PMDB longe do consenso

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Friboi e CaiadoA bandeira branca dentro do PMDB está difícil de ser hasteada nos últimos tempos. Na última semana a Tribuna do Planalto noticiou que o partido está dividido em duas principais alas, com dois caminhos a seguir. Uma delas é liderada pelo empresário Júnior do Friboi (PMDB), enquanto que outra, encabeçada por Iris Rezende, tem no senador Ronaldo Caiado (DEM) seu principal nome para as disputas estaduais seguintes, já que Iris Rezende, por conta da idade e de derrotas recentes, não deverá mais concorrer ao cargo de governador. Haveria, ainda, uma terceira ala comandada pelo prefeito de Aparecida, Maguito Vilela (PMDB).

Nesta semana a reportagem da Tribuna buscou ouvir os representantes do PMDB para saber como o partido tem reagido a esta clara divisão. E a confirmação veio com muitos  reconhecendo (e defendendo) estes caminhos diferentes que o partido demonstra ter em seu cerne. Caso Friboi consiga manter-se no partido em meio ao processo de expulsão pelo qual vem passando, há a possibilidade concreta de que o partido siga dividido para as eleições de 2018.
O empresário hoje conta com apoio, principalmente, de prefeitos do interior (confira matéria abaixo), enquanto Caiado e Iris encontram defesa na capital e junto a deputados estaduais da sigla, que também ressaltam o papel de líder do ex-governador Maguito Vilela. Os Vilela, por sua vez, têm afinado o discurso entre si de que o partido precisa parar de discutir nomes para eleições e se oxigenar com novos nomes. Não há, entretanto, a defesa ferrenha da permanência de Júnior Friboi no PMDB.
Muitos dos deputados entrevistados pela reportagem disseram considerar natural a divisão de ideias dentro dos partidos. Maguito Vilela também defendeu que é normal que se hajam divisões de alas dentro das siglas. O deputado estadual Paulo Cézar Martins em entrevista na última semana à Rádio CBN, defendeu esse posicionamento.
Ele acredita que a divisão de ideais é natural dentro de uma agremiação. Entretanto, o deputado pediu que dentro do processo político pelo qual passa, que o PMDB busque novos nomes de fato. “É preciso buscar novas lideranças. Precisamos parar de falar que vamos oxigenar, mas sem oxigenar de fato o partido”, declarou na ocasião.
Em relação à Júnior do Friboi, porém, o deputado é mais duro. Para ele, não há como confiar mais em Friboi, pois ele não apoiou Iris Rezende na eleição do ano passado. “Além de não apoiar nosso candidato, ele apoiou e sua empresa deu dinheiro ao outro candidato. Para mim Friboi é página virada no PMDB”, frisou.
Mas lembrado de que o empresário disse ter pretensões de não ser expulso e de que pretende comandar o partido, Martins apontou uma incoerência entre discurso e ação. “Como Friboi quer comandar o partido se ele se aliou com o adversário? Ele que venha tentar a presidência do PMDB… Terá somente o voto dele”, finalizou.
Uma das maiores críticas a Friboi apontadas por peemedebista, além do fato dele ter apoiado o governador Marconi Perillo em detrimento à candidatura do PMDB, encabeçada por Iris Rezende, nas eleições do ano passado, é que o empresário quer se utilizar do partido para a viabilização de um projeto pessoal.
Para o deputado estadual José Nelto (PMDB), um dos mais ligados ao projeto de Iris e Caiado, defende que o partido tenha união em torno do PMDB em detrimento de projetos pessoais. Para ele, Junior não tem condição de liderar a legenda. “Quem acha que vai pegar o partido para fazer negócio tem que ficar de fora. O projeto tem que ser o PMDB”, disse. Nelto é bem claro quanto a questão de Junior, defende a expulsão, mas aguarda a tramitação do processo. “A problema será resolvida na comissão de ética do PMDB. Friboi é um oportunista e não um peemedebista”, afirmou.

