“Eliton é nome mais do que natural para 2018”

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P11 01Tribuna do Planalto – Apesar da experiência no setor público, esta foi sua primeira eleição. Como foi?
Giuseppe Vecci – Fui votado em 245 dos 246 municípios do Estado. Somente em Lagoa Santa eu não fui votado. Por um lado isso é positivo, já que eu tive boa votação e capilaridade em todo o Estado, mas por outro a responsabilidade que eu tenho agora para poder atender todas estas cidades é grande. As eleições precisam passar por uma diminuição de custos. São caras. A coincidência das eleições pode vir a resolver essa questão do encarecimento. Hoje nós temos a figura do cabo eleitoral que algumas vezes é o intermediário entre o candidato e a população. É fundamental que eliminemos essa intermediação. Trataremos disso na Reforma Política. Pessoalmente, eu trabalhei a vida toda com política, mas em cargos executivos. O exercício de lidar com a população e pedir votos foi muito positivo. As minhas reclamações foram como as dos demais candidatos. Muita briga de fogo amigo dentro da coligação, gastos excessivos, cabos eleitorais, etc…

Quais as primeiras impressões da Câmara Federal?
Lá é um espaço de efervescência da política brasileira. Ainda mais nesse momento no qual o país passa por um momento difícil, com recessão, desemprego e baixo crescimento, e também com o descrédito com o mundo político, que atinge o Legislativo e o Executivo. Isso trás um clamor grande, mas lá eu pude ver que se trabalha muito. Começa o expediente de manhã e vai até dez da noite. Podem dizer que é só terça a quinta-feira… Sim. É verdade. Mas o parlamentar também tem seu trabalho de base. O que é mais importante lá é ter resultado. Temos que mostrar para a sociedade que estamos ali para trabalhar e para fiscalizar, além de apresentar bons projetos de lei.

Como o sr. avalia o benefício de passagens aéreas para os cônjugues de deputados, inicialmente concedido pela Mesa Diretora, que voltou atrás no meio da semana?
Foi um equívoco da mesa diretora e do presidente a criação dessas benesses, como esse auxílio cônjuge. Nós temos é que perder benesses. Nós temos que mostrar à população que estamos em consonância com o momento ruim que o país atravessa e não tem cabimento algum aumentar esses benefícios.

E em relação à Reforma Política? Quais são as suas preferências?
É importante que busquemos algo mais sólido, já que temos mais de 30 anos de democracia. E queira ou não, é um processo que ainda está sendo exercitado. Há ideias de regionalizar votos, aproximando o candidato do eleitor, há discussões sobre o financiamento misto, com empresas contribuindo com o partido e a pessoa física contribuindo com o candidato, há a discussão em torno da coincidência das eleições…

O sr. é a favor da coincidência?
Sim. Sou. Será algo muito positivo

E em relação às críticas em torno de eleições de cinco em cinco anos? Fala-se da leniência de políticos que somente trabalharão nos últimos anos de mandato e na falta do exercício da democracia. O sr. concorda?
Teremos que cobrar mais destes políticos. Teremos que pensar em algo mais pedagógico em relação a isso. A crítica sobre o fato do exercício da democracia também existe. Acontece que a eleição é muito cara. O país para de ano em ano. Trabalha um ano e no outro já tem eleição. Então temos que ter propostas em longo prazo para que a classe política seja mais programática. Há ainda o fim das coligações. Essa PEC será um pontapé interessante para discussões. A comissão mista da reforma criada já está conversando com segmentos da sociedade organizada. Se conseguirmos apresentar uma proposta ao país dentro do prazo estipulado, já valerá a pena.

