Ninguém quer o ônus do transporte

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Falando como presidente da Câmara deliberativa do Transporte Coletivo, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), disse, na manhã desta sexta-feira, 20, que as prefeituras não têm condições de arcar com os subsídios que garantem a gratuidade a passageiros que utilizam o transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.

A declaração foi uma espécie de resposta indireta a cobrança do governador Marconi Perillo (PSDB), que, em entrevista coletiva na última quarta-feira, 18, afirmou que o Estado vem realizando o pagamento de subsídios à Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) no valor de R$ 11,5 milhões todos os meses, contradizendo o que havia dito a presidente da CMTC, Patrícia Veras.
Patrícia havia justificado o aumento de R$ 0,50 no valor da passagem do transporte coletivo na capital e em toda a região metropolitana, que está valendo desde a última segunda-feira, 16, devido à “impossibilidade de desoneração da tarifa por meio de aportes mensais assumidos, no ano passado, pelo governo do Estado de Goiás, que corresponderia a 50% do total das gratuidades tarifárias”.
Dando a impressão de querer criar um clima de confronto direto com o governador, em concordância com o clima cordial e de aproximação administrativa que teve com o tucano nas últimas semanas, Paulo Garcia se ateu a se resignar e declarar que as prefeituras não têm condições de arcar com os subsídios que garantiriam a gratuidade e a manutenção do valor da passagem abaixo de R$ 3.
O prefeito foi além. Além de se resignar sobre a impossibilidade do custeio do benefício por parte dos prefeitos, ele disse que o próprio governo estadual também não pode se responsabilizar por este custo sem ter auxílio de algum parceiro. “Acreditar que a solução deste problema virá dos cofres municipais ou que virá do tesouro estadual é um grande equívoco. Nós precisamos encontrar soluções inteligentes, rápidas e que resolvam o problema do transporte coletivo em todo o país”, afirma o prefeito.
No caso, o prefeito defendeu que o governo federal entre em campo e passe a ajudar tanto os municípios quanto os Estados, auxiliando-os no custeio do transporte público. “Não podemos buscar culpados. O momento é de trabalharmos em conjunto para propor uma solução nacional, já que os municípios enfrentam dificuldades financeiras e esse é um problema que atinge todas as regiões metropolitanas do país. Veja o exemplo de Curitiba, que entrou em colapso nos últimos dias”, avaliou o petista.
Paulo rechaçou que o aumento da tarifa tenha tido cunho político. O prefeito disse que foi uma necessidade para que não houvesse colapso no sistema. “Não há (ingerência política). Havia, sim, uma clara necessidade de majoração. A nossa preocupação é em apresentar um serviço de qualidade”, frisou.
Outros prefeitos que fa­zem parte da CDTC, por enqua­nto, não se manifestaram sobre o assunto. O prefeito de Apa­recida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), disse, por meio de assessoria, que sua opinião corrobora com a justificativa do reajuste dada pela CMTC, enquanto que o prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT), não se manisfestou.

Justificativa
A CMTC justificou que o aumento da passagem foi definido após um estudo tarifário que foi aprovado pela Agência Goiana de Regulação (AGR). A companhia alega que o pacto com o governo foi feito durante as discussões para o último reajuste, ocorrido no dia 3 de maio do ano passado, quando a tarifa passou de R$ 2,70 para R$ 2,80.
Querendo evitar uma majoração ainda maior, o governo estadual anunciou um repasse mensal de R$ 4 milhões para cobrir 50% do custo das passagens gratuitas, que são de usuários que têm direito a utilizar o transporte público sem pagar, como idosos, portadores de necessidades especiais e estudantes. No entanto, segundo a CMTC, o governo não fez os aportes.

Resposta
Diante da informação, o governador Marconi Perillo convocou uma coletiva onde divulgou que o Estado subsidia o sistema no valor de R$11,5 milhões, por meio da meia passagem da Metrobus, no Eixo Anhanguera, e com o Passe Livre Estudantil (PLE), além de relembrar que o governo garante o valor único do sistema em todas as 18 cidades da Região Metropolitana de Goiânia e que desonera impostos em 100% no óleo diesel para os ônibus.
O governador disse que acusar o Estado de não repassar o valor dos subsídios não é uma afirmação correta. “Se a presidente da CMTC disse que o aumento da passagem é culpa do Estado, isso é uma irresponsabilidade, uma desonestidade muito grande. Nós estamos assumindo uma responsabilidade mensal de R$ 11,5 milhões em subsídios para o transporte. Se nós colaborarmos com parte das gratuidades, nós vamos chegar a R$ 16 milhões todos os meses. Agora, o importante é saber o seguinte: as prefeituras têm condições, elas vão fazer a parte delas?”, indagou o tucano.
Por fim, ele minimizou a responsabilidade no aumento da tarifa e defendeu que se apresentem os custos das planilhas do transporte. “Temos dois dos 11 membros da Câmara e ela aprovou por unanimidade esse aumento. O que precisa ser feito, com transparência, é que a sociedade conheça quais são os custos reais em função das planilhas, que são técnicas. Depois disso poderemos discutir”, finalizou.

Protesto
Na noite de sexta-feira, 20, cerca de 500 pessoas, entre elas estudantes universitários, realizaram um protesto contra o reajuste da passagem do transporte coletivo na Região Me­tro­politana de Goiânia. A manifestação começou por volta de 17h na Praça Uni­versitária com poucas pessoas, mas foi recebendo adeptos ao longo do caminho, que seguiu em direção ao Terminal da Praça da Bíblia, tradicional ponto de protestos em Goiânia.
Todo o percurso foi acompanhado por um forte esquema de segurança organizado pela Policia Militar (PM), contando, inclusive, com a ajuda aérea de um helicóptero do Graer. O protesto foi tranquilo, mas tomou ares mais tensos quando os manifestantes chegaram à Praça da Bíblia. Alguns manifestantes chegaram a atirar pedras contra policiais, que revidaram com bombas de efeito moral.
O terminal acabou sendo fechado e parte do trânsito na Avenida Anhanguera foi desviado, já que um cordão de isolamento foi montado pelos policiais. Com medo, vários comerciantes anteciparam o fechamento das portas. Os manifestantes prometeram continuar com os protestos nos próximos dias.

 

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