“Se o DEM for vice do PMDB, nós estaremos fora”

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P13 01Tribuna do Planalto – O senhor inicia seu terceiro ano de mandato em 2015 como representante do prefeito. Como o sr. avalia o mandato até o momento e também o papel de líder?

Carlos Soares – Avalio que tive um bom e importante mandato até o momento. Fui presidente da CCJ e articulei bastante nos dois primeiros anos, embora tivesse pouca experiência na Casa. Apresentei projetos, participei de debates e consegui firmar minha figura junto aos vereadores, dentro daquilo que entendo ser correto. Assumi a liderança num momento muito importante da prefeitura e creio que consegui mudar algumas coisas na função de líder. Espero continuar mudando para ter um 2015 de muita tranquilidade.

A Câmara, nesta legislatura, tem sido muito volátil em torno da base e da oposição. Essa é a maior dificuldade a ser enfrentada como representante do prefeito hoje?
Perdemos alguns companheiros da base com as crises do ano passado, mas reconstituímos a nossa base, que hoje conta com 19 vereadores. Continuaremos dialogando com todos os vereadores, buscando sempre manter a firmeza dessa base para depois tentarmos negociar com os independentes da Casa.

O sr. buscará diálogo com vereadores do Pros, que fazem parte do bloco moderado, bem como Jorge do Hugo (PSL) e Tatiana Lemos (PC do B), que já foram aliados da prefeitura anteriormente?
A Tatiana é do PC do B, que é um partido historicamente aliado à nossa gestão. Por isso, para nós, é importante a presença dela na base. Temos conversado e continuaremos conversando para trazê-la para a base. O vereador Jorge do Hugo nos ajudou em muitas votações e foi importante para a nossa gestão até o final do ano passado. Temos conversado com muitos outros, apesar de não termos nada adiantado. Nossa prioridade zero é a base, mas daremos atenção aos independentes e também a oposição.

Como é fazer um trabalho em uma Casa que tem toda a mesa diretora e comissões nas mãos da oposição?
Acho que isso nos provoca um exercício de trabalhar muito mais. A base não conta com nenhum posto importante na Câmara e isso aumenta nossa responsabilidade. Temos que ter atenção e criar uma relação de franqueza e de diálogo com a oposição para alcançarmos um bom relacionamento, senão teremos um ano extremamente complicado.

Como está a disposição do prefeito em dialogar com os vereadores?
Está boa. Temos feito reuniões e o prefeito tem atendido individualmente vereadores da base semanalmente, buscando atender as demandas de cada um e debatidos projetos antes de enviá-los para a Câmara. Esse diálogo é importante para a consolidação de uma base forte e coesa.

O sr. tem sentido essa isenção por parte de todos os vereadores da oposição no comando da Casa?
A isenção, na sua grande maioria dos vereadores, vem ocorrendo. Queremos que essa isenção se mantenha ao longo do ano. Por enquanto não temos muito do que reclamar. Mas temos que esperar um pouco mais.

Como estão as discussões em torno do veto do prefeito as emendas do projeto da data-base? Há a expectativa da base de que o veto seja mantido?
Sim. Tivemos algumas conversas e temos a expectativa de que os vetos sejam mantidos, até porque temos que corrigir um erro estrutural que está naquele projeto relativo à retroatividade em torno de categorias que não são contempladas e isso é um problema. Outro problema é que a prefeitura não tem condições de arcar com os R$ 44 milhões que custará quitar a retroatividade neste momento. Dado isso, mantemos o veto do prefeito e aprovamos imediatamente outro projeto que incide sobre a data base de 2014 e a projeção da de 2015, que está chegando à Câmara, que tem acordo com as categorias, que será dividida em três parcelas.

Isso sem a retroatividade?
A discussão continua em conseguir achar um jeito de pagar a retroatividade. Esse projeto que chegará à Câmara não prevê a retroatividade. Prevê a universalização para toda a categoria. Será um mês a menos de retroatividade, caso aprovado o projeto neste próximo mês. Hoje são R$ 44 milhões de retroatividade. No próximo mês serão mais 6,28% desses R$ 44 milhões a mais de retroatividade, então esperamos aprovar isso rapidamente.

Nesse primeiro momento, o que o fórum sindical e a oposição na Câmara acharam da proposta? Tem havido disposição para discussão por parte dos sindicalistas?
Sim. Os representantes dos fóruns sindicais têm comparecido às reuniões. Entendemos a posição deles de querer resolver todos os problemas. A lei passada, que não contemplava todas as categorias, estava contaminada. Por isso queremos manter o veto e discutir essa nova lei. Caso se derrube o veto e passe a lei contaminada, a prefeitura não poderá arcar. Daí a questão seguirá para a justiça, para greve, que pode ser uma saída do trabalhador, mas queremos chegar a um acordo para que o problema pare de crescer.

Em relação à reforma apresentada pelo prefeito na semana retrasada, como a Câmara recebeu as discussões e quando o projeto seguirá para votação?
Nós só fizemos a conversa em torno da macroestrutura, com a diminuição de secretarias. A microestrutura, que engloba diretorias de departamentos será discutida a partir desta terça-feira, 3, com a chegada do prefeito, que está na Espanha. A princípio a questão das junções das secretarias é ponto pacífico, mas precisamos ver a microestrutura. A incorporação, que leva o crescimento da folha, deverá acabar, mas temos que achar a forma para que isso seja feito.

