Será possível?

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P14 01Uma das grandes incógnitas na oposição ao governador Marconi Perillo (PSDB) para os próximos anos é em relação a aliança que ocorrerá entre os partidos que a compõe. Tudo porque 2014 foi o ano em que o PMDB e o DEM colocaram as suas diferenças de lado e se uniram para a formatação de uma chapa para o governo do Estado. Como é de conhecimento comum, DEM e PT são os dois expoentes da política nacional, quadro que carregam também para os estados, com proibições de apoio político de um a outro dentro dos dois partidos, valendo para qualquer parte do país. Como o PT foi o maior aliado do PMDB desde o fim da dé­cada passada em Goiás, a expectativa é como será feita (e com quem será feita) a principal aliança da oposição para as próximas eleições de 2016 e, sobretudo, de 2018.
Seria possível uma aliança entre PT-PMDB-DEM (com a sigla PMDB colocada no meio de PT e DEM não por acaso) no Estado? Hoje é algo que beira o im­possível, com o senador Ronaldo Caiado, presidente regional do DEM, cada dia mais implacável em sua oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT) e os petistas tendo que defender, cada dia mais, o Palácio do Planalto das investidas de tucanos e democratas, em uma das piores crises políticas do governo deste a primeira eleição de Dilma.
Entrevistas recentes das principais lideranças estaduais dos dois partidos, porém, deixou uma luz acessa no fim do túnel para a possibilidade desta aliança em 2016, na capital. Dentro do PT, há uma tese apoiada pelas principais lideranças de que o partido poderia até mesmo estar em uma chapa com o DEM, deste que não haja candidatos do partido de Caiado na chapa majoritária, no caso candidato a prefeito e/ou vice-prefeito de Goiânia. No DEM, o senador Ronaldo Caiado também deixou aberta esta possibilidade, desde que a recíproca seja verdadeira – que o PT não indique candidatos para a chapa.
Na verdade, o posicionamento de Caiado é uma pequena alteração de discurso, exatamente após a reunião que teve com a bancada de deputados estaduais do PMDB e o ex-governador Iris Rezende (PMDB), na residência do último (reunião que ocorreu na quinta, 19). Na segunda, 23, o senador, em entrevista à Rádio 730, deixou em aberto esta possibilidade. Ele também reiterou ser colega do deputado Rubens Otoni, maior líder petista do Estado, e do ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT). Otoni já havia dado declarações neste mesmo sentido. Ou seja, ambos deixaram, ao menos, aberta a possibilidade de diálogo. E, se houver diálogo, pode haver, sim, aliança.
Hoje, o ponto que aproxima DEM e PT em Goiânia não é nem o PMDB, mas Iris Rezende. O ex-prefeito é um nome que agrada parte dos petistas para a sucessão ao Paço Municipal. Enquanto isso, a relação Caiado-Iris se mostra cada dia mais forte, com troca de elogios mútuos. Vale lembrar que Caiado e Iris, juntos, mostraram entrosamento durante a campanha de 2014. O PMDB deu apoio decisivo à candidatura de Caiado, enquanto que o senador também contribuiu com o projeto do ex-governador, principalmente quando, no segundo turno, anunciou que seria secretário de Segurança Pública em um hipotético governo Iris. O anúncio contrariou parte da base de apoio do próprio senador, que não queria perdê-lo no Congresso.
Partindo da premissa que a única possibilidade de DEM e PT fazerem parte de uma mesma chapa na corrida pelo Paço Municipal no ano que vem é no caso de Iris Rezende ser o candidato a prefeito, a questão seria o nome do vice do peemedebista. Pelo que disseram Caiado e Otoni, PT e DEM ficariam de fora desta indicação. Assim, seria aberta duas possíveis situações. A primeira: a vice poderia ficar com um aliado, um quarto partido, que poderia ser Solidariedade, PC do B, Pros, ou até do PTB, que entrou em conflito com a base aliada do governo estadual no início do ano. A segunda: o PMDB poderia caminhar com chapa pura, indicando um nome do partido para a vice de Iris.
De qualquer forma, a possibilidade, apesar de remota, de união PT-PMDB-DEM fortalece o nome de Iris Rezende para a prefeitura de Goiânia. Alinhar os dois adversários numa mesma chapa será o grande desafio do líder peemedebista para os próximos meses. Para isso, Iris terá que mudar o modus operandi de sua pré-candidatura. Acostumado a deixar decisões de candidatura para os últimos dias antes das convenções, o ex-governador precisará agir e articular antes, montando assim um grupo forte que lhe dê sustentação a um projeto político na capital. Se conseguir juntar essa trinca de partidos, já começará o processo com o caminho até o Paço Municipal bem pavimentado.

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