Caiado ou Friboi: qual o melhor caminho?

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A paz interna no PMDB está longe de ser proclamada, mesmo após a quinta derrota do partido ao Palácio das Esmeraldas. Após apoiar o governador Marconi Perillo (PSDB) no segundo turno das eleições de 2014, o empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi, volta à cena política querendo ‘tomar’ o comando do partido, termo que ele mesmo usa. Em entrevista à Rádio 730, há duas semanas, Friboi disse que não deixará o partido, mesmo com o seu processo de expulsão em curso. Já o senador Ronaldo Caiado (DEM) se reuniu com o ex-governador Iris Rezende e seus aliados na quinta, 19, onde todos saíram empolgados e expressando odes à aliança PMDB-DEM.

Essa nova disputa interna dentro do partido tem tudo a ver com dois momentos políticos – o primeiro é a renovação do diretório regional, que ocorrerá nos próximos meses; o segundo é a corrida ao governo do Estado em 2018. Mesmo com a distância temporal do novo processo estadual, quem vencer a primeira queda de braço dentro do partido ganhará fôlego para articular sua postulação nos próximos dois anos.
Ronaldo Caiado foi aliado de primeira hora do ex-governador Iris Rezende na disputa do ano passado. Ganhou moral junto à liderança máxima do partido após costurar uma aliança com o PMDB e apoiá-lo de corpo e alma no segundo turno, quando o democrata já havia sido eleito senador. Logo após o fim das eleições, Caiado ainda deu declarações de que Iris seria o nome natural para a prefeitura de Goiânia em 2016, estreitando ainda mais os laços com o PMDB e projetando uma aliança para o futuro.
Na reunião de quinta, ocorrida na residência de Iris em Goiânia, além do senador e do líder peemedebista, estiveram reunidos a ex-deputada federal Iris Araújo, o vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano, o presidente regional do PMDB Samuel Belchior, além dos deputados estaduais José Nelto, Adib Elias, Bruno Peixoto e Ernesto Roller. O grupo, que é aliado de Iris e defende a expulsão de Friboi do partido, saiu com o discurso unificado de que Caiado e o DEM são “aliados preferenciais”. Belchior, inclusive, adjetivou Caiado como “militante do PMDB”.

Força estrutural
Enquanto o PMDB irista se aproxima cada vez mais de Caiado, o então grupo de Júnior do Friboi não mostra entrosamento. Mesmo assim, a força do empresário dentro do partido não é desprezada, principalmente em relação a possibilidade que Friboi tem de ajudar prefeitos e vereadores no financiamento da campanha de 2016. Entre as lideranças, porém, Júnior perdeu espaço após apoiar o governador no segundo turno em detrimento de Iris, candidato do partido.
Hoje o peemedebista mais próximo de Friboi no PMDB é o ex-conselheiro do TCE Frederico Jayme, que também responde processo e pode ser expulso do PMDB e é rompido com Iris Rezende. Jayme ocupa hoje o cargo de chefe de gabinete do governador Marconi Perillo. Ou seja, apesar de fazer duras críticas a Marconi na pré-campanha de 2014, Friboi hoje se aproxima do governador. Há até quem diga que o empresário queira levar o PMDB para a base aliada do tucano, apesar de ser algo difícil de ser consolidado na prática.
Apesar de ter sido um dos for­tes aliados de Friboi na pré-campanha de 2014, além de defender a permanência do empresário no partido, a família Vilela não mostra tanto entusiasmo com o empresário em 2015. Nos bastidores, a infor­ma­ção é que a reunião de Iris com Caia­do na semana passada ligou o sinal amarelo entre as lideranças aliadas ao prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela.
À priori, o projeto de Ma­guito seria a articulação visando o fortalecimento do nome do deputado federal Daniel Vilela para as eleições de 2018. O projeto de Daniel ao governo do Estado é desejo antigo do próprio e ele terá os próximos anos para viabilizá-lo. O grupo, po­rém, se vê no meio do caminho – caso se alinhe a Friboi, poderá estar ajudando o empresário a comandar o partido e fortificar o seu próprio nome para 2018; se se aliar a Iris, a prioridade, ao que tudo indica, é Caiado.
Dessa forma, a tão propagada união interna no PMDB está muito longe de ser alcançada. A disputa entre todos estes atores peemedebistas será decisiva e passará, sem dúvida, pela sucessão da prefeitura de Goiânia. Se Iris Rezende for o candidato e vir a ser eleito, o projeto de Caiado tende a ganhar forças. Caso contrário, será ponto para Friboi. Isso se o empresário conseguir evitar a sua expulsão. E quem teria hoje a preferência da base do PMDB para estar à frente dos rumos da aliança nos próximos anos? Friboi ou Caiado? Esta resposta também será de fundamental importância para o futuro do partido nos próximos anos.


