“Articular, mobilizar e integrar”

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Eleita por unanimidade no 8º Fórum de Educação da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) do estado de Goiás, a professora e secretária municipal de Educação de Anápolis, Virgínia Maria Pereira de Melo é a nova presidente da associação. No comando da associação, a educadora tem como papel principal promover a integração entre os municípios e ampliar o número de sócios.
Como desafio imediato, a nova presidente da Undime tem o objetivo de apoiar os municípios na elaboração e adequação dos Planos Municipais de Educação (PME), para que atendam as exigências do Plano Nacional de Educação (PNE). “Os principais desafios estão relacionados à obtenção de dados para a elaboração do diagnóstico”, revela Virgínia. Em entrevista ao Caderno Escola, ela explicou as principais funções da Undime, falou sobre os objetivos da nova gestão e comentou sobre a importância da elaboração do PNE para a educação nacional.

A senhora pode esclarecer aos leitores o que é a associação?
A Undime é uma associação civil, sem fins lucrativos, fundada em outubro de 1986, com sede em Brasília, de onde é feita a coordenação da rede formada por suas seccionais. A associação legitimou-se como instância representativa e articuladora dos municípios brasileiros, desempenhando papel importante no processo de discussão, formulação e implementação de políticas públicas nacionais para a melhoria do ensino público no Brasil. Em Goiás, a Undime foi constituída em março de 1991, também como uma associação civil sem fins lucrativos, com 246 municípios.

E quais são os principais objetivos da associação para com a educação pública municipal?
A Undime Goiás propõe apoio em diversas áreas educacionais para os municípios, tendo como missão articular, mobilizar e integrar os dirigentes municipais de educação para construir e defender a educação pública como direito e com qualidade, promover a ética, a cultura de paz, a cidadania, os direitos humanos. Cabe também à Undime incentivar a formação dos gestores da educação do estado de Goiás. Objetiva também uma gestão democrática e sistêmica da educação, baseada na construção de consensos e no fortalecimento do regime de colaboração entre as unidades da federação.

Qual o papel das ramificações regionais da associação?
Cada estado tem uma seccional, responsável por desenvolver atividades que contribuam para a concretização da missão da associação. Em cada seccional são constituídos polos regionais, e seus coordenadores são indicados pela diretoria de forma estratégica, visando facilitar a gestão da Undime em todo o estado. Compete a esses polos regionais promover a integração entre os municípios que compõem cada um deles, com reuniões entre os dirigentes, formações, capacitações, levantamento de demandas e outras solicitações, viabilizando o acesso de todos à associação. No caso de nosso estado, são dezoito polos.

Cite alguns dos trabalhos recentes que a Undime Goiás realizou?
Tivemos, em 2014, o Ciclo de Seminários, que reuniu os dirigentes municipais de educação e suas equipes na discussão dos problemas inerentes às suas atribuições, com a presença de técnicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que se deslocaram de Brasília para atendimento específico às demandas apresentadas pelos municípios. Esse trabalho culminou agora com o 8º Fórum. Mas o ponto alto está sendo o acompanhamento para a elaboração/reelaboração dos Planos Municipais de Educação, com formação das comissões responsáveis em todos os municípios, e a participação na comissão de revisão e reelaboração do Plano Estadual de Educação.

No 8º Fórum da Undime, realizado nos dias 10 e 20 de março, a senhora foi eleita como a nova presidente da associação. O que podemos esperar da nova gestão?

A nova diretoria, eleita no 8º Fórum, colocou como proposta básica, em primeiro lugar, a ampliação do número de municípios sócios, objetivando fortalecer institucionalmente a entidade, inclusive em seu aspecto financeiro. A partir daí, esperamos fortalecer os polos da Undime Goiás, proporcionando mecanismos de assessoramento aos dirigentes municipais de educação em suas demandas junto ao MEC/FNDE, contribuindo de forma sistemática para o acesso dos municípios às informações, políticas, projetos e programas do órgão. Também queremos fortalecer o canal de comunicação da Undime Goiás com a Undime Nacional, estimular parcerias com as universidades e entidades em atividades de pesquisas e estudos que apoiem a gestão das Secretarias Municipais de Educação. E nesse momento, de forma pontual, contribuir para a elaboração e/ou reelaboração dos Planos Municipais de Educação.

Falando no Fórum, o tema do último evento foi “Gestão da Educação Pública Municipal – Desafios e Possibilidades”. Por que a escolha desse tema?
A Undime Goiás acredita que nesse momento complexo, de tantas mudanças que o país atravessa, a educação mais do que nunca torna-se alvo de questionamentos, quando novas exigências são postas e todos esperam respostas aos problemas. Assim, mais do que nunca, é necessário pensar a gestão da educação pública municipal à luz dos desafios que se apresentam, como a garantia do acesso à educação infantil a todas as crianças de 4 e 5 anos, a inclusão de crianças com necessidades especiais e a valorização do profissional da educação, dentre outros inúmeros pontos. Como atender essas demandas sem aumento nos recursos disponibilizados aos municípios? Como efetivar um regime de colaboração entre municípios, Estado e União que possibilite uma educação de qualidade? A escolha do tema foi pensada para que os dirigentes municipais de educação pudessem refletir sobre seus desafios e sobre as possibilidades que temos para superá-los.

