Remarcado concurso da Defesa Social

0
556

 

A paz interna no PMDB está longe de ser proclamada, mesmo após a quinta derrota do partido ao Palácio das Esmeraldas. Após apoiar o governador Marconi Perillo (PSDB) no segundo turno das eleições de 2014, o empresário José Batista Júnior, o Júnior do Friboi, volta à cena política querendo ‘tomar’ o comando do partido, termo que ele mesmo usa. Em entrevista à Rádio 730, há duas semanas, Friboi disse que não deixará o partido, mesmo com o seu processo de expulsão em curso. Já o senador Ronaldo Caiado (DEM) se reuniu com o ex-governador Iris Rezende e seus aliados na quinta, 19, onde todos saíram empolgados e expressando odes à aliança PMDB-DEM.

Essa nova disputa interna dentro do partido tem tudo a ver com dois momentos políticos – o primeiro é a renovação do diretório regional, que ocorrerá nos próximos meses; o segundo é a corrida ao governo do Estado em 2018. Mesmo com a distância temporal do novo processo estadual, quem vencer a primeira queda de braço dentro do partido ganhará fôlego para articular sua postulação nos próximos dois anos.
Ronaldo Caiado foi aliado de primeira hora do ex-governador Iris Rezende na disputa do ano passado. Ganhou moral junto à liderança máxima do partido após costurar uma aliança com o PMDB e apoiá-lo de corpo e alma no segundo turno, quando o democrata já havia sido eleito senador. Logo após o fim das eleições, Caiado ainda deu declarações de que Iris seria o nome natural para a prefeitura de Goiânia em 2016, estreitando ainda mais os laços com o PMDB e projetando uma aliança para o futuro.
Na reunião de quinta, ocorrida na residência de Iris em Goiânia, além do senador e do líder peemedebista, estiveram reunidos a ex-deputada federal Iris Araújo, o vice-prefeito de Goiânia Agenor Mariano, o presidente regional do PMDB Samuel Belchior, além dos deputados estaduais José Nelto, Adib Elias, Bruno Peixoto e Ernesto Roller. O grupo, que é aliado de Iris e defende a expulsão de Friboi do partido, saiu com o discurso unificado de que Caiado e o DEM são “aliados preferenciais”. Belchior, inclusive, adjetivou Caiado como “militante do PMDB”.

Força estrutural
Enquanto o PMDB irista se aproxima cada vez mais de Caiado, o então grupo de Júnior do Friboi não mostra entrosamento. Mesmo assim, a força do empresário dentro do partido não é desprezada, principalmente em relação a possibilidade que Friboi tem de ajudar prefeitos e vereadores no financiamento da campanha de 2016. Entre as lideranças, porém, Júnior perdeu espaço após apoiar o governador no segundo turno em detrimento de Iris, candidato do partido.
Hoje o peemedebista mais próximo de Friboi no PMDB é o ex-conselheiro do TCE Frederico Jayme, que também responde processo e pode ser expulso do PMDB e é rompido com Iris Rezende. Jayme ocupa hoje o cargo de chefe de gabinete do governador Marconi Perillo. Ou seja, apesar de fazer duras críticas a Marconi na pré-campanha de 2014, Friboi hoje se aproxima do governador. Há até quem diga que o empresário queira levar o PMDB para a base aliada do tucano, apesar de ser algo difícil de ser consolidado na prática.
Apesar de ter sido um dos for­tes aliados de Friboi na pré-campanha de 2014, além de defender a permanência do empresário no partido, a família Vilela não mostra tanto entusiasmo com o empresário em 2015. Nos bastidores, a infor­ma­ção é que a reunião de Iris com Caia­do na semana passada ligou o sinal amarelo entre as lideranças aliadas ao prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela.
À priori, o projeto de Ma­guito seria a articulação visando o fortalecimento do nome do deputado federal Daniel Vilela para as eleições de 2018. O projeto de Daniel ao governo do Estado é desejo antigo do próprio e ele terá os próximos anos para viabilizá-lo. O grupo, po­rém, se vê no meio do caminho – caso se alinhe a Friboi, poderá estar ajudando o empresário a comandar o partido e fortificar o seu próprio nome para 2018; se se aliar a Iris, a prioridade, ao que tudo indica, é Caiado.
Dessa forma, a tão propagada união interna no PMDB está muito longe de ser alcançada. A disputa entre todos estes atores peemedebistas será decisiva e passará, sem dúvida, pela sucessão da prefeitura de Goiânia. Se Iris Rezende for o candidato e vir a ser eleito, o projeto de Caiado tende a ganhar forças. Caso contrário, será ponto para Friboi. Isso se o empresário conseguir evitar a sua expulsão. E quem teria hoje a preferência da base do PMDB para estar à frente dos rumos da aliança nos próximos anos? Friboi ou Caiado? Esta resposta também será de fundamental importância para o futuro do partido nos próximos anos.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here