“Tudo caminha para uma aliança PT-PMDB em Goiânia”

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Tribuna do Planalto – Como tem sido sua agenda e seu planejamento depois das eleições de 2014?

Antônio Gomide – Neste momento a agenda é fazer a discussão política, constituir diretórios nas cidades onde temos comissões provisórias, discutir onde poderemos mudar o regimento e buscar algumas diretrizes de ação e planejamento para 2015 e 2016. E eu tenho estado presente em todos esses encontros. Nossa tarefa é motivar a militância e fazer o debate político, para fortalecer o partido no Estado.

Quais as metas do partido em relação a prefeitos e vereadores no partido?

Queremos ampliar o número que já temos. Por isso esse trabalho de filiação de novas lideranças em cada cidade, abrindo o partido para acolher quem quer entrar na política, tanto como vereador, como prefeito e como vice-prefeito.

O PT historicamente é forte nas grandes cidades, mas tem dificuldades nos rincões do interior. O senhor tem encontrado ressonância nesta luta que tem feito para ampliar a força do partido fora dos grandes centros?

O PT é o partido mais querido dentro de Goiás e também no Brasil. É um partido forte dentro daqueles que fazem sua definição partidária. E, por isso, é fundamental para que alavanquemos a militância no interior.

Mas essa luta é uma característica da tendência da qual o sr. faz parte, que é a do “PT pra vencer”. As outras tendências também estão ajudando?

O PT está unificado neste ponto e vamos unificar cada vez mais as correntes internas. Claro que temos divergências, mas uma vez tomada à decisão, o PT tem que agir junto. Nossa meta é ter diretórios em 80% dos municípios de Goiás.

O sr. se arrependeu de alguma forma de ter deixado a prefeitura de Anápolis?

De forma alguma. Estávamos, em 2013, fazendo um debate em todo o Estado sobre a necessidade da união das oposições. O cenário pedia isso. A população queria uma mudança de comportamento na política. Se tivéssemos tido essa união com um nome novo, certamente teríamos tido a vitória em 2014.

O que faltou para essa união?

Faltou esse entendimento. O PSDB jogou suas fichas para manter a polaridade dos anos anteriores e o PMDB não conseguiu sentir isso. Para o governo, o melhor seria exatamente disputar com o PMDB de Iris Rezende. E isso eles conseguiram.

A candidatura de Iris foi fundamental para a vitória de Marconi Perillo?

Foi uma candidatura que não tinha nada de novo para o eleitorado e nem para o PSDB. Esse era o cenário ideal para o PSDB.

O PSDB estimulou brigas na oposição?

Não. Buscamos os debates, mas muitos deles foram cancelados. O problema é que, com a polarização, não se criou nenhuma novidade. O eleitorado votou descontente.

A não presença de Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula atrapalharam sua candidatura?

Não. Gostaríamos que eles viessem, mas a disputa nacional foi grande.

Ela exigiu uma força maior daqui para lá do que de lá para cá?

Sim, claro. Nossa candidatura foi a única que falou da presidente Dilma Rousseff. Mas mantivemos nossa representação na Câmara Federal e na Assembleia, sendo que muitos dos partidos de oposição perderam cadeiras. E ainda tivemos 300 mil votos no Estado.

Quantos votos o sr. deixou de ganhar com o imbróglio criado com a saída de Tayrone di Martino de sua vice?

Isso nos prejudicou imensamente, principalmente na Região Metropolitana de Goiânia e também em Anápolis, onde semearam que com a saída dele, nossa candidatura estaria inviabilizada. Chegou ao ponto da candidatura do PSDB distribuir CDs em Anápolis falando que nossos votos não seriam contados.

Tayrone foi expulso do partido. Ficou de bom tamanho a punição?

Ele, mesmo expulso, não recorreu para voltar, o que significa que ele concorda com a punição.

O prefeito João Gomes (PT) é a melhor alternativa para Anápolis? O sr. vai trabalhar na coordenação de sua campanha?

Já estou trabalhando, até para dar liberdade para que João Gomes continue com sua gestão. Ficaremos na retaguarda, cuidando da parte política para garantir sua reeleição.

A transição de poder do sr. para ele foi amigável, tranquila?

Estávamos participando de um processo eleitoral e dentro dele, conseguimos mais de 60% dos votos na cidade. Isso demonstra que foi um processo que deu certo e que teve o reconhecimento da população. Fui uma transição sem nenhum tipo de ruído.

O adversário que vocês esperam é mesmo o deputado federal Alexandre Baldy (PSDB)?

Ele já tinha acenado candidatura em outras eleições e não saiu. Não sei se será candidato em 2016.

A transferência de votos nunca é fácil e o prefeito João Gomes ainda não passou pelo crivo das urnas. Isso preocupa?

Estamos apostando na gestão e não na transferência de votos. O prefeito João Gomes tem a capacidade de mostrar trabalho nesses três anos de mandato. As pessoas votarão nele.

É diferente do Gomide?

Cada um tem suas particularidades, mas entendo que ambos estão ligados a um projeto que desenhamos juntos. Fizemos isso em 2008 e em 2012. Ele sempre esteve nesse planejamento.

Quantos partidos esperam ter na aliança?

