A nova Bernardo Sayão

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A - Governo 1 - Marconi abre calendario de obras FOTO WAGNAS CABRAL

Logo cedo, há ainda pouco movimento na antiga avenida J-1. Conhecida pelo burburinho, o colorido das lojas e a grande quantidade de tran­seuntes, a Av. Bernardo Sayão pode passar uma imagem bem diferente daquela que os goianienses conheceram há 20 anos. Mas, nada para se preocupar. Não, na visão de Cai­ro Myron Ramos, presidente da Associa­ção dos Comer­ciá­rios e Indus­triais da Avenida Bernardo Sayão (Acibs). Para ele, está na hora de desmistificar essa im­pres­­são falsa sobre o polo con­fec­cio­nista, que evoluiu e se trans­­formou ao longo dos anos.
Myron assumiu a presi­dên­cia da associação no início deste ano e já começou a sacudir a poeira das velhas concepções. Segundo ele, o comércio na avenida está passando por uma transformação e, por essa razão, é normal que aqueles que não estão adequados ao novo conceito e forma de estruturação, acabem por fechar as portas e/ou procurar ponto em outro lugar. “O comércio da Bernardo Sayão tem características próprias, agora. Se você anda pela avenida, vê que o conceito do comércio mudou. Hoje, nós temos um produto que traz valor agregado e é necessário que as lojas reflitam isso”, afirma.
O produto diferenciado, cujo foco é a qualidade, realmente chama a atenção. Quem frequenta a avenida, atualmente, vai em busca disso. Co­mo é o caso da designer de sobrancelhas Ana Paula Medei­ros de Sousa, 32 anos, que compra jeans para revender. “Aqui eu só pego jeans, pela qualidade. São roupas boas e que vestem bem”, afirma. Na opinião de Ana Paula, que trabalhou na avenida em sua ju­ventude, o movimento faz falta. “Comecei em lojas de jeans, também. Mas, era mais movimentado. Hoje, acho que dividiu a clientela. Eu sinto falta”, diz.
Por outro lado, clientes novos também estão sempre chegando por ali. O técnico mecânico Leonardo Silva, 29 anos, conta que é a primeira vez, mas que já pretende voltar, por ter encontrado qualidade e preço baixo. “Estou de férias e resolvi conhecer. Vim por indicação de outras pessoas. Deci­dimos ver para crer, se era tudo o que falavam mesmo”, explica. Esta não é a primeira vez de Leonardo na cidade. “Conhe­cía­mos apenas a região da Rodoviária, mas desta vez decidimos andar mais um pou­co para conhecer aqui”, conta.
O que chama a atenção tanto de Ana Paula, que já frequenta a região há bastante tempo, quanto de Leonardo, que chega pela primeira vez na avenida, é a preocupação dos lojistas em proporcionar uma experiência agradável de compra. De acordo com Cairo My­ron, esse é o cerne da mudança que ocorreu na Bernardo Sayão. “São lojas que tem um estilo mais aproximado do padrão de shoppings centers. Essa loja aqui, por exemplo, gastou R$ 3 milhões para reformar. Só pra você ver o padrão e o nível dessas lojas”, aponta ao caminhar pela avenida.
O presidente da Acibs revela que, hoje, as lojas que fecharam as portas representam apenas 10% do total de 2 mil estabelecimentos comerciais que a avenida e as ruas adjacentes abrigam. “Essas pequenas não conseguem se firmar dentro do conceito da BS. É o que tá acontecendo, essa adequação. As fechadas são as pequenas, que não tem estrutura para crescer, infelizmente”, infere. A mudança é apontada como natural pelos lojistas que permanecem e crescem no local. Como José Alves, 57 anos, que há 27 anos ocupa um ponto com sua indústria de jeans.
O comerciante conta que o começo – como todo o é – foi difícil. “Nós começamos, minha esposa e eu, na Feira Hippie, quando ainda era na Av. Goiás. Com muito esforço, conseguimos um ponto pequeno aqui na Bernardo Sayão, onde eu pude começar minha fábrica”, lembra. Dos tempos de lida, José Alves traz boas lembranças, como a passagem de três presidentes do Brasil pela avenida que ele viu crescer. Relembra também das lutas travadas pelo setor confeccionista e da união com os colegas que fez diferença na hora de exigir melhorias junto ao governo do Estado.
Hoje, José Alves acredita que a diferença está no conforto ofertado aos clientes, bem como na qualificação do produto comercializado. “Eu, como vários lojistas, fiz investimentos altos na loja. Acabo de fazer uma reforma que custou em tornou de R$ 200 mil. Isso é acreditar que a Bernardo Sayão é o polo confeccionista que oferece mais para o cliente que vem à Goiânia”, certifica. Para ele, o movimento de fechamento de lojas, é algo normal. “O que está acontecendo é uma seleção natural das lojas. Os aventureiros que não tem estrutura e abrem o comércio, não vão conseguir se sustentar”, sustenta.
O alto investimento não assusta José Alves, pois para ele isso é sinal de que o negócio vai bem. “O resultado vem naturalmente, quando você faz um investimento em reforma ou equipamento, é acreditando que esse retorno virá”. Para ele, cruzar os braços, nunca é opção. Sejam tempos bons, ou de instabilidade, o bom comerciante deve sempre investir em seu estabelecimento. “Não podemos ficar acomodados, pois se acomodar estará fadado à falência. Se está bom temos que continuar investindo. Nada de cruzar os braços e ficar só esperando bons frutos ou investindo em coisas que não estejam ligadas ao negócio”, instrui.
Marketing estratégico
Não são apenas as modificações visuais que transformaram a cara da Bernardo Sayão. Com tanto acesso à informação e assistindo ao crescimento do poder das mídias no favorecimento do negócio, muitos empresários optaram por investir em estratégias de marketing e divulgação para atrair novos clientes e consolidar antigos, como explica o gerente Jesus­mar Monteiro, 39 anos. “Com o tempo, houve uma evolução. As empresas começaram a trabalhar mais com divulgação e marketing. Se você observar, todas as lojas que estão aqui ao redor investem nesse tipo de serviço”, relata.
Outro comerciante que pensa da mesma forma é Dayson Luiz Tonaco, 34 anos. Proprietário de uma loja de vestuário feminino, o lojista acredita que o diferencial do produto é que na Bernardo Sayão busca-se trabalhar com tendências. “A Bernardo Sayão foca em sair na frente. Na nossa loja mesmo, a gente foca em ter o produto da tendência antes de ela ser lançada, saindo na frente com a qualidade no tecido e na modelagem”, explica. A visão da transformação do mercado, levou o empresário a investir em comunicação e marketing. “É muito importante, pois o que não é visto não é lembrado. Então, queremos investir ainda mais”.
Na loja em que atua há mais de cinco anos, o gerente Jesusmar Monteiro conta que várias estratégias já foram adotadas com o intuito tanto de fidelização, quanto de captação de novos clientes. “Aqui, nós trabalhamos, por exemplo, com lançamento de coleção que, em si, é um evento de marketing. Então, realizamos um desfile na loja e divulgamos tudo nas plataformas digitais. Fazemos televisão e rádio. Todo esse trabalho vem para fortalecer o produto e as marcas”, descreve. Para ele, é isso que diferencia o modelo de negócio praticado na Ber­nardo Sayão, em Campinas e na Rua 44, no Centro.
Esta é a mesma opinião de Luiz Carlos Pereira, 31 anos. O vendedor que também já está há bastante tempo na mesma loja, explica que o cliente da 44 procura mercadoria barata, geralmente. “Nós também temos uma loja lá. Esse tipo de cliente é, às vezes, sacoleiro ou lojista de menor porte, por isso compram uma quantidade menor. Aqui na Bernardo Sayão, quem compra são os clientes de maior porte, que buscam variedade e qualidade”. Luiz Carlos vê como concorrência, na medida em que o mesmo cliente compra os dois tipos de mercadoria, que também estão dis­poníveis no outro polo.


