversar é uma coisa, formar aliança é outra situação”

Misael Oliveira (PDT), prefeito de Senador Canedo

“É uma conversa que deve haver com os outros grupos também. Ele deve ouvir a todos neste momento”

Simeyzon Silveira (PSC), deputado estadual

“Espero que ele converse com a gente da oposição antes de conversar com o governador”

Ronaldo Caiado (DEM), senador

“O PRP é contra o governo Marconi. Onde o governo estiver o PRP estará do outro lado”

Jorcelino Braga, presidente regional PRP

“A Rede não vai compor PSDB e nem com PMDB. Não concordamos com a forma administração dos dois”

Aguimar Jesuíno (PSB/Rede), ex-candidato ao Senado

 

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