O sr. tem alguma preocupação com que a apresentação dos nomes dos políticos que receberam doações de empresas ligadas à Operação Lava Jato contamine todo o Congresso?
Há duas questões. O primeiro é saber quem aparecerá nesta lista, dar o direito de defesa a cada um e, a partir daí, o congresso precisará ser firme em sua atuação. Não dá para que isso contamine o Congresso. Nem nesse caso, nem no caso da Petrobrás. Agora, é permitido por lei que os candidatos sejam financiados. Por isso é importante separar as coisas. Ser firme por um lado, mas também dar o direito das pessoas se defenderem. Tudo aquilo que for de desencontro com a transparência ou do que é positivo para o país, tem que ser enfrentado. Se for necessário, que enfrentemos desgastes.

Quais são as suas bandeiras e principais propostas no legislativo?
Sou deputado federal. Represento Goiás, mas quero discutir bandeiras que possam trazer desenvolvimento para o nosso país. Num segundo momento, sou regional. Um dos interesses é a realização da Reforma Tributária, que será muito importante para nós. Não só para discutir os direitos e deveres de cada esfera, mas também definir o que ficará para cada um, para evitar casos como o da segurança pública, que é atribuição constitucional dos Estados, mas que é um problema nacional, por conta da questão das drogas, e assassinatos. É dever da União defender as fronteiras do país. A Reforma Tributária e um novo Pacto Federativo que defina claramente dever e direito de cada esfera da União serão bons. Temos que desonerar o país, criando as condições para que ele cresça novamente. Com isso, poderíamos tratar também de outras reformas estruturantes, como a Trabalhista e a da Previdência. Não queremos tirar direito de ninguém. Mas o problema é que hoje o país está amarrado. É preciso fazer uma abertura no país. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo do ponto de vista econômico. É importante que nós possamos absorver a tecnologia, conhecimento, inovação, para que o país possa deslanchar. Eu sou daqueles que sabe o tanto que a classe trabalhadora do Brasil sofre, mas nós não vamos resolver isso com paternalismo, não é dando bolsa A, B ou C, – que é importante tê-la -, nós vamos resolver isso é com trabalho, educação. Países que são muito mais ricos que o Brasil estão cada vez trabalhando mais e eu acho que isso que nós devemos fazer cada vez mais.

Ano que vem nós temos eleições municipais. O sr foi citado por vários partidários como nome forte para prefeitura de Goiânia.O sr é candidato?
Não. Eu tenho repetido isso. Eu sou deputado federal. O nosso partido tem sim que ter candidatos fortes em Goiânia. Eu acho que nós temos bons nomes para poder o ano que vem criarmos essa condição de sermos competitivos na eleição. Os deputados federais Delegado Waldir Soares, Fábio Sousa e João Campos foram as pessoas mais votadas na cidade de Goiânia. Agora, é importante que haja um planejamento de gestão de Goiânia, que haja uma proposta antes de discutir nomes. Eu espero contribuir, auxiliar a quem venha ser candidato, no sentido de criarmos um planejamento para a cidade de Goiânia.

Quais são os problemas que o sr. observa dentro da gestão do prefeito Paulo Garcia (PT)?
Eu não diria só do prefeito Paulo Garcia. Eu diria da cidade. A cidade carece de um planejamento, de mobilidade. Hoje nós estamos com a cidade inteira como transito caótico. A questão da mobilidade é uma questão fundamental. Eu vou só dar um exemplo para você: você tem um bairro popular em Goiânia, você tem o setor Universitário, o setor Vila Nova, você tem o setor Coimbra que está pronto para as pessoas morarem e aí de repente há lançamento de condomínios de prédios a 10 km, 20 km do centro da cidade, quer dizer, um adensamento populacional nesses bairros onde já está pronto, onde já tem tudo, seria uma forma de melhorar a questão do trânsito dentro de Goiânia. Então, o que é que nós queremos para a cidade? Que cara que nós vamos dar a ela? Tudo isso é questão de planejamento. Então eu acho que a cidade precisa resgatar a gestão pública mais ampla para que a gente possa ter um norte para caminhar e eu espero que esse norte seja o PSDB.

