Petistas defendem elogios de Marconi

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Marconi PSDB Dilma PTA troca de elogios entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e Marconi Perillo (PSDB), no na assinatura de ordem de serviço das obras do BRT, evento da prefeitura de Goiânia, rendeu mais alguns capítulos depois da visita administrativa da presidente em Goiânia no último dia 19 de março.

A cúpula nacional da sigla tucana não demonstrou simpatia com o tom que prevaleceu entre Marconi e Dilma, e fez críticas nos bastidores à atitude do governador, embora publicamente não tenham tecido críticas, revelando, no mínimo, respeito ao tucano goiano.

No âmbito estadual a oposição se dividiu. Enquanto alguns membros classificaram o apoio demonstrado como uma forma de busca de mais recursos para seu governo, houve quem defendesse a ação do governador, inclusive dentro do PT.

Já os aliados não ousaram criticar a postura do governador e até a elogiaram, classificando-a de republicana. Porém, ainda houve quem defendesse a postura de Marconi mesmo na oposição.

Alguns petistas observaram a relação afetuosa entre os dois como normal. Para eles, a forma com que ambos se comportaram mostra claramente a forma republicana sempre tida como prioritária entre ambos. A ex-deputada federal Marina Sant´Anna (PT) observa que a forma republicana tem que prevalecer entre chefes de Estado. “Entre governos não pode haver hostilidade. Gentileza é uma necessidade”, disse Marina.

O ex-chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia Olavo Noleto (PT) defende que não vê nada de anormal na relação entre Dilma e Marconi. Para ele, os elogios de Marconi mostram que o tucano detém autonomia dentro de sua sigla. “Foi um gesto de grandeza. Um gesto nobre do governador. A presidente reagiu como tem feito sempre. O governador Marconi mostrou que ninguém manda nele”, destacou Olavo.

Marina Sant´Anna ressaltou ainda que as divergências políticas devem ser superadas ao se tratar de relações administrativas. Segundo ela, a relação beneficia tanto PT na figura de Dilma quanto PSDB representado pelo governador Marconi Perillo. “Cabe aos governantes deixarem as questões políticas com os partidos, parlamentares e militantes”, enfatizou Marina.

Já o ex-prefeito de Anápolis Antônio Gomide (PT) foi mais crítico ao dizer que a postura de Marconi é a de quem quer algo em troca. “O posicionamento dele foi de quem quer buscar convênios”, disse. Antônio Gomide ressaltou, no entanto, que a postura de Perillo não poderia ser diferente da de quem governa um estado. “O tratamento dele foi com a responsabilidade de quem é governador”, declarou.

Defesa

Tucanos se defendem ao dizer que o governador Marconi Perillo trata a todos dessa forma. O presidente regional do PSDB Paulo de Jesus defendeu a postura do governador declarando que o governo tem que agir conforme o próprio. “A vida inteira ele tratou todo mundo com republicanismo. O governo é para governar. Questões políticas não são prioritárias”, disse Paulo.

Um dos que também defenderam a postura do governador foi o deputado federal Alexandre Baldy. Ele defendeu, inclusive, as críticas realizadas por parte de deputados tucanos à visita, que adotaram um tom completamente oposto ao de Marconi.

Um deles foi o deputado federal Giuseppe Vecci (PSDB), que criticou ativamente a forma com que a presidente conduziu o esquema de segurança no evento. “Dilma nunca vai à Goiânia, e quando aparece, encastelam-na, afastando-a do povo e das reivindicações do cidadão”, disse através de sua conta no Twitter.

Para Baldy, uma coisa é o parlamentar criticar, outra é a ação do governador. “Giuseppe Vecci (PSDB), Fábio Sousa (PSDB), João Campos (PSDB), Delegado Waldir (PSDB) e eu, nós fazemos oposição. Nós estamos no Congresso e sabemos dos erros. O governador é gestor”, defendeu.

Compondo a base governista, Roberto Balestra (PP) disse que Dilma não tem Marconi como oposicionista ferrenho e vice-versa. Para Balestra, a relação é recíproca entre os dois. “O governador tenta dar a ela o mesmo que está recebendo”, posiciona. Segundo Balestra, as aplicações que tem sido feitas no Estado tem sido reconhecidas por Dilma. “Esse é um sinal de reconhecimento no desenvolvimento do Estado”, afirma.

Ainda durante a semana, a reportagem tentou contato com o presidente nacional do partido e senador da República, Aécio Neves (PSDB-MG), para saber seu posicionamento acerca do fato. O senador respondeu, por meio de nota, dizendo que não iria comentar sobre a questão. Aécio Neves tem sido a principal voz da oposição no Senado e foi o principal oponente de Dilma na eleição presidencial do ano passado.

Críticas

As críticas de Gomide encontraram coro no PMDB, onde houve quem observasse que a ação de Marconi foi de oportunismo. O deputado estadual Adib Elias (PMDB) foi um deles. O parlamentar disse em entrevista à Tribuna que, ao fazer isso, o governador tenta atrair investimentos para o Estado e assim garantir o seu quarto mandato. “Se ele não trouxer dinheiro para o Estado ele não vai fazer nada. Ele está fazendo o papel dele. Ele fez um papel teatral”, criticou Adib.

O PMDB de Adib esteve afastado do palanque da presidente Dilma. Alguns membros tradicionais, como o ex-governador Maguito Vilela (PMDB), além do vice-prefeito Agenor Mariano (PMDB), foram os de maior destaque no encontro. Nenhum deputado federal do partido esteve presente.

O deputado federal Pedro Chaves (PMDB) disse que não pode comparecer por conta do horário que foi alterado. “Foi uma questão de agenda. Mudaram o horário e nós não podemos comparecer”, justificou-se. Segundo Chaves, Daniel Vilela (PMDB) e ele iriam ao evento, mas não tiveram condições em função de outros compromissos já agendados com antecedência.

