Alego: base insatisfeita, mas sem reação

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P9 05Acostumado com bons ventos na Assembleia Legislativa na maioria de suas gestões, o governador Marconi Perillo (PSDB) começou o seu quarto mandato com o sinal de alerta do Palácio das Esmeraldas voltado para os lados da Assem­bleia Legislativa. A reforma administrativa que cortou cargos comissionados em quase todas as pastas do governo, atingiu em cheio os deputados. Antes com uma cota de R$ 50 mil em cargos, os parlamentares tiveram a notícia, no início do ano, que esta seria rebaixada para R$ 20 mil. Após conversas com o governador Marconi Perillo, o valor subiu para R$ 30 mil, valor que ainda não con­templa os parlamentares.

A diminuição do espaço dos deputados no governo irritaram grande parte dos parlamentares. “Nós acabamos tendo um problema, porque tivemos os companheiros que nos apoiaram nas eleições, apoiaram o governador, e, logo após, o governador anunciou a reforma cortando os cargos. Hoje, temos muitos companheiros no interior que estão sem cargos e nos pressionando aqui na Assembleia”, explica um parlamentar que preferiu não se identificar.
Apesar deste imbróglio, os parlamentares dizem que a base não deve levar as insatisfações para as votações dos projetos do governo na Casa. Trocando em miúdos, os deputados governistas não vão se rebelar contra o executivo, algo comum, por exemplo, na Câmara de Goiânia, local onde geralmente é necessário boas doses de conversas antes da votação de projetos polêmicos.
Segundo um experiente ex-deputado da base marconista, uma das únicas certezas de todos os governos de Marconi Perillo é de que a base aliada nunca se rebela em bloco contra o governador. “Há sempre uma ou outra rebelião, mas ela nunca ocorreu entre a maioria da base”, relata.
Realmente, o histórico recente da Assembleia Legis­lativa mostra que as chamadas ‘rebeldias’ de parlamentares da base aliada contra o governo são ações raras, raríssimas. Apesar de, em várias oportunidades, ter havido fortes descontentamentos, poucas vezes os parlamentares impuseram derrotas ao governo estadual. Os poucos casos foram na época do ex-governador Alcides Rodrigues (ex-PP), quando Alcides e Marconi romperam ligações e o então pepista teve problemas na hora de articular com uma base de deputados quase totalmente marconista.
Como forma de comparação, a base do prefeito Paulo Garcia (PT) na Câmara de Goiânia já ‘ajudou’ a oposição a derrotar o prefeito várias vezes nos últimos anos, como a atualização da planta de valores que daria números novos ao IPTU, projeto que foi rejeitado duas vezes, no fim de 2013 e 2014. A Câmara de Goiânia, historicamente, é mais hostil ao executivo do que a Assembleia.
Publicamente, deputados da base aliada confessam que há insatisfação dentro da Casa devido à redução na cota de cargos comissionados no governo, mas evitam culpar ou criticar o governador. “Apesar dessas medidas do governo estarem gerando insatisfação no meio político, elas vão gerar benefícios para o povo,” relatou o deputado estadual Dr. Antônio (PDT). O pedetista acrescentou que a reforma será positiva e admitiu que é natural que haja dificuldades entre alguns membros. “Os cortes não agradaram os deputados, mas temos que entender a necessidade das medidas”, disse ele.
O deputado Francisco Júnior (PSD), em entrevista à Tribuna na edição passada, também admitiu os desgastes, mas, como seu colega do PDT, acha que a reforma é necessária. “É um ponto de tensão, sem dúvida. Essas pessoas que não conseguiram voltar ao governo não são adversárias, são companheiras. Cria uma situação delicada, mas que será contornada”, defende.
Inexperiência
Além do histórico de fidelidade da base governista na Assembleia Legislativa para com o governo do Estado, outro ponto que ajuda o governador Marconi Perillo (PSDB) a controlar os deputados no parlamento é o fato de que grande parte de sua bancada é formada por deputados novatos e jovens na política. Dentre estes, o cenário é ainda mais favorável ao governo.
O segundo mais novo deputado na Casa, Lucas Calil (PSL), diz que não há insatisfação entre os parlamentares e destaca o diálogo com o poder executivo. “O governador nos ouve. Vejo reclamação por parte da base do prefeito na Câmara, mas aqui na Assembleia não existe isso, mesmo com os ajustes do Estado,”, diz.
O deputado estadual Gus­tavo Sebba (PSDB), filho do prefeito de Catalão e ex-deputado estadual Jardel Sebba (PSDB), é outro novato que atua em defesa do governo na casa e defende as ações. Para ele, os legisladores precisam ter a consciência de que as mudanças nesta legislatura serão normais. “Nós, enquanto deputados, temos que entender as limitações deste governo e as nossas limitações junto ao governo”, declara Gustavo Sebba, que é líder da bancada do PSDB.
Se os deputados novatos são mais ‘compreensíveis’ com a situação conflitante entre legislativo e executivo, a renovação na Casa também traz outros problemas para a base aliada. Preocupa o governo o fato de a base governista possuir muitos deputados novos e novatos. Muitos deles, não possuem experiência em cargos públicos e ainda não legislaram, o que pode colocar em xeque a defesa do governo na Casa.
Há duas semanas, o jornal O Popular noticiou que o governo iria preparar uma espécie de curso que possibilitaria a capacitação dos novatos em lidar com diversas situações dentro da Assembleia. A medida seria eficaz para que os novos atuantes correspondessem o esperado pelo governo.
Contudo, o líder do governo na Casa, deputado José Vitti (PSDB), rechaça que haja algum tipo de serviço que tenha relação com curso de capacitação. Segundo o tucano, disse que não há nada relacionado a isso. “Isso parece mais coisa criada pela oposição. Até porque, são diversos tipos de tratos dentro da casa. Não tem como fazer isso”, contrapõe.
O deputado Jean, líder do PHS na Assembleia, por sua vez, tentou contribuir da forma com que achou mais interessante. Ele idealizou e formou um bloco, chamado G-15, com os deputados novatos. Ele acredita que os veteranos vão servir como professores dos mais novos. “Os deputados veteranos estão nos auxiliando muito. Eles são nossos professores. As dicas deles são imprevisíveis”, disse o deputado humanista.


