Goiânia: o porto seguro de Dilma

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Materia Principal - DilmaA visita da presidente Dilma Rousseff (PT) a Goiânia para assinatura do contrato do BRT Norte/Sul não se mostrou fácil de ser organizada. Com um enorme contingente da Polícia Federal controlando os acessos ao Paço Municipal via BR-153, e da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, além de seguranças da presidência da República e de seguranças contratados, mostrou que o aparato, apesar de exagerado, foi necessário para o recebimento da presidente na capital.

O evento, que contou com uma enorme mobilização para que os protestos não chegassem até a presidente, também teve seu lado bom para o Palácio do Planalto: foi o primeiro ato público no qual a presidente contou com apoio popular depois da virada do ano, mesmo que o público a prestigiar o evento tivesse sido escolhido a dedo.

O que tornou a capital goiana como o porto seguro da presidente, porém, foi a ferrenha defesa de seu governo e de sua governabilidade feitas pelo prefeito Paulo Garcia (que é do mesmo partido da presidente e que, tal qual ela, tenta criar uma agenda positiva em sua gestão) e, principalmente, pelo governador Marconi Perillo. Este sim, um trunfo para a petista, já que o governador é do partido de maior oposição ao governo Rousseff no país.

Com vários apoios, o evento passou a ser tranquilo para a presidente, que aproveitou para, além de assinar a ordem de serviço para o BRT, anunciar a continuidade das obras do novo aeroporto de Goiânia. Tranquilidade esta que ela espera que volte a ocorrer em suas aparições públicas daqui para frente.

Neste ponto, o evento em Goiânia poderá passar para a história como o primeiro da recuperação da presidente em seu segundo mandato. A capital tem tradição em eventos políticos que propiciam mudanças em âmbito nacional, já que aqui ocorrem dois importantes comícios: um dos principais comícios das Diretas Já, em 12 de abril de 1984 e o primeiro comício do então candidato à presidência, Tancredo Neves, em 14 de setembro de 1984, ambos convocados pelo então governador Iris Rezende (PMDB).

Discursos

Os discursos, tanto do prefeito Paulo Garcia quanto do governador Marconi Perillo, destacaram que as parcerias com o governo federal possibilitou a assinatura do contrato para as obras do corredor exclusivo. Na parte política, o prefeito fez uma defesa de “um pacto social pelo País” e agradeceu a presença do governador no evento. “Gostaria de agradecer a presença do governador e dizer que, a despeito de divergências políticas, quero agradecer a postura digna e exemplar dele”, afirmou.

Ao citar o nome do tucano, o prefeito teve que lidar com vaias do público presente, formado, em sua grande maioria, por eleitores petistas. Rapidamente ele pediu respeito e disse que “a despeito das divergências é obrigação de todos deixar isso de lado e construir um pacto social no País”.

Marconi Perillo, por sua vez, tinha preparado um discurso em defesa das instituições democráticas, mas que não citaria a presidente Dilma Rousseff diretamente. O clima do evento, contudo, fez com que o governador alterasse seu discurso e incluísse palavras mais inflamadas, no qual fez uma defesa contundente da governabilidade da presidente Dilma Rousseff, além de elogiar publicamente o prefeito Paulo Garcia.

Ele disse ter ido ao evento mesmo “com muitos conselhos para que não comparecesse” e explicou sua decisão de ter comparecido: “Fui reeleito legitimamente, assim como a presidente Dilma Rousseff, e não será nenhuma claque de minorias que não querem que uma democracia, onde o republicanismo prevaleça, que irá me calar”. O governador pediu tolerância e respeito à democracia e ao mandato da presidente. Disse que a defendeu muitas vezes, indo, inclusive, contra a vontade de seu partido.

Dilma, que acompanhou todo o discurso e, em sua fala, pregou tolerância e diálogo ao defender o governador. “Nós temos obrigação de respeitar a democracia, que é o direito de todos falarem, se manifestarem, porém também direito a todos serem ouvidos. Por isso eu peço tolerância e peço uma outra questão: diálogo”, enfatizou a presidente.

Ela ainda se dirigiu ao governador saudando-o e chamando-o de parceiro do governo federal, apesar das diferenças. “Tem sido um parceiro do governo federal nos desafios que nós enfrentamos, ao longo dos anos em que fomos eleitos, eu para governar o Brasil, ele para governar Goiás. Essa parceria se dá acima das nossas diferentes filiações partidárias”, ressaltou Dilma.

PMDB

Como era esperado, poucos representantes do PMDB estiveram presentes no evento. Apenas o ex-governador de Goiás e atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, além do vice-prefeito Agenor Mariano e os vereadores Denício Trindade, Mizair Lemes Jr. e Paulo Borges compareceram ao evento, além de alguns secretários peemedebistas da prefeitura.

Maguito, em entrevista, minimizou a ausência do ex-governador Iris Rezende e de deputados federais e estaduais ao evento. “Houve um desencontro de agendas, por isso muitos não puderam vir. Eu vim em agradecimento ao que a presidente Dilma tem feito por Aparecida de Goiânia”, enfatizou.

Ele também criticou a postura do PMDB no Congresso Nacional, embora tenha dito que o partido não teve culpa no pedido de demissão do ex-ministro da Educação Cid Gomes (Pros). “O PMDB tem que ajudar o País a melhorar e não ficar torcendo pelo ‘quanto pior, melhor’. A demissão do ministro Cid, no entanto, não foi responsabilidade do PMDB. Ele que desrespeitou um poder dentro da própria Casa deste poder”, afirmou.

Dilma anuncia aeroporto para novembro

No encontro que firmou o compromisso da construção do BRT, a presidente da República também garantiu que a conclusão das obras do Aeroporto Santa Genoveva será dada até o mês de novembro. As obras devem ser reiniciadas no começo do próximo mês conforme afirmou a chefe de estado na solenidade.

A presidente destacou que os goianos podem cobrar dela e disse que vai cobrara do Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha que por sua vez deve cobrar dos seus subordinados. Dilma Rousseff disse ainda que Goiânia precisa ter um aeroporto que condiz com a importância do estado.

A nova estrutura do Aeroporto Santa Genoveva permitirá ao local receber até 8,6 milhões de passageiros por ano, com uma demanda estimada de 4,8 milhões de embarques e desembarques para 2014. O novo terminal de passageiros do Aeroporto de Goiânia terá dois andares e 34,1 mil m², que abrigarão quatro pontes de embarque, 23 balcões de check-in, 11 elevadores.

Empecilhos

As obras de reforma em ampliação do Aeroporto Santa Genoveva começaram em 2005, mas foram paralisadas seis meses depois, por falta de repasses de recursos federais. Em 2006, o TCU apontou superfaturamento nos preços praticados. Em 2007, as empreiteiras responsáveis pelo consórcio suspenderam as atividades de reforma do Aeroporto Santa Genoveva.

No ano seguinte, a Infraero rescindiu o contrato. Após seis adiamentos e dois anos para a construção, a Infraero entregou uma nova sala de embarque no Santa Genoveva, em outubro de 2011. Chamada oficialmente de Módulo Operacional Provisório (MOP), a nova ala ganhou o apelido de “puxadinho”.

Em dezembro de 2011, a Infraero, o Governo de Goiás e os representantes do consórcio responsável pela obra assinaram um acordo para garantir a conclusão da reforma. Mas em junho de 2012, uma vistoria do TCU constatou que o projeto original ficou ultrapassado. Foram necessárias algumas adequações e só agora a obra deve ser realmente retomada.


 

 

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