O PMDB tem se mostrado distante do executivo federal. O partido é importante aliado do governo, tem a vice-presidência e cobra mais participação nas decisões do Executivo. “O PMDB precisa de mais espaço. O executivo tem que ter mais diálogo com o nosso partido”, afirmou o deputado Pedro Chaves.

Elogios

Esta não foi a primeira vez que Marconi elogiou Dilma publicamente e recebeu apoio e afagos por parte da presidente. No ano passado, pela ocasião de inauguração do trecho da ferrovia Norte-Sul em Anápolis, o governador adotou a mesma postura ao elogiar a presidente. Em Anápolis classificou-a como sendo uma grande estadista e se defendeu das vaias da plateia petista ouvidas no local. “Nós estamos aqui em um evento administrativo, não político”, disse no encontro. Dilma, por sua vez, chegou a pedir para que as manifestações contra o tucano cessassem.

O fato é que o trato entre Marconi e Dilma tem gerado diversas interpretações por parte de analistas. Um dos fatos levantados dão conta de que com a perspectiva de um ano economicamente desfavorável aos governos, Marconi estaria tentado garantir seu quarto mandato e atrair recursos para o Estado que hoje possui diversas obras que se encontram em andamento.

O deputado federal Alexandre Baldy (PSDB) não vê nada de errado nisso, mas rechaça que o tratamento de Marconi tenha objetivado esse resultado. “O governador agiu corretamente e demonstrou ser um a estadista. Ele tem todo o direito de se posicionar. Ele é o governador”, assegurou Alexandre Baldy.

Este ano não tem sido os mais simples da administração de Dilma Rousseff. Com menos de três meses do início do seu segundo mandato, a presidente tem a opinião pública contrária as ações do seu governo e sua gestão bate recorde de reprovação. Na mais recente pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT/MDA) o número de reprovação de seu governo chega a 64,8%.

Caso semelhante de crise política aconteceu com Perillo. Em 2012, no segundo ano do seu terceiro mandato, Marconi Perillo sofreu com profundos desgastes em sua gestão. O tucano viu sua rejeição subir após ter seu nome envolvido nos escândalos da operação Monte Carlo da Polícia Federal. Alguns institutos de pesquisa chegaram apontar uma reprovação do governado beirando os 50% à época.

Com caso recente de crise, o governador estaria sendo solidário ao colega de executivo. Entretanto, essa hipótese é descartada pelos aliados de Marconi, que pontuam que os níveis de crises são distintos e não veem como sendo uma atitude solidária. “Eu não vejo por esse lado. A crise da presidente é algo mais amplo. É crise política, administrativa e tudo mais”, acrescentou Baldy.

Aproximação política é descartada por petistas

Os afagos de Marconi à Dilma também pode ser interpretado com sendo o início de um projeto político do governador. Com tema explorado pela Tribuna há cerca de duas semanas, em reportagem que avaliou as chances de Marconi ser candidato à presidência em 2018, o governador estaria vislumbrando a possibilidade de se filiar a algum partido da base da presidente da República.

Dentro do PSDB, Marconi teria dificuldade de se viabilizar, isso porque a política tucana é muito centrada nos estado de São Paulo e Minas Gerais. Com a pequena densidade eleitoral e em termos números pouca expressão no Congresso, Perillo veria que dificilmente teria chance. Mudando de partido, ele poderia angariar apoio total na eventual legenda.

Contudo, o petista Antônio Gomide não vê possibilidade de o fato tornar a ser concreto. Gomide não acha que o Perillo renderia politicamente ao PT. “O PT tem a responsabilidade de continuar o projeto de Lula, das políticas sociais. O que o partido precisa agora é resgatar e estabelecer a normalidade,” afirmou.

A alternativa de Marconi mudar de partido e possivelmente compor a base governista é vista pelo ex-prefeito de Anápolis com chance zero. “Marconi não faria isso em hipótese alguma. Apesar de saber que é muito difícil se viabilizar para candidatura à presidência ele quer ser o meio termo dentro do PSDB”, declarou Antônio Gomide.

Olavo Noleto, que voltará a assumir a subchefia de assuntos federativos da Presidência da República, disse não ter conseguido notar em Marconi nada além de uma relação administrativa. O mesmo disse não ser capaz de avaliar se atitude de Marconi demonstraria a falta de união dentro do partido. “Não vi no governador nenhuma sinalização no sentido de troca de partido”, observou.

Frases

Alexandre Baldy (PSDB) – deputado federal

O governador está preocupado com o executivo. Quer fazer o melhor para o Estado. Ele tem todo o direito. É um estadista”

Antônio Gomide (PT) – ex-prefeito de Anápolis

O discurso que ele está fazendo não é um discurso político. É um discurso de gestão. Ele quer viabilizar o governo dele”

Marina Sant´Anna (PT) – ex-deputada federal

“Essa postura é boa para todos. Cabe aos governantes deixar a questões políticas para os partidos, parlamentares e militantes”

Olavo Noleto (PT) – ex-chefe de gabinete da prefeitura de Goiânia

“Não vejo nada de anormal nessa relação. Vejo um gesto nobre de ambos os lados e acho que é assim que deve se comportar dos líderes”

Paulo de Jesus (PSDB) – presidente regional do PSDB

“Ele já conversou com a cúpula nacional, já está tudo resolvido e eles entendera. Agora, tem gente que não sabe governar, não sabe ser estadista. Pode até ser ciúmes”

Roberto Balestra (PP) – deputado federal

“Essa é uma questão de humildade. Tem que entender que o dever de cada um está sendo feito”

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