A crise no transporte coletivo

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O transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia (RMG) vive em crise constante, apesar de as suas falhas ficarem mais evidentes em época de aumento da passagem. Na sexta-feira pré-carnaval, a Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC) aprovou um aumento de quase 20% na tarifa de ônibus da região, subindo o valor dos R$ 2,80 cobrados anteriormente para R$ 3,30. Apesar de Estado e prefeitura da RMG terem assentos na CDTC e responsabilidades no aumento, a semana passada se transformou em um verdadeiro ‘jogo de empurra’ – ninguém assumiu o ônus do aumento.
Não é de hoje que o transporte coletivo da Grande Goiânia precisa ser discutido. As constantes reclamações dos usuários na qualidade, pontualidade, frequência, conforto e abrangência da rede quase sempre são ignoradas pelo poder público. Ainda assim, a tarifa na RMG é uma das mais caras do país. Caso o atual aumento seja mantido, este será o maior de todo o país em 2014.
Um dos motivos para o alto acréscimo no valor do passe por parte das empresas foi o desrespeito do acordo do ano passado, que previa um subsídio de 50% no valor das chamadas “gratuidades”. Segundo o que ficou acordado, o Estado ficou responsável por repassar às empresas cerca de R$ 4 milhões mensais para custear o passe livre de idosos e deficientes. Isto acabou não ocorrendo.
Em respostas às críticas, o governador Marconi Perillo (PSDB) disse que o Estado já investe demais na rede de transporte da RMG (cerca de R$ 11,5 milhões por mês, segundo ele) e que é hora dos municípios darem as suas contrapartidas. Dois dias depois, o prefeito de Goiânia Paulo Garcia veio a público dizer que Estados e municípios estão sobrecarregados e que o governo federal deveria ajudar mais os demais entes federativos na missão de ajudar a bancar a rede de transporte das grandes metrópoles.
Usuários reclamam das empresas, que acusam o Estado, que repassa o problema para as prefeituras que querem ajuda do governo federal. Ou seja, até agora ninguém propôs nada concreto para resolver o problema, apenas passaram a responsabilidade para frente. Nem do preço da tarifa, nem das reclamações do usuário citadas no início deste texto.
A crise do transporte coletivo na Grande Goiânia só vai ser resolvida, de uma vez por todas, quando os poderes se juntarem, dividirem responsabilidades e houver cobranças justas e incessáveis às empresas que executam o serviço. Para começar, seria interessante a contração de estudos – de alguma instituição de renome nacional – para calcular os gastos verdadeiros da rede e uma margem de lucro justa para as empresas. A partir daí, adequar o valores com as necessidades e possibilidades da sociedade e dos governos estadual e municipais.

Boa leitura. Ótima semana!

 

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