Qual o plano político de Marconi?

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P 3 - 19-03-15-DIMA-BRT-Pref-GO-Leoiran-4869O mundo político em Goiás e no Brasil ficou de boca aberta ao presenciar o abraço apertado entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Marconi Perillo (PSDB) na quinta, 19, quando Dilma veio a Goiânia assinar a ordem de serviço para a construção do corredor de ônibus norte-sul (BRT Norte-Sul) da capital. Isso porque, além do abraço – que mais pareceu afeto entre dois velho amigos do que apenas um ‘gesto republicano’ –, as palavras de Marconi no discurso tucano foram o grande estopim para diversas especulações. Qual seria a intenção política de Marconi ao transformar um dos centros mais hostis à presidente, já que Dilma perdeu as eleições em Goiânia, em porto seguro para a petista?

Há alguns pontos apresentados por aliados e analistas políticos nos bastidores que tentam explicar tal ação por parte de Marconi. O primeiro se trataria de um “agradecimento”. É senso comum que o governo Dilma Rousseff viabilizou o terceiro governo Marconi Perillo ao liberar vultuosas somas de dinheiro para obras e para o saneamento da Celg (que teve 51% das ações vendidas para a Eletrobrás). Com os empréstimos, parcerias e convênios, Marconi conseguiu construir uma agenda positiva e superar os desgastes que lhe acertaram em 2012, com o envolvimento de seu nome na Operação Monte Carlo da Polícia Federal. O resultado disso foi a reeleição do tucano no ano passado.
Outra possibilidade é que Marconi estaria olhando para o seu novo governo e não conseguindo ver saída econômica para tocar uma nova agenda de obras. Até mesmo grande parte das obras – como Hugo 2, duplicações de rodovias, Credeqs, Centro de Excelência do Esporte, dentre outras – começadas na gestão passada ainda não foram terminadas e necessitariam de recursos para as suas respectivas  finalizações. A previsão para o Estado na área econômica, assim como para o Brasil, não são animadoras. Desta forma, Marconi precisaria, novamente, da ajuda federal para dar ‘uma cara’ ao seu quarto governo. Os elogios a Dilma iriam nesta direção.
Um outro motivo, mais eleitoral, é que Marconi estaria vendo possibilidades de deixar o PSDB e se filiar para um partido da base da presidente, a fim de concorrer à presidência da República em 2018. Ser candidato nacional é um sonho antigo de Perillo e viabilizar este projeto dentro do PSDB não é tarefa fácil. Isso porque a cúpula do partido dificilmente abre espaço para lideranças fora de São Paulo. Apenas depois de seis eleições (sendo quatro derrotas) é que o PSDB apoiou um candidato que não fosse paulista. Aécio Neves (PSDB-MG), nas eleições passadas, conseguiu a indicação depois que os nomes do PSDB de São Paulo se esgotaram. Para 2018, porém, além de Aécio há a possibilidade da candidatura do atual governador de São Paulo Geraldo Alckimin. E para Marconi? Pouco espaço.
O PSD poderia ser o destino para o governador goiano. O partido é da base de Dilma e seu aliado em Goiás. Mesmo assim, esta possibilidade ainda não passa de especulação. É verdade, porém, que esta especulação ganhou muita força após a passagem de Dilma por Goiânia. Qualquer sinal de Marconi neste sentido, de agora para frente, será minuciosamente analisado. Mesmo porque ainda tem a análise de que se Marconi colar em Dilma e a presidente recuperar sua popularidade, o goiano poderia ser uma alternativa até mesmo dentro do PSDB, já que, neste outro contexto, opositores mais xiitas, como Aécio Neves, perderiam espaço.
Seja qual for a intenção de Marconi com os elogios a Dilma, as palavras de apoio à petista não ressoaram bem fora dos limites do Paranaíba. Segundo o Blog do Josias, um tucano da executiva nacional confidenciou que “não era hora” de Marconi se solidarizar e defender Dilma e que tal atitude não foi bem digerida pela cúpula tucana. Mesmo com a informação da Folha de São Paulo – que revelou que o governador, há dez dias, criticou a presidente em evento fechado do PSDB -, as palavras de Perillo colocou um ponto de interrogação na cabeça de aliados e adversários. Seja qual for o plano que esteja traçado na cabeça do governador goiano, o certo é que dependerá dos acontecimentos nos próximos anos. Até lá, todos os cenários parecem estar abertos.