Ela termina com todas as formas de incorporação, como o quinquênio também?
Não. A proposta é só em torno da gratificação de função. Há discussão em torno do quinquênio, já que na prefeitura ele tem valor de 10% e em outras instituições este valor é bem menor, no máximo 5%. Mas devo lembrar que esta mudança, caso ocorra, não será retroativa. Quem já tem o direito adquirido não o perderá. Será somente para as carreiras futuras. Mas isso não está fechado entre base e prefeitura.

Como o sr. analisa a expulsão dos vereadores Tayrone di Martino (sem partido), Djalma Araújo (SDD) e Felisberto Tavares (sem partido) do PT?
É uma pena que não ficaram no partido. São todos companheiros com muitas virtudes que eram importantes. O PT sempre foi um partido que cobrou fidelidade. Uma candidatura à vice é algo de muito orgulho para qualquer petista e o Tayrone simplesmente renunciou à sua por um desentendimento com o prefeito. Não foi com o partido. Tayrone colocou o partido em risco, em dificuldade. Mas tenho certeza que eles terão muito sucesso na política goiana.

É mais difícil exercer a liderança sem ter um companheiro de partido ao seu lado?
Não. Eu não vejo isso. Uma liderança de governo muitas vezes contraria o partido. Não vejo a diferença de ter ou não ter um companheiro.  

Tayrone, ao justificar a renúncia a vice de Gomide, disse que havia tido um problema pessoal com Paulo, mas defendeu sua posição como petista. Na última semana, porém, ele atacou o partido em um discurso. Como vocês petistas avaliaram isso?
Não. Nós vimos que a atitude dele não foi um problema com o Paulo Garcia. Para nós o grande problema que tivemos com o Tayrone no processo de expulsão foi a renúncia dele na chapa de vice-governador. O PT precisa estar unido para passarmos pelo momento que passamos.

Qual é o caminho do PT para o ano que vem? Ter candidato próprio ou apoiar outro partido em Goiânia?
Nós temos alianças com alguns partidos, sendo que o mais forte é o PMDB. Então, antes de nós decidirmos se teremos candidatura própria ou não, teremos que conversar com eles. Acordo só é bom quando está bom para os dois lados. Tentaremos formar alianças, mas caso não dê certo, vida que segue. Mas, a princípio, nós defendemos a continuidade da aliança que hoje está governando Goiânia.

Essa aproximação com o DEM inviabiliza uma aliança PMDB-PT?
Não inviabiliza e inviabiliza. Nós, exatamente como o DEM, não faremos aliança com o DEM na cabeça de chapa. Se o PMDB se aliar com o DEM na vice, com certeza nós estaremos fora.
Nesse caso, inviabilizaria…
Nesse caso estaríamos fora da aliança. Se o DEM for vice do PMDB nós estaremos fora. Se o DEM estiver apoiando a candidatura poderemos estar dentro.

O caminho que poderia contemplar isso seria nenhum dos dois sendo cabeça de chapa?
Seria o único jeito possível de ter PT e DEM na mesma aliança. Nem PT e nem o DEM aceitam o outro de cabeça de chapa. Acho que essa é uma possibilidade muito difícil de ser construída. Na política nada é impossível, mas dentro do PT há um sentimento que nós teremos que estar no mínimo numa vice em qualquer composição.

Se for pro PT não ter candidato e apoiar um candidato de outro partido hoje o nome principal seria o de Iris Rezende (PMDB)?
É o nome mais natural. Iris sempre nos tratou com respeito e temos uma relação de confiança com ele. Essa parceria já facilita se ele for candidato do PMDB.

Quais são os nomes do PT para a disputa?
Temos vários, como a deputada Adriana Accorsi, o Edward Madureira, o Mauro Rubem, Humberto Aidar, Marina Sant´Anna… Mas nossa principal missão é chegar ao final dessa administração com a avaliação da altura que essa gestão merece.

Com essa avaliação baixa como está, o sr. acredita que isso possa prejudicar o partido na eleição do ano que vem?
A eleição é no final do ano que vem. Temos que melhorar nossa comunicação para a cidade de Goiânia saber das obras que estamos fazendo, usar mais a ferramentas para mudar nossa imagem.

Hoje há um problema basicamente de comunicação?
Eu acho que é um problema de articulação de todos os membros do partido e dos membros da gestão. A gente fala comunicação porque seria o termo mais comum a usar, mas não falo de anúncio de jornal e propaganda de televisão e tal. Falo de articulação política.

Em relação ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), como o sr. analisa esse quadro? Pedido de impeachment agora seria tentativa de golpe?
Golpe talvez seja uma palavra pesada. É irreal querer tirar um governo por meio de impeachment no seu segundo mês de gestão. O governo da presidente Dilma precisa dialogar melhor com seus interlocutores e parceiros para uma boa relação começar a ser construída.

 

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