Um ano de disputas e brigas internas

 

 

Há um ano, aliados do empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi (PMDB), começavam a pressionar o diretório regional do partido para oficializar Friboi como candidato ao governo do Estado nas eleições de outubro. Partidários do ex-governador Iris Rezende, no entanto, vendo que o empresário poderia ‘tratorar’, planejavam o contra-ataque, que culminaria no lançamento da pré-candidatura de Iris no início de abril. A partir daí, brigas e discussões internas foram decisivas para o fracasso eleitoral do partido, mais uma vez.
Após a quinta derrota pelo Palácio das Esmeraldas em 16 anos, o PMDB começou 2015 com a missão de juntar os cacos e unir a agremiação para os futuros projetos políticos, como a eleição para a prefeitura de Goiânia. Uma das ações foi quando, neste mês de fevereiro, o partido iniciou o processo que pode levar a expulsão dos chamados “infiéis” que pertencem à sigla. Um deles é o próprio Friboi, que anunciou apoio a Perillo no segundo turno das eleições do ano passado.
A expulsão de Friboi ainda não ocorreu, pode ocorrer em breve, mas ainda não é certa. O processo está no Conselho de Ética do diretório regional. Neste momento, o PMDB deve aguardar o pronunciamento da defesa de todos os réus. A salvaguarda deverá ser apresentada em até 20 dias após ter sido aberto o processo – 11 de fevereiro.
Os correligionários mais próximos a Iris Rezende defendem a expulsão – os deputados estaduais Bruno Peixoto e José Nelto, além do vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano (PMDB), se mostram favoráveis a tal possibilidade e assumiram a frente no processo.
Já os aliados que estiveram com Friboi na pré-campanha do ano passado, como o deputado federal Daniel Vilela e o prefeito Maguito Vilela, se mostram reticentes. Em entrevista concedida à Tribuna no final do ano passado, Daniel desacreditou a possível expulsão. “O PMDB, administrativamente, não consegue expulsar ninguém. O Thiago Peixoto viveu um processo de expulsão há quatro anos e o partido não deu conta de expulsar ele”, disse. Hoje, porém, se mantém distante da discussão.
Enquanto Friboi acredita que o pedido de expulsão de seu nome partiu de “uma pequena minoria” do PMDB, conforme afirmou em entrevista à Rádio 730, os peemedebistas ligados a Iris são claros quanto ao caso. “O processo de expulsão seguirá e ele terá liberdade para se defender. Mas desde já adiantamos: não aceitaremos mais infidelidade no partido”, disse o presidente do Conselho Jurídico do PMDB, Leon Deniz.

