O desafio da renovação política

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P 2 - Pablo Rezende - PMDB - REPRODUÇÃO - FACEBOOK

Há muito que se discute a falta de interesse dos representantes da Geração Y (nascidos a partir de meados da década de 1970 até 1980) e da Geração Z (nascidos a partir de 1990) em torno da política no Brasil. Eles são comumente taxados por seus pais e/ou avós, representantes da Geração X, considerada em sua grande parte bastante politizada, de representantes de uma geração que tem pouco interesse em tudo, inclusive política e ideologias.

Este desinteresse é notado nos dias de hoje pelas lideranças das alas jovens de partidos no Brasil e em Goiás. É cada vez mais raro ver a renovação nos quadros políticos de partidos goianos sendo feita com nomes novos. O mais comum é a renovação ser feita no âmbito familiar do poder: filhos de políticos herdando a carreira política dos pais ou mães.

Buscando saber como os partidos estão trabalhando para preencher esta lacuna, a Tribuna conversou com líderes dos principais partidos do Estado para saber o posicionamento acerca das políticas de juventude partidária e dos planos e projetos que cada sigla traça para buscar novos representantes nos próximos anos.

Postura comum entre os entrevistados foi o fato de todos eles afirmarem que, apesar do desinteresse, ainda há ideologia por parte daquele jovem que se interessa pela política. O grande problema é o interesse em troca de um benefício. Muitos deles ainda pensam no que vão ganhar caso integrem ala da juventude de alguma legenda. Segundo a grande maioria deles, esse fato é visto como principal problema.

Com a reforma política em plena discussão, esse foi mais um ponto em comum na opinião de todas as lideranças. Muito discutida em todos os setores, para eles a reforma vai gerar equilíbrio e colocar em iguais condições aqueles que se propõem a disputar alguma eleição encarecida pelos métodos atuais.

Para eles, está entre as principais razões pela descrença do jovem para disputar eleições o fato de a campanha eleitoral se encarecer a cada pleito. Para conter o avanço e trazer o jovem para dentro da política, o trabalho nas universidades é feito para alertar sobre a importância de participar do processo.

A pauta dos militantes das juventudes é relacionada ao perfil ideológico dos partidos, agregado às lutas históricas do movimento estudantil. As lideranças trabalham visando o crescimento da legenda e se baseiam em novos nomes em especial aqueles que se identificam com a ideologia do partido.

A maioria dos líderes da juventude partidária das agremiações ouvidos pela reportagem não são tão jovens quando o cargo pode sugerir. No geral, são cidadãos que tem entre 23 e 34 anos e que ocupam algum cargo público, além de estudantes, e pensam em fazer uma carreira política no partido pelo qual é líder.

Interesse pessoal

Presidente estadual da juventude do PMDB em Goiás, Pablo Rezende, preside, atualmente, também a juventude do seu partido em nível nacional. Formado em Direito pela PUC-GO, Pablo deu seus primeiros passos na política ainda na universidade.

Pablo é um dos que defendem a ideologia partidária e é também um dos que veem nos jovens alguma ideologia. “Somos pautados pela ideologia partidária”, diz ele, que credita à juventude as grandes mudanças na sociedade. “Não teve revolução sem a participação da juventude”, afirma.

O presidente estadual da juventude do PP, Frederico Michell, 33, também observa da mesma maneira. Entretanto, apesar da ideologia existir, há ainda um fator que se contrapõe a esse princípio, pois alguns têm interesses particulares. “Vejo, às vezes, que a juventude é muito acomodada no que diz respeito à política e quer algo em troca”, disse.

O algo em troca que se refere Michell tem relação com valores financeiros. Ele explica: “quando você pergunta o jovem sobre fazer parte do partido ele pergunta. ‘O que eu vou ganhar com isso?’”, elucida. Frederico diz que esse é um dos principais empecilhos para trazer o jovem para a veia política.

