Gestão pública para quem?

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altair tavares1

A perspectiva do cidadão brasileiro é de que a gestão pública aperfeiçoe os serviços prestados a ele pelas administrações de prefeituras, governos de Estado e Governo Federal? É fato, mas ele não afirma isso com a clareza ou direcionamento que a exigência pode indicar. O cidadão cobra melhores serviços, melhoria na saúde, mas não pensa em bons gestores públicos quando vai à urna.
Houve um tempo que a administração pública era espaço de poder e propriedade particular. A história da hereditariedade dos cartórios é um bom exemplo e, felizmente, isso já mudou. Vem do tempo dos coronéis a ideia e a cultura de que o público era privado. Assim, por incrível que pareça, a gestão pública é nova na estrutura do Estado brasileiro.
A contribuição da Constituição de 1988 foi importante para a definitiva exigência do concurso público para acesso aos cargos dessa área e apesar de deficiências, ou equívocos, na estrutura deste processo, é melhor assim do que aquele mecanismo em que o amigo ou parente tinha o privilégio na ocupação do cargos da administração.
A gestão pública eficiente, num olhar para o futuro, deve ter como foco, segundo a professora Malu Mendonça, as pessoas que participam dela e a inovação. Onde estão os melhores exemplos de gestão que construam um atendimento de qualidade e confiável para o cidadão? No geral, a resposta do cidadão é de que tudo que é serviço público não presta. Pesquisas de opinião indicam que os Bombeiros, os serviços de urgência como Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) estão no topo da melhor avaliação.
As reformas administrativas do Governo de Goiás e da Prefeitura de Goiânia, para citar dois casos recentes, contribuem para melhora efetiva do atendimento ao cidadão? Ou elas servem para resolver problemas internos de caixa ou os problemas políticos de seus gestores? De quê adianta concentrar poderes em supersecretarias se o atendimento ao cidadão não melhorar? Vale a pena reduzir o volume de cargos comissionados?
O cidadão brasileiro olha para o Estado brasileiro, em todas as suas instâncias, e diz: Eu quero ver o meu direito respeitado e quero ser bem atendido. Enquanto as reformas não tiverem o cidadão como foco, só serão ajustes para a conveniência dos gestores de plantão. Mais gestão pública, é isso que a cidadania quer.

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