Adib Elias: “Se não tiver condições, Júnior deveria sair do PMDB, assim como fez Frederico Jayme”

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O ano de 2015 marcou a volta do ex-prefeito de Catalão Adib Elias (PMDB) para a Assembleia Legislativa, ele que já havia sido deputado nos anos 90. Apesar disso, o peemedebista está com um olho em Goiânia e outro na sua cidade natal. Lá, o prefeito Jardel Sebba (PSDB) passa por dificuldades. “A cidade passa pelo seu pior momento dos últimos 20 anos”, acredita Adib. Desta forma, o seu nome cresce como uma possibilidade de ser candidato a prefeito no ano que vem. Adib diz que pode apoiar qualquer pessoa do seu grupo, mas avalia que também não recuará se for necessário disputar, mais uma vez, o Paço Municipal. O deputado também fala sobre o atual momento do PMDB e acredita que o embate entre o empresário Júnior do Friboi e o ex-governador Iris Rezende vem atrapalhando o partido. Se não houver condições, Adib defende que o Friboi deixe o PMDB sem ser necessário uma expulsão. Confira a entrevista.

Como foi a reunião do partido ocorrida na última semana?

O que prevaleceu lá foi a união. O partido saiu da reunião ainda mais unido e, posso afirmar certamente, que este é o momento de maior compactação do PMDB desde que saímos do poder em Goiás. A decisão de transformar todos os diretórios em comissões promissórias, foi a mais correta que poderíamos tomar, pois avaliza e avalia os companheiros que estão no comando da legenda e também para que não ocorra o mesmo que já ocorreu em eleições anteriores, quando prefeitos apoiaram candidatos que não do PMDB. Tenho certeza que teremos muitas alegrias nos próximos anos.

Essa reformulação deveria ter sido feita antes?

O partido sempre tentou realizar a reformulação por meio dos diretórios, mas com o governo tendo essa proximidade com os prefeitos, fazendo parcerias e acertos, tornou esse controle mais difícil. Mas agora com a implantação dessas comissões provisórias, nós temos a certeza de que o PMDB terá candidatos próprios a prefeito em todas as cidades do Estado ou então fará alianças com virão a ficar do nosso lado no futuro.

O partido vinha trabalhando em três vias, uma com Maguito, uma com Iris e uma com Friboi. A partir de agora o partido trabalhará unido?

Eu entendo que essa ala de Maguito e Iris inexiste. Maguito participou de nossa reunião no escritório de Iris, como tem participado de inúmeras reuniões com a bancada e participando de projetos que queremos fazer de comunicação social. Não há problema com ele. Há esse problema do Júnior do Friboi com o Iris que nós não vamos interferir, mas que é problema do partido. O partido resolverá se ele fica ou não. Mas posso afirmar que vem atrapalhando profundamente o partido. Se isso acabar, cada vez mais nos fortaleceremos.

A implantação das comissões provisórias tirou um pouco da força que Friboi exercia em alguns prefeitos do interior?

Depois que o Júnior deixou de ser candidato, a maioria absoluta deixou apoiou Iris. Apenas alguns deles não o fizeram. Mas o debate do Júnior com o PMDB tem que ser feito o mais rápido possível, para tirar esse problema que ainda existe. Júnior tem qualidade e quer ser candidato, mas temos que definir o que ele terá de participação no PMDB. O que não pode é ele ficar dando declaração que o candidato dele é o Vanderlan Cardoso, que é de outro partido. Ora, o PMDB de Goiânia não será cadeira de nenhum outro candidato. Teremos candidatura aqui como em outras cidades.

O que o senhor tem achado? O partido é a favor da expulsão dele?

A decisão é do diretório. Nós como deputados não temos nem direito a voto. Se eu tivesse de decidir, decidiria. Mas repito, o partido não pode, em meio ao crescimento que está sendo proporcionado com a criação das comissões provisórias, ficar com arestas para ser aparadas, como essa situação do Friboi.

O Friboi não entendeu a importância histórica do PMDB em Goiás e no Brasil?

Ninguém chega no lugar onde ele chegou se não fosse inteligente. É claro que em política vale a experiência. E ele ainda não tem isso. Mas se pudesse, ele poderia ajudar a aparar estas arestas. Mas precisa amadurecer mais, conhecer o interior. Seria de fundamental importância para ele. Eu disse na reunião que o Júnior fosse expulso. Se não tiver condições de resolver, ele deveria sair, assim como fez Frederico Jayme.

