PT ensaia candidatura própria

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PT - PRÓPRIA

Após o término da última eleição um dos assuntos mais abordados da esfera política regional girou em torno da continuidade da aliança entre PT e PMDB, assunto que voltou à tona neste ano. Com a aproximação das eleições municipais do ano que vem, PT e PMDB voltaram à mesa de discussões em torno da renovação da aliança que surgiu em 2006 e vem elegendo prefeitos em Goiânia desde então.
E, seguindo o caminho das eleições do ano passado, começa a existir uma forte tendência dentro do PT para que o partido tenha candidatura própria, apesar de que muitos nomes ainda defendam a manutenção da aliança com o PMDB.
A tendência, apresentada por algumas lideranças petistas consultadas pela Tribuna durante a última semana, pode ser vista como uma forma de demarcação de território do PT em torno da aliança e também como uma nova carta na manga da sigla, que deverá usar o subterfúgio da possibilidade de lançar uma própria candidatura nos futuros encontros e discussões com o PMDB.
Para alguns defensores do lado esquerdista da aliança, o PT, por manter a prefeitura neste momento, “leva vantagem em torno de qualquer outro partido. Além disso, temos bons nomes para lançar, caso não consolidemos nossa aliança com o PMDB”, defendeu uma liderança classista do PT que preferiu não se identificar.
Além da prefeitura, os petistas ainda alegam que o PT conta com uma grande militância dentro de Goiânia e que, ao contrário do DEM, que vem flertando cada vez mais com o PMDB nas últimas semanas, o Partido dos Trabalhadores conta com nomes fortes para a disputa municipal. A possibilidade de união entre as duas legendas em torno de um nome do PMDB, entretanto, não é defendida com muita ênfase por militantes petistas.
Um dos que defendem que o Partido dos Trabalhadores não abra mão da cabeça de chapa é o ex-deputado estadual Mauro Rubem (PT). “O PT está se preparando para a cabeça de chapa”, disse. Rubem explicita que o PT e o PMDB têm diferenças, mas que neste momento as questões envolvendo as duas partes estão apenas no início.
Há duas semanas, em entrevista à Rádio 730, o chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia, Olavo Noleto, disse que o PT tem bons nomes, mas alertou que a discussão não pode ir para este lado no momento. Mas ao mesmo tempo, lembrou que seja natural que o PT tenha candidatura.
Ele disse, porém, que antes da escolha de nomes, os dois partidos precisam se acertar e manter a boa relação. “Iris ainda não se apresentou como candidato do PMDB. É um nome que respeitamos muito”, avaliou Noleto.
O deputado estadual Hum­berto Aidar (PT) observa que as dificuldades de conversa com o PMDB é que o partido busca sempre estar no centro. “O problema de aliança com o PMDB é que eles só topam se o candidato for deles. Ainda mais tendo o Iris como candidato”, bradou.
Ele defende que o PT tenha candidato próprio. “O melhor caminho para nós é a candidatura própria. Hoje o prefeito é o Paulo Garcia”, disse o deputado emendando ainda que o PMDB tem o legítimo direito de lançar Iris como cabeça de chapa, as­sim como o PT também o tem.
Dando mostras de que de sua parte não sairá nenhum aceno positivo em torno da união com o PMDB, Aidar disse estar convicto de que o seu partido tem condições de sair como nome próprio. “Vou defender isso até o fim. O PT tem que ter candidatura própria”, finalizou.
Se por um lado a discussão em torno da cabeça da chapa estar apenas no início, algumas lideranças do PT defendem a manutenção da aliança.  Um dele é o presidente metropolitano do PT, deputado estadual Luis Cesar Bueno, que se posiciona a favor da unidade com o PMDB sempre amparado pela conjuntura nacional das siglas. “A união entre PT e PMDB está consolidada. Estamos seguindo a orientação nacional”, disse Bueno.
O deputado esquiva-se quanto ao assunto e evita conversar sobre nomes e quem fará a cabeça de chapa. Para ele, as discussões ainda não chegaram a este nível e que o debate em torno dos nomes neste momento não pode ser a pauta. “As articulações só serão discutidas a partir de outubro. Até lá muita coisa vai acontecer”, afirmou Luis Cesar.

Iris x PT
Apesar de o presidente metropolitano do PT evitar falar em nomes, de fato, há, sim, a preocupação em saber quais serão os indicados por cada lado para que as siglas discutam os postos. Dentro do PMDB a maioria defende o nome do ex-governador Iris Rezende (PMDB) para a composição da chapa majoritária.
Já pelo lado do PT, o prefeito Paulo Garcia já chegou a defender que era a hora de Goiânia ser comandada por uma mulher. A frase foi dita na inauguração de uma obra há duas semanas e foi dirigida a um nome indicado pelo PT, que é o da deputada estadual Adriana Accorsi. Outro nome lembrado é o do suplente de deputado federal Edward Madureira, que foi bem votado na capital.
Mauro Rubem mantém cautela sobre a abordagem e diz que a avaliação tem que se feita pelo partido. “Acho que é competente. É a maior liderança do partido. Acho que neste momento antes de nomes, temos que discutir a parceria”, declara Rubem.
O deputado federal Rubens Otoni (PT) é um dos que defende que os dois partidos possuem bons nomes. Porém, ao mesmo tempo, ele prefere deixar a discussão em torno dos nomes para depois. “Embora haja bons nomes dos dois lados, a tendência é que a discussão de nomes fique para 2016”, atesta.