Oxigenação
O deputado federal Daniel Vilela acredita que os atritos constantes dentro do partido só vão cessar assim que o partido parar de pensar em eventuais nomes para disputar eleições. Ele defende a busca de novos nomes para dentro do partido. “Tem 16 anos que o partido discute nomes e não se prepara de forma adequada para o processo eleitoral. Precisamos de novos valores e bandeiras para apresentar ao eleitorado a partir do ano que vem”, disse o deputado federal recém eleito.
Mesmo que o pai de Daniel, Maguito Vilela, tenha deixado claro que não tem mais pretensões de disputar eleições, atuando apenas como mentor, o filho deixa a cargo do eleitor essa decisão. “Em política há espaço para tudo, desde que as condições sejam compatíveis com o humor do eleitorado”, declarou Daniel.
Para Daniel, os problemas de divisão dentro do PMDB só vão parar de acontecer quando a legenda assumir o poder. “O PMDB somente irá acabar com essas picuinhas no momento em que reconquistar o poder em Goiás. E quem estiver insatisfeito irá, naturalmente, pedir para sair,” declarou. Sobre os casos dos tidos como infiéis ele diz que cada caso é um caso.

Fortalecimento
Maguito Vilela defende que o partido ganhe novo corpo e tenha a legenda como principal foco de fortalecimento. “Nós precisamos ganhar eleições novamente. Ter governador, senador. Precisamos voltar a ser um partido competitivo outra vez”, disse Maguito após reunião com deputados na semana passada na Assembleia.    
O ex-governador não acredita que nem ele nem Iris Rezende e nem Júnior Friboi tenham grupos dentro do PMDB. “Eu acho que eu não tenho grupo, o Júnior não tem grupo e o Iris não tem grupo, o que nós temos são companheiros dentro do PMDB”, afirmou.
Ele defendeu maior discussão interna dentro do PMDB, para que depois o partido busque alianças com outras siglas. “O PMDB tem que se fortalecer internamente, se robustecer. Depois é que vamos procurar outros partidos. Não adianta, com o partido fraco, buscar outros partidos” avaliou.

Friboi
A divisão da legenda está aflorada principalmente neste momento quando decorre o processo de expulsão de membros do partido entre os quais além de Friboi tem Frederico Jayme (PMDB) que hoje ocupa a chefia de gabinete de Marconi Perillo (PSDB) e tem atritos antigos com Iris Rezende. Frederico é um dos principais nomes que apoiam o nome de Júnior Friboi como comandante do partido.
Júnior Friboi tem a seu favor alguns membros que não defendem sua expulsão. Para estes, o processo não agrega ao partido e acham que o diálogo ainda é o melhor caminho. Além desses, Junior encontra apoio juntos as bases do interior. Com Friboi no comando, alguns prefeitos do interior receberiam aporte financeiro para campanhas de 2016, algo considerado importante diante do difícil momento vivido pelas prefeituras.
O empresário quer tomar as rédeas do partido e para isso, de acordo com suas declarações, tem cerca de 70% do apoio dos correligionários da agremiação. Pelas contas dele, isso deve até o livrar a expulsão. Em entrevista à Rádio 730 ele disse estar convicto de que tem o apoio da maioria dos peemedebistas, entretanto, Adib Elias não acredita nessa possibilidade. “Eu não acredito nesse números”, revela.

Caiado
A arma contra a força financeira da ala friboizista parece ser mesmo a força política conquistada pelo senador Ronaldo Caiado. Aliado de primeira hora de Iris e um dos principais nomes de oposição no Estado, Caiado aparece como um voto contra as pretensões de Júnior Friboi em comandar a sigla.
Com Caiado, o grupo irista ganha força e se junta linha já composta pela bancada da Assembleia que tem os deputados estaduais José Nelto, Adib Elias, Bruno Peixoto e Ernesto Roller. As conversas com Ronaldo Caiado são observadas como sendo o início de um plano que visaria levar Iris à prefeitura em 2016 e, dois anos depois, Ronaldo Caiado ao governo.

 

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