Prefeitos não podem arcar subsídios

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Tribuna do Planalto – Gostaria que o senhor fizesse uma análise sobre as eleições do ano passado, consideradas as mais disputadas e difíceis de todas. Foi uma eleição diferente?

Francisco Júnior – Toda eleição é difícil. Da forma como está organizada nossa legislação, é cada um por si. É muito violento. O poder financeiro é cada vez mais determinante e isso é ruim, pois cria um desequilíbrio. Eu considero todas as eleições difíceis. Mas o que eu considerei mais difícil foi o descontentamento do eleitor com o meio político. Isso criou dificuldades muito grandes no processo.

Essa desilusão que surgiu nos últimos anos, principalmente, pode ter sido por conta de uma falha no trabalho das oposições em todas as esferas? A população deixou de se sentir representada no meio político?
Acho que não só isso. Houve no Brasil, nos últimos anos, uma inversão de papéis. A oposição virou situação e vice-versa. Há dificuldade dos dois lados nessa nova realidade, pois um lado tem dificuldades em ser oposição e o outro repete no poder aquilo que criticava. Isso decepciona a população e cria dificuldades de percebimento da ideologia de cada partido. Essas alianças confundem. Creio que essa confusão de valores somente será sanada com uma reforma política profunda.

Qual a expectativa da nova legislatura na Assembleia e o maior desafio da base aliada neste novo ano?
Não é diferente do que vinha sendo. Temos que começar motivados e com esperança. Temos deputados de todos os perfis: desde os mais jovens aos mais velhos e dos mais experientes aos inexperientes. Temos todas as realidades representadas. Isso trás a pluralidade. Nossa missão enquanto base é dar sustentação ao projeto político do governador. O governador tem maioria, mas não irá ‘tratorar’ a Assembleia.

Mas o grande número de deputados da base facilita o trabalho, não?
Facilita e não facilita ao mesmo tempo. O alto número de deputados federais que a Dilma teve em sua base não facilitou sua vida. Faltou interlocução e articulação. Marconi sabe articular e, por isso, poderá ser mais tranquilo o trabalho na Assembleia. Mas não somente pela maioria.

Mas há dentro da Alego a noção de que este é um novo mandato com uma nova realidade, de contenção de gastos? Há um receio de poder perder a maioria por conta da necessidade econômica?
O mandato é novo, mas o governador é o mesmo. Não há esse receio. Ele está muito determinado em fazer um governo que será um marco. Os desgastes necessários para que ele obtenha sucesso, sempre ocorrerão. Mas se o governo caminha bem, a base caminha ao lado. Agora, é importante o diálogo com a Assembleia.

A Assembleia também começa uma legislatura nova onde a transparência parece ser a palavra de ordem. Como o sr. pretente trabalhar com essa realidade na Comissão de Tributação, Orçamento e Finanças, a qual preside a partir deste ano?
A transparência tem dois aspectos. Um deles é dar a abertura de informações para aquela pessoa que tem a curiosidade de saber o que ocorre na Assembleia. Isso é suprido pelo portal da transparência. No outro aspecto ainda podemos avançar. Temos que criar situações para que o cidadão mais comum se interesse e se aproxime mais da Assembleia. A Escola do Legislativo da Assembleia realiza um evento que é o Programa Intercâmaras, feita com os vereadores do interior. A Alego vai ao interior e estimula todos a conhecer mais a Casa. Na Câmara utilizávamos a TV Câmara para transmitir as sessões de licitações. Isso data transparência no processo. Na Comissão de Finanças e Orçamento também queremos fazer isso.

Nós sabemos que há um descontentamento entre alguns deputados por conta dos cortes de comissionados no governo estadual. Isso pode representar uma dificuldade no trabalho da base?
Os cortes sempre criam um trauma. Muitos dos deputados indicaram nomes para o governo. Mas não tem como manter. Não cabe. Mas é necessário. Não podemos chegar ao caso de Portugal onde a folha de pagamento de pessoal saiu do controle. Temos que achar o tamanho ideal do Estado. Se diminuirmos os servidores e gerarmos mais empregos, aqueles comissionados que ficaram desamparados poderão trabalhar. Temos que sair da zona de conforto para fazer isso. O governador tem trabalhado para isso. Em médio prazo ele colherá frutos. O desgaste maior não é pelo cargo que deixou de existir, mas pela família que deixou de colocar arroz e feijão na mesa pois o provedor perdeu o emprego. Isso é um sofrimento muito grande.

Mas em curto prazo pode ser um ponto de tensão na Assembleia?
É um ponto de tensão. Sem dúvida. Essas pessoas que não conseguiram voltar ao Estado não são adversárias. São companheiras. Cria uma situação delicada, mas que será contornada. Os cargos foram extintos, mas o Estado se desenvolverá.

No ano passado o sr. participou da Nersant Business em Portugal e havia a possibilidade de trazer essa feira aqui para Goiás. O que ficou acordado sobre isso?
Ela está bem encaminhada. Não sei se vamos trazer uma edição da Nersant Business para Goiás, o que é menos provável, ou caminhado para fazer um evento similar para empresários e poder público desses países envolvidos aqui em Goiás, nos moldes do que é feito em Portugal, o que seria uma segunda edição da feira. Acredito que deve acontecer ou no segundo semestre desse ano ou no primeiro semestre do ano que vem.

