“O governo fez promessas que agora não consegue cumprir”

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P13 02Tribuna do Planalto – Como está sendo o processo de reestruturação do PMDB, em meio a estas reuniões internas que estão ocorrendo?

Pedro Chaves – Nós tivemos, até dezembro do ano passado, os diretórios municipais em vigor, sendo que, teríamos que ter novas eleições. Mas o diretório nacional deu poderes aos estaduais para prorrogarem, ou não, os diretórios municipais até agosto deste ano, mas nós decidimos pela montagem de comissões provisórias. Hoje, quase cem municípios já têm essas comissões e queremos até o final deste mês de março constituir as comissões em todos os municípios. O prazo para quem quer se candidatar para filiação é até 30 de setembro. Queremos, até lá, estar com todos filiados.

Como será a nomeação das comissões provisórias? Onde for base de deputados, eles indicarão?
Sim. Os deputados que estão sendo os “padrinhos” das comissões. Tanto os estaduais quanto os federais. Cada cidade é um caso a parte. Mas quem permaneceu firme e coeso com nosso grupo, tem a preferência para a permanência nas provisórias.

Quem apoiou Marconi Perillo em 2014 não assumirá cargos, então?
Provavelmente não.

E em relação a 2016, como está a possibilidade do PMDB fazer prefeitos nos principais municípios do Estado?
Estamos tratando dessas questões dos diretórios municipais, para depois buscarmos alianças com partidos que se identificam com nosso projeto. Queremos eleger o maior número de prefeitos e vereadores. Em relação à alianças, daremos prioridade aos partidos que estiveram ao nosso lado em 2014.

Como o PMDB tratará da união interna para as eleições se hoje ele se encontra visivelmente dividido em três frentes, uma ligada ao ex-governador Iris Rezende, outra ao prefeito de Aparecida, Maguito Vilela, e uma terceira ao empresário Júnior Friboi?
As nossas reuniões visam exatamente buscar esta união interna. Eu vejo que nós temos que ter um grupo só: o do PMDB. Não podemos segmentar para A ou para B ou para C. Sabemos da liderança de cada um, mas temos que unir o partido.

Esta união é possível?
É possível sim. Estamos trabalhando para isso.

O sr. é a favor da expulsão do empresário Júnior Friboi?
Não. Pelo contrário. Sou a favor do fortalecimento do partido, com a manutenção do Júnior e com a busca de outras lideranças.

Como convencer a base peemedebista da permanência de Friboi se ele declarou apoio a Marconi Perillo em 2014?
O Júnior não deu seu apoio ostensivo. Ele declarou o voto, apenas e não participou de campanha nem subiu em palanque. Eu vejo que é possível manter a unidade.

Aquela carta do Friboi foi um erro?
Em minha opinião, ele não deveria se manifestar. Se tivesse mantido distância do processo seria melhor. Mas agora não é o momento de buscarmos culpados pelo nosso insucesso.

O sr. encontra eco dentro do partido em torno deste discurso de união que vem defendendo?
Sim. Outras lideranças, prefeitos, muitos defendem esse posicionamento de busca de uma agenda positiva. Queremos apagar esse fogo que atinge os partidos e diminuir este clima ruim, buscando a unidade.

Em relação a Goiânia, o nome de Iris é o mais forte para ser candidato ano que vem?
Sim. Ele é o mais forte que temos hoje e a sua candidatura depende única e exclusivamente dele. Se ele quiser ser candidato, será. Não vejo objeção ao seu nome. Depende só dele.

O sr. acredita que ele se manifestará ou aguardará o partido chamar por ele, como em outras ocasiões?
Após as eleições de 2014 ele disse que não iria mais participar de processos eleitorais, mas nos últimos meses temos percebido que seu nome vem aparecendo com frequência. Mas a decisão é pessoal.

Quem, em sua opinião, poderá liderar o partido nos próximos anos? Friboi, Maguito são nomes fortes, mas lideram grupos...
Eu vejo o nome do Maguito como talhado para costurar a unidade interna, por toda a sua história vitoriosa. É um nome forte.

Nesse processo, é importante que todos os integrantes do partido baixem as “armas”?
Claro. Se quisermos a unidade, temos que desarmar os espíritos e reconhecer erros para que sejam corrigidos.

Em relação às alianças em Goiânia? O partido hoje se mostra próximo de PT e DEM. Como trabalhar isso?
PT e DEM são partidos que nunca estarão juntos aqui em Goiânia. Assim que definirmos nossa chapa junto ao partido, devemos discutir qual caminho a seguir. A chapa pura ou partido neutro na cabeça de chapa poderia ajudar, já que a dificuldade é um apoiar o outro na cabeça de chapa.

O seu colega de Congresso, o deputado Jovair Arantes (PTB), teve problemas com o governo estadual. O PMDB o procurou para ser aliado?  
Claro. Sempre tivemos um ótimo relacionamento com o deputado Jovair. Havendo o interesse dele em participar de nossa aliança, será uma grande aquisição para o PMDB. Já tivemos conversas, mas não com esse objetivo final. Mas percebemos que as portas com o Jovair e o PTB não estão fechadas.