O sr. acredita que para o ano que vem a base governista conseguirá se manter unida, haja visto que outros partidos, como o PSD, também quer ter candidato?
Eu acho que se a gente tiver um planejamento, programa de governo, isso ao meu ver é um bom começo para que a gente possa estar unido em prol de uma pessoa e não só ganhar uma eleição, mas ter condições de ter uma boa gestão.

Como que o sr. observou a reforma administrativa do Estado?
O momento mudou. É preciso que a administração pública se adeque esse momento. Qual é o momento? De recessão, de dificuldade, de baixo crescimento, então é necessário que a estrutura pública possa estar sintonizada com esse crescimento. Seria ótimo se nós tivéssemos crescendo a 10% e gerando emprego; aí você não precisaria estar fazendo ajustes mais fortes como o governador está fazendo neste momento. Então eu acho que não tem cabimento você pegar todo o dinheiro arrecadado de um estado só para pagar um seguimento. No caso nosso, nós estamos gastando mais de 70% da arrecadação de quase seis milhões de goianos com servidor público. E o servidor público não tem culpa disso não. Agora, é inconcebível que quase 70% da arrecadação só vá para isso. É fundamental que tenhamos que reduzir despesa corrente para poder ter poupança, para poder ter investimento.

A insatisfação política que ela cria por conta de cortes de comissionados é necessária?
Quando a gente está em situação difícil do ponto de vista financeiro em nossa família, a gente sabe muito bem, você tem que cortar, segurar as despesas. No Estado não é diferente.

Deputado, 2018 está chegando, mais uma eleição, e o governador não vai poder concorrer à reeleição. O sr. acredita que o PSDB tem que ter nomes? José Eliton (PP) é um nome natural?
Eu acredito que é mais do que natural. Está junto com o governador Marconi Perillo (PSDB) lutando para que Goiás continue crescendo. Eu acho que ele tem boas condições para que seja um bom candidato em 2018. Ainda é muito cedo, os sucessos do passado não adianta, tem que ter sucesso nesse quarto mandato do governador Marconi Perillo. Isso ocorrendo eu acho que o vice-governador José Eliton tem todas as condições.

Como o sr. viu a celeuma que ocorreu entre a direção nacional do partido e a senadora Lúcia Vânia (PSDB)?
Eu acho que a senadora Lúcia Vânia tem história dentro do Estado de Goiás, há 20 anos que ela está no PSDB. Eu acho que não é por causa de dez minutos que nós temos que jogar 20 anos fora. Eu acho que é preciso ciscar para dentro, chamar a senadora Lúcia Vânia, ela é importante para nós. Ela é uma pessoa respeitada no Congresso Nacional. É uma pessoa séria e eu acho que o partido tem que chamá-la, pedir desculpas se for necessário, mas é muito importante tê-la como companheira dentro do PSDB.

No final do ano passado muito se discutiu sobre a possibilidade de Marconi Perillo alçar um vôo nacional, buscar até a presidência da República em 2018. O sr acha que é possível, existe essa possibilidade?
Eu acho. Com certeza. Não só pela reforma, mas por todas as gestões que ele tem feito, pelos resultados obtidos. Eu acho que a hora que chegar em 2017, se nós continuarmos crescendo acima da média nacional, melhorando os indicadores sociais no nosso Estado, se continuarmos revitalizando a infraestrutura econômica do nosso Estado por que não? Eu acho que terá todas as condições. Eu acho que hoje em dia, como ele é um habilidoso político que somado a uma boa gestão administrativa pode sim criar uma condição favorável para que ele venha ser candidato.

O sr acha que ele tem condições hoje, um político goiano, de fazer frente a essa política do café com leite do PSDB que é Minas Gerais e São Paulo?
Eu acho que tem, tem sim. Nós já tivemos Alagoas, não foi muito bem, mas teve. Há projeções de estados pequenos, muito menores do que Goiás, que tem condições de almejar e chegar a esse espaço.

 

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