O sr. foi candidato a vice-prefeito em 2012. E no ano que vem? Será candidato à prefeitura em Goiânia?
Estou à disposição do PSD para disputar a prefeitura. Eu tenho a vontade de poder ser candidato, de poder dar a minha contribuição. Sou um estudioso da cidade de Goiânia, fui secretário de Planejamento e talvez eu seja um dos poucos que tem uma tese de mestrado sobre Goiânia. Conduzi a elaboração do Plano Diretor e gostaria de vê-lo sendo aproveitado na totalidade e não em 20% como é feito hoje. Entendo que a chance que eu tenho de ser candidato em Goiânia está justamente em desenvolver bem o trabalho para o qual eu fui eleito. Mas entendo que é uma discussão prematura.

O ideal é ter um ou ter vários candidatos na base?
Depende da forma que se vai conduzindo. A idéia primeira é que deve ter um. Nós vamos ter que analisar isso, ter mais de uma não quer dizer que a base se divide. A única coisa que eu posso te dizer com certeza é que eu não sou candidato a vice-prefeito. Se eu for candidato serei candidato a prefeito.

Caso seja candidato poderá enfrentar o ex-prefeito Iris Rezende, que foi seu aliado no PMDB. Como vê essa possibilidade de enfretamento?
Eu não vejo nenhuma dificuldade nisso não. O homem político Iris Rezende é um grande homem. Eu o admiro, acho que foi um homem extremamente importante para Goiás e para Goiânia. Mas entendo é que o projeto que ele defende passou. O partido foi se perdendo. Em 2004, quando eu era aliado de Iris Rezende, nós nos unimos para derrotar o projeto do PT. A fusão entre PT e PMDB maculou o projeto original. Eu continuo defendendo um projeto alternativo ao jeito do PT administrar em Goiânia.

O que está errado hoje no projeto de Paulo Garcia?
Primeira coisa: uma gestão completamente sem planejamento. Um dos primeiros atos foi acabar com a Secretaria de Planejamento. Estamos há vários anos sem código de parcelamento. O nosso código tributário é extremamente antiquado. Nós temos idéias importantes que foram discutidas no Plano Diretor como é o caso IPTU progressivo, direito de predição e nada disso foi implantado na cidade. Os parques foram abandonados até por não saber de quem é a responsabilidade, da Amma ou da Comurg. Não existe um projeto claro de perspectivas de como usar o espaço urbano, ou para solucionar problemas de Campinas ou que defina se o Setor Aeroporto é residencial ou comercial. Goiânia está improvisada, sem projetos.

Parou-se de planejar para consertar?
Eu não sei. Mas sei que está errado. Falta o órgão que planeja. Goiânia está administrada hoje de tal forma que você passa numa rua e quando você volta uma semana depois ela já é contramão. Existem aí falhas de gestão que precisam ser discutidas.

O sr. falou das áreas e exemplificou o Setor Aeroporto, que não se sabe se é residencial ou comercial. Temos outros casos como o do Setor Marista. Isso foi previsto no Plano Diretor original?
O planejamento é algo dinâmico. Na época que nós discutimos o Plano Diretor foram pensadas ferramentas de estímulo e de inibição. O quê é isso? Quando eu quero que alguma atividade aconteça em determinada região da cidade e não quero que ela aconteça em outra eu tenho que ter uma ferramenta de estímulo para criar vantagem para que aquela atividade se instale naquela região. Ao mesmo tempo eu crio ferramentas de inibição para que as que estão no lugar que causam prejuízo não aconteçam mais. Com isso eu agrado o investidos no sentido de que ele não saia do lugar porque ele esta proibido, mas porque vai ser melhor para ele. Essa eu considero a melhor forma de discutir a cidade.

O PSD tem mais dois nomes que podem disputar a prefeitura de Goiânia, que são os deputados Lincoln Tejota (PSD) e Virmondes Cruvinel (PSD). Com vai ser o afunilamento dentro do partido e o diálogo entre vocês?
O PSD tem muito mais nomes. O partido tem Lincoln Tejota, Virmondes Cruvinel, Tiago Peixoto, Vilmar Rocha e muitos outros que não têm mandato, mas que são pessoas qualificadas. Será uma discussão natural, normal. O que nós não podemos fazer é entrar num processo de autodestruição. Eu vou trabalhar para união de todas essas ideias dentro da base.

Já estão apuradas as sequelas pela disputa da vaga na mesa diretora entre Lincoln e Virmondes?
Isso eu entendo que é algo muito pequeno. Tanto o Lincoln quanto o Virmondes estavam nos seus direitos de pleitear seus espaços dentro da Assembleia.

No início do ano seu nome foi especulado para assumir uma secretaria no governo estadual. Houve um convite?
Não. Foi só especulado mesmo (risos). Não houve convite. Então eu não tenho nem como falar se eu aceitaria ou não. É suposição. Se algum dia eu for convidado, nesse momento eu vou avaliar se é interessante ou não.

 

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