PTB rechaça ida para a oposição

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Apesar de uma recente entrevista na qual o deputado federal Jovair Arantes (PTB) afirma não ter nenhum compromisso com a base nas eleições de 2018 – “O PTB tem compromisso com a população”, disse ele – aliados do presidente do PTB em Goiás dizem que não acompanharão o líder do partido, caso ele se alie com a oposição no campo político em Goiás.

Isso ficou claro em levantamento feito pela Tribuna junto a aliados políticos na Assembleia Legislativa e a prefeitos do partido nas cidades do interior do Estado. A maioria não acredita na possibilidade de Jovair seguir para o caminho da oposição em Goiás, enquanto que outros afirmam que independente do que houver, não deixarão a base do governo estadual.

Os deputados estaduais, em sua maioria, disseram que ficarão na base do governo, posição defendida também por prefeitos do partido. O clima ruim criado pela não aceitação de pressões de aliados por parte do governador Marconi Perillo (PSDB) na formatação de seu secretariado divide as opiniões de aliados. Alguns dizem que a situação já passou, mas uma pessoa fortemente ligada a Jovair – seu filho e deputado estadual Henrique Arantes (PTB) – é enfático em admitir que a relação “já foi melhor”.

Por ser filho de Jovair, Henrique tem propriedade para falar da relação do pai com o governador. Para ele, é uma briga de amigos, que poderá voltar a ser uma amizade de novo. “Sabe aquela briga de amigos. Eles ficam seis meses sem se falar e depois tudo volta ao normal”, fala.

Mesmo sabendo do posicionamento do pai, Henrique, que assumiu este ano o cargo de primeiro secretário na Assembleia, é enfático ao dizer que não fará oposição ao governo na Casa. “Eu não vou fazer oposição ao governo”, diz.

O sentimento é o mesmo de outras lideranças. Talles Barreto é um dos que não acredita que Jovair vá para a oposição. Segundo ele mesmo, os dois, líder do partido e líder da situação, já tiveram melhor momento, mas ele não acredita em rompimento. “São amigos. São santilistas. Isso já está superado”, declara Barreto.

Talles credencia a permanência na base aos triunfos conquistados ao longo dos últimos anos. “Nós ajudamos o governador. Fizemos parte de um projeto de sucesso”, afirma. Segundo o deputado essa já uma questão que faz parte do passado. “Nós vamos continuar com o governador”, ratificou.

Prefeitos

Para além das incertezas e especulações, o certo é que todos os principais membros do PTB ouvidos pela reportagem não acreditam no rompimento do partido com a base. Casos como o do prefeito de Águas Lindas, Hildo do Candango (PTB), por exemplo, que não vê possibilidade. “Não consigo imaginar”, diz ele.

Tido como principal motivador da insatisfação, os ajustes para o quarto governo de Marconi Perillo foi defendido pelo prefeito do Entorno. “Os cortes foram necessários para um bom governo”, disse. Hildo Candango acha que esse é apenas um capítulo de uma história que será duradoura. “Há um momento passageiro. A poeira vai baixar”, acredita.

Outro membro de peso do PTB no interior é o prefeito de Itumbiara, Francisco Domingues (PTB), o Chico Bala. Representante do partido em uma das principais regiões do Estado, Chico diz estar convicto de que Jovair Arantes continua na base governista.

Para ele, o momento é passageiro e caminha a passos largos para ser superado. Bala diz que conversou com Jovair recentemente e que o deputado lhe disse que o encontro com o PMDB “foi um encontro casual”, defende.

Ao mesmo tempo em que acredita na permanência de Jovair Arantes na base, Chico usa um advérbio de tempo para expressar posição a cerca do tema. “Agora eu estou junto com o governador”, disse Francisco Domingues dando a entender que no futuro tudo pode acontecer.