Vamos ter de 8 a 10 partidos ao nosso lado.

A situação das oposições parece estar bem definida em Anápolis e em Aparecida para 2016. E em Goiânia? É possível uma união entre PT e PMDB?

Sim. Tudo caminha para isso. A decisão é do diretório metropolitano, mas entendo que o diálogo está sendo feito para que as oposições mantenham a coligação em Goiânia.

O DEM pode ser um fator de desagregação entre PT e PMDB?

Não. O Democratas tem uma dificuldade muito grande hoje como partido. Ele diminuiu muito nos últimos quatro anos. Pode ter certeza que numa chapa majoritária nós não estaremos juntos.

Tanto o deputado Rubens Otoni (PT) quando o senador Ronaldo Caiado (DEM) dizem que não vão apoiar PT e DEM em chapas majoritárias, mas que podem estar na mesma chapa caso nenhum ocupe a majoritária. O sr. enxerga da mesma forma?

Essa é uma decisão do diretório municipal.

Mas em seu entendimento?

Em Goiânia eu entendo que o PT vai estar na cabeça de chapa ou na vice. Com isso o Democratas vai esta do outro lado.

Então participar de uma chapa sem ter prefeito e vice não esta na agenda do PT?

De maneira alguma. Temos muitos nomes a lançar, com a quantidade de deputados estaduais e com a prefeitura que nós temos. Temos certeza que Paulo Garcia melhorará sua gestão.

O que falta?

Tudo é questão de momento. Nós já tivemos momentos mais críticos na gestão de Goiânia e vemos agora uma recuperação, com o diálogo com a Câmara, com uma maior presença nas ruas.

Essa reprovação do prefeito Paulo Garcia em Goiânia prejudicou o sr. em 2014?

Há peculiaridades entre a questão municipal e a questão política, mas a verdade é que ninguém gosta de ter dificuldade em sua gestão. Cada um faz o seu esforço. Não é a candidatura de A ou de B que vai ter dificuldade porque a gestão de A ou de B não está bem. Nós não podemos colocar culpa.

Tem havido muita reclamação por parte dos prefeitos pela paralisação de obras por parte do governo estadual após as eleições. Em Anápolis, inclusive, algumas pararam. Qual a avaliação que o sr. faz disso?

É a cara do PSDB dos outros mandatos. Acabou a eleição e eles já estão discutindo a questão das OSs na Educação; a Saneago está paralisada; a Celg, que na campanha diziam estar federalizada, foi realmente federalizada na última semana… Na campanha eleitoral em nenhum momento você ouviu o governo dizer que estaria defendendo OSs nas escolas. O PSDB é assim.

Falar em impeachment da presidente é golpe?

Claro. Não tem nenhum envolvimento na operação Lava Jato. A lista tão usada na campanha eleitoral contra ela para tentar dificultar as eleições, não é do executivo. É do Senado e da Câmara dos Deputados. A crise política está no Congresso e não na presidência. É uma crise de representatividade e de confiança. Eu vejo que a elite brasileira, infelizmente, não percebeu que o Brasil vive um momento do processo democrático. É preciso o respeito às instâncias. A elite usando a mídia e os partidos de oposição, principalmente o PSDB, tenta dar o golpe. Falam da Petrobrás, mas é por que querem vendê-la. O FHC vendeu a Vale do Rio Doce por R$ 3 bilhões, quando ela valia, no mínimo, R$ 30 bilhões. Não se pode vender um bem público como se vende um carro velho. O PSDB se esconde para não mostrar que é ele que quer dar o golpe porque, na verdade, ele perdeu as eleições por quatro anos consecutivos e sabe que daqui a quatro anos quem vai voltar é presidente Lula. Então esse é o dilema do PSDB.

Faltou articulação política?

Claro. Nós precisamos melhorar a articulação política, precisamos melhorar o diálogo, precisamos nos aproximar dos movimentos sociais, mas a presidente já acenou para isso e entendo que ela já cria as condições necessárias para a recuperação. É um momento de crise, mas é um momento que precisa ser superado.

Em relação à disputa por Goiânia em 2016, muito se fala em torno do nome de Iris Rezende. O sr. acha que essa possibilidade é algo que já passou?

Não. Iris Rezende ganhou todas as eleições que disputou aqui em Goiânia. Mesmo perdendo eleições estaduais no geral, nunca foi derrotado nos votos da capital. A população de Goiânia gosta do Iris e ele tem todas as condições de encabeçar uma chapa para sair vitoriosa. Mas depende da vontade dele, da vontade do PMDB e da articulação política.

E Antônio Gomide, qual é o próximo passo eleitoral dele?

Vamos fazer um trabalho nesse ano de 2015, 2016 fortalecendo os municípios, buscando formar chapas competitivas na articulação política especialmente na cidade de Anápolis. Estou trabalhando dentro da minha profissão, voltei as minhas atividades normais como cirurgião dentista, mas estou fazendo política no tempo que me sobra para poder colaborar. Estou na direção nacional do partido. Eu não tenho essa preocupação de colocar o nome para ser uma força a mais. Hoje nós temos condições em qualquer região do Estado de poder colaborar nas discussões do Estado de Goiás.

 

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