José Eliton e o desafio de unir a base

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Desde que o governador Marconi Perillo (PSDB) venceu a reeleição em 2014, os olhos do mundo político se voltaram, também, para o vice-governador José Eliton (PP). Isso porque é natural que Marconi se afaste do governo em abril de 2018 para concorrer a outro cargo nas eleições estaduais e deixe Eliton com nove meses de mandato e a chance de se reeleger. O caminho não é novo – o tucano fez isso em 2006 com o seu então vice-governador Alcides Rodrigues (na época PP), que disputou e venceu a reeleição ao Palácio das Esmeraldas. José Eliton tem a possibilidade de trilhar o mesmo caminho, mas terá muitos obstáculos pela frente.

O maior deles é unir a atual base aliada em torno de seu nome. Vale lembrar que esta base de partidos e lideranças que dá suporte ao governo do Estado foi construída por Marconi e lhe foi fiel até o momento, mas a transferência dela para outra liderança está longe de ser automática. Mesmo porque a base já começou 2015 com várias cisões e discussões que põem em risco a sua unidade para as próximas eleições.

Lideranças da base aliada se dividem em relação à capacidade de articular a união do grupo governista. O deputado federal Fábio Sousa (PSDB), por exemplo, defende que o vice ainda tem que evoluir na vida política antes de alçar voos maiores na política goiana: “Ele aprendeu bem com Marconi. É uma pessoa esforçada. Tudo é uma questão de aprendizado. Ele é um sujeito muito estudioso, tem força, é simpático. Tem tudo para dar certo, mas tem que aprender”.

A deputada federal Magda Moffato, líder do PR, também bate na tecla de que a experiência política que o vice acumular deste momento até a pré-campanha será importantíssima para o seu sucesso eleitoral. “Marconi conseguiu juntar todo mundo, José Eliton ainda esta aprendendo com Marconi e sei que ele terá paciência”, crê. Moffato vê que a maior dificuldade do atual vice será a pouca densidade política. “Apesar de ele estar se esforçando muito”, pondera.

Já o secretário de Meio Ambiente, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos, Vilmar Rocha (PSD), também acredita que José Eliton terá trabalho para se viabilizar. “Na eleição de 2014 nós tínhamos o Marconi que era o candidato certo. Em 2018 é muito diferente, o José Eliton vai ter que construir. E terá que construir seja qual for o candidato”, defende.

Arestas internas

Uma das grandes arestas que José Eliton tem hoje é dentro do próprio PP. Depois de alguns anos da filiação do vice no partido e alguns choques velados com o deputado federal Roberto Balestra, que era presidente da agremiação antes da chegada de Eliton, o parlamentar veio a público nas últimas semanas criticar a atuação do vice-governador na condução do partido. Para o Balestra, José Eliton peca na organização dos diretórios no interior, além de o PP ter saído menor nas urnas nas eleições passadas.

Sobre a possibilidade de o vice-governador vir a unir a base para ser candidato em 2018, Balestra o vê como um “bom nome”, mas traça várias dificuldades. “Por enquanto ele não é um grande articulador. Ainda não teve oportunidade. Não liderou nada até hoje. Para liderar é preciso ter respaldo da população. Ele ainda não foi eleito e testado pelo voto do população”, lembra. O pepista ainda diz que a principal dificuldade de Eliton é a “falta” de experiência. “Líder é quem o povo faz e não quem quer ser”, defende.

Outra aresta interna dentro da base aliada que pode ficar para José Eliton é a relação governista com o PTB do deputado federal Jovair Arantes. Aliado histórico de Marconi Perillo, Jovair entrou em rota de colizão com o governo estadual depois de não ter sido contemplado com um cargo de primeiro escalação da nova formação do governo tucano. Na época, o petebista criticou duramente o governador, a quem chamou de “inábil” politicamente. Ele também disse que o PTB não tem compromisso com a base aliada nas próximas eleições.

Apesar de ser um atrito diretamente entre Jovair e Marconi, tal indisposição prejudica José Eliton, já que muitos apostam que o partido possa, até mesmo, se aliar com a oposição na corrida pela prefeitura de Goiânia em 2016. A aliança com o PT da presidente Dilma Rousseff facilita as conversações entre os dois partidos. Caso vingue uma aliança na capital, este poderá ser o primeiro passo para uma aproximação entre o PTB e a oposição também na sucessão estadual, o que afetaria Eliton diretamente.