Mas suas últimas declarações mais atrapalharam do que ajudaram a condução do partido…

Aquela declaração dada em janeiro, de que ele iria assumir o diretório com o apoio dos Vilela e com o diretório nacional – o que não é verdade – e aquela que o candidato dele seria o Vanderlan em Goiânia, no PMDB ou no PSB – e quero deixar claro que nós do PMDB gostamos muito do Vanderlan. Eu filiei o Vanderlan quando presidia o partido – não foi boa, já que o PMDB terá candidato em Goiânia. Isso atrapalhou a história dele junto ao PMDB.

Essa certeza de ter um candidato em Goiânia não pode atrapalhar as alianças do partido?

Não, pois o PMDB, mesmo depois de cinco derrotas no Estado, ainda é o partido de maior capilaridade em Goiás. E temos pesquisas que mostram que o goianiense gosta da forma de governo e das administrações do PMDB. Para termos chances em 2018, temos que ter o prefeito em Goiânia. Isso é fato consumado. Teremos candidato em Goiânia.

O sr. acha que o PT, assim como foi apoiado pelo PMDB em 2012, deveria apoiar o PMDB ano que vem?

Quando dizemos que o PMDB terá candidato, é porque temos bons nomes. E um desses nomes é o de Iris. Agora, temos que ter o candidato que tem uma chance maior. Em municípios onde o DEM tiver um candidato de maior chance de vitória, nós temos que apoiá-los. O momento é do PMDB em Goiânia.

Mas a tendência é manter a aliança com o PT?

Essa decisão sobre alianças deve ficar para o próximo ano. Temos que avançar neste momento e começar a trabalhar nossas propostas.

Uma das grandes dificuldades que o PMDB teve em eleições anteriores foi em relação a decisão do nome do candidato. Em 2006 você e Maguito disputaram. Em 2010 Iris demorou um pouco a ser anunciado e em 2014 houve a disputa entre Friboi e Iris. Quando o PMDB irá definir o nome aqui em Goiânia?

Em 2006 eu disputei com o Maguito nas convenções e tive 30% dos votos. O Maguito era o nome mais forte do partido naquele momento. Não fui escolhido, mas fechamos a convenção com os braços dados às 19 horas. Em 2010 e 2014 realmente tivemos dificuldades na escolha. E isso não podemos deixar acontecer novamente. Queremos chegar até o mês de março do ano que vem com o nome definido, para aí trabalharmos os nomes para vereador.

O sr. falou no nome do Iris como um dos nomes, mas muitos pregam pela renovação. Há alternativas a ele no partido?

Há muitos exemplos de que as pessoas pedem renovação e que no final a renovação vira uma tragédia para os municípios. Idade não é problema para ninguém. Temos que inovar, ao invés de renovar. Inovar ideias, comportamentos… Iris tem 81 anos, mas é muito moderno. Caso ele não seja candidato, temos o deputado Bruno Peixoto e o vice-prefeito Agenor Mariano. Além deles, ainda temos o deputado federal Daniel Vilela.

A dificuldade administrativa enfrentada por Paulo Garcia e o fato de Iris tê-lo apoiado em 2012, pode atrapalhar uma candidatura de Iris no ano que vem?

Eu conheci poucas pessoas da grandeza, da estatura moral e do companheirismo do Paulo Garcia. Ele vive um momento de dificuldade administrativa, assim como todos os prefeitos do Brasil, mas em uma pesquisa recente que eu vi, o nome de Iris não é afetado por ser amigo de Paulo Garcia. Paulo é um homem honrado e correto e esperamos que ele melhore sua administração, pois é um homem merecedor disso.

Como o sr. observa a aproximação administrativa de Paulo Garcia com Marconi Perillo?

Acho que é uma fantasia, uma brincadeira. A mesma coisa que ocorre com o governador e com a presidente Dilma. É uma aproximação administrativa que aconteceu. E o governador não está incorreto não, pois se não arrumar dinheiro com o governo federal não vai fazer nada, como não teria feito se não tivesse recebido mais de R$ 10 bilhões um ano e meio antes das eleições. Ele teria passado a administração em branco. Marconi está fazendo o papel dele. Ele não ligará se tirarem a Dilma do poder. Diz que é republicano, mas não é. Dou o exemplo daqui da Assembleia. Prometeu R$ 1,5 milhão para cada deputado da base em emendas, mas para a oposição, não. Isso não é ser republicano. O maior adversário político de Dilma no momento é o senador Ronaldo Caiado e ela paga todas as emendas de projetos dele. Marconi deveria dar o exemplo. O que vale para Chico vale para Francisco. Não senti verdade no apoio dele a Dilma. Fez um teatro ao recebê-la. Ele diz que governo não deve fazer oposição a governo, mas fez oposição a mim quando eu era prefeito de Catalão. Ele não me ajudava. Dizia que eu não aceitava, o que não era verdade.