Eleições de 2016 preocupam liderança do governo

 

 

Assim como a insatisfação dos membros no que está relacionado com os cortes do governo, além do fator supracitado sobre a inexperiência, o governo também preocupa com o fato de o ano que vem ser de período eleitoral, o que causará fatalmente uma diminuição no número de parlamentares na Casa.
Muitos dos deputados da base aliada têm a pretensão de se candidatar ou apoiar em primeira linha candidatos a prefeitos de outros municípios, além da prefeitura de Goiânia. A base do governo tem somente em Goiânia três possíveis candidatos – os correligionários Lincoln Tejota, Francisco Júnior e Lincoln Tejota (todos do PSD).
Ainda dento da base governista a lista é ampla e pode sofrer os desfalques de Álvaro Guimarães (PR) e Zé Antônio (PTB) são nomes fortes dentro de Itumbiara, sul do Estado; Valcenor Braz (PTB), que pode se candidatar em Luziânia; Lêda Borges, ex-prefeita de Valparaíso e que pode concorrer novamente, dentre outros. A redução do número de parlamentares governistas no plenário em 2016 pode gerar problemas junto ao governo.
No entanto, José Vitti revela que ainda não está preocupado com o fato que, segundo ele,  deve mesmo ocorrer. Vitti diz que deverá pensar em uma maneira de convencer os correligionários a estarem presentes na Casa de alguma forma. “Hoje eu ainda não tenho uma preocupação, mas ela vai existir”, declarou.

Oposição
A base, entretanto, não esta sozinha neste aspecto e conta com alguns membros da oposição também. Entre os quais, voz forte da ala oposicionista e um dos principais é o deputado Adib Elias (PMDB), que tem domicilio eleitoral em Catalão onde deve centrar forças a partir do ano que vem para tentar voltar ao poder municipal. O deputado Ernesto Roller (PMDB) também pode ser candidato em Formosa.
José Vitti enxerga que esta situação está equilibrada, com as perdas que devem ocorrer no campo da oposição. “Vai haver realmente uma perda na situação, mas isso deve ocorre tanto dentro dela quando da oposição”, argumenta. (M.B.)


Prevendo problema, governo se reúne com deputados

 

 

O fato de deputados não esconderem as suas insatisfações em relação ao corte na cota de comissionados no governo fez com que o Palácio das Esmeraldas agisse na semana passada. Ao notar descontentamento da base governista, Marconi decidiu elevar para R$ 30 mil ao invés dos R$ 20 mil previstos na ideia inicial do projeto.
Mesmo assim, na articulação para evitar possíveis corrosões, o governo se reuniu com 30 deputados da base aliada no 10º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira na terça, 24. Na ocasião, Marconi explicou o porquê dos cortes e a necessidade de enxugar a máquina para aperfeiçoar a administração em tempos de crise.
Líder do governo na Assembleia, José Vitti ratificou a posição do governador e dos aliados afirmando que não há ne­nhum desgaste com a base e que eles entenderam perfeitamente a necessidade. “Nós nos reunimos e com os deputados e governador e todos entenderam”, disse Jose Vitti.

Diálogo
Tentando evitar o que ocorreu na Câmara Muni­ci­pal de Goiânia, o governo estabeleceu diálogo cm os deputados. A atitude foi referenciada pelo deputado e líder da bancada do PSD Lissauer Vieira (PSD). O rio-verdense ena­lteceu Marconi Perillo por ter tratado a situação da base na conversa.
Para ele, esse é um fator demonstra o respeito por parte do executivo estadual para com os membros da Assembleia. “O governador tem dialogado conosco e isso demonstra respeito da parte dele”, disse Lissauer. O deputado disse ainda que além do governo saber lidar com esse tipo de problema sabe conquistar os aliados. “Ele sabe como tratar seus aliados e sempre buscaremos mais aliados para fortalecer nossa base e ajudá-lo no trato com a Assembleia”, afirmou.
Ainda no encontro, o governador também informou que solicitou a auxiliares um levantamento sobre emendas não liberadas no ano passado para um estudo sobre a possibilidade de pagamento. Marconi fez ainda o compromisso de liberar emendas no valor de R$ 1,5 milhão por parlamentar aliado até junho.

 

 

 

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