De mãos dadas contra a pedofilia

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800 - E8 e E9 - SME - Por meio de vídeos livros e rodas de conversas as crianças aprenderam o conceito de pedofilia

Por definição, a palavra “pedofilia” é tida como perversão que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças, e/ou como prática efetiva de atos sexuais com crianças. Também denominada como paedophilia erotica ou pedosexualidade, a pedofilia, seja ela por meio da internet ou assédio corporal direto, tem sido um dos temas mais discutidos, noticiados e uma das maiores problemáticas sociais.

Preocupada com tal realidade e, com o objetivo de orientar as crianças e a comunidade escolar (pais e responsáveis), a equipe do Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Ciranda, localizado na Vila Maria Dilce, idealizou o projeto “Cmei Ciranda de Mãos Dadas contra a Pedofilia”.

Durante a última semana, cerca de 50 crianças, com idade entre 3 e 5 anos, participaram de atividades propostas de acordo com o planejamento pedagógico das educadoras. A primeira atividade foi com o livro “É só gostar”, da autoria de Isabela Barbosa, com foco na proteção, carinho e afeto que os pais sentem pelos filhos. Após a leitura do livro, os pequenos participaram de uma roda de conversa, metodologia utilizada na Educação Infantil para que as crianças possam verbalizar sentimentos e ideias.

A semana seguiu com panfletagem informativa com a participação dos pais, momento em que foram apresentadas a eles medidas protetivas contra a pedofilia; além de atividades de pesquisa e letramento em sala, sessão cinema com exibição do filme “Não esconda de ninguém – Quebrando o Silêncio”. Segundo a professora do Cmei, Cleide Mendanha, o vídeo ensinou às crianças a não terem segredos. “Elas devem entender que os pais são seus melhores amigos e que não podem deixar de contar nada a eles”, disse.

O encerramento das ações foi realizado com a apresentação das professoras que protagonizaram um teatro para contextualizar o tema do projeto. “As crianças se envolveram bastante e nós conseguimos chamar a atenção dos pais. Nossa intenção é prevenir, conscientizar, afinal os índices mostram uma realidade preocupante”, concluiu a professora Cleide.

A diretora do Cmei, Leda Servato Gomes, ressaltou que o assunto é delicado para ser tratado com as crianças, mas, ao mesmo tempo, muito necessário. “Eles são muito pequenos para entender de fato o que é a pedofilia, mas explicamos de uma forma bem simples e infantil para que eles, no mínimo, saibam reconhecer, caso aconteça, um gesto ou atitude suspeita e, principalmente, que contem a um adulto”, pontuou.

 


Preocupação da SME

A prevenção à pedofilia é um dos assuntos tratados pela Política Articulada de Educação da Paz (Epaz), idealizada pela Secretaria Municipal de Educação (SME). O tema é abordado em encontros de formações e planejamento estratégico realizado durante o ano com os profissionais da rede municipal.

De acordo com a coordenadora da Epaz, Genivalda Cravo, o objetivo é retirar o tabu que ainda existe em torno do problema social. “Nós educadores temos o papel fundamental de alertar as famílias e os nossos alunos para que possam prevenir, reconhecer e saber quais as providências devem ser tomadas diante de um caso. Os pais e os professores precisam falar sobre o assunto. No ambiente escolar, é necessário desenvolver atividades de conscientização e orientação. Nosso foco é a prevenção”, pontuou.

O diretor do Departamento Pedagógico da SME, Marcos Pedro da Silva, completou dizendo que os profissionais que estão em contato direto e diário com as crianças, ao perceberem algo suspeito, devem imediatamente procurar a família como primeira medida. “Às vezes a criança se sente mais à vontade em se abrir com uma professora da unidade escolar. Por isso, é importante orientar que não escondam nada dos adultos”, afirmou.


Alerta!

Agressividade, medo de tudo, choro excessivo, isolamento, aparência abatida e falta de concentração são algumas das mudanças comportamentais apontadas pela psicóloga Natália Oliveira, em relação às crianças que são vítimas da pedofilia. De acordo com ela, a escola deve ficar atenta a esses tipos de atitudes. “Cabe às instituições educacionais buscarem alternativas como palestras educativas e atividades lúdicas para que a criança vítima se sinta segura em compartilhar o que sofre com alguém. Diante de uma situação suspeita é imprescindível a parceria entre a escola e a família para que o bem-estar psíquico da criança seja garantido”, explicou.

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