Há algum problema do partido com a presidente Dilma?

Eu tive uma dificuldade grande de votar na Dilma, pois ela teve um peso muito grande na nossa derrota no ano passado, pois colocou de R$ 10 a 12 bilhões um ano e meio antes das eleições. Todas as obras, pavimentações, etc., nada disto teria ocorrido sem o governo da Dilma. Não quero que Goiás seja prejudicado, mas que se arrumasse outra forma de trazer esse dinheiro a Goiás e que o povo tomasse conhecimento de que as obras só ocorreram pelo aporte do governo federal. Isso não aconteceu. E agora o governador faz de novo esse papel, de se aproximar mais uma vez do governo federal.

E o momento atual do PMDB com governo federal? Como avalia isso?

Eu vejo como muito ruim a atual convivência do PMDB com o governo federal. Não adianta eu chegar aqui e dizer que esta tudo bem. Vocês não vão acreditar. Entendo que se vier de deputados, senadores eles tem que pagar como todo mundo tem que pagar. Ninguém admite mais a corrupção no nível que está. Hoje eu vi a presidente com mais de 70% de rejeição. Quem falar que aquela manifestação há oito dias não foi uma manifestação que lesa, arrebenta e aniquila o governo é porque está querendo esconder uma coisa e mais ainda, acho que aquela foi uma movimentação importante por uma série de coisa.

Como o sr. recebeu a ação imputada pelo PT tentando impedir sua posse?

Aquilo eu já esqueci porque o Iris tomou uma posição que me agradou profundamente. Eu não tinha conhecimento que o PT, um partido aliado, tinha entrado com pedido para impugnar minha diplomação. Acho que aquilo, dentro do PMDB, atrapalhou muito essa relação nossa. Mas eu recebi ligação de alguns petistas, em especial, do Osmar Magalhães, se desculpando por aquilo. Mas eu quero dizer que foi uma atitude “desatempada”. Uma pessoa adversária minha tomar uma atitude daquele tudo bem, mas um aliado tomar uma decisão daquela foi muito ruim. Mas graças a Deus eu fui diplomado, tomei posse. Não existe um administrador público no Brasil que faz 600 obras numa cidade do tamanho de Catalão que não sai com problema administrativo. Eu tenho problema administrativo, mas problema de improbidade ninguém é capaz de mostrar. Agora, tenho absoluta certeza que os problemas administrativos serão resolvidos o mais rápido possível, espero eu, e tenho certeza eu já esqueci essa manifestação que o PT fez contra minha diplomação. Até porque eu tenho uma relação muito boa com o PT.

Com relação a Catalão, por que o prefeito Jardel está tendo tanta dificuldades de administração?

É porque Catalão não é mais uma das mais importantes cidades do interior de Goiás. Ela é uma das mais importantes cidades do interior brasileiro. Administrar não é fácil. Uma pessoa que for sair do legislativo para o executivo ele tem que se empenhar profundamente para dar conta e lá foram cometidos diversos erros que eu não quero de forma nenhuma colocar aqui. Avançaram muito e não esta tendo jeito de retornar. A única coisa que eu posso dizer e que está escancarado. A cidade passa por um dos momentos mais difíceis dos últimos 20 anos. Para falar sobre isso teria que ser uma pessoa que não tivesse perdido eleição para prefeito como eu perdi. Até acho que já recuperei porque ganhei a eleição para deputado, mas perdi a eleição para prefeito então acho que não sou a melhor pessoa para comentar.

Temos acompanhado notícias de manifestações contra o prefeito Jardel Sebba. O sr. recebe isso como um incentivo a voltar a disputar a prefeitura da cidade em 2016?

Eu acho que o espelho da eleição de prefeito é a eleição de deputado. Quando eu tive quase três ou quatro por um, no candidato do prefeito espelhou que o povo não está satisfeito com a administração. Quando um deputado de fora com mais de 14 comitês instalados lá em Catalão deputado federal Daniel Vilela teve 13 mil votos é uma situação que espelha o que poderá ser o futuro. Eu fui eleito deputado para ficar aqui quatro anos e entendo que eu sou um cara do meu grupo, do meu partido. Eu entendo que muitos hoje dentro do partido tem condições de ser prefeito, todos já me ajudaram eu também posso ajudá-los. Agora, eu não retiro o meu nome. Nesse momento a cidade precisa de alguém que tenha respeito com a cidade, compromisso com a cidade.

Quem hoje, além do sr., seria uma opção para Catalão?

