Agora é pela presidência

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Depois de passar 2014 convivendo com disputas para definir quem seria o candidato do partido ao governo do Estado – se o ex-governador Iris Rezende ou o empresário Júnior do Friboi -, muitas lideranças do PMDB esperavam um 2015 mais pacífico. Não é o que ocorrerá. Com a permanência cada vez mais certa de Friboi no partido e a intenção, tanto do empresário quanto da ala irista, de eleger o sucessor do presidente Samuel Belchior na direção regional do partido, um novo embate interno já está programado.
Além do poder interno, esta disputa é considerada chave por peemedebistas por outra razão: ela poderá definir também de onde sairá o nome do PMDB para a disputa pelo governo do Estado em 2018.
Os nomes cotados para comandar a sigla pelos próximos dois anos já começam ser ventilado pelos corredores peemedebistas, já que Belchior deixará o comando em outubro.
Outrora cotado para ser expulso do partido, o empresário Júnior do Friboi vem, aos poucos, recuperando sua força dentro da legenda. Já são muitos os que defendem sua permanência na sigla e, segundo apurado pela reportagem, mesmo que o diretório metropolitano o expulse, ao final do processo que já corre, é certa que a expulsão será revogada pela executiva estadual (leia mais em matéria abaixo).
Com isso, o empresário poderá buscar o comando do partido, como já disse em entrevistas concedidas neste ano, lançando seu nome para a disputa em outubro, contra o candidato apoiado por Iris Rezende. Este, ao que tudo indica, deverá ser o ex-deputado federal e empresário Sandro Mabel.
Ao aventar o nome de Mabel, iristas acenderam a luz amarela de uma terceira via nesta disputa peemedebista: a família Vilela. Formada por elementos que ainda não se posicionaram neste jogo político, o grupo comandado pelo prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), defende maior discussão em torno do nome. E buscando maior discussão em torno da sucessão, o deputado federal Daniel Vilela também colocou seu nome como possível candidato.

Força
Por enquanto, de forma tímida, três nomes aparecem como mais interessados em dirigir o partido: os supracitados Sandro Mabel, Daniel Vilela e ainda o deputado estadual José Nelto, que teve seu nome citado por lideranças da sigla. Ele, porém, apesar de achar importante ser presidente do partido, prefere não falar sobre o assunto no momento.
Uma coisa é certa dentre os peemedebistas consultados pela Tribuna: há a certeza de que quem assumir o comando da legenda neste ano terá mais forças na disputa das convenções do PMDB em 2018, quando o partido definirá seu candidato ao governo ou ainda se apoiará um nome de outra sigla para a cabeça de chapa.
O deputado estadual Paulo Cezar Martins (PMDB) negou que haja desconforto interno em torno disso, mas declarou que há, sim, esse entendimento dentro da legenda. “A tendência é de que quem tiver o comando do partido tenha maior possibilidade de vencer a disputa interna em 2018”, disse.
Neste ponto, há uma espécie de jogo de xadrez sendo disputado internamente na legenda. Com maior apoio dentro do partido, o ex-governador não teria dificuldades em eleger o próximo presidente regional do partido, que seria Sandro Mabel. Além disso, há a possibilidade de que Iris Rezende se candidate mais uma vez à prefeitura de Goiânia, o que o fortaleceria ainda mais na legenda.
Diante deste panorama, restaria aos dois outros lados da disputa partirem para o confronto. Sozinhos, porém, Friboi e Maguito sabem que não podem enfrentar Iris. Unidos, talvez possam. Mas aí haveria um conflito de interesses em 2018, pois Daniel Vilela e Júnior Friboi possuem projeto de candidatura ao governo pelo partido na próxima eleição estadual. Ou seja, se o nome for ligado a Friboi, o projeto de Daniel seria enfraquecido. A recíproca também é verdadeira.

Diálogo
Mesmo com forte ligação com Iris Rezende, Mabel é visto com bons olhos por muitos nomes dentro do PMDB e, poderia, sim, ser um nome de consenso. Mas, para isso, muitos defendem que deveria haver mais diálogo em torno da escolha do nome, ao contrário do que foi aventado na reunião do partido há duas semanas.
O deputado estadual José Nelto (PMDB) tratou de enaltecer o companheiro e reforçou que este é apenas o princípio de diálogo. Um apanhado maior sobre essa questão deve ser dada apenas no segundo semestre. “O Sandro fez um grande trabalho como deputado. É um trator para trabalhar. Mas isso vai ficar para outubro. Podem surgir novos nomes”, pensa.
O ex-deputado federal Leandro Vilela (PMDB) pertencente ao grupo de Maguito Vilela, afastou a possibilidade de discussões aprofundadas em torno da pauta neste momento, mas diante da posição de Sandro Mabel ele esboça opinião. “O Sandro está preparado para qualquer cargo. É empresário e político bem sucedido”, afirmou Leandro.
Ainda sobre o nome do peemedebista Leandro fez uma ressalva. Segundo ele, apesar da capacidade inquestionável do companheiro de legenda, o partido ainda peca em manter as discussões longe de seus membros. “A capacidade do Mabel não se questiona, mas eu acho que o partido peca muito em não discutir”, disse o ex-parlamentar.
O próprio deputado federal Daniel Vilela (PMDB) afirmou que até o momento Sandro não disse que teria pretensão e que, portanto, é necessário mais diálogo. “As coisas não são resolvidas dessa maneira”, mostra. O deputado ressaltou que o problema não está em torno do nome, mas da forma com que o partido vai ser conduzido.
Dos nomes que brotam dentro do partido, José Nelto explica que qualquer um que seja indicado como presidente tem que ter a consciência de que será preciso articulação política para agradar a todos. Este nome, segundo ele, terá que passar pela chancela dos maiores líderes. “Tem que ter o apoio do Iris, do Maguito e dos deputados federais. Tudo pode acontecer”, afirmou Nelto.
O vereador Mizair Lemes Júnior (PMDB), ex-presidente metropolitano do PMDB, vê com bons olhos a ventilação do nome de Sandro Mabel. Uma das lideranças do partido na Câmara Municipal, Lemes acredita que o papel de articulador de Sandro vai ajudar a conter as divergências existentes dentro da sigla: “Mabel pode trazer união para dentro do partido. É bom articulador. Tem o respeito dos aliados. Vejo o Sandro com referência no partido. Tudo que ele fez o ano passado faz com que ele ganhasse respeito”.
Racha
Com três possíveis nomes na disputa e de grupos distintos dentro do PMDB, lideranças foram indagadas sobre a possibilidade de mais um racha dentro da agremiação caso ocorra mesmo a disputa pelo comando do diretório. Os correligionários já consideram que a escolha do próximo presidente poderá ser por meio de um confronto direto, mas não veem a disputa como um problema. Eles enaltecem a disputa ao falar que toda movimentação democrática é salutar, em especial dento da sigla.
Um dos que imaginam não haver problemas é o deputado estadual Paulo Cezar Martins. Segundo ele, caso haja disputa pelo comando da legenda não haverá desgastes e que ela será positiva, mas observa que o derrotado tem que aceitar o fato. “A disputa é salutar. Mas tem que saber perder. Acredito que não vai haver desgastes”, disse ele.
Com a posição de Sandro Mabel, que se dispôs a disputar, e com uma possível pretensão de Daniel Vilela estaria configurada uma disputa equilibrada. Entretanto, peemedebistas avaliam que o grupo ligado a Iris teria vantagem na disputa, pois o ex-governador contaria, hoje, com maior número de apoiadores dentro da legenda do que os Vilela.


 

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