Myron: “Revitalização é a solução para a avenida”

 

É uma opinião unânime entre todos os comerciantes da Bernardo Sayão hoje: a solução é investir em ações que atraiam a clientela de volta para a avenida, como proposto pela atual gestão da Acibs. Cairo Myron, presidente da associação, menciona três projetos que podem sair do papel ainda este ano, mas antes de tudo a união. “A primeira coisa a buscar é a união do setor, pois assim poderemos promover ações que mobilizem toda a região, consequentemente, atraindo mais clien­tes”, antecipa. Dentre os projetos da Acibs para movi­men­tar a região estão o serviço de fidelização de clientes, apelidado Client Working, o Bar da Moda, a construção de um hotel e o Circuito da Moda.
“O Client Working funcionará da seguinte forma: cada empresário terá a meta de trazer dois clientes para a avenida, com o objetivo de fazer com que estes circulem por várias lojas”, explica. O grupo com o qual Myron vem trabalhando, atualmente, é formado por cerca de 90 empresários de grande porte da região, que tem se mostrado dispostos a revitalizar a avenida. “O outro projeto é o Bar da Moda – Um encontro de negócios. Este será um evento que pretendemos realizar todas as sextas-feiras, entre 18h e 22h, na sede da Acibs. O intuito é que que cada um tenha a oportunidade de apresentar seus produtos”, infere.
A terceira proposta e que, nas palavras de Myron, já está viabilizada é a construção de um hotel voltado especificamente ao atendimento dos clientes que vem de outros Estados e cidades fazer compras na avenida. “Nós já temos a área, que fica em uma das ruas adjacentes à Bernardo Sayão. Pretendemos construir uma estrutura boa, com 300 leitos”, conta. Por último, mas não menos importante, uma ideia ousada. Há alguns anos, os comerciantes da região reclamam o fato da proibição de estacionamento de ônibus na avenida, o que desaqueceu um pouco as vendas na região.
“Você imagina, o cliente descer na rodoviária e ter que vir andando até aqui? Isso é um absurdo. Por isso, já estamos trabalhando no sentido de rever essa proibi­ção”, assegura. Mas, a intervenção não para aí. De acordo com o presidente da Acibs, a intenção é criar o Cir­cuito da Moda, uma es­pécie de traslado gratuito para os clientes, cuja rota passará pelos três polos confeccionistas. “Serão ôni­bus plotados, que vão oferecer muito mais comodidade pa­ra quem vem fazer compras. Imagine que você esteja em uma loja, e deseje ir para a ou­tra ponta da avenida. Vo­cê, simplesmente, pegará um voucher na loja em que está, para apanhar o ônibus”.
Dayson Tonaco acredita que as propostas da Acibs vão ter um resultado positivo para todos os comerciantes e empresários da região. “O cenário de 2015 requer muita atenção e cautela. Mas, se a gente desenvolver um plano de ação junto com os outros confeccionistas daqui, acredito que a gente consiga reverter e sair bem, com resultado positivo no final do ano”. Na opinião dele, esse projeto se concretizado só vai consolidar ainda mais os pontos fortes da Bernardo Sayão, que são diversidade e qualidade, para ele. “Aqui há uma variedade de produtos. Quando ocliente chega até nós, ele encontra uma infinidade de produtos com qualidade”, conclui.

 

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