Em que a gestão influencia na educação do aluno?
Quando pensamos a escola como um espaço de aprendizagem, de formação de cidadania, de construção de valores, percebemos que a gestão é essencial para atingirmos esses objetivos. Somente com uma gestão que possibilite um ambiente limpo, organizado, rico em oportunidades de aprendizagem, com um clima favorável ao estudo, aberto a novas ideias e propostas é que conseguiremos os avanços necessários a uma educação de qualidade para todos.

E quais as principais dificuldades enfrentadas pelas escolas públicas municipais?
São basicamente dificuldades relacionadas à estrutura física das unidades escolares, pois ainda temos a maioria de nossas escolas construídas sem considerar as novas expectativas de aprendizagem, como espaços digitais, quadras de esporte, bibliotecas, espaços de convivência, espaços para estudo dos professores, e também sem condições de conforto térmico, acústico, de acessibilidade e mobilidade. E há ainda as dificuldades relativas à formação e valorização dos profissionais da educação. Os municípios estão sem condições financeiras de arcar com os custos decorrentes da implantação do piso salarial, da jornada de trabalho dos professores, de carreiras que se mostrem atrativas para os novos ingressantes, que por sua vez estão chegando às escolas com uma prática pedagógica que não atende as demandas apresentadas pelos alunos. E nesse momento específico da educação nacional, o atendimento a todas as crianças de 4 e 5 anos na Educação Infantil e de pelo menos 50% das de zero a 3 anos nas creches, como determina o Plano Nacional de Educação, é uma questão muito difícil de ser superada com as limitações financeiras dos municípios.

Quais dessas dificuldades citadas exigem maior urgência para serem resolvidas em Goiás?
Pela determinação legal, é a garantia do acesso à Educação Infantil, embora as demais também se apresentem com caráter de urgência.

A Undime Goiás já está trabalhando para ajudar nas soluções dessas dificuldades? Como?
Estamos trabalhando para que os municípios tenham acesso aos programas do MEC/FNDE que possam ajudar na captação dos recursos e na viabilização de projetos que permitam solucionar os problemas apontados. Também estamos presentes nos processos de regulamentação dos novos recursos a serem disponibilizados para a educação pelo PNE, e no estabelecimento de um regime de colaboração em que a distribuição de responsabilidades e recursos seja mais justa. Não é possível que o município continue a arcar sozinho com a etapa mais dispendiosa da educação, que é a Educação Infantil, mais os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, ainda partilhando os Anos Finais com o Estado, e tenha o menor percentual dos recursos da área.

Durante o 8º Fórum, a presidente da Undime Nacional, Cleuza Rodrigues Repulho, levantou uma questão que, segundo ela, é um dos grandes problemas da educação atualmente. Essa questão é a falta de preparo didático dos professores ao saírem da universidade. Eles estão suficientemente abastecidos com conteúdo teórico, mas não estão preparados para as práticas didáticas em sala de aula. A senhora enxerga esse problema em Goiás?
Os estudos e pesquisas na área apontam como sendo um problema nacional, consequentemente vivenciado também por Goiás. É como se a formação inicial, oferecida pelas faculdades e universidades, estivesse descolada da realidade educacional. O professor se forma e quando começa a trabalhar não consegue desenvolver uma prática pedagógica compatível com as necessidades da escola. Isso ficou muito claro nas conferências municipais, estaduais e nacional de educação, realizadas em 2013 e 2014, e agora nas audiências realizadas para a avaliação do Plano Estadual de Educação (PEE).

E de que forma essa complicação (falta de prática pedagógica) poderia ser resolvida?
Os estudos feitos apontam como alternativa uma reformulação nos cursos de formação de professores, associando mais as questões teóricas à prática. Mas temos que ser cuidadosos nessa questão, para não corrermos o risco de formar professores sem fundamentação teórica que possa referenciar sua prática. Essa reformulação deveria contemplar mais a parte do estágio, do acompanhamento do professor/aluno em seu contato inicial com a docência.

Sobre o Plano Municipal de Educação (PME), que também foi amplamente discutido no Fórum, quais os principais desafios enfrentados pelas Secretarias Municipais de Educação na sua elaboração?
Os principais desafios estão relacionados à obtenção de dados para a elaboração do diagnóstico, a busca de comprometimento dos diferentes setores com os trabalhos a serem desenvolvidos e a dificuldade em compatibilizar as necessidades apontadas com as metas e os recursos disponíveis.

Que tipo de auxílio a Undime está disponibilizando às Secretarias Municipais de Educação na elaboração do PME?
Em parceria com a SASE (Secretaria de Articulação com os Sistemas de Educação), a UNDIME está oferecendo formação a todas as comissões responsáveis pela elaboração dos planos em cada um dos municípios do Estado de Goiás, monitorando os avanços, fazendo oficinas, enfim, dando o suporte técnico necessário.

Qual a real importância do PNE para a educação pública do país?
Tanto o PNE quanto o PEE e os PMEs são essenciais para que consigamos construir um sistema de educação articulado no país, que atenda as demandas da população e ofereça uma educação de qualidade a todos.

Como os gestores das escolas públicas municipais podem entrar em contato com a Undime caso necessitem de algum auxílio?
Diretamente, pelo e-mail institucional undimegoias@gmail.com, no site www.undimego.com.br, no facebookwww.facebook.com/undimego, pelo telefone/fax (62) 3524-8714, ou comparecendo à nossa sede, na Avenida Independência, quadra Y, lote A, nº 4.815, Setor Norte Ferroviário, Goiânia – GO, CEP 74.063-051.

 

 

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