Além de presidente da juventude do partido em Goiás, Frederico Michell também é segundo vice-presidente nacional da sigla. Ele ressalta que apesar das dificuldades encontradas o partido defende uma bandeira. “A nossa principal bandeira é a busca pelo jovem que tem o compromisso com a sociedade” expõe.

O vereador de Anicuns Jangular Filho é presidente da juventude estadual do PSD. Ele foi o fundador da juventude do partido em Goiás no início do ano passado e diz que a ideologia é existente no meio. Entretanto, ressalta que existe dificuldade de encontrar esse tipo de jovem. “Não esta difícil encontrar jovens. Está difícil encontrar jovens ideológicos”, afirma.

Universidades e eleições: apostas de crescimento

Como desejo de qualquer sigla partidária, o objetivo é crescer. Esse é o intuito dos representantes da juventude das siglas ouvidas pela reportagem. Para contemplar os ideais e alcançar os objetivos a meta está centrada em conquistar eleições e assim construir novas lideranças.

Frederico Michell do PP disse que o partido esta buscando novos filiados. Para isso, Frederico aponta que o PP tem junto as universidades um estudo que avalia os jovens que estão realmente interessados na vida política. “Estamos nas universidades e buscando novas lideranças. É lá que estão os grandes pensadores”, afirma.

Frederico destacou o papel do vice-governador do Estado, José Eliton (PP), que segundo o qual tem dado espaço aos jovens da legenda. “A gente segue a ideologia do José Eliton. Ele tem dado oportunidade para nós”, disse. Frederico declara ainda que o partido pretende fazer o maior número de candidatos fortalecendo o segmento.

Por sua vez, o PSDB, partido o governador Marconi Perillo, por meio do representante estadual da sigla Rodrigo Zani, reforçou a capacidade do partido que tem mais 160 vereadores em várias cidades goianas. Ele diz que a principal meta da sigla é ter candidatos ao longo de todo o Estado. “A meta do PSDB é lançar candidatos jovens nas cem principais cidades do Estado”, mira.

O PSD, segundo seu líder Jangular Filho, se prepara através de métodos. “Nós fizemos um curso de preparação política para jovens. Isso é importante”, disse. Além da preparação metódica, um dos principais objetivos do partido está em ampliar os diretórios. “Nós pretendemos formar diretórios nas cidades que ainda não tem. São mais de 60 municípios”, declara.

Douglas Martinho do PTB destacou o papel histórico do partido desde os tempos de Getúlio Vargas apontando as conquistas trabalhistas que tiveram participação do partido. Martinho também pretende ganhar espaço para o PTB. “Nós queremos ampliar nossos quadros. Eleger vereadores, prefeitos e com isso fortalecer o partido”, expõe.

Dentro do PMDB Pablo Rezende deseja elevar a juventude e fortalecer os quadros do partido no interior. “É um ano de voltar para as bases do interior do Estado. Nós vamos lutar para que a juventude esteja presente nas eleições do próximo ano”, salientou.

Renovação

O fator renovação foi algo que gerou divergência na opinião dos representantes da juventude dos partidos ouvidos pela reportagem. Atualmente, as duas maiores figuras do Estado são Iris Rezende e Marconi Perillo.

Coincide o foto de os presidentes das duas maiores siglas do Estado, PSDB e PMDB defenderem que existe renovação dentro do partido. Rodrigo Zani, comandante da sigla tucana, defende que Marconi Perillo ainda representa o novo. “Vejo que o nosso governador é uma inovação. Temos Alexandre Baldy, Gustavo Sebba e outos”, observa.

Dentro do PMDB o fator renovação é visto de outra maneira. Pablo Rezende não sobrepõe o fator idade como principal argumento para a renovação. Para ele, o conceito de novo está relacionado ao modo de pensar. “Eu vejo renovação pela ideias e não pela idade”, diz Rezende.

Pelo lado dos que vêm que não há renovação está Frederico Michell. Para o presidente, que além de comandar a ala da juventude do PP é locutor de rodeio, o principal motivo para que não haja renovação é o fato do jovem ser muito acomodado. “O comodismo do jovem. Tem jovem que só faz política se ganhar alguma coisa em troca”, expõe.