Nós temos lá três, quatro, cinco vereadores que estão fazendo um brilhante papel de oposição. Além deles temos o João Sebba, que foi meu vice-prefeito e que é o mais brilhante administrador público na área de Saúde em Goiás, além do próprio ex-prefeito Velomar Rios e do ex-deputado Fernando Neto que começa reconstruir sua história junto conosco.

Como foi essa reaproximação?

O Fernando, o João Sebba e eu somos amigos de infância. Nós ajudamos o Fernando a chegar aqui na Assembleia como deputado estadual. E teve momento de desencanto, momento de avaliação às vezes errada e o Fernando separou de nós, mas naturalmente voltou e falo isso com muita naturalidade, um dos mais brilhantes que essa casa teve. Então nós temos lá grandes nomes e é nós todos juntos que vamos decidir que será o candidato.

Agora o sr está recomeçando o mandato de deputado, uma volta. Como o sr. está sentindo essa nova legislatura, e qual o paralelo da época que o sr foi deputado?

Eu acho que o último ano que teve grandes debates nesta casa foi na 14ª legislatura em 1998, 1999, depois eu acho que a Assembleia ficou muda, paralisada diante da força do governo. Eu não tenho dúvida nenhuma que com tudo aquilo que aconteceu aqui na gestão passada do governador Marconi se um dos deputados tivesse debatido aqui tudo que aconteceu de errôneo no governo o Iris não teria sido candidato a governador, era um deputado estadual. Aquele caso da operação Monte Carlo lesou profundamente o governador. Faltou debate e essa casa não proporcionou isso.

Foi um erro da legislatura passada?

Eu não quero criticar. Faltou uma oposição ferrenha em tudo aquilo que estava acontecendo e talvez daqui pudesse sair um candidato a governador de Goiás. A administração do deputado Helder Valin (PSDB) nesta casa e o outro que junto com ele comandou essa Casa por oito anos se ela for passada a limpo o campo do Serra Dourada não cabe para prender tanta gente que mexeu no dinheiro dessa Casa. Vai muita gente algemado e eu não vou ficar calado. Eu estou atrás, estou procurando, estou sabendo. O padre não pode pagar o preço sozinho. Eu não conheço o padre e nunca vi. Sei que se trata de uma grande pessoa na área que ele trabalha, mas isso não dá o direito de acontece o que aconteceu aqui. Essa Casa precisa mudar. Nessa legislação estão acontecendo as discussões, os debates e eu tenho certeza que nós vamos proporcionar grandes momentos aí para a população.

Os sr. tem esses documentos em relação a esse pessoal?

Não. Basta que vocês vão lá no Ministério Público e perguntar se há algum processo contra funcionário fantasma dessa Casa e aí vocês vão tomar conhecimento de tudo.

A oposição está tentando trazer de todas as formas o João Furtado para dar explicações aqui sobre o Detran e por enquanto não tem conseguido por conta do trabalho da base. O sr acha que vai conseguir trazê-lo?

O Detran é o grande calcanhar de Aquiles do governo. Eu queria abrir um parêntese, eu não tenho absolutamente nada contra o Marconi Perillo cidadão. Ninguém nunca vai ver eu fazer um comentário maldoso em relação a pessoa do Marconi. Está tão ruim o Detran que eu dei um exemplo aqui. Nem para receber dinheiro o Detran tem competência. Mais ainda, soube esses dias que esses sinalizadores eletrônicos não estão recebendo multa de quem foi multado 50, 60 dias para cá. Não estão recebendo receita. Isso é grave para o Estado. Mais grave ainda: quem vai pagar o IPVA no mês julho que pode ir até agosto está recebendo o IPVA agora com desconto. Antecipação de receita meu querido, se não não vão pagar a folha. É essa a situação que vive o governo. Então são essas as questões e os debates que nós estamos fazendo nessa casa. 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Esse candidatinho que este1 fzdneao essa campanha no Facebook de Eleie7f5es Limpas , para o povo dizer ne3o e0 compra de votos, mas incoerentemente este1 pagando em gasolina para que algumas pessoas coloquem adesivos em seus veedculos com seu retrato, isso ne3o e9 compra de voto?Ne3o bastasse isso o candidatinho ainda pede votos para prefeito para um poledtico Ficha Suja, que sequer sabe se tere1 sua candidatura validada pela justie7a eleitoral ou seja a campanha do candidatinho vale sf3 para os outros, porque pra ele e seu candidato pode tudo, inclusive contar mentiras e ser pego na incoerencia, que vergonha Marquinho Advogado (do Diabo)!

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