Papel X tela digital

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E1 03No bolso da calça, um smartphone. No criado-mudo, um notebook. Dentro da mochila, um tablet. Em lanchonetes e restaurantes, um símbolo aponta a existência de wifi. Os jovens hoje estão rodeados por elemento de conexão à internet. Você já deve ter percebido o novo comportamento, principalmente, entre crianças, adolescentes e jovens que nasceram em um mundo marcado pelas novas tecnologias. Diante de uma infinidade de conteúdo oferecido pela internet, como se dedicar à leitura de um livro impresso?

Com a popularização da internet, havia o medo de que a tecnologia pudesse desencorajar a leitura. Assim como o mito de que os adolescentes que jogavam videogame ou acessavam as redes sociais perderiam a paciência para acompanhar uma boa história. Ao contrário do que se dizia, especialistas vêm provando benefícios das novas tecnologias nesse contexto.
Em 2009, quando a segunda geração do Kindle – leitor digital da Amazon – chegou aos Estados Unidos, houve uma discussão sobre a capacidade dessa nova plataforma provocar transformações nos processos de leitura, aprendizado e até influência na mecânica cerebral. Passado esse período inicial, o fato é que hoje muitos clássicos já estão disponíveis para tablets e e-readers, muitos são lançados diariamente e o mesmo vale para obras contemporâneas que servem à formação de crianças e adolescentes.
Benefícios
Se antes do avanço desse tipo de tecnologia havia a preocupação de que houvesse uma queda nos índices de leitura, há especialistas defendendo que os adolescentes nunca leram tanto. A diferença é que agora não são apenas os livros que são lidos, mas também vídeos, conteúdos de sites, e-mails, redes sociais, blogs, entre outros conteúdos que formam uma gama imensa de informações.
“O adolescente lê e escreve muito, comunica-se muito mais por escrito. As gerações anteriores liam só os livros da escola. Os jovens de hoje não: estão sempre se informando dentro dessa vida social digitalizada”, disse em entrevista Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP.
Por outro lado, alguns especialistas afirmam que ainda é cedo para dizer o quanto isso pode ser prejudicial ou não no futuro. O alerta é apenas para que os alunos aprofundem a leitura e busquem o conhecimento em diferentes meios, para não correrem o risco da perda da aptidão para analisar situações com mais profundidade.

Efeito pedagógico
Doutora em Educação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a professora Keila Matida de Melo explica que os meios de comunicação digital são suportes que contribuem com os educadores durante o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, assim como os livros. Portanto, segundo ela, não deve haver uma diferenciação entre livro digital e livro impresso. “O professor não deve desconsiderar a tecnologia que chega à sala de aula e da qual ele também comunga, participa, utilizando-a. O celular, por exemplo, pode ser utilizado como recurso de acesso à informação, possibilitando que informações outras adentrem o espaço escolar e contribuam para a produção do saber”, destaca.

Keila também comenta que há professores fazendo uso do celular para produzir vídeos, para gravar entrevistas na montagem de uma reportagem ou programa de televisão, para registros de acontecimentos variados, que retornam à sala de aula como produção de material sobre determinado assunto. Todo esse processo, em sua análise, é muito rico e vai de encontro com as necessidades e interesses dos alunos.


Hábito é importante

Quanto mais cedo se inicia o processo de leitura, mais chances o aluno terá de não abandonar o hábito, independente do meio. O maior desafio do leitor é lidar com a diversidade de estímulos que recebe de todos os lados, dar atenção a várias mídias sem perder o interesse no conteúdo de cada uma delas.
No caso das crianças, para que gostem de ler livros, em diferentes materialidades, é preciso dar acesso a esse material. Não só livros, mas também jornais, revistas, gibis, entre outros. Para isso, a educadora Keila Matida diz que são necessário espaços formais de leitura bem equipados, com bom acervo, que faça uso inclusive da tecnologia.
Doutora em Letras pela Universi­dade Estadual Paulista Júlio de Mes­quita Filho(UNESP)e professora do IPOG, Eunice Toledo acredita que tanto a escola quanto a família devem colaborar para despertar o interesse pela leitura nas crianças. “A escola deve despertar a oralidade na criança ou adolescente sobre diferentes temas, que serão apresentados por meio de variados textos: música, filme, charge, notícias pequenas, histórias etc., que irão gerar variadas formas de leitura. As práticas de leituras rápidas no computador passarão a ser entendidas como complementares”, afirma a educadora.


Ler faz bem

Seja em meios tecnológicos ou tradicionais, o importante é ler. Veja alguns benefícios obtidos com a prática:

Desenvolve o repertório: A leitura contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional. É uma maneira de ter acesso à informações e buscar melhorias para o leitor e para o mundo. Ao ler, o aluno enriquece o vocabulário.

Desenvolve o senso crítico: Independente do tema, é interessante identificar a informação que está sendo passada e construir a própria. Para isso é preciso ser persuasivo e desenvolver o senso crítico.

Leitura eficiente: Quanto mais livros o aluno ler, mais aumentará a rapidez na leitura. O ideal é procurar livros de diferentes épocas e temas para desenvolver a leitura e o conhecimento.
Amplia o conhecimento: A leitura expande as referências e a capacidade de comunicação.

Estimula a criatividade: Ler é necessário para soltar a imaginação. Por meio da riqueza de detalhes dos livros, cria-se histórias, vive-se personagens.

Contribui para a vida: Quem lê desde cedo está preparado para os estudos, trabalho e para a vida.

Facilita a escrita: Ler é um hábito que reflete no domínio da escrita. Ou seja, quem lê mais, escreve melhor.


Dicas para incentivar a leitura

Para que crianças e adolescentes embarquem no mundo da leitura é preciso o incentivo familiar. Pequenas ações no dia a dia, como deixar o livro ao alcance dos pequenos e ler ao menos 20 minutos diários podem fazer a diferença. Como o próprio ditado diz: “Exemplo vem de berço”. O resultado dessa força tarefa é a melhoria do vocabulário e da escrita, além de instigar a criatividade. A leitura tem o poder de criar a consciência de que o conhecimento é um importante instrumento na formação de indivíduos e bons profissionais. Veja algumas dicas simples e práticas:

Comente sobre o livro. Incentive-o a contar qual impressão teve da história.

Dê exemplo: leia! Seu filho seguirá seu modelo

Deixe os livros com seu filho. Não tenha medo dele rasgá-lo. Livros têm de ser usados

Estimule que ele troque, empreste e converse sobre livros com os amiguinhos dele.

Estimule atividades que usem a leitura, como jogos, receitas, mapas, entre outros.

Frequente livrarias e revistarias. Dê livros, gibis ou revistas de presente.

Reserve um horário para a leitura e transforme em um momento de prazer. 20 minutos por dia é o suficiente.

Respeite o ritmo de seu filho. Ainda que o livro escolhido pareça infantil demais. Cada criança tem um ritmo. O importante é sempre ler.

Permita que a criança escolha que tipo de livro quer ler. Para adquirir o hábito da leitura é preciso que seja uma atividade prazerosa.

Em seu tempo livre, faça passeios que insiram o livro no cotidiano. Por exemplo, se ele leu algo sobre o reino animal, leve-o ao zoológico.

Incentive a leitura diária. A noite é uma boa hora para ler. Se ele ainda não for alfabetizado, leia histórias para as crianças antes de dormirem.

 

 

 

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