Carinhos, afagos e política

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Por onde passa, a presidente Dilma Roussef movimenta o cenário político de forma intensa e isso é natural. Não foi diferente na visita a Goiânia para um ato institucional de largada das obras do BRT (Bus Rapid Transit) Norte-Sul. Mesmo que rápida, aqui esteve uma presidente que tem levado obras para o país, junto com um prefeito, Paulo Garcia, que esforça-se para reverter uma avaliação e ao lado de Marconi Perillo com um mandato no início e em busca de parcerias.

O encontro político de pólos diferentes ideologias e ações partidárias pode ter surpreendido no âmbito da política nacional, mas não para os que acompanham o dia a dia desta área em Goiás. Lado a lado, PT e PSDB. Dilma e Paulo, do PT, e Marconi, do PSDB.

A plateia do evento, formada especificamente por petistas e alguns peemedebistas, era hostil a Marconi Perillo, claro. E seria diferente? De forma alguma. O governador foi com uma estratégia definida: oferecer um bom tratamento à presidente Dilma Roussef, como fez na inauguração da Ferrovia Norte-Sul, ano passado. Ele sabe muito bem que, agora, no início do mandato, não tem interesse no confronto político com a presidente. Há um tratamento dito respeitoso e institucional entre Governo de Goiás e Governo Federal.

As vaias de alguns petistas a Marconi foram um presente para o governador. Ofuscaram a importância do evento que implica num investimento em torno de R$340 milhões. O impulso de parte da plateia obrigou a presidente Dilma Roussef a enfatizar a importância da parceria, do republicanismo, da tolerância e do bom relacionamento para o benefício do povo.

O grupo que vaiou Marconi deu a ele a oportunidade de ser enfático, contundente, e demonstrar coragem na defesa da governabilidade da presidente Dilma e de reforçar o discurso contra o impeachment que ele havia feito há algumas semanas.

O presente dado a Marconi possibilitou a ele uma visibilidade nacional. Era tudo que ele queria. Num evento de raras novidades, um governador do PSDB falar em tom alto de elogios às obras do Governo Federal e elogiar Dilma era um gancho excelente para uma cobertura nacional. Dito e feito. Certamente, alguns líderes do PSDB e da oposição à presidente não gostaram do que ouviram.

Governo não faz oposição a governo. A frase, repetida exaustivamente pelo jornalista Marcos Cipriano, comigo, em vários momentos na Rádio 730, resumiria muito bem a questão. No campo administrativo, Perillo age para manter as boas relações. Sobraram até elogios para o “volume de obras” que Paulo Garcia imprime na prefeitura de Goiânia. A semana termina assim, com carinhos, afagos e política.

 

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