DEM
Um dos entraves na manutenção da aliança entre PT e PMDB no próximo ano é, certamente, a aproximação entre PMDB e DEM. Olavo Noleto, em sua entrevista, também abordou o assunto. Para ele, a discussão entre a aliança PMDB-DEM é única e exclusiva entre os dois partidos. “Isso é um assunto do PMDB e do DEM. Não nos cabe discutir. O que temos que fazer neste momento é manter a boa relação com o PMDB”, analisa o chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia.
Entretanto, a aliança é, sim, discutida dentro dos quadros do partido. Rubens Otoni, por exemplo, que, apesar das diferenças políticas e ideológicas supre um bom relacionamento com o senador Ronaldo Caiado, já disse em entrevistas anteriores que poderia haver espaço para DEM e PT caminharem juntos em uma aliança de oposições, caso nenhum dos dois partidos ocupem a cabeça de chapa.
Já o presidente metropolitano do PT, deputado estadual Luis César Bueno, é um dos que defendem que o PT participe da aliança com o PMDB, mas que ocupe um posto na chapa majoritária. Para ele, o DEM não apresenta nomes que somem. “Me fale um nome forte que o DEM tem a não ser Ronaldo Caiado? Se o DEM quiser nos apoiar, ótimo”, provocou.
O mesmo posicionamento foi defendido pelo vereador Carlos Soares (PT), que na última semana, em entrevista à Tribuna, disse que caso o DEM formasse a cabeça de chapa com o PMDB, seria inviável para a legenda petista permanecer com a parceria. “Se o DEM for vice do PMDB nós estaremos fora”, falou.
No entanto, Soares reforçou que caso o DEM não fizesse parte da cabeça de chapa, haveria a possibilidade da continuidade da união hoje existente entre os dois partidos em termos municipais. “Se o DEM estiver apoiando a candidatura poderemos estar dentro”, revelou.
Mas há quem defenda que a união entre DEM e PMDB inviabilizaria o PT dentro da aliança. O ex-deputado Mauro Rubem é um deles. Ele transfere a responsabilidade sobre a manutenção entre seu partido e o PMDB para os peemedebistas. “O PMDB vai ter que definir se vai com o DEM”, frisou.

Revezamento
Nas últimas eleições o PT sempre fez revezamento com o PMDB em torno de candidaturas à prefeitura de Goiânia. Foi assim em 2008 quando Iris candidatou-se tendo Paulo Garcia na vice. Quatro anos mais tarde, em 2012 foi a vez do PT sair com cabeça de chapa tendo na vice o PMDB. A parceria funcionou e venceu com folga.
Caso o ensaio continuasse, seria o momento de o PT ceder lugar ao PMDB, o que configuraria uma troca de apoios. Entretanto, essa não é a visão de alguns dos petistas que acreditam não ser um fator decisivo dentro de uma possível composição com a ala vermelha e branca.
Edward Madureira abordou que a análise não pode ser feita dessa maneira e disse que na última eleição para prefeitura em 2012 o PT liderou a cabeça de chapa em função de o PMDB não ter um nome disposto e competitivo à época. “Essa união é um projeto nacional. Não vejo os revezamentos eleitorais como um compromisso. O PT pode ter candidato”, disse ele.
Mauro Rubem ratificou que a alternância entre as duas legendas de fato existiu, e alertou que ainda é muito cedo para traçar esse tipo de planejamento. “A principio houve esse revezamento que se fez aqui, mas esse é um discurso que ainda é muito cedo”, esquivou-se.
Para além da união entre os dois e neutro em relação a nomes, Mauro Rubem disse que o partido precisa se fortalecer. Rubem afirmou que o PT não quer atritos com o PMDB e que o foco deve ser o Partido dos Trabalhadores. “Nós não queremos atritos com o PMDB. Queremos nos fortalecer, aumentar o número de vereadores e etc. Fortalecer o partido,” finalizou.


Madureira diz que se chamado, atenderá

Um dos nomes dentro do PT que ganhou destaque na última eleição é o professor Edward Madureira (PT), ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e suplente de deputado federal. O petista, que é lembrado por partidários como um nome forte na disputa pela prefeitura de Goiânia em 2016, disse que atenderá caso seja chamado pelo partido. “Não fujo da responsabilidade, mas até agora não teve conversa em torno dessa possibilidade”, apontou.
Ele, entretanto, acredita achar necessárias mais conversas em torno do assunto. Longe das discussões internas do partido, Edward não vê inviabilização na união com o PMDB caso os democratas estejam juntos. “Acho que tudo é possível. Está em discussão”, disse. Entretan­to, ressalta Madureira, a união com o PMDB dá sinais de cansaço. “A parceria tem uma história, mas não é eterna”, conclui.
Com o nome de Iris em evidência e lançado como candidato por diversos correligionários do PMDB, Edward é contido ao analisar a situação. Para ele, o nome é importante, mas a composição entre PMDB e PT não pode começar a partir deste ponto. “Não digo que é o melhor. Tem que aglutinar. Não digo que sim, nem que não”, diz.

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