Goiânia: o porto seguro de Dilma

 

 

A visita da presidente Dilma Rousseff (PT) a Goiânia para assinatura do contrato do BRT Norte/Sul não se mostrou fácil de ser organizada. Com um enorme contingente da Polícia Federal controlando os acessos ao Paço Municipal via BR-153, e da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, além de seguranças da presidência da República e de seguranças contratados, mostrou que o aparato, apesar de exagerado, foi necessário para o recebimento da presidente na capital.
O evento, que contou com uma enorme mobilização para que os protestos não chegassem até a presidente, também teve seu lado bom para o Palácio do Planalto: foi o primeiro ato público no qual a presidente contou com apoio popular depois da virada do ano, mesmo que o público a prestigiar o evento tivesse sido escolhido a dedo.
O que tornou a capital goiana como o porto seguro da presidente, porém, foi a ferrenha defesa de seu governo e de sua governabilidade feitas pelo prefeito Paulo Garcia (que é do mesmo partido da presidente e que, tal qual ela, tenta criar uma agenda positiva em sua gestão) e, principalmente, pelo governador Marconi Perillo. Este sim, um trunfo para a petista,  já que o governador é do partido de maior oposição ao governo Rousseff no país.
Com vários apoios, o evento passou a ser tranquilo para a presidente, que aproveitou para, além de assinar a ordem de serviço para o BRT, anunciar a continuidade das obras do novo aeroporto de Goiânia.  Tran­quilidade esta que ela espera que volte a ocorrer em suas aparições públicas daqui para frente.
Neste ponto, o evento em Goiânia poderá passar para a história como o primeiro da recuperação da presidente em seu segundo mandato. A capital tem tradição em eventos políticos que propiciam mudanças em âmbito nacional, já que aqui ocorrem dois importantes comícios: um dos principais comícios das Diretas Já, em 12 de abril de 1984 e o primeiro comício do então candidato à presidência, Tancredo Neves, em 14 de setembro de 1984, ambos convocados pelo então governador Iris Rezende (PMDB).

Discursos
Os discursos, tanto do prefeito Paulo Garcia quanto do governador Marconi Perillo, destacaram que as parcerias com o governo federal possibilitou a assinatura do contrato para as obras do corredor exclusivo. Na parte política, o prefeito fez uma defesa de “um pacto social pelo País” e agradeceu a presença do governador no evento. “Gostaria de agradecer a presença do governador e dizer que, a despeito de divergências políticas, quero agradecer a postura digna e exemplar dele”, afirmou.
Ao citar o nome do tucano, o prefeito teve que lidar com vaias do público presente, formado, em sua grande maioria, por eleitores petistas. Rapi­damente ele pediu respeito e disse que “a despeito das divergências é obrigação de todos deixar isso de lado e construir um pacto social no País”.
Marconi Perillo, por sua vez, tinha preparado um discurso em defesa das instituições democráticas, mas que não citaria a presidente Dilma Rousseff diretamente. O clima do evento, contudo, fez com que o governador alterasse seu discurso e incluísse palavras mais inflamadas, no qual fez uma defesa contundente da governabilidade da presidente Dilma Rousseff, além de elogiar publicamente o prefeito Paulo Garcia.
Ele disse ter ido ao evento mesmo “com muitos conselhos para que não comparecesse” e explicou sua decisão de ter comparecido: “Fui reeleito legitimamente, assim como a presidente Dilma Rousseff, e não será nenhuma claque de minorias que não querem que uma democracia, onde o republicanismo prevaleça, que irá me calar”. O governador pediu tolerância e respeito à democracia e ao mandato da presidente. Disse que a defendeu muitas vezes, indo, inclusive, contra a vontade de seu partido.
Dilma, que acompanhou todo o discurso e, em sua fala, pregou tolerância e diálogo ao defender o governador. “Nós temos obrigação de respeitar a democracia, que é o direito de todos falarem, se manifestarem, porém também direito a todos serem ouvidos. Por isso eu peço tolerância e peço uma outra questão: diálogo”, enfatizou a presidente.
Ela ainda se dirigiu ao governador saudando-o e chamando-o de parceiro do governo federal, apesar das diferenças. “Tem sido um parceiro do governo federal nos desafios que nós enfrentamos, ao longo dos anos em que fomos eleitos, eu para governar o Brasil, ele para governar Goiás. Essa parceria se dá acima das nossas diferentes filiações partidárias”, ressaltou Dilma.
PMDB
Como era esperado, poucos representantes do PMDB estiveram presentes no evento. Apenas o ex-governador de Goiás e atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, além do vice-prefeito Agenor Mariano e os vereadores Denício Trindade, Mizair Lemes Jr. e Paulo Borges compareceram ao evento, além de alguns secretários peemedebistas da prefeitura.
Maguito, em entrevista, minimizou a ausência do ex-governador Iris Rezende e de deputados federais e estaduais ao evento. “Houve um desencontro de agendas, por isso muitos não puderam vir. Eu vim em agradecimento ao que a presidente Dilma tem feito por Aparecida de Goiânia”, enfatizou.
Ele também criticou a postura do PMDB no Congresso Nacional, embora tenha dito que o partido não teve culpa no pedido de demissão do ex-ministro da Educação Cid Gomes (Pros). “O PMDB tem que ajudar o País a melhorar e não ficar torcendo pelo ‘quanto pior, melhor’. A demissão do ministro Cid, no entanto, não foi responsabilidade do PMDB. Ele que desrespeitou um poder dentro da própria Casa deste poder”, afirmou. (Fagner Pinho)

 

 

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