Os constantes atritos dentro do ninho tucano também podem se tornar rachaduras, caso não resolvidas, e prejudicar a união da base em 2018. A senadora Lúcia Vânia, por exemplo, já avisou que deve deixar o partido em breve, depois de se desentender com lideranças nacionais da agremiação. Um destino pode ser o PSB de Vanderlan Cardoso. O PSB, hoje, tem se aproximado de Marconi Perillo e a base aliada, mas não há garantias de que o projeto será realmente esse em 2018. Além de Lúcia, recentemente o presidente da Agetop Jayme Rincón teve alguns desentendimentos com deputados federais do partido devido, principalmente, a articulações realizadas por ele visando sua postulação eleitoral de ser candidato a prefeito de Goiânia no ano que vem.

Candidato natural

A situação de candidato natural do vice-governador José Eliton também é assunto para dividir opiniões dentro da base aliada. O deputado Fábio Sousa, por exemplo, crê que, neste momento, ele não tem esta condição. “José Eliton não é o candidato natural da base em 2018. Não só ele, mas outros que quiserem se candidatar tem que construir o caminho”, defende o tucano. Para Sousa, a missão de Eliton para conquistar a candidatura é “ser um bom articulador” e “conquistar aliados”.

Já o deputado federal Alexandre Baldy (PSDB) não concorda com a opinião de Sousa, e acredita que o vice esteja, sim, um pouco à frente. “Ele é o candidato natural. Isso não impede a possibilidade dele articular desde já. Obviamente, quando mais cedo ele começar a articular melhor para ele. Assim o nome dele estará em situação mais confortável quando se aproximar as eleições”, mostra. O deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB) disse, em entrevista na edição passada da Tribuna, que José Eliton é o candidato “mais do que natural” para a sucessão de Marconi Perillo em 2018.

 

Eleições de 2016 serão primeiro desafio de vice

As articulações para as eleições municipais de 2016 serão as primeiras etapas a serem superadas pelo vice-governador José Eliton para articular a atual base aliada em torno de sua candidatura em 2018. Isso porque, historicamente, o grupo se divide e tem vários encontros nos municípios durante as eleições locais, com muitas farpas entre partidos e lideranças que, na política estadual, são aliados. Eliton, que é presidente regional do PP, por exemplo, terá que atuar para fortalecer seu partido sem entrar em muitos atritos com líderes de outras agremiações da base.

O PP tem planos de disputar a prefeitura de pelo menos cinco dentre os dez maiores municípios do Estado. Em todos eles, também há interesse de lideranças de outros partidos da base aliada. Em Goiânia, por exemplo, o partido tem como opções o ex-presidente da SGPA Ricardo Yano, o médico Zacarias Calil, o diretor da Juceg, Ronaldo Coutinho, além do deputado federal Sandes Júnior. PSDB, PSD, PTB, além de outras agremiações, já mostram interesse em ter um dos seus como o candidato único da base aliada ao Paço Municipal.

Anápolis é outro município em que o PP pode ter candidato. O ex-deputado federal Pedro Canedo é o nome do partido para concorrer à prefeitura. O tucano Alexandre Baldy (PSDB) também está na lista de pré-candidatos no município. Em Águas Lindas, o partido, provavelmente, terá um confronto direto com o PTB, outro partido da base. O ex-prefeito Geraldo Messias é opção do PP, enquanto que o PTB tentará reeleger o prefeito Hildo do Candango. Formosa, Inhumas, Aparecida de Goiânia e Goianira são outros municípios onde o PP pode enfrentar outro candidato da base aliada e, caso se confirmem, os embates serão testes para a habilidade de articulação de José Eliton.

O desafio de José Eliton para unir a base

“Eu conheço pouco o vice, sei que é um homem competente. Mas não tenho experiência para avaliar se ele é um bom articulador ou não”, Alexandre Baldy (PSDB), deputado federal;

“José Eliton não é o candidato natural da base em 2018. Não só ele, mas outros que quiserem se candidatar têm que construir o caminho”, Fábio Sousa (PSDB), deputado federal;

“Densidade eleitoral é a maior dificuldade, apesar de que ele está se esforçando muito. Alcides tinha uma situação muito semelhante e conseguiu se afirmar com de Marconi”, Magda Moffato (PR), deputada federal;

“José Eliton ainda não tem experiência. Tem que disputar eleição. Líder é quem o povo faz e não quem quer ser”, Roberto Balestra (PP), deputado federal;

“Na eleição de 2014, nós tínhamos Marconi que era o candidato certo. Em 2018 é muito diferente, o José Eliton vai ter que construir”, Vilmar Rocha (PSD), secretário e presidente do PSD;

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