Oferta de água e energia elétrica pode alavancar setor industrial do Tocantins

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A crise no abastecimento de água nos estados mais industrializados do país –  com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo –, pode tornar o Tocantins um estado mais atraente para instalação de grandes indústrias. Isso por que um dos pontos fortes do Estado sempre foi a abundância de água doce. A falta de água traz consigo outro grave problema: baixa oferta de energia elétrica e, neste quesito, o Tocantins também leva vantagem sobre as demais unidades federativas, já que possui uma usina hidrelétrica que opera aquém de sua capacidade. E se o que faltava para transformar essas vantagens em atração concreta de investidores era vontade política, então não falta mais nada. Pelo menos isso é o que garante o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Eudoro Pedroza. 

O secretário explica que o Tocantins possui características que já o torna atraente para investidores de vários setores. Ele cita como exemplo sua localização geográfica, que o torna ideal para instalação de centros de distribuição. O Tocantins é o único estado que faz fronteira com outros seis estados: ao norte e ao leste, com Maranhão; ao leste, com Piauí e Bahia; ao sul, o com Goiás; e ao oeste, com Mato Grosso e Pará.

Para comprovar sua lógica, Pedroza cita como exemplo a Distribuidora de óculos Kenerson, instalada na Capital. A empresa é representante exclusiva no Brasil da multinacional chinesa General Optical, terceiro maior grupo do mundo em fabricação de óculos. “A logística atraente impulsionou a construção de uma fábrica e, hoje – pouca gente sabe – 30% de todos os óculos vendidos no Brasil são fabricados aqui em Palmas”, informou. 

Outros empreendimentos industriais, como a fábrica de cimento instalada no município de Xambioá, frigoríficos e até uma fábrica de bicicletas, além de grandes empresas do setor atacadista, são citados por Pedroza como resultados do planejamento realizado há alguns anos, quando foi elaborada uma legislação própria, com incentivos fiscais, que fez com que o Estado entrasse na briga já travada por outras unidades da Federação pela busca de investidores. 

Eudoro Pedroza anunciou que são excelentes as perspectivas para o setor e se disse surpreso com a quantidade de grupos empresariais que o estão procurando. Um desses grupos representa a Airship do Brasil, sociedade entre os grupos Engevix e Transportes Bertolini, que pretende instalar no Tocantins uma fabricada de dirigíveis. “Pensei que isso fosse coisa do século passado, mas os dirigíveis estão sendo apontados como uma solução para baratear o transporte de carga”, disse.

A redescoberta do potencial mineral do Estado, especialmente para a produção de cimento, também atraiu grupos chineses, cujas negociações para virem para o Tocantins já estão em andamento.

Malha viária é ponto contra

Mas, o investidor quer mais. Ele quer encontrar infraestrutura de estradas e pontes que facilitem o acesso a matérias-primas e garanta o escoamento de produção com preço competitivo. Nesse ponto o Tocantins deixa a desejar. Um levantamento prévio realizado pela Secretaria de Infraestrutura no início desde ano apontou que o Estado possui estradas que figuram no ranking das mais violentas do país, devido à falta de sinalização, de acostamento e má conservação. O levantamento detectou pelo menos 1,2 mil quilômetros de rodovias pavimentadas em situação precária e outros 2,3 mil quilômetros de rodovias não pavimentadas sem manutenção, além de nove trechos rodoviários interditados, com pontes sem a mínima condição de segurança para o tráfego de pedestres e veículos. 

Com uma malha viária nessas condições, as vantagens que o Tocantins possui não pesam o suficiente para equilibrar a balança. Por isso, o secretário estadual da Infraestrutura, Sérgio Leão, informou que está negociando com empresas fornecedoras para que realizem as obras de reparos nas rodovias. A dificuldade é que, mesmo sem ter feito obras significativas no setor, a Infraestrutura herdou uma dívida de mais de R$ 284 milhões. “Contamos com a credibilidade do governador Marcelo Miranda na negociação destas dívidas para que possamos dar seguimento às ações emergenciais”, afirmou.

O governo estadual também já pediu socorro ao Banco Mundial para conseguir recursos para investir na malha viária. 

Mão de obra ainda é acanhada 

Pedroza explicou que o Tocantins tem urgência em alavancar o setor industrial, uma vez que este possui um maior potencial para geração de empregos. “Nós temos milhares de jovens que estão se formando e ficando sem emprego e não queremos ser exportadores de mão de obra, queremos que estes jovens fiquem aqui, encontrem aqui mesmo oportunidade para trabalhar”, enfatizou o secretário. 

Mesmo com muitas faculdades existentes em praticamente todas as regiões do Estado, a maioria das empresas precisa de mão de obra com formação bastante específica. Para resolver o problema, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo está buscando parcerias com entidades como Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sine (Sistema Nacional de Emprego) e IFTO (Instituto Federal do Tocantins), no sentido de fornecerem cursos profissionalizantes de acordo com as necessidades dessas empresas. 

A ideia é que sempre que as grandes empresas decidirem investir no Estado ou ampliar investimentos já existentes, procurem o poder público para apresentar a necessidade de mão de obra qualificada. “Nós temos interesse em qualificar essas pessoas, em vê-las trabalhando na iniciativa privada e sem depender do poder público”, reforçou o secretário. 

Esse trabalho já começou ser feito. O Sine já está fazendo a seleção dos trabalhadores que irão compor o quadro funcional da empresa Granol, instalada em Porto Nacional. Caso a empresa necessite de treinamento específico para os cerca de 200 funcionários que empregará inicialmente, o Sine fará o treinamento. 

Um bom exemplo do prejuízo que a falta de qualificação profissional gera para o Estado – além do desemprego, mesmo com oferta de vagas – é a situação protagonizada pela empresa concessionária de energia elétrica do Tocantins, a Energisa/Celtins. A concessionária possui algo em torno de R$ 370 milhões para investir na ampliação da oferta de energia – importante para a busca de grandes investidores –, mas os investimentos estão travados por falta de trabalhadores capazes de cumprir a tarefa. A empresa precisa, de imediato, de pelo menos 200 funcionários para atuar em vários municípios, podendo chegar a 700. “Estamos buscando ajuda do Senai e do IFTO para conseguirmos resolver esse impasse”, anunciou Pedroza.

 

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