Contraste
O deputado Bruno Peixoto enxerga como normal a situação. Segundo ele, uma agremiação com o porte do PMDB é impossível que não haja contraste de idéias. “Disputas internas são importantes para o crescimento”, explica. Entretanto, ele observa que o que não é tolerável é que membros da sigla concedam apoio a adversários e outras candidaturas, preterindo as do próprio partido.
Com divisão ou não e na carência por novas influências, o deputado Jose Nelto acredita que o partido tem que abrir as portas para novas lideranças. Entretanto, observa que as novas caras precisam ter identidade. Com isso, o deputado pede coerência e lealdade ao partido. “O PMDB está aberto a novas lideranças. Mas tem que ser um político com ideologia”, disse Nelto.
A dissolução dos diretórios municipais imposta no final do ano passado é prova de que o PMDB está tentando uma renovação. Na visão de José Nelto essa é uma abertura necessária para a penetração de novas lideranças. Além disso, ele acredita que implantação de comissões provisórias dará ao PMDB legitimidade. “Ninguém vai poder usar o partido para fazer negócio”, assegura.
Na visão de peemedebistas, ao expulsar alguns membros que causaram transtornos, o partido poderá dar o primeiro passo para se reorganizar internamente e buscar uma união há muito perdida, caminhando, assim para uma nova roupagem. A renovação é bastante cobrada por aliados que há muito tempo não veem uma liderança de peso surgir dentro da sigla. Hoje, Iris Rezende e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), representam os maiores nomes dentro do grupo.
E o cuidado com essa renovação é o que está levando o partido a tratar com extrema seriedade a possibilidade de expulsão dos dois membros, já que são exatamente aqueles ligados a eles que clamam pela oxigenação do partido.
O estopim para a busca da punição máxima a Friboi, foi uma entrevista concedida ao jornal Diário da Manhã no final de janeiro, quando ele defendeu o afastamento de Iris Rezende do comando da legenda, disse querer apoiar Vanderlan Cardoso – que pode se aproximar de Marconi Perillo – e afirmou que tem o desejo de se tornar o presidente regional do PMDB.
A entrevista foi duramente condenada por membros do partido. “Foi uma entrevista inoportuna e inapropriada. Neófito no processo. A gente entende quando a pessoa não tem muita experiência, ela passa por um período de aprendizado. Ele não faz por mal, ele é até boa pessoa. Ele é inábil”, disse o vice-prefeito Agenor Mariano ainda à época.
Frederico Jayme, aliado de Friboi dentro do PMDB, também rompeu com Iris Rezende depois de sair magoado na articulação de 2006, por ter sido preterido na disputa pela vice de Maguito. Ele passou para o lado tucano e hoje ocupa a chefia de gabinete de Marconi Perillo. “Ambos, portanto, passam longe te ter confiança da base peemedebista”, alerta um ex-deputado ligado a Iris Rezende. (Fagner Pinho e Marcione Barreira)


Na Assembleia, PMDB também tem problema de unidade

 

Além do problema com a infidelidade, o PMDB terá outros problemas a resolver nos próximos dias, já que outro fato tem gerado discussões internas. Na formação da mesa diretora da Assem­bleia Legislativa, o PMDB teve o direito de ocupar a 4ª secretaria da Casa. Dois postulantes se dispuseram a ocupar a vaga: Paulo Cézar Martins e Adib Elias, que tinha o apoio da bancada.
No dia da posse, Martins bateu o pé e garantiu que entraria na disputa, o que fez com que Adib recuasse de seu pedido após muitas tentativas de convencimento por parte da bancada a Paulo Cezar. O resultado é que, hoje, Martins não vem sendo convidado para reuniões da bancada, o que considera uma retaliação ao caso.
Prefeitos
A expulsão de prefeitos e vereadores também faz parte do processo de ajuste dentro do PMDB. Sigla de maior tradição em Goiás e principal de oposição ao governo de Marconi Perillo, o PMDB vem, há alguns anos, perdendo parte de sua força política no interior do Estado. Com renúncia da pré-candidatura de Friboi no ano passado, muitos dos prefeitos do interior que o apoiavam acabaram deixando de apoiar o candidato do PMDB, então Iris Rezende, para apoiar Marconi Perillo.
Muitos correligionários, entretanto, defendem que exista uma cuidadosa análise de cada caso, para não se iniciar uma caça às bruxas dentro da legenda. Havia, inclusive, certa preocupação de alguns membros do partido de que a expulsão do empresário e também a de prefeitos que apoiaram o candidato tucano no segundo turno, já que elas poderiam enfraquecer o PMDB nesse momento de reestruturação.
Dentre os que pedem ponderação na punição aos membros “infiéis”, em especial aos prefeitos do interior, são Daniel Vilela e Maguito Vilela. Para eles, antes de se iniciar uma caça às bruxas, o PMDB tem, primeiro, que saber o porquê de cada prefeito ter apoiado o adversário. Além deles, o ex-deputado federal e coordenador da campanha de Iris Rezende no ano passado, Sandro Mabel, também defendeu a análise de cada um dos casos dos prefeitos. (Fagner Pinho e Marcione Barreira)

 

 

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