Em relação à aliança estadual, qual seria o melhor caminho? DEM ou PT?
Temos que esperar até 2018. Aguardar mais para saber disso. Mas os dois caminhos são possíveis, embora seja muito difícil unir todos.

Ronaldo Caiado é um aliado forte do partido?
Sim. Ele fez um trabalho esplêndido ao lado de Iris Rezende no interior em 2014. É uma aliança que ajuda o PMDB.

O que ocorreu para que o PMDB tivesse somente dois deputados federais eleitos em 2014?
Nossa chapa não foi robusta. Em 1999, quando me elegi pela primeira vez, conquistamos onze cadeiras e tínhamos vinte nomes com chances de se eleger. Hoje tínhamos cinco candidatos na chapa, apenas. Poderíamos ter feito mais, mas infelizmente não deu certo.

Em relação a poucos deputados, isso foi mais culpa do comando do partido que não foi atrás?
Não. Eu vejo que o presidente Samuel Belchior (PMDB) fez um esforço gigantesco, mas hoje eleição para deputado federal está ficando muito cara. Poucos têm coragem de enfrentar uma candidatura para Câmara. Temos que diminuir o custo da campanha com a Reforma Política, senão somente a elite econômica vai ter representante na Câmara Federal.

Quais seriam esses pontos para diminuir o valor das eleições?
Primeiro acabar com as coligações, eleger os parlamentares mais bem votados e limitar os financiamentos de campanha.

A unificação das eleições também entraria?
Também entraria. Hoje quando você tem eleições a cada dois anos isso traz um custo elevadíssimo, primeiro para a nação e depois para o custo nos tribunais eleitorais.

O sr. é a favor do financiamento público?
Sim. O financiamento público dá condições iguais para todos os candidatos.

E o controle dos gastos, por exemplo, com cabos eleitorais?
Nós aprovamos em Brasília o fim do showmício, o fim dos brindes, camisetas e etc. com o objetivo principal de diminuir o custo eleitoral. Só que o dinheiro migrou, saiu do showmício, dos brindes e das camisetas e foi para os cabos eleitorais. Então não houve diminuição de custo.

Quais são os desafios deste seu quinto mandato?
Precisamos urgentemente mudar essa partilha de recursos dos entes federais. Há uma concentração de receita em Brasília, prejudicando os municípios. Temos que diminuir a participação do governo federal e aumentar a dos municípios e Estados neste bolo.

O sr. disse que este será seu último mandato. O que vai fazer depois?
Quero buscar uma vaga no Senado ou então a vaga de candidato à vice. Governador está descartado.

Por que não governo?
É muito difícil. (risos)

Internamente ou externamente?
As duas.     

Qual é a expectativa de fazer prefeitos na Região Nordeste de Goiás?
Também vamos procurar fazer o maior número de prefeitos.

Porque o PMDB não consegue aumentar sua representatividade no Entorno de Brasília, que é uma área de atuação do sr.? Como melhorar isso?
Primeiro precisamos das candidaturas fortes. E o PMDB irá apresentá-las. O ex-deputado Marcelo Melo (PMDB) é um nome fortíssimo em Luziânia. O deputado Ernesto Roller (PMDB) também é um candidato forte em Formosa, por exemplo.

Marcelo Mello continua no PMDB? Ele permanecerá filiado?
Ele continua filiado. Agora não posso afirmar com relação ao futuro, mas acredito que ele deve continuar.
O sr. acredita que ele possa se aliar ao deputado Célio Silveira (PSDB) para derrubar Cristóvão Tormim (PSD)?
É possível. Ele já apoiou o Célio anteriormente.

Que análise o sr. faz desses primeiros meses do quarto governo Marconi Perillo (PSDB)?
Criou-se muita expectativa no ano passado durante as eleições. Muitos prefeitos do interior receberam ordem de serviço, notas de empenho, etc., e o governo cancelou todos os empenhos.  O governo fez uma serie de promessas aos prefeitos e agora não tem condições de cumprir.

A decisão da Mesa Diretora da Câmara em pagar as passagens dos cônjuges dos deputados, pode prejudicar a imagem dos deputados?
As noticias negativas sempre trazem imagens negativas para o Congresso. Foi uma decisão errada da Mesa Diretora. Eu, por exemplo, me desloco para Brasília de carro. Não faço isso por demagogia, mas por achar que o deslocamento de carro é melhor, mas não condeno quem usa passagens aéreas.

Como vê a movimentação do pedido de impeachment da Dilma Rousseff (PT)?
Vejo como um movimento político, não tem um fato determinado para se pedir o impeachment da presidente. Não se pode trocar um presidente como se troca de camisa. A queda na aprovação da presidente Dilma, a Operação Lava Jato, a queda na receia e a oposição agindo com firmeza ocasiona essa onda de impeachment, mas não vejo clima dentro do Congresso para essa iniciativa.

Recentemente o sr. perdeu sua mãe. Qual a importância dela para sua vida política e pessoal?
Ela foi uma mulher guerreira, mulher de fibra que soube educar toda a família. Deixou os melhores exemplos e uma história muito bonita para nós e para as futuras gerações da nossa família.

 

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