Por outro lado, Jangular Filho acredita que os fatos corriqueiros de corrupção na política é um elemento fundamental para a descrença do jovem o que impede de causar uma renovação nos quadros. “As pessoas vão ficando desacreditadas com a forma que está. A população quer renovação”, profere.

Para o mandatário da sigla jovem do PTB, Douglas Martinho, o problema gira em torno da tão esperada reforma política. Atualmente com 22 anos, ele conquistou seu primeiro cargo para vereador da Cidade Ocidental, no Entorno de Brasília, com 19. Para Martinho, o problema está na raiz e que isso impede de surgir novos nomes.

Douglas observa que a reforma deve ajudar a amenizar o problema e que novos nomes devem surgir e diminuir a principal causa pela escassez de novas lideranças. “Para entrar no mundo político é muito difícil. O financiamento de campanha dificulta. Uma campanha custa muito caro. Que se interessa tem esse problema”, manifesta. Além dos partidos citados, a reportagem tentou entrar em contato com Milton Gonçalves Júnior, presidente da juventude do PT, mas ele não retornou as ligações.

Jovens defendem reforma política

Muito se tem falado sobre a necessidade de uma reforma política no Brasil. O tema é assunto recorrente entre especialistas e pessoas que discutem política. Com as manifestações de junho de 2013 o assunto ganhou ainda maior destaque no cenário político nacional.

A reforma política pode ser entendida como um conjunto de propostas para uma reorganização do sistema político brasileiro. Esse conjunto de propostas precisa ser votado pelo Congresso Nacional e de lá sair a decisão de mudanças ou não no sistema atual.

Para a maioria dos presidentes ela será positiva. O presidente estadual da juventude do PSDB, Rodrigo Zani, apoia a reforma. Entretanto salienta que ela precisa ser implantada sem que haja interferência emocional. “A reforma tem que ser feita com muita calma. Tem que discutir o financiamento de campanha, sem emoção. Ela é necessária”, diz.

Vereador na Cidade Ocidental e presidente da juventude do PTB, Douglas Martinho, 22, disse que a reforma tem extrema relevância no momento em que as campanhas ficam cada vez mais caras. “A reforma trará equilíbrio e deixará as candidaturas em iguais condições” defende Martinho.

Para Pablo Rezende, um dos pontos fundamentais do reforma política e que tem que ser mudada é a dinâmica em que são feitas as eleições no Brasil. Ele é a favor da unificação das eleições, ou seja, que as eleições municipais e estaduais sejam realizadas de uma vez só e a cada cinco anos.

Hoje as eleições são realizadas a cada dois anos e gera ônus milionários para os tribunais regionais, diante disso Pablo defende. “A reforma política é extremamente necessária. Acho que tem que unificar as eleições e realizá-las de cinco em cinco anos, isso diminuiria os gastos”, opina.

A cara da juventude em Goiás

P 2 - Pablo Rezende - PMDB - REPRODUÇÃO - FACEBOOKPMDB

Nome: Pablo Rezende

Idade: 29 anos

Formação: Direito e Relações Internacionais

Cidade: Goiânia

P 2 - Rodrigo Zani - PSDB - DIVULGAÇÃOPSDB

Nome: Rodrigo Zani

Idade: 29 anos

Formação: Direito

Cidade: Nerópolis

P 2 - Jangular Filho - PSD - DIVULGAÇÃOPSD

Nome: Jangular Filho

Idade: 28 anos

Formação: Fisioterapia

Cidade: Anicuns

P 2 - Douglas Martinho - PTB - DIVULGAÇÃOPTB

Nome: Douglas Martinho

Idade: 22 anos

Formação: Ensino Superior Incompleto

Cidade: Gama (DF)

P 2 - Frederico Michell - PP - DIVULGAÇÃOPP

Nome: Frederico Michell

Idade: 33 anos

Formação: Gestão Pública

Cidade: Goiânia

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