O prefeito da cidade de Jaraguá, Ivaldo Avelar (PTB), não se pronunciou sobre a temática. Por meio da assessoria, disse que mantém relação boa tanto com Marconi quando com Jovair e que sua posição poderia ser mal interpretada.

Preferência

Mais aberto em seus posicionamentos, o prefeito de Bom Jesus de Goiás Daniel Vieira Ramos (PTB) é enfático. Para ele é difícil abandonar o governador. “Acho que tudo vai se organizar. É complicado abandonar. Eu acompanharia o governador”, afirmou o petebista.

O prefeito assumiu a gestão de Bom Jesus recentemente, depois que a última eleição realizada em 2012 foi anulada devido à irregularidades nas candidaturas dos postulantes. Daniel Vieira assumiu a prefeitura no final do ano passado onde, segundo ele, herdou uma dívida de cerca de R$ 3 milhões.

Com tudo isso, a parceria com o governador é fundamental para administrar a cidade, na sua visão. “Para nós a continuidade da união com o governador é muito importante. Vivemos um momento difícil nos municípios”, defende-se.

Além disso, Daniel disse que se empenhou para a vitória do governador e que por tudo isso em caso de racha continuaria com o governo. “É complicado abandonar a base depois de ter feito a campanha toda para o governador. Estabelecemos parcerias”, declara.

DEM

O posicionamento da base do PTB em Goiás é enfático e claro ao líder do partido. Em meio aos desejos de que a situação ruim entre Jovair e o governador seja apenas passageira, esconde uma expectativa clara de que os aliados não desejam que Jovair se aproxime da oposição.

A mesma situação ocorreu com Ronaldo Caiado no ano passado. Antes de se eleger senador da República, Caiado aguardou o convite de Marconi para ser candidato na base governista, o que era desejado pelo presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), e pelo presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (DEM).

Mas a negativa do governador em acolher Caiado na base – ele, Marconi, já havia feito compromisso em lançar o nome do deputado federal Vilmar Rocha (PSD) como candidato ao Senado em sua base – afastou Caiado de vez de Marconi Perillo e o levou a ser candidato ao lado do ex-governador Iris Rezende (PMDB) e do então deputado federal Armando Vergílio (SDD).

A ida de Caiado para a oposição lhe rendeu a vitória na disputa ao Senado, mas lhe afastou das principais lideranças estaduais do DEM. Dos 17 prefeitos do partido no interior, apenas dois seguiram com ele para o lado da oposição, enquanto que o deputado estadual Hélio de Sousa fez campanha apenas para si, ficando visivelmente incomodado com o posicionamento do DEM e de Caiado. O mesmo poderia ocorrer com Jovair, caso ele siga mesmo para a oposição, dentro de seu partido.

Teoricamente, caso abra diálogo com afinco com a oposição, Arantes teria de enfrentar algumas situações dentro de sua legenda. Na Assembleia, por exemplo, são quatro deputados do PTB sendo todos eles muito ligados ao governador Marconi Perillo. Um dos mais influentes na Casa, o deputado Talles Barreto (PTB), é um dos mais coesos.

O deputado atualmente é o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) mista na Assembleia e tem defendido o governo em diversas ocasiões. Outro que também é bastante ligado a Marconi é o deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB), que pertencente ao Grupo de Aparecida, formado por políticos com forte ligação com o governador Marconi Perillo.

PTB unido com a base de Marconi

“Eu não vou fazer oposição ao governo”, Henrique Arantes, deputado estadual;

“Nós ajudamos o governador. Fizemos parte de um projeto de sucesso. Nós vamos continuar com o governador”, Talles Barreto, deputado estadual;

“Acho que tudo vai se organizar. É complicado abandonar. Eu acompanharia o governador”, Daniel Vieira, prefeito de Bom Jesus;

“Não consigo imaginar o PTB fora da base aliada”, Hildo do Candango, prefeito de Águas Lindas;

“Agora eu estou junto com o governador”, Chico Bala, prefeito de Itumbiara;

 

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